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PodTEXT | "Tenho o meu Fundo de emergência em PPR arriscados. Porque é que o Pedro não concorda?"

A ouvinte ouviu o episódio do podcast sobre a importância do Fundo de emergência e está em desacordo comigo. Ela tem todo o dinheiro - incluindo o Fundo de emergência - em PPR agressivos e que têm tido elevadas valorizações nos anos anteriores, na ordem dos 8 ou 9%. Por isso, ela considera que é um desperdício ter dinheiro parado à ordem ou a render 2 ou 3% em produtos menos rentáveis.

Respondo no episódio desta semana do “Vamos a contas", em que pode enviar as suas perguntas em áudio para o número de Whatsap do Contas poupança 92 775 37 37. 

PodTEXT | "Tenho o meu Fundo de emergência em PPR arriscados. Porque é que o Pedro não concorda?"

[Introdução - Pedro Andersson]

Olá! Sou o Pedro Andersson, jornalista especializado em finanças pessoais, e este é o Vamos a Contas, um episódio bónus, especial e semanal, do podcast Contas-poupança. Respondo às vossas perguntas em áudio que enviaram para o número do WhatsApp 92 775 37 37. A sua pergunta é muito importante! Vamos à dúvida desta semana.

[Ouvinte do podcast]

Olá, Pedro. Ouvi atentamente o seu podcast sobre o fundo de emergência e não posso deixar de discordar, porque não tenho fundo de emergência nenhum, mas tenho o meu dinheiro todo investido em PPRs de risco com elevado rendimento. No entanto, esses PPRs não foram declarados nas finanças e, portanto, a qualquer momento posso levantar e, segundo os gestores dos PPRs, em três dias posso ter o dinheiro na conta.

Em vez de ter um dinheiro de fundo de emergência, ou seja, seis a doze meses do dinheiro que precisamos para gerir a nossa vida. E em vez de ter esse dinheiro numa conta a prazo, ou numa conta a ordem, sem render nada ou perder dinheiro, podemos ter esse mesmo dinheiro em PPRs, a 10% ao ano, ou seja o que for, a render mais, e em três dias é mobilizável.

Portanto, não percebo porque é que temos que ter esse dinheiro à ordem ou em certificados de aforro. Podemos ter esse dinheiro a render muito mais nestas aplicações financeiras. Sendo que os meus PPRs, obviamente sei bem essas condicionantes, os meus nunca foram declarados em sede IRS. Portanto, posso levantá-los a qualquer momento.

Não percebo porque é que os tenho de ter à ordem, a prazo ou em certificados de aforro quando posso tê-los a render muito mais. É só nesse ponto que discordo consigo. Claro que quem os declarou em sede de IRS não os pode levantar em determinadas situações, mas eu posso levantá-los a qualquer momento. Obrigada.

[Pedro Andersson]

Olá! Muito obrigado pela sua observação, porque me permite explicar porque é que digo que é muito importante dividirmos as nossas poupanças em fundo de emergência e em investimentos.

A questão do fundo de emergência, para mim, foi o grande clique atual da minha vida financeira, quando percebi a relevância de nos sentirmos protegidos para depois investir.

Em primeiro lugar, quero dar-lhe os parabéns por ser uma investidora, o que é raro. O facto de dizer que tem vários PPRs arriscados significa que perdeu o medo de investir. Obviamente não é para todas as pessoas.

Alguém que não queira investir, que tenha um perfil conservador, o que também não tem rigorosamente nada de mal, mas no seu caso considerou que se adaptava à sua realidade e resolveu pôr todo o seu dinheiro, foi o que entendi, em PPRs como fundo de emergência, para preparar o seu futuro ou para viver melhor o seu presente e depois o seu futuro também.

Em primeiro lugar, queria esclarecer aqui uma coisa novamente. Há este equívoco que quando alguém põe os PPRs no IRS, que não pode levantar o dinheiro. Pode. Paga é uma multa. Uma pessoa que tenha posto ao longo de toda a sua vida, durante 15, 20 anos, os 1500, 1750 ou dois mil euros por ano, e que teve as respetivas deduções, pode levantar o dinheiro a qualquer momento.

Qual é o problema? É que quando o fizer, vai ter de devolver – e aqui para este exemplo vou pôr a dedução no máximo –, os 400 euros por ano no IRS. Ou seja, vai ter de devolver os 400 euros de todos os anos em que os pôs no IRS, mais 10% de multa por cada um desses 400, portanto mais 40 euros, por cada ano que passou sobre cada uma dessas deduções.

Feita uma conta muito simples, isso quer dizer que se, por exemplo, pus os meus PPRs durante 10 anos no IRS e recebi 400€ de dedução em cada um desses anos, vou ter de devolver quatro mil euros.Se pus durante 20 anos, vou ter de devolver oito mil euros, mais 10% desses oito mil euros.

Agora, a nossa ouvinte menciona outro aspeto que é, já para se proteger disso, ela não pôs os PPRs no IRS. Portanto, aparecia lá na linha e ela retirava, apagava. É exatamente o mesmo que faço com os meus PPRs.

Porquê? Porque quero ter a liberdade de os resgatar a qualquer momento, sem qualquer espécie de multa ou consequência. Então, se em três dias pode resgatar esse dinheiro, qual é o problema, pergunta a nossa ouvinte?

Em primeiro lugar, volto a dizer que cada um faz o que quiser com o seu dinheiro. O que eu digo aqui não é uma regra ou uma lei que as pessoas têm de seguir, é a estratégia mais prudente para termos uma vida financeira equilibrada.

Então isto é um problema porquê e em que sentido? Sublinhando, ainda, que a nossa ouvinte tem os seus PPRs de risco a render cerca de 10% ao ano, ora, são PPRs extremamente agressivos. Tanto podem subir muito, como é o caso, como podem também descer muito.

Vamos imaginar a seguinte situação: daqui a seis meses, um ano, uma pessoa que esteja nestas circunstâncias e que tenha todas as suas poupanças, todo o seu fundo de emergência, num PPR destes arriscados, imagine que agora começa uma outra guerra, que há outro grande conflito, que vão à falência alguns bancos norte-americanos ou europeus e isto vai tudo para o charco.

São, para já situações hipotéticas, mas sabemos que isto pode acontecer. E, acontecendo, o dinheiro que tem nos PPRs, seja qual for o montante, pode cair de repente, por exemplo, 30%.

Também me pode dizer que ainda tem lá dinheiro na mesma para uma emergência. Certo, mas o dinheiro que retirar do PPR nessa situação, vai ter uma quebra de 30% líquidos na mesma. O que quer dizer que o lucro que obteve ao longo de todo este tempo em que tudo correu bem, pode desperdiçá-lo porque precisou de resgatar numa altura em que os mercados estavam em queda e os seus PPRs estavam com uma elevada desvalorização.

Percebe o risco disto? É que ao fazer isso pode estar a desperdiçar todo o esforço que fez ao longo da sua vida ao poupar e ao investir esse dinheiro nesses PPRs.

Como é que evitaria isso? Mantendo o seu fundo de emergência, por exemplo, em certificados de aforo. Mas os certificados de aforro não são a única opção. Mas caso precise do dinheiro para uma emergência, vai buscar e não mexe nos seus investimentos. Vai eventualmente mexer nos seus PPRs, sim, quando eles estiverem em alta absoluta e a partir da altura da vida que decidir.

Há uma altura na nossa vida em que devemos começar a proteger o nosso património e não a esforçar-nos em fazê-lo crescer ainda mais até o infinito. Então o que é que se faz numa determinada altura? Com tudo ou uma percentagem, começar a reduzir a nossa exposição aos mercados. E os fundos PPR têm exposição às bolsas. Porquê? Porque têm ações lá dentro.

Então o que é que fazemos? Transferimos uma parte que para nós é confortável para, por exemplo, seguros PPR ou fundos de obrigações, ETFs de obrigações ou certificados de aforro, quando considerarmos que esse valor já é suficiente para nos dar dignidade até ao fim da vida e fazermos aquilo que muito bem entendermos com esse dinheiro.

Em resumo, vai fazer o que entender, como é óbvio. O meu conselho é que tenha o valor que considerar que é suficiente para si, para uma emergência grande na sua vida, em produtos com capital garantido. Podem ser certificados de aforro, depósitos a prazo, contas remuneradas à ordem, enfim, o que entender, e dar esse ganho por perdido, mas no sentido de que está a comprar estabilidade e sossego.

Porque tendo tudo em produtos com elevada volatilidade, ou seja, que tanto sobem muito como descem muito, isso a mim tirava-me o sono. Se a si não lhe tira o sono, não há problema nenhum, mas queria justificar porque é que digo que o fundo de emergência é absolutamente essencial até ao fim da nossa vida.

Depois de ter o fundo de emergência nestas condições, em capital garantido e com elevada liquidez, ou seja, em que pode levantar no máximo em três ou quatro dias, então aí sim arrisque como entender.

Mas sem esta base, diria que é uma casa sem alicerces. Esta é a minha visão da situação. É assim que estou a construir as minhas finanças pessoais. E é isso que partilho com vocês, mas ninguém é obrigado a fazer assim. Se acha que está a fazer bem, excelente. A sua opinião vale o mesmo que a minha.

Só queria dar-lhe esta justificação e alertá-la para esta situação. Ou seja, não está a perder dinheiro, mas está a perder em segurança, em estabilidade, em sossego. Com esse nível de volatilidade, pode perder num dia o que demorou décadas a ganhar. Muito obrigado por estarem desse lado.

Boas poupanças!

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Eu tenho uma visão mais prudente das nossas finanças pessoais e é essa estratégia que eu partilho convosco há vários anos. Defendo que só deve começar a investir depois de ter o seu fundo de emergência completo, intocável e com elevadíssima liquidez. Explico porquê no episódio desta semana do “Vamos a contas”.

Já sabe que às quartas-feiras respondo às vossas perguntas. Saber é poder (nas finanças pessoais também). Disponível nas principais plataformas de podcasts:

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