Balanço de Março de 2026
Se está a pensar instalar painéis solares, há uma coisa que precisa de perceber antes de gastar um único euro: produzir energia não é o mesmo que poupar dinheiro.
Tenho painéis solares desde 2016 e, ao longo destes 9 anos, fiz as contas todos os meses. Já produzi mais de 1.300 euros em eletricidade — mas, na prática, só aproveitei cerca de metade.
O erro? Não conseguir consumir a energia no momento em que ela é produzida. Veja porquê.
As contas reais
- Investimento total: 2.391,35 €
- Produção total: 1.348 €
- Poupança real: 595 €
- Poupança média mensal: ~15 €
- Desperdício atual: mais de 50%
- Venda de excedente: 5 cêntimos/kWh
Falta recuperar cerca de 7 € (ao fim de 9 anos)
O maior erro que pode cometer
O maior erro não é comprar painéis caros. É produzir energia que não consegue usar.
A sua casa consome primeiro a energia dos painéis — mas apenas naquele instante. Se não estiver ninguém em casa ou não tiver equipamentos ligados, essa energia é desperdiçada ou vendida ao preço mais baixo.
Chegou a primavera e com ela a produção de eletricidade volta a crescer. Foi um dos melhores "Marços" de que tenho registo.
Continuo com um desperdício muito grande da eletricidade produzida (superior a 50%). Não tenho baterias para acumular o que não consigo gastar do meu autoconsumo solar, mas vendo o excedente à empresa Luzboa, a 5 cêntimos/kWh. Até ao momento (desde abril de 2023), já recebi 187,91 €, uma média de cerca de 6,50 € por mês. Os pagamentos têm sido muito instáveis e esporádicos.
Aqui está o equipamento que comprei inicialmente:
E aqui tem o processo de instalação, para perceber como é simples:
Quanto posso poupar?
Se consumisse tudo o que os meus 5 painéis produzem, neste momento já estariam pagos e a dar lucro. Mas, como isso não acontece, continuo a ter “apenas” uma poupança real mensal na minha fatura da luz entre os 10 e os 16 euros.
Estou quase – pelas minhas contas – a ter o investimento totalmente pago com a minha energia renovável. Na minha opinião, vale a pena o investimento que fiz (por ter aproveitado o reembolso do Fundo Ambiental), que me pagou quase metade do investimento (85% do valor sem IVA). Sem esse apoio, teria sido um investimento muito mais difícil de recuperar.
Tenho painéis solares desde dezembro de 2016. Ao longo destes 9 anos tenho aprendido muito com a minha experiência. Partilho mensalmente (há mais de 110 meses) as minhas contas. A minha previsão era ter o investimento do meu primeiro e único painel pago em 8 anos. Com a venda do excedente e os aumentos das tarifas de eletricidade, isso teria acontecido em Junho de 2024. O problema é que nunca consumi tudo o que produzi.
Há 6 anos decidi aproveitar a “promoção” do Fundo Ambiental para instalar mais 4 painéis para micro geração de energia e recomecei a fazer contas a partir de Novembro de 2021. Pela minha previsão, terei os 5 painéis pagos ainda este ano. Se gastasse tudo o que os painéis produzem, teria uma poupança mensal média de cerca de 30 euros por mês na minha fatura de eletricidade (360 euros por ano). Mas não consigo consumir tudo em tempo real, porque estamos fora de casa a trabalhar.
Vale a pena investir em painéis solares?
Com estes artigos mensais, tem informação verídica, exata e totalmente isenta. Você decide o que fazer com esta informação. Não estou a vender painéis, nem a sugerir marcas, nem sequer o tento convencer a instalar painéis solares fotovoltaicos. É apenas para que entenda como isto funciona.
Em março, os meus painéis produziram 182 kWh. O desperdício este mês foi de 53%. Se consumisse tudo o que produzem, a minha poupança na fatura de eletricidade seria de 29 €. Ou seja, perdi praticamente metade da poupança potencial.
Leia também: Quanto custa um painel solar?
NOTA PERMANENTE: Comprar baterias (com 6 painéis para ser suficiente para carregar as baterias) custar-me-ia vários milhares de euros. Tenho recebido mensagens de alguns leitores que dizem que já encontram baterias a preços muito razoáveis. Neste momento, não me interessa, pois demoraria décadas a recuperar o investimento. A bateria pode durar menos do que o tempo que precisa para se pagar.
Optei por vender o excedente. O tarifário que escolhi inicialmente foi o do preço SPOT menos 20% (que é o lucro da empresa que me compra a eletricidade). Como não estava a render quase nada, mudei para tarifário fixo na mesma empresa. Agora recebo 5 cêntimos/kWh fixos. Vender eletricidade: parece bom, mas não resolve.
Repare nisto:
- Compra eletricidade: ~16 cêntimos/kWh
- Vende excedente: 5 cêntimos/kWh
Está a vender 3 vezes mais barato do que compra. Por cada 1 € que poupa ao consumir, recebe apenas 30 cêntimos se vender.
Conclusão: vender ajuda, mas não compensa o desperdício.
De onde vem a poupança?
Por uma lei da física, a sua casa consome sempre primeiro a energia dos painéis (porque são a fonte de energia mais próxima). Portanto, se eles produzirem o suficiente para o que a minha casa estiver a gastar naquele segundo específico (ou conjuntos de 15 minutos se tiver net metering), não vou buscar nada à rede (no meu caso Endesa). É eletricidade de “graça”. Só tem de considerar o investimento. Por outro lado, é uma pequena contribuição para a transição energética e para termos uma energia mais limpa.
As contas
Os meus 5 painéis fotovoltaicos têm um potencial de produção imediata de 1.370 W no pico do sol.
O que produziram em março representou uma poupança real (descontado o desperdício) de 13,64 € (valores reais com IVA incluído). O meu aparelho (www.eot.pt) mede tudo minuto a minuto, por isso consigo saber ao detalhe.
Nestes 112 meses, já produzi 1.348 euros de eletricidade, mas só aproveitei, na realidade, 595 euros, ou seja, uma média de cerca de 15 euros de desconto “verdadeiro” na fatura mensal (está incluído o valor da venda do excedente de eletricidade). Com o reembolso do Fundo Ambiental efetuado, as minhas contas de retorno do investimento ficam nos 5 ou 6 anos, menos 2,5 anos do que o que calculei desde o início, em 2016.
Esta é a minha situação atual, que atualizo todos os meses. Falta-me amortizar cerca de 7 euros. Nem se vê no gráfico.
Esta é a poupança em euros, que depende do preço da eletricidade que estou a pagar no momento (com IVA incluído).
No gráfico abaixo tem a produção total dos painéis em kWh. Não é influenciado pelo preço que pago pela eletricidade.
Este gráfico acima é importante porque a poupança em dinheiro é uma coisa, mas a eletricidade que os painéis produzem é outra. Posso produzir mais eletricidade, mas se o preço da eletricidade baixar, a minha poupança vai ser igual ou inferior. Por outro lado, se o preço da eletricidade aumentar, a minha poupança vai ser maior. Assim consigo comparar as duas coisas e – ao mesmo tempo – avalio a eficiência do painel para saber se devo acionar a garantia ou não. Se a eficiência baixar para os 80% antes de 20 anos, posso reclamar. Como vê, nestes 9 anos não identifiquei ainda nenhuma perda de eficiência relevante.
Não gasto 1 cêntimo em manutenção. Vou ao telhado duas ou 3 vezes por ano passar um pano para tirar a poeira. Há pessoas a pagar em manutenção o que poupam em eletricidade. Assim, não vai compensar.
Compensa comprar um painel solar?
Para receber, em juros, todos os meses, o valor líquido de 20 euros, teria de ter cerca de 15 mil euros em Certificados de Aforro a 2% de juros. Consigo esse resultado limpo com cerca de 2.300 euros gastos em painéis solares. Mas, neste momento, ainda estou a amortizar o investimento, não a ter lucro. Por outro lado, o dinheiro que investi na altura nos painéis também teria sido comido pela inflação. Faça as suas contas.
O que aprendi em 9 anos
- Produzir muito não significa poupar muito
- O consumo em tempo real é decisivo
- Mais painéis podem significar mais desperdício
- O preço da eletricidade influencia diretamente o retorno
- A manutenção é praticamente zero
- Os apoios (Fundo Ambiental) fazem toda a diferença
Vale a pena se:
- Está em casa durante o dia
- Consegue programar consumos (ligar máquinas, termoacumulador ou carregamentos durante o dia)
- Teve ou vai ter apoios/subsídios
- Começar com poucos painéis
Pode não compensar se:
- A casa está vazia durante o dia
- Vai produzir mais do que consome
- Está a contar com baterias para resolver o problema
- Não quer acompanhar os consumos
As regras mais importantes
- Um painel quase sempre compensa
- Vários painéis só compensam se tiver consumo suficiente
Conclusão
Os painéis solares compensam. Mas não da forma que imagina.
Não é uma questão de produzir mais.
É uma questão de consumir melhor.
Se estivesse a começar hoje, começava com 1 ou 2 painéis e só depois aumentava.
Se não ajustar os seus hábitos, vai estar a produzir energia… simplesmente para dar ou vender ao preço mais baixo.















