Bancos

Montante de renegociações do crédito à habitação subiu em março

Montante de renegociações aumentou em março para 753 milhões de euros, mais 219 milhões de euros face a fevereiro, de acordo com o Banco de Portugal.

Montante de renegociações do crédito à habitação subiu em março

O montante de renegociações do crédito à habitação aumentou em março para 753 milhões de euros, registando uma subida de 219 milhões de euros em relação ao mês anterior.

De acordo com os dados do Banco de Portugal (BdP), divulgados esta quarta-feira, são mais 250 milhões de euros em comparação com março de 2025.

Além de se tratar do montante mais elevado desde o início do ano, é também a primeira vez desde maio de 2024 que as renegociações ultrapassam os 700 milhões de euros.

Devo renegociar o crédito à habitação?

Renegociar o crédito à habitação pode ser uma boa forma de reduzir a prestação mensal, ajustar o prazo do empréstimo ou melhorar as condições contratuais. A renegociação pode permitir a eliminação ou redução de comissões, alterações ao valor do spread ou do tipo de taxa associada ao crédito, o que se pode traduzir em poupanças significativas.

Naturalmente, renegociar um contrato da dimensão de um empréstimo à habitação é uma decisão que deve ser ponderada, mas não se trata apenas de uma solução de último recurso em caso de dificuldade. A renegociação pode e deve ser encarada como uma ferramenta de gestão financeira.

Quando devo renegociar?

O momento ideal para renegociar não é igual para todas as famílias e deve depender da análise de várias variáveis. As instituições financeiras não oferecem as mesmas condições a todos os clientes, pelo que discutir o assunto com o banco é um primeiro passo importante para perceber o que se pode alterar.

Ainda assim, as famílias devem estar a par das condições do mercado para evitar que as condições do empréstimo, nomeadamente as prestações, se tornem insuportáveis. Nesta altura de elevada volatilidade, com diversos conflitos a pressionar as economias, é preciso estar atento à inflação.

Na verdade, a taxa de inflação já tem vindo a aumentar e o Instituto Nacional de Estatística (INE) prevê um aumento da taxa de inflação de 2,7% para 3,4% em abril.

Para já, o Banco Central Europeu (BCE) ainda não subiu as taxas diretoras, mas caso o indicador continue a acelerar, acabará por ter impacto nas decisões de política monetária do regulador.

Se as taxas diretoras aumentarem, a Euribor tenderia a subir e, com ela, as prestações dos créditos à habitação. Antecipar todas as possibilidades é sempre prudente, particularmente para quem tem empréstimos com taxa variável.

Que tipo de taxa faz mais sentido?

O crédito à habitação pode ter três tipos de taxas com impactos diferentes na prestação: taxa variável, fixa ou mista.

A taxa variável acompanha a evolução da Euribor, o que significa que pode subir ou baixar ao longo do tempo, consoante o comportamento da Euribor.

A taxa fixa é, tal como o nome indica, o oposto. Garante estabilidade durante o período em que está em vigor e protege o cliente de subidas inesperadas que pudessem afetar a prestação. Já a taxa mista combina um período inicial em que o crédito tem taxa fixa e mais tarde passa a taxa variável.

Em momentos de incerteza quanto ao rumo da inflação e às decisões do BCE, a taxa fixa pode ser encarada como uma opção mais segura. No entanto, cada instituição financeira oferece condições diferentes a cada cliente, pelo que a decisão deve ser tomada após simulação e comparação de propostas caso a caso.

Disponível online, livrarias e supermercados.