Os números mostram que os portugueses perderam o medo de renegociar os seus créditos à habitação. Em janeiro, o montante de renegociações chegou aos 466 milhões de euros, o valor mais alto registado desde novembro do ano passado, de acordo com dados do Banco de Portugal (BdP).
Face a dezembro de 2025, o montante de renegociações aumentou 45 milhões de euros. No entanto, quando comparado com o mesmo mês do ano passado, o valor das renegociações, que na altura se fixou em 496 milhões de euros, baixou 30 milhões de euros.
Devo renegociar o crédito à habitação?
Renegociar o crédito à habitação pode ser uma boa forma de reduzir a prestação mensal, ajustar o prazo do empréstimo ou melhorar as condições contratuais. A renegociação pode permitir a eliminação ou redução de comissões, alterações ao valor do spread ou do tipo de taxa associada ao crédito, o que se pode traduzir em poupanças significativas.
Naturalmente, renegociar um contrato da dimensão de um empréstimo à habitação é uma decisão que deve ser ponderada, mas não se trata apenas de uma solução de último recurso em caso de dificuldade. A renegociação pode e deve ser encarada como uma ferramenta de gestão financeira.
Quando devo renegociar?
O momento ideal para renegociar não é igual para todas as famílias e deve depender da análise de várias variáveis. As instituições financeiras não oferecem as mesmas condições a todos os clientes, pelo que discutir o assunto com o banco é um primeiro passo importante para perceber o que se pode alterar.
Ainda assim, as famílias devem estar a par das condições do mercado para evitar que as condições do empréstimo, nomeadamente as prestações, se tornem insuportáveis. Nesta altura de elevada volatilidade, com diversos conflitos a pressionar as economias, é bom acautelar um possível aumento da inflação.
Caso a inflação volte a acelerar de forma significativa, poderá influenciar as decisões de política monetária do Banco Central Europeu que, num cenário desse género, poderá optar por subir as taxas diretoras.
Por consequência, a Euribor tenderia a subir e, com ela, as prestações dos créditos à habitação. Antecipar essas possibilidades é sempre prudente, particularmente para quem tem empréstimos com taxa variável.
Que tipo de taxa faz mais sentido?
O crédito à habitação pode ter três tipos de taxas com impactos diferentes na prestação: taxa variável, fixa ou mista.
A taxa variável acompanha a evolução da Euribor, o que significa que pode subir ou baixar ao longo do tempo, consoante o comportamento da Euribor.
A taxa fixa é, tal como o nome indica, o oposto. Garante estabilidade durante o período em que está em vigor e protege o cliente de subidas inesperadas que pudessem afetar a prestação. Já a taxa mista combina um período inicial em que o crédito tem taxa fixa e mais tarde passa a taxa variável.
Em momentos de incerteza quanto ao rumo da inflação e às decisões do BCE, a taxa fixa pode ser encarada como uma opção mais segura. No entanto, cada instituição financeira oferece condições diferentes a cada cliente, pelo que a decisão deve ser tomada após simulação e comparação de propostas caso a caso.












