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Como ter mais dinheiro ao fim do mês em 2026, mesmo ganhando pouco

Quer poupar cerca de 1.000 € em 2026, quase sem esforço? Estamos no início de 2026 e há uma promessa que se repete todos os anos em milhares de casas portuguesas: “Este ano vou poupar mais”. O problema é que, passado janeiro, tudo fica na mesma. Não por falta de vontade, mas porque muitas pessoas não sabem por onde começar ou acreditam que só quem ganha bem consegue poupar. Veja ou reveja a reportagem desta semana do Contas-poupança.

Como ter mais dinheiro ao fim do mês em 2026, mesmo ganhando pouco

Onde deve começar a poupar?

Poupar não começa no salário, começa nas despesas. Mesmo em situações difíceis — rendimentos muito baixos, famílias monoparentais, ou doenças na família — quase todos têm margem para corrigir pequenos desperdícios que, somados ao longo do ano, podem representar centenas ou mesmo milhares de euros.

Este artigo recupera as contas da reportagem do Contas-poupança desta semana e mostra, com exemplos concretos, onde pode estar a perder dinheiro sem dar por isso e o que pode fazer já esta semana para mudar essa situação.

Pode ver ou rever a reportagem aqui:

Poupar começa por olhar para as despesas certas

Antes de cortar cafés ou abdicar de pequenos prazeres, vale a pena atacar as chamadas despesas essenciais. São aquelas que parecem inevitáveis — eletricidade, gás, telecomunicações, seguros, contas bancárias — mas que raramente são revistas.

O erro mais comum é achar que “já tenho um bom tarifário” ou que “mudar dá trabalho”. Os preços mudam constantemente e o que era barato há dois anos pode hoje ser um dos contratos mais caros do mercado.

Eletricidade: a fatura tem uma linha que diz tudo

Na eletricidade, o primeiro passo é simples: usar o simulador da ERSE. Não custa nada e é a única forma de ter a certeza se está ou não a pagar em excesso.

Numa simulação real feita para a reportagem, para exatamente o mesmo consumo, a diferença entre a empresa mais barata e a mais cara chegava aos 24,57 euros por mês. Ao fim do ano, são quase 295 euros que desaparecem da carteira sem qualquer benefício adicional.

Mesmo sem mudar de empresa, só reduzir a potência contratada de 6,9 kVA para 3,45 kVA permitia baixar a fatura em cerca de 9,32 euros por mês, o que representa mais 111 euros por ano.

Na prática, o que pode fazer é isto: pegar na última fatura, procurar a indicação sobre se pagaria menos no mercado regulado e, se a resposta for “sim”, está a perder dinheiro todos os meses. A mudança pode ser feita online e a poupança começa logo no mês seguinte.

Leia mais: Mudar de empresa de eletricidade é mais fácil do que pensa. Bastam cerca de cinco minutos para passar a poupar dezenas de euros por mês. O Contas Poupança mostra-lhe em tempo real como se faz.


Gás natural: o mercado regulado continua a ser o mais barato

No gás natural, a lógica é semelhante. O preço mais baixo em Portugal continua a ser o do mercado regulado e a mudança pode ser feita diretamente a partir do simulador da ERSE.

Um dos exemplos da reportagem mostra um cliente que pagava cerca de 45 euros por mês e passou a pagar 32 euros depois da mudança. São menos 13 euros por mês, ou 156 euros por ano, sem alterar hábitos de consumo.

Nestas poupanças não há truques nem fidelizações. É comparar, pedir a mudança e deixar o desconto trabalhar sozinho todos os meses.

Telecomunicações: o medo da fidelização sai caro

As telecomunicações são outra área onde muitas famílias estão a pagar demasiado. Pacotes antigos, renegociações que nunca foram feitas e fidelizações que já terminaram há meses explicam faturas de 60 ou 70 euros que podiam ser muito mais baixas.

Com a entrada de novos operadores no mercado, hoje é possível encontrar pacotes com televisão, internet e três telemóveis por cerca de 32 euros. Num caso analisado, a diferença era de 31 euros por mês, o que dá mais 372 euros por ano.

O primeiro passo é olhar para a fatura e confirmar se ainda existe fidelização. Essa informação está lá, em letras pequenas. Se não houver, ou se compensar pagar a penalização, a poupança pode ser imediata. Mesmo sem mudar de empresa, muitas vezes basta negociar para reduzir a mensalidade para metade.

Seguros: pagar menos não significa ficar pior protegido

Muitos consumidores mantêm o mesmo seguro automóvel durante anos por receio de perder coberturas. Na prática, acontece muitas vezes o contrário.

Um dos testemunhos da reportagem mostra um condutor que pagava cerca de 300 euros por ano e conseguiu reduzir o prémio em 120 euros, mantendo condições semelhantes. Basta usar comparadores online ou falar com um mediador de seguros.

Esta comparação deve ser feita todos os anos, antes da renovação automática. Esperar que o débito aconteça é a forma mais rápida de continuar a pagar em excesso.

Contas bancárias: pagar comissões sem precisar

As comissões bancárias são uma despesa silenciosa, especialmente entre reformados. Há pessoas com pensões muito baixas a pagar 60, 80 ou mais euros por ano apenas para ter uma conta à ordem.

E mesmo pessoas que ganham acima da média, têm por vezes 3 e 4 contas abertas sem necessidade, simplesmente por preguiça de as mandar fechar (aconteceu comigo).

Se só tiver uma conta bancária em Portugal, pode pedir a conversão para uma conta de serviços mínimos bancários. O custo passa a ser cerca de 5 euros por ano. A poupança ronda os 70 euros anuais e o processo é simples: basta pedir o formulário no balcão do banco.

Aqui, o ganho não está em fazer mais, mas em fechar contas desnecessárias e simplificar.

As pequenas despesas que parecem inofensivas

Depois das despesas essenciais, há um segundo grupo que explica porque é que o dinheiro “desaparece”: os pequenos gastos do dia a dia. Sem juízos morais, convém fazer as contas.

Por mês, pode estar a gastar:

– Pequeno-almoço fora: 55 euros – Almoços fora: 222 euros – Lanches: 66 euros – Comida entregue em casa: 100 euros – Assinaturas, streaming e jogos: 50 euros – Tabaco: 156 euros

No total, são cerca de 650 euros por mês. Ao fim do ano, mais de 7.000 euros. São valores que raramente são somados, mas que explicam porque o dinheiro nunca sobra.

O exercício prático é simples: escolher uma ou duas destas despesas, reduzi-las ou eliminá-las, e transferir automaticamente esse valor para uma conta separada todos os meses. Não para gastar logo, mas para criar margem financeira. Em poucos meses, a diferença sente-se. Pode ser o princípio do seu Fundo de emergência ou dos seus investimentos.

Despesas essenciais não são imutáveis

A ideia mais importante a reter é esta: despesas essenciais não são despesas fixas para sempre. É verdade que precisa de eletricidade, gás, telecomunicações, seguros e uma conta bancária. O que não é verdade é que tenha de pagar o mesmo por esses serviços durante anos.

Comparar, renegociar e mudar é gestão básica do dinheiro. Quem perde o medo de mexer nas contas consegue libertar centenas de euros por ano sem ganhar mais, sem trabalhar horas extra e sem grandes sacrifícios.

Se fizer pelo menos três destas mudanças em 2026, vai perceber rapidamente que poupar não é um luxo. É uma decisão prática que pode melhorar a sua vida financeira.






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