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PodTEXT | Quer mais mil euros em 2026? Comece por estas decisões simples

No episódio desta semana de “Contas-poupança”, falamos sobre um dos desafios financeiros mais comuns: como ter mais dinheiro ao fim do mês mesmo com rendimentos baixos. As despesas essenciais — eletricidade, gás, telecomunicações, seguros e contas bancárias — não são obrigatoriamente fixas e a maior parte das famílias tem margem para reduzir custos se fizer uma revisão sistemática dessas rubricas. Veja como.

PodTEXT | Quer mais mil euros em 2026? Comece por estas decisões simples

[Introdução - Pedro Andersson]

Olá! Sou o Pedro Andersson, jornalista especializado em finanças pessoais, e aproveito as minhas viagens de carro para falar consigo sobre dinheiro. Desta vez vamos falar sobre como poupar mil euros em 2026.

Quem segue o Contas-Poupança já sabe que a nossa atitude é muito diferente. Andamos sempre em cima das nossas despesas. O critério é só pagar aquilo que quero e preciso, ao preço mais baixo e com as melhores condições possíveis.

Esta é a estratégia que tento seguir todos os dias da minha vida em relação a todos os produtos e serviços. Portanto, neste episódio, vamos regressar ao básico da poupança, porque foi assim que começou o Contas-Poupança, em 2011, dando dicas sobre como poupar em vários serviços, e chegávamos ao fim do ano com uma poupança brutal para quem nunca tinha feito isso na vida.

Recordo-me, e já vos contei esta história, que quando comecei a renegociar todas as minhas despesas, nesse ano, poupei cerca de três mil euros. Isto são dados reais, não estou a inventar, fiz mesmo essas contas, porque cheguei à conclusão que desperdiçava tanto dinheiro por preguiça e ignorância, que aprendi a lição e nunca mais deixei que isso acontecesse.

Vou fazer-vos uma lista de poupanças perfeitamente possíveis e ao alcance de cada um de vocês. Obviamente, haverá algumas dessas dicas que não se vão aplicar ao seu caso, porque se calhar até já está no limite da poupança para algumas destas categorias, mas acredito que para muitos de vocês este episódio vai servir de lembrete.

Primeira poupança de todas, a eletricidade. Há centenas de milhares de portugueses que estão a pagar a mais. E reparem que este episódio é sobretudo a pensar nas famílias que ganham menos e que mesmo assim desperdiçam dinheiro. Isso é inadmissível. Portanto, vamos pôr os papéis na mesa, vamos pegar no telemóvel, na calculadora e vamos ganhar dinheiro com este episódio.

Então, eletricidade: se está a pagar mais de 16 cêntimos por kilowatt-hora, está a desperdiçar dinheiro. Obviamente não estou aqui a contabilizar depois os descontos que tem no hipermercado, que tem não sei onde, e também tem de fazer essas contas, mas é mais complicado.

O meu alerta é para que utilizem o simulador da ERSE, coloquem lá os dados necessários e sigam os resultados. Depois, para ter a certeza de que está realmente a poupar, basta olhar para a sua fatura mais recente e comparar o preço do quilowatt-hora e o preço da potência contratada por dia.

Feito isto, se verificar que no contrato novo que vai fazer, baixa esses dois valores, às vezes um aumenta para o outro baixar, o principal é o quilowatt-hora, mas se estiver abaixo de 16 cêntimos, então é uma boa alternativa.

Mesmo que haja outra mais barata, tudo bem, mas tudo o que seja abaixo de 16 cêntimos já está a fazer bem o seu trabalho de casa.

Para terem uma ideia, a conclusão a que cheguei é que a diferença para 300 kWh para uma família com filhos, entre a empresa de eletricidade mais cara e a mais barata, na fatura, a diferença é de 24,50 euros por mês. Isto multiplicado pelos 12 meses do ano é muito significativo.

Não tenha medo mudar de empresa de eletricidade, porque há empresas a fazerem menos de 14 cêntimos o quilowatt-hora. E há muitos de vocês que estão a pagar 18, 19, 20 e 21 cêntimos por kWh. É um desperdício absoluto de dinheiro. Portanto, faça essa comparação e se encontrar mais barato, mude, não tenha medo.

Como é que se muda de eletricidade? Contacta a empresa que lhe interessa, vai ao site deles, é fazer a comparação dos preços que paga atualmente com os preços de outras empresas e encontrar a que é mais barata. Não tem nada que saber e é uma poupança que pode chegar a quase 25 euros por mês.

Ainda na eletricidade, pode avaliar se consegue reduzir a sua potência contratada. Agora, como temos cada vez mais coisas elétricas, placas de indução e termoacumuladores, é cada vez mais difícil baixar a potência contratada. Mas de certeza que há muitos de vocês que têm uma potência de 6,9 ou até mais e que poderiam baixar um, dois ou três escalões.

Para terem uma noção do impacto disto numa fatura, reduzir de 6,9 para 3,45, podendo fazê-lo, a diferença é de 9,32 euros numa das empresas onde fiz essa comparação de quanto é que poderia poupar. Portanto, são quase 10 euros. Obviamente, se baixar só um escalão, se calhar são só menos dois ou três euros, mas também é algo que vale a pena avaliar.

Como é que faz isso? Liga para a sua empresa e diz que quer baixar a potência contratada e eles tratam disso, na maior parte dos casos até remotamente, agora com os contadores inteligentes.

E depois o que é que acontece? Assim que se apercebe que já está a mudança feita, faz a sua vida normal e se o quadro for abaixo mais vezes do que aquilo que está disposto a alterar nos seus comportamentos, ou seja, não ligar tantas máquinas ao mesmo tempo, volta a subir um escalão e assim sucessivamente até encontrar o seu escalão adequado de potência contratada.

Mas há pessoas que fizeram a maior potência contratada possível para as suas necessidades há dez anos e nunca mudaram e, entretanto, se calhar já não têm tanta gente em casa, já não ligam tantas máquinas, ou as máquinas já são mais eficientes, e já não é precisa tanta potência contratada. Mais uma vez, está a desperdiçar dinheiro.

Costumo comparar esse desperdício a alguém que pega na carteira e começa a atirar notas de dez euros pela janela fora. Estaria disposto a fazer isso? Tenho a certeza que não. Então porque é que faz isso, mas por débito direto? É mais fino? É pensar nisto.

Para fazermos um valor total, alguém que pague 18 cêntimos por quilowatt-hora e consiga baixar para uma das mais baratas, para 14 cêntimos, e está lá no simulador da ERSE quais são as empresas que têm esse valor, só por aí conseguiria poupar 294 euros por ano.

Estamos a falar de praticamente poder pagar o seguro do carro, simplesmente por mudar de empresa de eletricidade.

Aquela questão de reduzir a potência contratada em cerca de nove euros por mês, pode não parecer muito, mas estamos a falar de mais 111 euros por ano, a somar aos 294 euros. Já estamos a falar de valores muito relevantes.

Agora falemos do gás, para quem tem gás canalizado e tem a possibilidade de mudar para o mercado regulado, faça isso imediatamente. Há mais de dois anos que o gás que é fornecido pelos comercializadores de último recurso é o mais barato do mercado, está nos 6 cêntimos por kWh.

Meus amigos, há muitos de vocês que estão a pagar 7, 8 e 9 cêntimos por kWh. Estamos a falar de uma poupança imediata só por mudar para a empresa do mercado regulado, que também lá está na ERSE. Portanto, vai ao simulador do gás na ERSE e põe lá os seus dados e diz-lhe logo qual é a empresa para a qual deve mudar.

É aquela que tiver 6 cêntimos o kWh. Carrega lá no botãozinho em cima, clicando em mais detalhes, aparece logo o formulário, preenche os dados e no mês a seguir já está a poupar. É só isto.

Vou dar-vos o meu caso pessoal. Eu estava a pagar cerca de 45 euros por mês de gás natural, mas depois mudei para o mercado regulado e, neste momento, pago em média cerca de 32 euros por mês. É uma poupança relevantíssima, sendo que o gás, tal como a eletricidade, são serviços essenciais e, por isso, temos mesmo de ter essa despesa.

Mas podemos ter essa despesa certa e ainda assim pagar muito menos. O que é que custa clicar num botão, preencher um formulário e ter isso tudo resolvido? No meu caso, baixar de 45 euros para 32 euros por mês, é uma poupança de 13 euros mensais. Ao fim de um ano, estou a poupar 156 euros só porque mudei para a empresa de gás mais barata.

Este é mais um valor a somar aos outros que já vos dei há pouco. Todas estas contas que estou a fazer convosco já as fiz para mim e já estou a ter estas poupanças há muitos anos. Mas continuo a fazer estas contas ao longo do tempo e vou voltar a fazer agora em 2026.

Outra despesa de que vamos falar é a dos seguros de carros ou motas. A quantidade gigantesca de pessoas que não compara os preços dos seguros e não muda de seguradora por hábito, é muita gente. Claro que se sempre correu tudo bem, é normal que não haja motivo aparente para trocar, mas se calhar há outras seguradoras com melhores condições por um preço mais baixo.

O mercado português é tão pequenino que se as empresas querem sobreviver, têm de andar a roubar clientes umas às outras. É por isso que, anualmente, deve aproveitar para comparar seguradoras e ir sempre baixando o valor que paga ou, pelo menos, impedir que o valor que paga aumente. Não se esqueça que os seguros aumentam todos os anos e nós nem damos por isso.

Uma das pessoas que entrevistei para a reportagem estava a pagar 300 euros de seguro do carro, mas quando foi comparar descobriu que podia ter melhores condições por 180 euros, em vez de 300 euros. Só por ter feito essa mudança, poupou 120 euros.

E isto é para um carro, imaginem as famílias que têm mais que um. Conseguem multiplicar esta poupança. Pode até não conseguir uma poupança de 100 euros, mas se conseguir de 50 euros já é uma maravilha.

Se não conseguiu nenhuma poupança porque afinal descobriu que já está a pagar o mínimo possível para o que está disponível no mercado, então maravilha também. É mesmo isso que se pretende.

Vamos a mais uma despesa que é considerada essencial, que é ter uma conta bancária. Precisamos de ter uma conta aberta para receber o salário, para receber a reforma, para pagar as contas, para ter um multibanco, mas há muitas pessoas que têm duas, três e quatro contas, todas elas a pagar comissões de manutenção de conta e outras anuidades.

Há famílias a pagar pequenas fortunas só por terem contas bancárias abertas. Qual é a necessidade disso? Se for essencial, muito bem. Não sendo essencial, é mais uma vez aquele desperdício de pegar em notas e atirar pela janela.

Analise todas as contas bancárias que tem abertas, feche as que não são essenciais e que estejam a pagar comissões de manutenção de conta. Há algumas contas bancárias que são completamente gratuitas.

Ou se no seu caso até só tiver uma conta, mas está a pagar mensalidades, peça ao seu banco para transformar essa conta numa de serviços mínimos bancários e passa a pagar apenas cinco euros por ano em vez de a cada mês. Só aí são mais 70, 80 ou 90 euros de poupança por ano. Reparem que quando somamos estes valores todos, a poupança é considerável.

Depois, ainda há a questão das telecomunicações e das fidelizações, mas só para terem uma ideia, entrevistei uma pessoa que estava a pagar por um pacote de TV, NET e três telemóveis, 63 euros. Há pessoas que pagam ainda mais que isto. Neste momento, a operadora com preços mais baixos é a Digi.

Já sei que alguns de vocês vão dizer que há zonas com pouca cobertura e pessoas que se queixam, mas também há pessoas satisfeitas. Mas se falarmos apenas de preço, por exemplo para o meu filho menor, qual é a relevância de ser uma operadora ou outra? Tem cobertura nos sítios onde está? Então, se sim, porque é que estou a pagar 15 euros se posso pagar cinco ou seis euros?

Portanto, com uma breve pesquisa, um pacote com televisão, internet e três telemóveis ilimitados, já se consegue em Portugal por 32 euros. Ao fim de um ano, se fizesse esta mudança e fosse este o preço que pagava, ia poupar mais 372 euros.

Por exemplo, eu que sou jornalista e tenho de estar sempre, mesmo, contactável, se calhar não iria para uma operadora em que tivesse a preocupação de não ter cobertura em todo o lado. Mas, como dizia há bocado, se fosse por exemplo para o meu filho, se calhar um tarifário noutra empresa que fosse mais barato, era suficiente.

Temos de abrir a nossa mente e descobrir para cada pessoa, para cada necessidade, uma empresa e um preço. E conseguir sempre o mínimo possível.

Agora vamos fazer a conta total. Para quem nunca mexeu na eletricidade, portanto, conseguindo reduzir o preço e ainda conseguindo reduzir a potência máxima contratada, são praticamente 400 euros a menos por ano. Mais 150 euros se mudar o gás para o mercado regulador e ainda vamos assumir os 370 euros em telecomunicações, em determinadas circunstâncias, dependendo dos serviços que precisa ou quer ter.

Se ainda renegociar ou trocar o seguro do carro, pode conseguir poupanças entre os 50 euros e os 100 euros, e multiplicar este valor pelo número de carros que tiver. Pode aproveitar e renegociar também outros seguros que tenha, como os de saúde.

Acrescentando a poupança nas comissões bancárias ao fechar contas ou a passar a ter uma apenas e de serviços mínimos, são mais entre 70 e 90 euros por ano que pode poupar.

Pela conta que já fiz, já ultrapassámos largamente os mil euros de poupança para 2026, simplesmente por fazer estas alterações que não dão trabalho e são simples. É só isto.

Mas as poupanças podem ser ainda mais brutais se sairmos só da esfera dos serviços essenciais e passarmos também às opções. Mas isso, claro, já vai de cada pessoa e ninguém tem nada a ver com a forma com os outros gastam o seu dinheiro.

No entanto, posso fazer também uma breve lista de coisas que não são essenciais, ou pelo menos necessidades obrigatórias, e para as quais podemos, eventualmente, encontrar alternativas mais baratas.

Por exemplo, sem que se aperceba, pode estar a gastar mais de 50 euros por mês em pequenos-almoços. Se almoçar fora todos os dias, porque a sua empresa não tem refeitório ou porque não leva marmita, pode estar facilmente a gastar mais de 220 euros por mês.

Em lanches a meio da tarde, se não os leva de casa, pode estar a pagar mais de 60 euros por mês, sobretudo nas grandes cidades.

Tudo o que seja entrega de comida em casa por aplicações e coisas do género, claro que facilita a nossa vida, mas é mais um gasto que às vezes passa despercebido. O facto de não pagarmos à pessoa em mãos, faz-nos perder a noção do dinheiro que estamos a gastar. Pode facilmente estar a gastar mais de 100 euros por mês nesse tipo de refeições que pede de fora.

As assinaturas de streaming ou jogos são outra coisa. Raspadinhas, Euromilhões, outro tipo de jogos desse género, há pessoas a gastar muito dinheiro todos os meses nessas coisas.

Quem fumar, e eu nunca fumei, portanto, sei que é fácil falar, mas tem mais uma despesa superior a 150 euros por mês. Quem fuma mais, mais gasta ainda.

Só nesta pequena lista já estamos a falar, contas feitas com estes valores que fui aqui dizendo, em 650 euros mensais em despesas opcionais, o que dá um total anual de 7800 euros.

A somar às outras contas que fiz há bocadinho, de cerca de mil euros, estamos a falar de quase nove mil euros por ano que podemos poupar se quisermos.

Portanto, esta é a margem que está nas mãos de cada família portuguesa e que não depende nem do patrão, nem do Estado. No pior cenário possível, de uma pessoa ou família que nunca tenha ligado a nada disto e que agora queira, de uma vez por todas, pôr as mãos nas finanças, é uma margem de quase nove mil euros.

E há mais despesas opcionais que nem mencionei, cada um saberá as suas e cada um sabe o que pode fazer em relação a elas.

Este é o alerta que quero deixar aqui no princípio deste ano, que serve para qualquer altura do ano em que ouça este episódio. Pode até começar em outubro, mas comece.

Depois, com o dinheiro que conseguir poupar, que vai depender do que cortar ou alterar, utiliza para fazer o fundo de emergência e depois começar a investir.

Isto é literacia financeira e são finanças pessoais do mais básico que há. Não desperdice o seu dinheiro em despesas pequenas e invisíveis. Só são invisíveis se quisermos, porque elas estão à frente dos nossos olhos. Só temos é de tomar decisões e agir. Muito obrigado por me ter acompanhado em mais esta boleia financeira.

Boas poupanças!

Aprenda a gerir melhor o seu dinheiro

Simples ações como comparar tarifas de energia, renegociar pacotes de telecomunicações ou reduzir despesas bancárias podem libertar dezenas ou mesmo centenas de euros ao longo do ano — sem grandes sacrifícios nem hábitos radicais de poupança.

O episódio inclui orientações claras sobre a automatização de poupanças — uma técnica que elimina decisões emocionais e transforma boas intenções em resultados concretos — e explica por que é essencial olhar para as pequenas despesas do dia a dia (como cafés, almoços fora e assinaturas) para perceber onde o dinheiro está a escapar. Vai encontrar dicas concretas que podem ser aplicadas já este mês para começar a ver mais dinheiro no fim do mês e construir uma margem financeira sustentável ao longo do ano.

Boas poupanças!


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