
A novidade resulta do novo Regulamento Tarifário do Setor Elétrico, aprovado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, e aplica-se a todos os clientes em baixa tensão normal com potência contratada até 20,7 kVA — ou seja, praticamente todas as casas.
Na prática, passa a ser possível alternar livremente entre tarifa simples, bi-horária ou tri-horária, sempre que os hábitos de consumo mudem. É uma alteração importante, mas só traz poupança real se for usada com critério.
O que muda na prática
Até agora, quem escolhia uma tarifa específica ficava “preso” durante um ano. Essa regra acabou. A partir de hoje, dia 1 de janeiro de 2026:
- A tarifa pode ser alterada a qualquer altura
- Não existe período mínimo de permanência
- A mudança é gratuita
- O pedido é feito junto do comercializador de eletricidade
Isto significa que uma família pode, por exemplo, usar tarifa simples no inverno e mudar para bi-horária no verão, se passar a consumir mais eletricidade à noite.
Conheça as três tarifas
Tarifa simples O preço do kWh é o mesmo durante todo o dia. É a opção mais segura para quem não consegue concentrar consumos em horários específicos.
Tarifa bi-horária Há dois preços:
- Vazio (mais barato, normalmente à noite)
- Fora de vazio (mais caro durante o “dia”)
Compensa quando pelo menos 35% a 40% do consumo acontece em horas de vazio. Tem de consultar a que hora começa e termina cada horário do tarifário que contratar. A contagem dos kWh é quase feita ao segundo. Tem de ser uma pessoa extremamente organizada para aproveitar a poupança do bi-horário. Quem tem carrso elétricos deve pensar seriamente no bi-horário, se carregar durante a noite.
Tarifa tri-horária Três períodos:
- Vazio (mais barato)
- Cheias
- Ponta (mais caro)
Só faz sentido para quem tem consumos elevados e muito bem distribuídos fora das horas de ponta. Para a maioria das famílias, não compensa.
Como saber qual é a melhor tarifa
Antes de mudar, convém responder a três perguntas simples:
- Quando se usa mais eletricidade em casa? Máquinas à noite? Carregamento de carro elétrico? Termoacumulador programado?
- Tem um contador inteligente? Se existir, é possível pedir o perfil real de consumo ao fornecedor ou consultar na área de cliente.
- O consumo noturno ultrapassa 40%? Se não ultrapassar, a tarifa simples costuma ser mais barata.
Sem estas respostas, mudar de tarifa é um tiro no escuro.
Exemplo prático
Uma família com consumo mensal de 300 kWh:
- Se 120 kWh forem usados à noite (40%)
- E se a diferença entre vazio e fora de vazio for relevante
A tarifa bi-horária pode representar uma poupança de 10 a 20 euros por mês. Se esse consumo noturno for apenas 20%, a mesma tarifa pode sair mais cara.
Atenção a dois erros comuns
- Mudar de tarifa sem mudar hábitos A tarifa não faz milagres. Se os consumos continuarem nos mesmos horários, não há poupança.
- Ignorar a potência contratada A mudança de tarifa não altera a potência. Muitas casas continuam a pagar potência a mais todos os meses. Costumo dar o exemplo de estar a alugar uma garagem para 3 carros, quando só tem uma mota. É um desperdício. Eu tenho 4.6 kVA e ligo quatro máquinas ao mesmo tempo sem o quadro ir abaixo. Se ligar mais uma ou se duas forem tiverem picos de consumo ao mesmo tempo, sim, vai abaixo. Tento organizar a utilização das máquinas para que isso não aconteça.
A decisão continua a ser do consumidor
A liberdade de mudar de tarifa é positiva, mas transfere a responsabilidade para quem paga a fatura. Sem análise de consumo, a mudança pode resultar em pagar mais — não menos.
A regra antiga mantém-se atual: primeiro analisam-se os hábitos, só depois se escolhe a tarifa. Agora, pelo menos, deixa de haver penalização por corrigir uma má decisão. É uma boa notícia para 2026.


















