[Introdução - Pedro Andersson]
Olá! Sou o Pedro Andersson, jornalista especializado em finanças pessoais, e este é o Vamos a Contas, um episódio bónus, especial e semanal, do podcast Contas-Poupança. Respondo às vossas perguntas em áudio que enviaram para o número do WhatsApp 92 775 37 37. A sua pergunta é muito importante! Vamos à dúvida desta semana.
[Ouvinte do podcast]
Bom dia. Gostaria de colocar a seguinte questão: fui avaliada agora com incapacidade de 66%. definitiva. Fui ao banco e disseram-me que o que está definido no meu seguro da casa é Invalidez Absoluta e Definitiva (IAD). Gostava de saber se posso fazer alteração para Invalidez Total Permanente (ITP)? Muito obrigada.
[Pedro Andersson]
Olá! Muito obrigado pela sua pergunta. Esta pergunta é extremamente relevante. É extremamente importante saber coisas básicas sobre seguros, sobre bancos, sobre impostos, sobre direitos da segurança social, sobre como é que funcionam as reformas.
São coisas que me esforço por ir partilhando com vocês porque são informações úteis que toda a gente devia saber.
Posto isto, tenho uma má notícia para esta nossa ouvinte e quero aproveitar esta oportunidade para alertar todos para a importantíssima informação sobre os seguros de vida associados ao crédito à habitação, esse sobretudo, mas também sobre outros seguros de vida que possam fazer individualmente ou associado a outro tipo de crédito.
Esta informação é uma das mais importantes que já passou pelo Contas-Poupança e quando descobri, fiquei de boca aberta.
Quando me disseram, por exemplo, que se tivesse um crédito à habitação e um seguro ITP e uma determinada percentagem de incapacidade, acima de 60%, podia ter a casa paga. Não é preciso morrer, basta um problema de saúde ou um acidente que levem a essa percentagem de incapacidade e a casa fica paga.
Não fazia a mínima ideia desta informação até ter feito a reportagem para o Contas-Poupança. No entanto, disseram-me também que uma grande parte das pessoas que fazem um crédito à habitação, para poupar dinheiro, escolhem o seguro IAD.
Acontece que o seguro IAD, eventualmente mais barato, só nos paga a casa se ficarmos completamente ou quase completamente incapazes. Ou seja, normalmente com percentagens de incapacidade acima de 80%, o que é raro acontecer.
Portanto, se escolhermos o IAD, o seguro mais barato, se ocorrer um problema de saúde ou um acidente, a casa não fica paga. E, em caso de incapacidade, provavelmente as pessoas deixam de poder trabalhar, mas continuam a ter de pagar a casa ao banco.
Se a opção for o seguro ITP, o melhor, caso haja um problema de saúde ou um acidente, claro que temos de lidar com as dificuldades que daí vêm, mas pelo menos a preocupação do pagamento da casa desaparece.
Portanto, o que quero dizer a esta ouvinte é que, depois de diagnosticada a doença e depois de atribuída a incapacidade, já não pode mudar do seguro IAD para o ITP, porque o seguro cobre um risco. Ora, se o risco já aconteceu, já não há nada a fazer.
Ou seja, para fazer o seguro ITP tem de ser na eventualidade de acontecer uma situação dessas, mas tem de ser antes de acontecer. Essa é a má notícia. Entretanto, vou deixar este tema em suspenso um bocadinho para falar sobre uma outra coisa.
Ora, quando alguém tem uma incapacidade de 60% ou mais, pode ir ao banco e pedir o spread bonificado por incapacidade. E, em alguns casos, as condições podem ser melhores do que as que tem atualmente. Qual é a desvantagem? Na maior parte dos casos, deixa de ter seguro de vida. Ou seja, passa a ser um seguro de vida com outras condições.
A melhor forma de saber as condições exatas é ir ao banco e perguntar. Mesmo que já tenha o atestado de incapacidade há algum tempo, pode ir agora ao banco e apresentar o atestado e pergunta como é que pode adaptar o crédito à habitação tendo em conta a sua situação.
Mas atenção a uma coisa: mesmo que tenha o seguro ITP e uma incapacidade, não quer dizer que tenha automaticamente a casa paga. Isto é, quando utilizamos esta expressão, quer dizer que pode ter a sua casa paga se tiver uma determinada percentagem de incapacidade. É importante saber que cada apólice tem uma percentagem diferente.
No meu caso, como já renegociei o meu seguro de vida três vezes, e já mudei de seguradora uma vez, neste momento consegui baixar o meu seguro de vida e da minha mulher, para o crédito de habitação, para 50% de incapacidade.
Ou seja, se me acontecer alguma coisa e eu tiver uma incapacidade de 50%, tenho a casa paga. Mas, e este mas é extremamente importante, a maior parte das apólices diz que tem de acumular com a reforma por invalidez.
Ou seja, não é só ter a incapacidade, é ter a incapacidade e deixar de ter condições para exercer o meu trabalho, a minha profissão. Portanto, fico com a casa paga, com 50% de incapacidade, ou 60%, ou 62%, ou 68%, ou o que for, mas leia a sua apólice porque provavelmente, sobretudo as mais recentes, dirão que tem de acumular com a tal reforma por invalidez.
Porque senão, o que é que aconteceria? Vamos imaginar que eu tenho os 50% de incapacidade, mas continuo a trabalhar sem qualquer impacto na minha vida profissional. Ora, nessas circunstâncias, mesmo tendo o ITP, o seguro não vai pagar a minha casa.
Por outro lado, há algumas apólices mais antigas em que eles ainda não se tinham apercebido do impacto desta condição na apólice e há seguros em que basta ser diagnosticado e ter essa percentagem de incapacidade e a casa está paga, não tem sequer de justificar nada.
O que é que é essencial neste episódio? É cada um de vocês fazer o que tem a fazer para não cair nesta situação desta nossa ouvinte, porque ela não sabia. Portanto, verifiquem o se têm o seguro IAD e, se sim, mude rapidamente para o ITP. Esperemos que nunca seja preciso usar, mas caso aconteça alguma coisa, já está protegido.
Qual é a boa notícia no meio disto tudo? É que há muitas situações em que, por exemplo, trocando de seguradora, ou mesmo na própria seguradora, ameaçando sair, pode ficar a pagar menos pelo ITP do que aquilo que paga agora, atualmente, pelo IAD. Isto porque, muitas vezes, são seguros já bastante antigos e na altura os preços que praticavam eram diferentes.
Espero que este alerta seja importante. Veja isto para o seu caso, para o caso dos seus pais, para o caso dos seus filhos, dos seus familiares, dos seus amigos. Isto pode fazer uma diferença gigantesca na vida de alguém que, além de todos os problemas associados a uma incapacidade, escusa de ter ainda mais um problema que é continuar a pagar um crédito.
Muito obrigado por me ter acompanhado em mais esta boleia financeira. Juntos vamos melhorando as nossas decisões financeiras e protegemo-nos contra qualquer eventualidade.
Boas poupanças!
Aprenda a gerir melhor o seu dinheiro
Ainda pode mudar de cobertura? Vale a pena tentar alterar o seguro depois do problema aparecer? E qual é afinal a diferença entre IAD e ITP, uma diferença que pode representar dezenas ou centenas de milhares de euros?
Explico-lhe também:
- porque é que milhares de pessoas têm um seguro menos favorável sem saber;
- quais são as percentagens de incapacidade normalmente exigidas;
- o que deve confirmar hoje no seu seguro da casa;
- quanto pode custar mudar para ITP;
- e em que situações a mudança pode já não ser possível.
Se tem crédito à habitação, este episódio pode evitar um dos maiores erros financeiros da sua vida. Mesmo que ache que nunca vai precisar do seguro. Porque é exatamente isso que quase toda a gente pensa… até ao dia em que precisa.
Boas poupanças!
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Este episódio contou com sonoplastia de Filipe Cruz (IG: @filipe.cruz470)
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Boas poupanças!













