[Introdução - Pedro Andersson]
Olá! Sou o Pedro Andersson, jornalista especializado em finanças pessoais, e este é o Vamos a Contas, um episódio bónus, especial e semanal, do podcast Contas-Poupança.
Respondo às vossas perguntas em áudio que enviaram para o número do WhatsApp 92 775 37 37. A sua pergunta é muito importante! Vamos à dúvida desta semana.
[Ouvinte do podcast]
Olá, Pedro, boa tarde. Obrigado pelo seu trabalho. Chamo-me Paulo Magalhães e a minha questão é sobre os certificados de aforro. Vi uma notícia que as taxas para o próximo mês se vão fixar em 2,138%, a maior subida desde há um ano, salvo erro.
A minha pergunta é: faz sentido levantar o dinheiro colocado durante o ano passado, ou seja, resgatá-lo e voltar a reinvestir por essa diferença? Obrigado!
[Pedro Andersson]
Olá, Paulo, muito obrigado por esta questão. Antes de começar a responder à pergunta do Paulo, quero explicar do início como funcionam os certificados de aforro. São um produto de poupança, não digo de investimento, porque rendem menos que a inflação e, portanto, significa que estamos a perder dinheiro.
Ainda assim, perde-se menos do que noutras coisas, porque os certificados de aforro são o produto com capital garantido que mais rende juros em Portugal.
E quanto é que rendem? Rendem o que crescer ou descer a Euribor a três meses. Deixo a nota que estarei a falar, neste episódio, da Série F que é a que está agora em comercialização.
Ora, quando faz uma subscrição a primeira vez, passado um ano, esse valor esteve a crescer de três em três meses o que cresceu a Euribor a três meses e a esse crescimento, acrescenta mais 0,25%. Quanto mais tempo passar, mais recebe de prémios de permanência, que é assim que se chama este valor extra. Esses valores estão todos tabelados e consegue encontrá-los na internet.
Agora, relativamente à pergunta do Paulo, não faz sentido resgatar agora para voltar a fazer só porque num determinado mês o valor da Euribor subiu. Isto porque o valor da Euribor não fica fixo no dia em que subscreveu os certificados de aforro. De três em três meses, ao valor que lá tem vai aplicar-se a nova taxa Euribor a três meses.
Por exemplo, imagine que subscreveu certificados de aforro no dia 1 de janeiro. Isso quer dizer que, passados três meses, a taxa que vai ser aplicada ao seu dinheiro é a nova taxa que estava fixada nos dias anteriores ao próximo período.
Ou seja, as taxas dos certificados de aforro são fixas apenas durante três meses. A cada trimestre esse valor sobe ou desce conforme o valor a que estava a Euribor a três meses nos dez dias úteis anteriores ao antepenúltimo dia do mês. Mas isto a cada três meses.
Isto pode ser um pouco confuso, mas o conceito principal é este: quem tem certificados de aforro têm uma taxa que varia a cada três meses, de acordo com o que valer a Euribor a três meses nesse período.
Quando o Paulo e todos vocês ouvem na comunicação social ou investigam e descobrem que para o mês que vem a taxa dos certificados é mais elevada, se ainda estiver, por exemplo, no segundo mês do trimestre, significa que para si não vai mudar ainda. Só vai mudar quando fizer três meses.
Portanto, respondendo à sua pergunta, não, não resgate, senão vai estar a perder o período de contagem dos juros para os prémios de permanência. Quanto mais antiga for a subscrição, maior é o prémio de permanência.
A taxa de juro, ligada à Euribor a três meses, vai rondar os 2% normalmente, ou seja, menos que a inflação. E não se esqueça que ao que ganhar vai ter de subtrair sempre 28% para o Estado de taxa liberatória. Eles tiram isso automaticamente, não tem de se preocupar em pôr no IRS, a menos que lhe compense englobar se tiver rendimentos baixos.
Além disso, de acordo com as regras da Série F, mesmo que a Euribor a três meses subisse para 3%, isso não interessava, porque o máximo previsto por lei para a Série F é 2,5%.
Eu, por exemplo, tenho uma grande parte do meu fundo de emergência em certificados de aforro, porque são absolutamente seguros e sei exatamente o que vai render. Apesar de mudar de três em três meses, essa variação, à partida, nunca é muito grande e nunca será superior aos tais 2,5%, que é o limite máximo que a taxa base pode render.
Se andar sempre a resgatar para fazer de novo, vai perder a antiguidade. Por isso é que não deve resgatar os certificados de aforro por uma décima ou duas, porque vai estar a prejudicar-se no futuro.
Espero ter respondido à sua questão. E lembro que esta análise que fiz aplica-se especificamente aos certificados de aforro, porque se estivermos a falar de outro tipo de produtos com volatilidade, aí os critérios são muito diferentes. Muito obrigado por me ter acompanhado em mais uma boleia financeira.
Boas poupanças!
Aprenda a gerir melhor o seu dinheiro
Como não quero que percam dinheiro, aproveito este episódio para recordar e acrescentar alguns detalhes sobre como funcionam os Certificados de Aforro, que são o principal produto de poupança do Estado para os cidadãos comuns (há as Obrigações, mas isso é outro campeonato).
Os CA rendem mais do que os depósitos a prazo dos bancos. São uma boa alternativa para ter o seu fundo de emergência, ou para quem é hiper conservador e quer todo o seu dinheiro seguro.
É mais uma "pérola" de literacia financeira. Ouça este episódio.
Boas poupanças!
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Este episódio contou com sonoplastia de Filipe Cruz.
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