
Os carros elétricos são hoje a solução mais barata por quilómetro, mas continuam fora do alcance de muitos portugueses. São caros, nem toda a gente consegue carregá-los em casa e a questão da autonomia ainda pesa bastante na decisão de compra.
É precisamente aí que o GPL voltou a ganhar força.
Durante anos, os carros a GPL ficaram quase esquecidos. Mas o aumento dos preços da gasolina e do gasóleo trouxe novamente esta alternativa para cima da mesa. O Contas-poupança foi fazer contas para perceber se ainda vale a pena usar GPL em Portugal — e a resposta é: depende do seu caso. Mas para muitas pessoas, sim, continua a compensar bastante.
Quanto custa andar a GPL?
A principal vantagem do GPL continua a ser o preço.
Enquanto a gasolina e o gasóleo rondam frequentemente os 2 euros por litro, o GPL continua normalmente abaixo de 1 euro por litro, mesmo em períodos de tensão internacional e subida do petróleo.
À primeira vista, parece uma diferença enorme. E é. É uma diferença rara no mundo dos combustíveis.
O problema é que um carro a GPL consome mais combustível aos 100 km do que quando anda a gasolina. Segundo instaladores e utilizadores, o aumento do consumo ronda normalmente os 15% a 20%.
Por exemplo, um carro que consuma 6 litros de gasolina aos 100 km, passará a consumir cerca de 7 litros de GPL.
Use, por exemplo, este simulador para fazer as suas contas em www.gplpt.pt.
Mas mesmo consumindo mais, a conta final continua muito mais baixa.
Com gasolina a 2,02 € e GPL a 95 cêntimos:
- 100 km a gasolina custam cerca de 12 euros;
- 100 km a GPL custam cerca de 6,65 euros.
Ou seja, uma poupança próxima dos 45%.
Quem fizer 1.000 km por mês pode poupar facilmente 50 euros mensais. Em alguns casos, mais.
Ao fim de um ano, isso representa cerca de 600 euros. Em dois ou três anos, a diferença já pode pagar grande parte do valor do carro.
Quanto custa instalar GPL?
Se já tiver um carro a gasolina, pode convertê-lo para GPL.
O preço da instalação varia normalmente entre:
- 1.200 €;
- 2.400 €.
Tudo depende do tipo de motor, da complexidade da instalação e do sistema escolhido.
Há também carros vendidos já de origem a GPL. Nesse caso, a instalação já vem incluída no preço do automóvel e evita preocupações futuras.
Mas alguns instaladores explicam que adaptar o carro depois da compra também pode ter vantagens.
Uma delas tem a ver com o tipo de gás utilizado.
Um detalhe que quase ninguém conhece
Muitos carros vendidos na Europa preparados para GPL estão afinados para funcionar com uma mistura de propano e butano.
Em Portugal, praticamente só se utiliza propano.
Segundo alguns instaladores contactados pelo Contas-poupança, isso pode influenciar os consumos e o comportamento do motor. Em certos casos, uma instalação feita especificamente para a realidade portuguesa pode ficar melhor afinada.
Outro detalhe importante: as reparações.
Algumas peças em oficinas da marca podem ter preços muito superiores aos de instaladores independentes especializados em GPL, bem como o preço das revisões.
São aspetos que deve comparar antes de tomar uma decisão.
Quanto tempo demora a recuperar o investimento?
Esta é a pergunta mais importante. A resposta depende sobretudo de quantos quilómetros faz por mês. Se fizer poucos quilómetros, provavelmente não compensa.
Mas quem faz muitos quilómetros pode recuperar rapidamente o investimento.
Por exemplo:
- Um condutor que faça 2.000 km por mês;
- E poupe cerca de 100 euros mensais;
- Pode recuperar um investimento de 1.800 euros em cerca de um ano e meio.
Depois disso, praticamente tudo passa a ser poupança.
É precisamente por isso que muitos TVDE, táxis e profissionais da estrada continuam a usar GPL.
GPL ou elétrico?
Apesar das vantagens do GPL, os carros elétricos continuam a ganhar na poupança por quilómetro. Especialmente para quem consegue carregar em casa durante a noite.
Mas há uma realidade que muitas vezes é ignorada: nem toda a gente consegue ter um elétrico.
Há pessoas que moram em apartamentos sem garagem, não têm posto de carregamento, fazem viagens longas, compram carros usados baratos ou não conseguem pagar 30 ou 40 mil euros por um automóvel novo. Nesses casos, o GPL aparece como uma solução intermédia muito interessante.
Permite reduzir bastante os custos sem mudar radicalmente os hábitos.
A autonomia pode quase duplicar
Outra vantagem importante é a autonomia.
Num carro bi-fuel — gasolina e GPL — pode usar os dois depósitos.
Na prática, muitos automóveis conseguem fazer mais de 1.000 km sem abastecer.
O carro mantém o depósito original de gasolina. Ou seja, se acabar o GPL, pode continuar a viagem normalmente a gasolina.
Para quem faz viagens longas, isso continua a ser um argumento forte face a alguns elétricos.
E a segurança?
Esta continua a ser a pergunta mais frequente.
“Mete medo andar com um depósito de gás?”
Os instaladores garantem que os sistemas atuais são muito seguros e já não têm nada a ver com a imagem antiga dos carros a GPL.
Hoje existem:
- válvulas de segurança;
- sensores;
- cortes automáticos;
- depósitos reforçados;
- inspeções obrigatórias.
Além disso, os carros GPL modernos já podem estacionar normalmente em parques subterrâneos, algo que durante muitos anos esteve proibido.
E o antigo dístico azul gigante desapareceu. Hoje existe apenas um pequeno selo verde, quase impercetível.
Isso ajudou muito a mudar a imagem desta tecnologia.
As desvantagens do GPL
Nem tudo são vantagens.
Há também alguns inconvenientes que deve conhecer antes de avançar:
- perde algum espaço na mala ou no local do pneu suplente;
- continua dependente de combustíveis fósseis (este tem menos emissões de CO2);
- há menos postos GPL do que gasolina;
- o carro consome mais litros aos 100;
- a instalação inicial pode ser cara;
- alguns motores não são aconselhados para conversão;
- pode haver custos adicionais de manutenção;
- os sistemas GPL têm também inspeções e revisões específicas obrigatórias.
Além disso, o mercado automóvel está claramente virado para a eletrificação. Isso pode afetar o valor de revenda no futuro.
Então, vale a pena?
Para muitas famílias portuguesas, sim.
Sobretudo para quem:
- faz muitos quilómetros;
- já tem um carro a gasolina;
- não consegue ter um elétrico;
- quer reduzir rapidamente os gastos mensais.
Mas é essencial fazer contas antes.
Não basta olhar para o preço do litro.
Como saber se o GPL compensa no seu caso?
Tem de calcular:
- quantos quilómetros faz;
- quanto consome;
- quanto custa a instalação;
- quanto tempo pensa ficar com o carro.
Só depois disso saberá se o GPL é realmente uma poupança no seu caso.
Uma coisa é certa: em 2026, o GPL deixou de ser uma tecnologia “do passado”. Para quem não consegue — ou não quer — passar já para um elétrico, o GPL pode continuar a ser uma das formas mais inteligentes de cortar na fatura dos combustíveis, com menos emissões do que o diesel e a gasolina.















