Painel solar fotovoltaico – Balanço de Dezembro de 2021 (mês #61)

Escrito por Pedro Andersson

09.01.22

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6 min de leitura

Balanço de dezembro de 2021

Dezembro foi o primeiro mês completo já com os meus 5 painéis fotovoltaicos em funcionamento. O resultado mantém-se como eu previa: tenho um desperdício gigante para a rede.

Como AINDA não estou a vender o excedente à rede (estou à espera que a e-redes resolva totalmente as dificuldades de comunicação para dar início ao processo) e ainda não recebi o reembolso de 85% do fundo ambiental, posso dizer que foi uma decisão que me está momentaneamente a dar um enorme prejuízo. Dois painéis chegavam perfeitamente para as minhas necessidades de eletricidade na maior parte dos dias. Seja como for, não estou arrependido de ter comprado mais 4 painéis, como expliquei neste artigo AQUI.

Pelas minhas contas. se gastasse tudo o que estão a produzir ficariam pagos em 9 anos. Mas pelos valores reais (ao cêntimo) vou demorar 19 anos a pagá-los. Assim que receber o reembolso (só ainda passou um mês desde o pedido) as contas vão virar para o meu lado. É a minha previsão, mas vamos ver.

Vamos ao balanço de dezembro, para o ajudar a avaliar se comprar painéis solares pode ser um bom investimento para si ou não.

Dezembro foi um mês mau, como é habitual. É a partir de janeiro que os valores de produção começam a subir até atingirem o pico no verão julho/agosto e depois volta a descer.

Tem aqui o gráfico com a produção diária dos painéis. Como pode ver, houve muitos dias chuvosos e nublados que “destruíram” as minhas contas.

Em dezembro, os 5 painéis produziram o total de praticamente 90 kWh. É bastante, se conseguisse consumi-los todos no momento em que foram produzidos.

Leia também: Como faço para vender o excedente que não consigo consumir 

Leia também: Quanto custa um painel solar?

NOTA PERMANENTE: Como já sei que muitas pessoas vão perguntar, comprar baterias (com 6 painéis para ser suficiente para carregar as baterias) custar-me-ia vários milhares de euros. Eu não tenho esse orçamento e demoraria décadas a recuperar o investimento. Assim, o “acordo” que fiz com a E-Redes (como se chama agora a EDP Distribuição) é consumir em tempo real o que o painel fotovoltaico produz e o que não consumir é oferecido para a E-Redes vender aos outros consumidores. Essa opção é boa para soluções “off-grid”, ou seja em locais isolados sem acesso a eletricidade da rede.

Os números de dezembro de 2021

A sua casa, por uma lei da física, consome sempre primeiro a energia do painel. Portanto, se ele produzir o suficiente para o frigorífico e uma ou duas luzes ligadas, não vai buscar nada à “EDP”. É eletricidade de “graça”. Só tem de levar em conta o investimento. 

Como pode ver no gráfico seguinte, os painéis produziram 89,84 kWh em dezembro. Bastante menos do que em novembro, mas sobretudo por uma questão meteorológica. É o que é.

As contas

Os meus painéis fotovoltaicos têm um potencial de produção imediata de 1.370 W no pico do sol.

O que produziram em dezembro representaria cerca de 15 euros de poupança na minha fatura da luz, se tivesse consumido tudo o que o painel produziu no mês passado. Mas tive um desperdício 47%, que ofereci à rede. O meu aparelho mede tudo minuto a minuto por isso consigo saber ao detalhe.

Veja no gráfico abaixo a diferença entre estarmos todos em casa e não estarmos. Entre 20 e 28 de dezembro o desperdício foi praticamente nulo porque estavamos sempre a consumir eletricidade.

Dos 15 euros de eletricidade que os painéis produziram, só aproveitei realmente 8,11 € na minha fatura de eletricidade (mais IVA).

Leia também: Como os vendedores podem tentar fazer com que compre mais painéis do que aqueles que precisa

Se tivesse consumido tudo o que o painel produziu desde 2016 e Novembro de 2021 teria poupado até agora 376 €. O retorno do investimento estava nos 8 anos. O meu foi barato na altura, mas caro para os dias de hoje (tudo ficou-me em 620 euros, com instalação e material extra). Mas como agora investi mais cerca de 1800 euros (em mais 4 painéis), vou fazer reset às minhas contas e voltar ao zero.

Nestes 2 meses já produzi 37 euros em eletricidade mas só aproveitei na realidade 18 euros, ou seja uma média de 9 euros de desconto “verdadeiro” na fatura (mais o IVA).

No gráfico abaixo tem a produção total do painel em kWh. Não é influenciado pelo preço que pago pela eletricidade. 

Este gráfico é importante porque a poupança em dinheiro é uma coisa, mas a eletricidade que ele produz é outra. Eu posso produzir mais eletricidade, mas se o preço da eletricidade baixar, a minha poupança vai ser igual ou inferior. Por outro lado, se o preço da eletricidade aumentar (como está a acontecer), a minha poupança vai ser maior. Assim consigo comparar as duas coisas e ao mesmo tempo avalio a eficiência do painel para saber se devo acionar a garantia ou não. Se a eficiência baixar para os 80% antes de 20 anos posso reclamar.

Não gasto 1 cêntimo em manutenção. Vou ao telhado duas vezes por ano passar um pano para tirar a poeira.

Compensa comprar um painel solar?

É por estas contas – que acabou de ver – que deve avaliar bem se precisa mesmo mais do que um painel solar. Um, pode e deve ter de certeza, diria. Dois ou mais, só os deve instalar se tiver a certeza de que tem gente ou equipamentos elétricos suficientes para gastarem a energia que vai estar a produzir em tempo real (nas horas de mais sol), ou então se os conseguir verdadeiramente a preço de saldo.

A possibilidade de vender o excedente à rede pode vir a ser um cenário interessante, mas ainda vou ter de fazer muitas contas. Por outro lado, já estou a verificar pela experiência de muitos de vocês que o netmetering a 15 minutos é praticamente irrelevante em termos de poupança. Se o que não gasta durante o dia pudesse ser descontado à noite, aí sim estaríamos a falar de poupança a sério. 

Em Fevereiro volto com o balanço deste mês de Janeiro. Boas poupanças!


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19 Comentários

  1. Filipe

    Boa noite,

    relativamente ao apoio do fundo ambiental e a venda de excedente, diz na orientações da Tipologia 4:
    “Para efeitos do presente Programa de Apoio, o autoconsumidor é o candidato e a candidatura a submeter deve incidir na produção de energia elétrica, que deve ser consumida no edifício/fração candidata, sendo que a venda à rede não é expectável nem elegível.”

    isto não significa que a venda de excedente fica vedada a quem recorrer ao apoio do fundo?

    Muito obrigado pelo seu trabalho, com o qual muito tenho aprendido.

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá Filipe. Eu não posso responder pelo Fundo Ambental, mas a minha candidatura é para autoconsumo e não para venda. O que eu posso fazer é DEPOIS vender o excedente da minha produção que a minha casa não consegue consumir. Creio que esse requisitoserá para evitar candidaturas de pessoas que façam um projeto de raiz para vender eletricidade. Mas, como lhe disse é apenas a minha interpretação, até porque quando faz a candidatura, o FA não pode saber se vai vender o excedente ou não no futuro porque é uma decisão voluntária e não obrigatória.

      Responder
  2. manuel ramos

    “Mas tive um desperdício 47%, que ofereci à rede.”
    Veja mesmo se ofereceu à rede ou se os pagou !!!!!

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá. Ofereci mesmo. O meu contador não conta o desperdício como consumo :).

      Responder
  3. Lecas

    Caro Anderson.

    No meu caso sou Microprodutor tenho autoconsumo e nada está registado. Como microprodutor recebo cerca de 10€agora mês, mas já recebi cerca de 350£ mês. mas como agora só pagam a 0,055 apenas o ano de 2021 recebi no seu todo 137€. Em relação au autoconsumo nada de preocupado pois pagava em média 84 € 3 agora só tenho uma média de 40€ mensais mesmo assim ainda recebo dinheiro pela minha conta certa que tenho á mais de 15 anos dai que só em Fevereiro vou ter os acertos. E quanto a energia vendida da UPAC é tudo mentira pois mesmo que tivesse um contador analógico este ao receber energia para. Isto com experiência propria de uma outra pequena instalação que possuo para passar uma ferias, daí que quase nem o aluguer do contador na sua totalidade pago.

    Responder
  4. João correia

    Nessa situação consideraria comprar um carro eléctrico quando pensar em trocar de automóvel para o carregar com o excedente consumo produzido pelos painéis …

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá. Mas eu preciso do carro para ir trabalhar… E os painéis estão em casa 🙂

      Responder
  5. Luis

    Caro Andersson,

    Sabe se tem um controlador PWM ou um controlador MPPT ?
    Estou a pensar fazer um sistema off-grid e tenho essa questão

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá. Lamento. Não tenho esse nível de conhecimentos.

      Responder
  6. António Alves

    Boa tarde Sr. Pedro Andersson só para chamar a atenção em relação ao Fundo Ambiental, eu fiz a compra de 6 painéis fotovoltaicos e candidatei-me ao subsidio do FA enviei a candidatura em 29 de Junho e esta ficou elegível para pagamento em Setembro, como não aparecia nada, ao fim de mais um mês liguei ao FA e disseram-me que era só esperar, mais um mês passado estávamos já em novembro voltei a ligar ao FA e desta vez uma senhora fez o favor de dizer o que tinha de fazer, então é assim depois de estar elegível a candidatura ou seja aprovada temos de ir ao FA abrir a nossa a candidatura e carregar no editar colocar um pisco e aceitar Termos e Condições e só depois submeter, fiquei á espera mais uma vez e na segunda semana de dezembro a secção financeira do FA enviou um email a pedir-me novamente as certidões de não divida á segurança social e a das finanças porque entretanto tinha passado o prazo de validade que são 3 e 4 meses respetivamente para me poderem pagar até final de dezembro e na realidade no dia 31 de dezembro estavam 2422,50€ na minha conta dos 3500€ que despendi ficaram-me os 6 paineis á volta de 1100€.
    Cumprimentos Sr. Pedro Andersson

    Responder
  7. Luís

    Boa noite , também coloquei painéis Fotovoltaicos , fiz um contrato com a SU Energia na qual em 4 meses pagou 72€ por 72klw de excedente no entanto tive me me coletar nas finanças como produtor e está a correr lindamente , concorri ao FA que foi aceite e irei ter um retorno de 2500€ de 4500€

    Responder
    • Marcelo Carlos Cunha Ferreira Mendes

      Bom Dia Luis

      O que referiu foram 72 euros por 72Klw, não foi um erro?

      Esse contrato com a SU Energia é por quanto tempo?

      Obrigado

      Responder
  8. Pedro Bruno

    Sr. Pedro Andersson começo por parabenizar pelos seus artigos são bastantes úteis e tem bastante informação relevante.
    Em questão aos PS na minha opinião compensa o investimento se na habitação houver consumo durante o dia e nas horas de maior produção, se esta situação não for possível dificilmente irá compensar. A venda do excedente também pode ser uma opção a considerar mas o retorno é baixo +/- 0,04€/kW. Há ainda uma opção de baterias mas o investimento é elevado e havendo pouco excedente não compensará, na medida em que 1kw custa cerca de 0,15€ aproximadamente e uma bateria de 5kw custa +/- 4.000€. Mas cada caso é um caso será sempre necessário fazer os cálculos para verificar.
    Continuação de bons artigos. Votos de um bom ano.

    Responder
  9. Susana Maria Nunes de Oliveira Manso

    Boa tarde sr. Pedro Andetsson,

    Depois de ler este seu artigo, estou a tentar saber como vender o desperdício dos meus 3 pains solares mas não estou a conseguir feedback sobre este assunto. Será que consegue fazer uma reportagem/artigo mais clara sobre este assunto?

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá Susana. No artigo tem um link sobre como vender. Diga-me se encontrou.

      Responder
  10. Miguel

    Já pensou em investir 2.500€ e comprar uma pequena bateria de lítio de 5Kw?
    O que produz diariamente em excesso pode ficar guardado e gasta depois, quando chegar a casa.

    Responder
  11. Jose Lapão

    Bons dias, boas tardes, boa noite, conforme a altura da leitura,

    Coloquei painéis solares de 1,56kWh na minha habitação em meados de outubro, com um consumo diário de aproximadamente 8kWh (está sempre gente em casa com um pequeno negocio familiar) deveria compensar pois muitas vezes o consumo é superior a produção, mas não foi até ontem e até tive de desligar os meu painéis solares.

    No mês de outubro e porque instalei no dia 15 não deu para medir as diferenças, no mês de novembro e porque houve um aumento de consumo devido ao frio (ar condicionado ligado quase 24h/dia) não verifiquei a fatura com muita atenção, a minha surpresa foi em dezembro, pois o consumo foi muito idêntico ao mês de novembro, 253,4kWh em novembro e 259,76kWh em dezembro, mas a fatura foi muito mais alta 62.28€ em novembro e 78.12€ em dezembro uma diferença de 15.84€. Depois de analisar bem a fatura de dezembro (ainda não tenho os dados todos de novembro) revelou que me foi faturado 111kWh em vazio e 247kWh fora do vazio (358kWh no total), mas segundo o sistema de monitorização do mus sistema solar indica que eu consumi no total 261,92 kWh ou seja 96kWh a mais, segundo o mesmo sistema produzi 95,5kWh, importei 179,5kWh e exportei 13,1kWh tendo um autoconsumo de 82,3kWh.

    Olhando para estes números verifiquei que me foi faturado o valor que o meu sistema produziu ou seja adicionaram aos 262kWh que foi o meu consumo total os 95,5kWh que produzi, reclamei no meu fornecedor de energia assim como na e-redes (no fornecedor de pouco valeu a pena pois o que me cobraram foi exatamente o que o contador reportou, a e-redes ligou-me a explicar o porquê dos valores, ou seja segundo quem e ligou o sistema funciona da seguinte maneira toda a produção (sempre que não chegue para o consumo – altura que que há autoconsumo e importação ao mesmo tempo) o sistema injeta essa produção toda na rede e vai buscar a totalidade do que necessita, ora isso é o que se passa em 99% das vezes eu consumo mais do que o que produzo, mas aqui está o buzil da coisa, ainda estou à espera da substituição do contador por um bidirecional e inteligente.

    Segundo a mesma pessoa há 3 tipos de contadores antigos que se comportam de maneira diferente quando há injeção de energia na rede os antigos de roda esses rodam para trás descontando o valor da injeção, um tipo de estáticos que param de contar, e o eu que soma toda a injeção como consumo (se eu não importasse energia enquanto autoconsumia só me cobravam o que realmente oferecia, mas como 99% das vezes eu importo enquanto consumo então será me cobrado praticamente toda a produção). ou seja no mês de dezembro foi-me cobrado 96kWh a mais, a um valor de 0,1683€/kWh ou seja cerca de 16€+IVA a mais ou seja +/-20€.

    Posto isto aconselho a quem têm painéis solares e ainda está à espera que a e-redes lhes substitua o contador, que desligue os painéis, ou que compare os valores reportados pelos sistemas de monitoramento com o faturado e verificar se lhes está a acontecer o mesmo que a mim.

    A e-redes não têm previsão de substituição do meu contador, uma outra informação util é que segundo a e-redes o legislação mudou a 15 de janeiro e já não temos de pagar a comparticipação de +/-98€ pela substituição do contador agora é tudo por conta da e-redes.

    Responder
    • Pedro Antunes

      Bom dia,

      Do comentário do caro José Lapão, penso que o meu cérebro congelou logo no inicio com o “desligar os paineis”.
      Desligar os paineis!?!?! é esse o seu conselho?
      Caro José Lapão, onde é que viu, leu, aprendeu, aconselharam a tal disparate? Gostava de ter uma explicação bem plausível para tal.

      Obgd

      Responder
  12. José Domingos Marques Osório

    Bom dia, Caro Pedro Andersson
    Estou exactamente na mesma situação, relativamente ao Fundo Ambiental, recebi o aviso de elegibilidade em 17Jan2022 e após os passos que bem demonstrou estou a aguardar o reembolso.
    Relativamente aos excedentes de produção fotovoltaica, com o medo das sombras da cobertura do meu prédio, sobredimensionei a potência de instalação até 1,9kWh, estou na mesma situação, os ditos excedentes eram na ordem do 40%/50% directamente para a rede.
    Depois de muito pesquisar na internet, optei por adquirir um gestor de excedentes solares, baseado no sistema FreeDS só para equipamentos com resistências, que no inverno está ligado a um acumulador de calor/pedras instalado num ponto central da zona mais fria (virada a norte) do apartamento, no verão penso investir num termoacumulador de água que vai funcionar como apoio da caldeira que recebe a água já aquecedida pelos excedentes solares e compensará se necessário.
    Assim os excedentes não ultrapassam os 300w/500w.
    Cumprimentos e Bom trabalho

    Responder

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