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Já pode mudar a tarifa da luz quando quiser. Eis o que muda e como poupar

A partir de 1 de janeiro de 2026, os consumidores domésticos em Portugal já podem mudar a tarifa da eletricidade em qualquer momento, sem terem de esperar 12 meses.  Note que é mudar de tarifa de luz (de bi-horário, tri-horário para tarifa simples e vice-versa) e não de empresa de eletricidade. Sempre pôde mudar de fornecedor a qualquer momento, o que estava impedido era sair do bi-horário antes de fazer 12 meses. Veja como pode poupar com esta decisão.

Já pode mudar a tarifa da luz quando quiser. Eis o que muda e como poupar

A novidade resulta do novo Regulamento Tarifário do Setor Elétrico, aprovado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, e aplica-se a todos os clientes em baixa tensão normal com potência contratada até 20,7 kVA — ou seja, praticamente todas as casas.

Na prática, passa a ser possível alternar livremente entre tarifa simples, bi-horária ou tri-horária, sempre que os hábitos de consumo mudem. É uma alteração importante, mas só traz poupança real se for usada com critério.

O que muda na prática

Até agora, quem escolhia uma tarifa específica ficava “preso” durante um ano. Essa regra acabou. A partir de hoje, dia 1 de janeiro de 2026:

  • A tarifa pode ser alterada a qualquer altura
  • Não existe período mínimo de permanência
  • A mudança é gratuita
  • O pedido é feito junto do comercializador de eletricidade

Isto significa que uma família pode, por exemplo, usar tarifa simples no inverno e mudar para bi-horária no verão, se passar a consumir mais eletricidade à noite.

Conheça as três tarifas

Tarifa simples O preço do kWh é o mesmo durante todo o dia. É a opção mais segura para quem não consegue concentrar consumos em horários específicos.

Tarifa bi-horária Há dois preços:

  • Vazio (mais barato, normalmente à noite)
  • Fora de vazio (mais caro durante o “dia”)

Compensa quando pelo menos 35% a 40% do consumo acontece em horas de vazio. Tem de consultar a que hora começa e termina cada horário do tarifário que contratar. A contagem dos kWh é quase feita ao segundo. Tem de ser uma pessoa extremamente organizada para aproveitar a poupança do bi-horário. Quem tem carrso elétricos deve pensar seriamente no bi-horário, se carregar durante a noite.

Tarifa tri-horária Três períodos:

  • Vazio (mais barato)
  • Cheias
  • Ponta (mais caro)

Só faz sentido para quem tem consumos elevados e muito bem distribuídos fora das horas de ponta. Para a maioria das famílias, não compensa.

Como saber qual é a melhor tarifa

Antes de mudar, convém responder a três perguntas simples:

  1. Quando se usa mais eletricidade em casa? Máquinas à noite? Carregamento de carro elétrico? Termoacumulador programado?
  2. Tem um contador inteligente? Se existir, é possível pedir o perfil real de consumo ao fornecedor ou consultar na área de cliente.
  3. O consumo noturno ultrapassa 40%? Se não ultrapassar, a tarifa simples costuma ser mais barata.

Sem estas respostas, mudar de tarifa é um tiro no escuro.

Exemplo prático

Uma família com consumo mensal de 300 kWh:

  • Se 120 kWh forem usados à noite (40%)
  • E se a diferença entre vazio e fora de vazio for relevante

A tarifa bi-horária pode representar uma poupança de 10 a 20 euros por mês. Se esse consumo noturno for apenas 20%, a mesma tarifa pode sair mais cara.

Atenção a dois erros comuns

  • Mudar de tarifa sem mudar hábitos A tarifa não faz milagres. Se os consumos continuarem nos mesmos horários, não há poupança.
  • Ignorar a potência contratada A mudança de tarifa não altera a potência. Muitas casas continuam a pagar potência a mais todos os meses. Costumo dar o exemplo de estar a alugar uma garagem para 3 carros, quando só tem uma mota. É um desperdício. Eu tenho 4.6 kVA e ligo quatro máquinas ao mesmo tempo sem o quadro ir abaixo. Se ligar mais uma ou se duas forem tiverem picos de consumo ao mesmo tempo, sim, vai abaixo. Tento organizar a utilização das máquinas para que isso não aconteça.

A decisão continua a ser do consumidor

A liberdade de mudar de tarifa é positiva, mas transfere a responsabilidade para quem paga a fatura. Sem análise de consumo, a mudança pode resultar em pagar mais — não menos.

A regra antiga mantém-se atual: primeiro analisam-se os hábitos, só depois se escolhe a tarifa. Agora, pelo menos, deixa de haver penalização por corrigir uma má decisão. É uma boa notícia para 2026.

Disponível online, livrarias e supermercados.