[Introdução - Pedro Andersson]
Olá! Sou o Pedro Andersson, jornalista especializado em finanças pessoais, e aproveito as minhas viagens de carro para falar consigo sobre dinheiro. O tema deste episódio é coisas que temos de fazer para pormos as nossas contas em ordem e, por isso, vamos explorar a questão das finanças automáticas.
Como sabemos, quando tomamos uma decisão, no princípio, é sempre muito fácil e estamos cheios de vontade para avançar, mas com o tempo o entusiasmo começa a perder-se. Outras coisas começam a pôr-se no caminho e acabamos por deixar de cumprir com a decisão que tomámos.
Ora, uma vez que sabemos que somos assim e que temos essa dificuldade, temos de nos obrigar a fazer o que decidimos. Como é que isso se faz? Automatizando as nossas decisões. Repare que as empresas, que não são nada burras, fazem isso logo desde o princípio.
Elas obrigam-nos a pagar por débito direto. Porquê? Por uma razão simples. Se não fizerem isso, arriscam-se a que não paguemos a tempo e horas. A conta da luz, a conta do gás, o crédito à habitação, os seguros de vida, os seguros do carro, todos os seguros, o débito do seguro de saúde, enfim.
Portanto, queria chamar a vossa atenção para a importância da automatização dos débitos automáticos, sabendo eu que há muitos de vocês que têm pavor dos débitos automáticos. Quero falar-vos da minha experiência, porque por causa do pavor aos débitos diretos, acabei por pagar muitas multas, nomeadamente de impostos. Não sei se sabiam, mas podem escolher pagar os vossos impostos por débito direto.
Basta aceder ao Portal das Finanças e escrever no motor de busca “débito direto” e vai aparecer-vos um formulário em que podem escolher todos os impostos que querem pagar por débito direto e até que data é que querem fazer os pagamentos assim. Pela minha experiência, recebo sempre vários SMS e e-mails a avisar que no dia tal vão cobrar o valor referente a X e assim já estou à espera.
Desde que fiz isso, débito direto para todos os impostos, nunca mais paguei uma coima por esquecimento do pagamento. O que é que tenho em débito direto de impostos? Tenho o IUC dos dois carros e tenho o IMI. Portanto, esses não falham.
Também em relação à segurança social, tenho o débito direto na segurança social ativado, o que quer dizer que sempre que tenho de pagar segurança social, também o pagamento é feito por débito direto, ou seja, não tenho de estar preocupado. E o pagamento por conta do IRS também.
Portanto, tudo o que tem a ver com o Estado, em termos de despesa, quero que seja automático. Pode ter uma opinião diferente, e faz muito bem em ter, é preciso ver o que faz mais sentido para si. O importante aqui é não pagar multas. Porque não pagar multas é também uma forma de pouparmos dinheiro. É dinheiro que fica do nosso lado e que não vai para o Estado.
Agora, nas nossas finanças pessoais, uma vez que já sabemos que somos distraídos e que temos de pagar-nos a nós próprios primeiro, a automatização também é importante. Já falámos disto antes, mas este princípio de pagarmos a nós próprios é quando recebemos o ordenado, definimos uma transferência automática mensal para uma outra conta e vamos transferir pelo menos 10% do valor total do dinheiro que nos cai na conta do ordenado todos os meses.
O que quer dizer que quem ganha mil euros deve transferir, isto no mundo ideal, 100€ para outra conta. Pode ser uma subconta no seu banco ou pode ser uma conta noutro banco que seja gratuito, por exemplo, ou onde não paga comissões.
Tem de encontrar uma alternativa gratuita, seja ela qual for, para juntar esse dinheiro. Outra opção, mas aí não é um débito automático, portanto, é posterior a isso, é enviar esse dinheiro para uma conta à ordem que seja remunerada ou para uma ferramenta financeira que renda juros, nomeadamente certificados de aforro, por exemplo.
Estava a dizer-lhe que a técnica básica é 10% do seu ordenado, mas se conseguir mais, ótimo, desde que automatize esta ação. Se não conseguir os 10%, há uma outra técnica que pode utilizar, que é começar com 5% e vai aumentando à medida que conseguir.
Se gradualmente for conseguindo transferir um bocadinho mais, é só alterar no homebanking o valor da transferência automática. O mais importante é nunca parar e ter sempre uma transferência automática, por mais pequena que seja.
Mas voltando ao cenário ideal dos pelo menos 10%, um casal em que cada um ganha mil euros, transferiria 200 euros por mês automaticamente para outra conta. Já sei que muitos de vocês vão dizer que é uma enormidade e que é impensável, mas quero que compreendam que isto é um conceito adaptável.
É só para perceberem a estratégia. Porque muitos de vocês podem ganhar mil euros, mas também haverá muitos de vocês que ganham mais que isso, assim como haverá outros de vocês que só ganham o salário mínimo nacional.
O conceito aqui é poupar todos os meses e de forma automática, adaptando à sua realidade, mas fazer mesmo isto. E porque é que é importante automatizar? Porque se estamos à espera que sobre dinheiro ao fim do mês para fazer isto, é para esquecer, nunca vamos chegar a lado nenhum.
É por isso que isto é para fazer mal o ordenado caia na conta. Qual é a parte boa disto? É que se precisar desse dinheiro por alguma razão, ele vai continuar a estar lá, simplesmente está numa conta à parte.
Para que isto aconteça é preciso avançar. Estamos a falar de decisões e ações. Não adianta ficar a pensar no assunto para um dia mais tarde tratar. Não. Vai tratar disso o quanto antes, caso contrário, não funciona. Portanto, comece a tratar de abrir essa tal segunda conta, ou terceira ou quarta, depende de quantas já tem. O importante é que sejam todas gratuitas.
Porque, repare, até pode ter várias contas para objetivos diferentes. Pode e até deve, na minha opinião. Por exemplo, pode ter uma conta para o seu fundo de emergência, uma para ter um montante de lado para começar a investir pequenos valores, outra para se pagar a si próprio. Enfim, o que quiser e o que forem os seus objetivos.
O importante é que tudo isto seja automático. Se assumir uma estratégia deste género, imagine que tem 100 euros para distribuir por alguns dos seus objetivos. Pode criar uma transferência automática de 70 euros para a conta do fundo de emergência e outra transferência automática de 30 euros para a conta do montante para investir, por exemplo.
É importante é ter a consciência de que deve separar estes objetivos por contas e que os montantes que encaminha para essas contas devem estar automatizados mensalmente.
A separação de contas por objetivos é outra forma de automatizar as suas finanças pessoais e porque é que isto é importante? Porque evita que estas ações dependam da sua vontade pessoal naquele dia ou até da sua memória. Eu, por exemplo, tenho dificuldades em fixar datas, nomes, é terrível, então tudo o que posso automatizar, para mim é melhor.
Para mim é um descanso saber que todas as contas são pagas na altura certa, porque não depende de mim. Quer dizer, depende de mim na medida em que crio as condições técnicas para que tudo decorra de forma automática, mas não preciso de me estar sempre a lembrar.
E caso haja algum erro, também é possível reverter um débito direto. Basta contactar o banco e dizer que o dinheiro que saiu para aquele débito direto é para voltar à conta à ordem e que depois a questão do pagamento será resolvida com a entidade em questão.
Imagine que é uma conta da luz de 50 euros, mas que por erro vinha um zero a mais e retiraram 500 euros, é contactar o banco para devolver o dinheiro à conta. O banco é obrigado a fazer isso se o cliente pedir. É um direito que temos enquanto consumidores para evitar um engano qualquer que possa haver. Qualquer débito direto é reversível.
Meus amigos, neste episódio aquilo que quero que fixem é que as finanças pessoais resultam mais de sistemas e automatismos do que propriamente de motivação.
Porquê? Porque a motivação tem altos e baixos, a nossa vida tem altos e baixos e se criarmos rotinas, criarmos métodos, criarmos automatismos, eles vão funcionar. Isto para o melhor e para o pior. Mas, quando acontece o pior, sabemos que o dinheiro está lá. Se ficar simplesmente a marinar na conta, sabemos que há uma enorme probabilidade de ele desaparecer.
Muito obrigado por me terem acompanhado em mais uma boleia financeira. Isto são conceitos básicos, mesmo básicos, mas muito, muito importantes.
Boas poupanças!
Aprenda a gerir melhor o seu dinheiro
Veja para quem faz sentido automatizar, quando o deve fazer e quais os erros mais comuns que levam muitas pessoas a desistir cedo demais. Sem promessas fáceis nem fórmulas mágicas, este episódio ajuda a perceber como deixar o dinheiro trabalhar em piloto automático pode ser a diferença entre andar sempre a tentar poupar… e poupar de facto.
É mais um episódio essencial para quem quer consistência, menos stress e melhores resultados ao longo do tempo.
Boas poupanças!
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