
Quem tem de fazer a conversão
Se na sua família há Certificados de Aforro em papel, guardados em gavetas ou pastas antigas, preste muita atenção. A partir de agora, tem 4 anos para substituir estes títulos em papel por certificados digitais. Estes papéis valem muito dinheiro, e se não fizer nada pode perder um dos melhores juros que ainda existem em Portugal. Pode ver a reportagem em vídeo aqui:
Os mais novos já não se lembram destes papéis, mas durante décadas estes Certificados de Aforro em papel tinham muito valor. Os portugueses emprestavam dinheiro ao Estado e recebiam estes títulos que tinham de apresentar nos correios quando quisessem resgatar as poupanças. Hoje já é tudo digital e os papéis acabaram. Mas ainda há quem os tenha e os mais antigos - graças à capitalização dos juros - hoje podem valer pequenas fortunas.
O IGCP tem registadas cerca de 300 mil contas com Certificados de Aforro das séries A, B e D. Para quem os tem, é obrigatório - até 29 de novembro de 2029 - ir pessoalmente aos Correios entregar estes papéis e atualizar todos os dados, para tudo passar a ser digital. É uma questão de segurança para ambas as partes.
Se tiver algum destes papéis guardados ou se descobrir que os seus pais ou avós ainda guardam alguns, o titular vai ter de ir presencialmente aos correios fazer a transição do papel para o digital.
Tem de levar consigo 5 documentos.
- os certificados em papel
- o Cartão de cidadão ou Bilhete de identidade
- O número de contribuinte
- Comprovativo de morada e situação profissional
- Comprovativo do IBAN
Caso o titular esteja acamado ou incapaz, terá de ser usada uma procuração para o efeito com os respetivos custos ou a figura legal de “Maior acompanhado”.
O que acontece se não fizer nada
Não precisa ter pressa, mas também não deve ficar demasiado descansado. É que se deixar passar o prazo para ir aos Correios trocar os certificados em papel, não perde o dinheiro, mas ele deixa de render juros a partir novembro de 2029. Até agora, os juros das séries A e B eram eternos.
Porque estes Certificados são tão valiosos
Assim, se não fizer isto que lhe estamos a dizer, o dinheiro irá para a conta à ordem (se existir) e ficará lá parado à espera que o “dono” ou os herdeiros apareçam.
Este pormenor é muito importante, porque as séries mais antigas estão a render imenso em juros. Se possível, nunca os resgate.
Quem tivesse investido 10 euros em 1960 em Certificados da Série A, hoje teria 4.446,37 €. Cresceram, em média, com o efeito da capitalização, 9,83% ao ano. Ou seja, o valor duplica a cada 7 anos.
Se tivesse subscrito títulos da série B, em 1986, os mesmos 10 € seriam hoje 103,85 €. 10 vezes mais, com um crescimento de 6,10% ao ano. Ou seja, a poupança duplica a cada 12 anos.
Seria uma pena perder estes juros, só porque não foi aos Correios tratar disto durante 4 anos.
Se suspeita que um familiar seu falecido tinha estes Certificados, pegue na habilitação de herdeiros e vá aos correios confirmar.
"Morreu" a figura do movimentador
Há mais uma novidade: a figura do “movimentador” deixou de existir oficialmente no dia 5 de Janeiro de 2026. Mesmo que tenha lá o nome escrito no papel, agora só o titular é que pode resgatar o dinheiro. É uma questão legal, por causa da lei do Branqueamento de capitais.
Por outro lado, se atualizar os seus dados, passa a ter acesso digital ao Aforronet. Com a password, pode resgatar na internet estas séries mais antigas quando e como quiser através da internet.
Atenção à atualização de dados
Há mais duas novidades: a prescrição dos Certificados de Aforro passou de 10 para 20 anos, e havendo títulos digitais, a AT passa a informar automaticamente os herdeiros da existência de Certificados de Aforro, para que a família decida se os quer manter ou resgatar.
Antes de terminar, há uma informação importante para todos os que têm Certificados de Aforro, seja qual for a série. Todos, sem exceção, devido à lei de Branqueamento de capitais, têm de atualizar os dados pessoais. Como o IGCP não tem meios para fazer isso online, é preciso fazer isso presencialmente nos correios ou em algumas lojas do Cidadão.
Prazos importantes a não esquecer
Para saber se os seus dados estão atualizados, basta ir ao aforronet e consultar as suas informações. Mesmo que estejam atualizados, se já passaram mais de 5 anos, terá de os confirmar. Não consegue fazer nenhuma atualização pela internet. Tem mesmo de ir aos correios. Prepare-se para ter algum trabalho para não correr o risco de ver o seu dinheiro bloqueado, caso o queira resgatar no futuro. A ideia é atualizar os dados de todos os aforradores - tenham ou não os certificados em papel - até ao próximo Verão.
Recordo que o prazo para fazer a transição termina a 29 de novembro de 2029. Pode pensar que ainda falta muito tempo - e é verdade - mas se ainda tem Certificados de Aforro das séries A, B e D, trate disto o mais rapidamente possível. São as que estão a render juros mais elevados. Um esquecimento pode sair-lhe muito caro.
















