Combustíveis

Preço dos combustíveis a subir: como preparar o seu orçamento familiar

O preço dos combustíveis voltou a subir rapidamente. Alguns postos de combustível aumentaram várias vezes (aos poucos) os preços durante a semana antes do aumento previsto para segunda-feira. O gasóleo e a gasolina vão registar aumentos que não víamos há muito tempo - e não sabemos como vão ser os preços dos combustíveis nas próximas semanas. A razão está nas tensões internacionais e no impacto que estas têm no preço do petróleo nos mercados mundiais. Como lidar com isso?

Preço dos combustíveis a subir: como preparar o seu orçamento familiar
Canva

À primeira vista, pode parecer apenas mais alguns cêntimos por litro. Estamos a falar de mais 10 ou 15 euros por depósito, mais ou menos. Mas a história económica mostra que muitas crises começam exatamente assim: com uma subida rápida da energia que depois se espalha por toda a economia.

Sempre que o preço dos combustíveis sobe rapidamente, muitas famílias perguntam-se quanto tempo vai durar esta subida e que impacto pode ter no orçamento mensal.

A pergunta que importa fazer agora não é apenas quanto custa abastecer hoje. A pergunta é outra: o seu orçamento está preparado para lidar com esta subida e com as possíveis consequências nos próximos meses?

Não reaja por impulso às notícias económicas

Sempre que surgem notícias sobre aumentos de preços, inflação ou crises internacionais, muitas pessoas entram imediatamente em modo de pânico financeiro.

Há quem comece logo a cortar despesas de forma precipitada, quem tome decisões importantes sem analisar bem a situação, ou quem fique com a sensação de que tudo vai piorar rapidamente.

O primeiro passo deve ser sempre o mais simples: perceber se este aumento afeta realmente o seu orçamento familiar ou não.

Se não afeta, pode atravessar esta fase com alguma tranquilidade. Se afeta, então sim, é altura de olhar para as contas e fazer alguns ajustes.

A importância de ter o orçamento dividido por categorias

Uma das ferramentas mais importantes nas finanças pessoais é ter o orçamento familiar organizado por categorias.

Por exemplo:

  • Combustíveis
  • Crédito à habitação
  • Eletricidade e gás
  • Supermercado
  • Transportes
  • Lazer

Assim consegue saber, com números reais, quanto gasta em cada área.

Imagine que normalmente gasta cerca de 200 euros por mês em combustíveis. Se o preço subir 20 cêntimos por litro e consumir cerca de 50 litros por semana, isso pode representar mais 40 euros por mês.

Para algumas famílias é um valor irrelevante. Para outras já pode ter impacto.

Mas para saber isso com certeza, precisa primeiro de ter os números organizados.

Erin Hooley/AP

O verdadeiro problema: quando várias despesas sobem ao mesmo tempo

Uma subida isolada raramente cria um grande problema financeiro.

O verdadeiro risco surge quando várias despesas começam a aumentar ao mesmo tempo.

É isso que pode acontecer quando os combustíveis sobem.

O aumento da energia tem um efeito em cadeia na economia:

  • O transporte de mercadorias fica mais caro
  • Os produtos chegam mais caros aos supermercados
  • A inflação pode voltar a subir
  • O Banco Central Europeu pode voltar a subir as taxas de juro
  • A Euribor pode aumentar novamente
  • As prestações do crédito à habitação podem subir

Foi exatamente isso que aconteceu nos últimos anos. E muitas famílias sentiram esse impacto de forma muito pesada no orçamento.

Pequenos aumentos revelam fragilidades no orçamento

Há um sinal muito importante que muitas pessoas ignoram.

Se um aumento de 20 ou 30 euros por mês já cria dificuldades no orçamento familiar, isso pode indicar que não existe margem financeira suficiente nas contas da casa.

Pequenas crises, aumentos de preços ou imprevistos vão continuar a acontecer. Sempre aconteceu e continuará a acontecer. Por isso é tão importante construir alguma margem no orçamento ao longo do tempo.

O que pode fazer já para reduzir o impacto dos combustíveis

Se o aumento dos combustíveis está a pesar no seu orçamento, há algumas medidas simples que podem ajudar a reduzir o impacto.

Por exemplo:

  • Abastecer nos postos mais baratos da sua zona
  • Evitar abastecer combustíveis premium se não forem necessários
  • Reduzir algumas deslocações de carro quando possível
  • Utilizar transportes públicos em determinadas situações
  • Conduzir de forma mais suave para reduzir o consumo
  • Verificar regularmente a pressão dos pneus

Pode parecer pouco, mas pequenas decisões como estas podem reduzir o consumo em 10% a 20%.

E há uma regra muito simples que nunca falha:

A maior poupança possível em combustível é não gastar combustível. Pode parecer uma coisa óbvia, mas se está no limite do seu orçamento, deixar o carro parado o máximo possível - abdicando de viagens desnecessárias - faz render o seu depósito mais tempo: peça boleia, vá a pé ou simplesmente não vá, até a crise passar.

Atenção ao efeito na inflação e nos juros

Mesmo que o aumento dos combustíveis não tenha um impacto direto muito grande no seu orçamento, existe outro efeito que pode surgir mais tarde.

Quando o preço da energia sobe, quase tudo na economia acaba por ficar mais caro, porque os combustíveis influenciam o transporte, a produção e o custo de muitos bens e serviços.

Quando a inflação sobe, o Banco Central Europeu pode subir as taxas de juro para tentar controlar os preços. Quando isso acontece, a Euribor sobe. E quando a Euribor sobe, a prestação do crédito à habitação também pode subir. Foi exatamente esse cenário que muitas famílias viveram recentemente, quando a Euribor ultrapassou os 4%.

Por isso, esta pode ser uma boa altura para:

  • Rever as condições do seu crédito à habitação
  • Pedir simulações de taxa fixa ou mista
  • Avaliar se a prestação atual é sustentável no futuro

O objetivo não é criar alarmismo. É simplesmente antecipar cenários possíveis.

Faça hoje uma pergunta simples ao seu orçamento

No meio de todas estas notícias, vale a pena fazer uma pergunta muito simples:

Se os combustíveis subirem mais 20% nos próximos meses, o seu orçamento aguenta?

Se a resposta for sim, ótimo.

Se não tiver a certeza, talvez seja uma boa altura para rever as suas contas e perceber onde pode ajustar algumas despesas.

Porque nas finanças pessoais há uma regra que raramente falha: é sempre melhor agir por prevenção do que reagir quando o problema já chegou.

Nas finanças pessoais não conseguimos controlar o preço dos combustíveis, da eletricidade ou das taxas de juro. Mas conseguimos controlar como reagimos a essas mudanças.

Disponível online, livrarias e supermercados.