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PodTEXT | Quando renegociar o crédito à habitação, escolho taxa fixa ou variável?

Renegociar o crédito à habitação é uma das decisões financeiras mais relevantes da nossa vida financeira — e escolher entre taxa fixa ou taxa variável pode significar pagar dezenas de milhares de euros a mais ou a menos ao longo dos anos. A ouvinte pergunta qual deve escolher, agora quando acabar o período de taxa fixa. Respondo no episódio desta semana do “Vamos a contas", em que pode enviar as suas perguntas em áudio para o número de Whatsap do Contas poupança 92 775 37 37. 

PodTEXT | Quando renegociar o crédito à habitação, escolho taxa fixa ou variável?

[Introdução - Pedro Andersson]

Olá! Sou o Pedro Andersson, jornalista especializado em finanças pessoais, e este é o Vamos a Contas, um episódio bónus, especial e semanal, do podcast Contas-Poupança. Respondo às vossas perguntas em áudio que enviaram para o número do WhatsApp 92 775 37 37. A sua pergunta é muito importante. Vamos à dúvida desta semana.

[Diana, ouvinte do podcast]

Boa noite, Sr. Pedro Andersson. O meu nome é Diana Bandeira. Antes de mais, feliz ano novo e muito obrigado por tudo o que tem feito por nós e por todas as dicas que tem dado. Estou a precisar de umas dicas, porque não percebo muito deste assunto e espero que me possa ajudar ou, neste caso, à nossa família.

Há cinco anos decidimos seguir um conselho seu e trocar de banco para baixar o spread. Na altura, já corriam uns boatos de que as coisas iam piorar muito e que vinha aí uma crise. Trocámos de banco, baixámos o spread, mas não baixámos a prestação, porque optámos por fixar a taxa.

Ou seja, estes cinco anos passaram-se com a taxa fixa e passaram-se bem, porque enquanto toda a gente viu subir as prestações, nós ficamos a pagar os mesmos 350 euros mensais.

O problema é que os cinco anos passaram e em março vamos voltar para a taxa variável e não faço ideia quanto é que a nossa prestação vai subir. Como é que podemos agora negociar com o banco outra vez? O melhor seria termos dinheiro para abater no crédito, mas não temos, ou temos quase nada. A que é que devo estar atenta?

Como é que posso tentar negociar isto da melhor forma para que a prestação não dispare? Seria uma boa opção voltar a pedir mais alguns anos com a taxa fixa, mesmo que aumente agora um bocadinho a prestação? Obrigada.

[Pedro Andersson]

Olá, Diana! Muito obrigado pela sua pergunta. Creio que muitas pessoas têm esta dúvida que é, devo ter taxa fixa, devo ter taxa variável, quais são as vantagens e desvantagens, quanto tempo é que peço de taxa fixa e como é que me posso proteger da instabilidade em que estamos a viver?

A sua pergunta faz todo o sentido e quero agradecer-lhe por ter enviado a sua mensagem. Fico feliz que os últimos cinco anos tenham corrido bem, foi um descanso numa altura em que as Euribor dispararam.

Quero deixar aqui esta alerta que é, no caso desta nossa ouvinte, correu bem, mas também há muitos de vocês que também optaram por taxa fixa num determinado período e que correu, entre aspas, mal.

Ou seja, fizeram taxa fixa num período em que estava muito elevada e tinham medo que subisse ainda mais e fixaram durante três anos, durante cinco anos, durante o tempo que entenderam, e agora estão agarrados a uma prestação altíssima, sem na prática poder fazer nada.

Primeira lição: há situações em que corre muito bem, há situações em que corre muito mal. Basicamente, quem escolhe taxa fixa, seja em que momento for, não está a comprar poupança, em princípio, está a comprar estabilidade. Ou seja, dali não passa, não sobe mais do que aquilo, mas se descer para os outros, também não desce para nós. Portanto, há um equilíbrio que é difícil de estabelecer.

Então vamos agora ao seu caso concreto. Ou seja, recuperando, não há certo nem errado, depende do valor que der à estabilidade de saber o que vai pagar, independentemente do que acontece no mundo e às Euribor. Agora, a pergunta que faz tem a ver com o facto do período de cinco anos que contratou estar a acabar e que não sabe o que agora aí vem.

Foi muito bom pagar só 350 euros por mês, provavelmente conseguiu fazer uma taxa fixa com uma taxa de juro bastante baixa, ótimo, maravilha. Agora como a Euribor está nos 2%, todas as taxas, mais décima, menos décima, terá de somar o spread que está no seu contrato e fazer a conta.

Primeira dica, antes de tomar qualquer decisão: vai já ao seu banco ou manda um e-mail ao seu banco, fala com o seu gestor de conta e pergunta-lhe qual vai ser a prestação previsível aos valores de hoje, em março, quando acabar a taxa fixa. À partida, eles têm todas as ferramentas para lhe responder. Caso não façam isso, pode ficar com uma ideia fazendo a conta à mão.

Há um episódio já bastante antigo neste podcast que tem o título “Aprenda a calcular a sua prestação do crédito à habitação”, em que explico com detalhe como é que devem fazer a conta. Mas, de uma forma resumida, o que é que vai fazer? Como não vai ter a fórmula da Euribor, vai utilizar os 2%.

É um bocadinho mais, mas arredonda aos 2% e a esse valor some o spread que tem no seu contrato e que vai ser retomado. Vamos imaginar que o seu spread é 1%, então soma 1% aos 2% da Euribor, o que vai dar 3.

Depois vai pagar no valor em dívida ao dia em que estiver a fazer a conta – todos estes dados estão no seu homebanking –, e multiplica esse valor pelo correspondente à soma do seu spread e do valor da Euribor. O resultado que obtiver vai dividir por 12 e, em princípio, mais dez euros, menos dez euros, vai obter o valor aproximado da prestação que vai ter.

Assim já fica com uma ideia. Obviamente que isto não é rigoroso, a menos que tenha mesmo todos os dados, mas já é suficiente para lhe dar uma ideia aproximada. Depois tem de ver se esse valor é algo confortável para si ou não e terá de decidir se continua no seu banco, se estiver satisfeita, e pode tentar renegociar a taxa fixa.

Se já teve uma experiência positiva, não custa nada perguntar ao banco que prestação é que lhe fazem se quiser continuar com a taxa fixa.

Quando obtiver a resposta, tem de compara a taxa de juro que lhe vão propor de taxa fixa. Qual é a relevância disto? É que pela conta que fez, já sabe que o normal é a Euribor andar à volta dos 2% em períodos normais, fora crises. Mais o spread, mesmo que seja 1%, são 3%.

Portanto, se conseguir por mais cinco, dez ou até ao final do contrato uma taxa fixa, por exemplo, de 2,5% ou 2,7%, aí pode seriamente contemplar a possibilidade de fazer uma taxa fixa para o maior período possível.

Mesmo que haja alturas em que a Euribor possa descer dos 2%, para 1,5% por exemplo, o que não ganha em baixa da prestação, ganha em previsibilidade, paz e sossego. Mas lá está, uma coisa é a parte puramente financeira, outra coisa é o seu perfil e da sua família, enquanto casal, se for o caso, e se isto vos traz sossego ou não.

Sabendo estas coisas, e uma vez que não tem pressa absoluta, porque a Euribor não está em valores inimagináveis como já esteve, quer dizer que tem tempo para negociar.

Ou seja, pode esperar por março, vê qual é a prestação que vai pagar, pode pagar a sua prestação de março, de abril, de maio, mas durante estes dois, três meses, o que é que vai fazer? Vai contactar intermediários de crédito, há vários no mercado, já mencionei vários, não tenho ligação a nenhum, desde que sejam supervisionados pelo Banco de Portugal, todos eles à partida são credíveis.

Eles conhecem o mercado, sabem quem é que está a fazer promoções, uns trabalham com cinco bancos, outros trabalham com seis, uns trabalham com uns, outros trabalham com outros. Não há só grandes empresas, também há intermediários de crédito particulares. Até pode acontecer que conheça alguém pessoalmente ou que tenha um amigo que já tenha tido uma boa experiência com alguns deles. Experimente. Esse serviço é gratuito.

Pede simulações e depois decide se há outro banco que lhe faça melhores condições, quer na taxa fixa, quer na taxa variável, e depois aí toma a sua decisão de acordo com essas condições. Se já fez isso uma vez, já sabe que é fácil. Também pode fazer isto sem o intermediário de crédito, ou seja, vai correr todos os bancos que lhe interessam e faz essa pergunta.

É muito importante que na altura em que peça essa simulação já tenha taxa variável, porque é muito, muito mais fácil fazer uma transferência de crédito com taxa variável, porque só paga 0,5% de comissão de penalização por amortização antecipada.

Até dezembro do ano passado era gratuito, agora tem de se pagar esse valor e há muitos bancos que oferecem esse valor ao cliente para conseguirem ficar com esse crédito novo. Portanto, veja isso também.

Perguntar-me-á, mas o que é que vai acontecer no futuro? A Euribor vai continuar baixinha? Vai subir? Vem aí uma grande crise? Vai ficar na mesma? Não faço a mínima ideia. Ninguém faz. Quem lhe disser que sabe o que vai acontecer, não está a dizer a verdade, nem está a ser correto. Nós não sabemos. Isto muda tudo de um dia para o outro.

Mais uma vez, voltando ao princípio, ter sossego e estabilidade é uma coisa que custa dinheiro, ou seja, paga-se mais caro porque o risco passa para o banco e não para nós. Espero ter-lhe dado algumas linhas de orientação, mas manter a taxa fixa ou passar a variável é uma decisão que vai depender, numa primeira fase, do valor que vai pagar agora de prestação.

Mudando de banco pode aumentar o prazo, pode diminuir o prazo, pode manter a taxa fixa, pode passar a taxa variável, pode aproveitar para renegociar o seguro de vida do crédito à habitação, em que se calhar até pode ficar a pagar o mesmo, mas ter uma grande poupança nessa área que também dura várias décadas.

Portanto, tem aqui várias perguntas a fazer, quer ao seu banco, quer a outros bancos, quer através de intermediários de crédito. A mensagem principal que queria aproveitar e deixar no final deste episódio é: mexam-se. Não fiquem parados à espera que aconteça alguma coisa, porque se vocês não se mexerem vão acontecer coisas, mas normalmente sempre a favor do banco e não a vosso favor.

Vejam isso, renegociem e avaliem ou reavaliem o vosso crédito à habitação, todos os anos no mínimo, mas se quiserem ser ainda mais picuinhas até pode ser de seis em seis meses. Vão ao Google e vejam quais são os spreads que os bancos estão a fazer e comparem com aquilo que estão a pagar. E podem utilizar isso como ferramenta de renegociação junto do vosso banco, mesmo sem contactar os outros.

Não fiquem à espera de que eles lhes baixem a mensalidade ou spread, porque eles não vão fazer isso sozinhos. As poupanças podem ser de dezenas de milhares de euros. É absurdo o valor que as pessoas perdem simplesmente por ficarem sentadas no sofá e a pagar aquilo que lhes pedem sem barafustar, sem comparar, sem negociar, sem renegociar.

Façam disto um objetivo prioritário neste início de ano ou em qualquer mês em que estejam a ouvir este episódio.

Boas poupanças!

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Neste episódio do Contas-poupança, explico quando faz sentido optar por taxa fixa e em que situações a taxa variável continua a ser a escolha mais racional. Analisamos o impacto das taxas de juro no orçamento mensal, o peso da previsibilidade versus o risco e o momento certo para renegociar com o banco.

Com exemplos práticos, contas simples e cenários realistas, veja porque é que a “melhor taxa” não é igual para todas as famílias e porque copiar decisões de amigos ou vizinhos pode sair caro.

Este é um episódio essencial para quem tem crédito à habitação, está a pensar renegociar ou quer evitar decisões irreversíveis tomadas em períodos de medo ou euforia.

Boas poupanças!

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