
Não aceite percentagem de descontos sobre o PVPR
A Black Friday está a chegar e milhares de portugueses vão aproveitar esse dia para fazer as compras que estão a adiar há vários meses. Há descontos e promoções supostamente imperdíveis. Mas será mesmo assim? Na reportagem desta semana do Contas-poupança, demos algumas dicas para nunca ser enganado com falsas promoções.
A Black Friday é sempre a última sexta-feira de Novembro. O dia é aproveitado por milhares de portugueses para uma corrida às lojas à procura das melhores promoções do ano. Mas isso tanto pode ser verdade, como uma ilusão.
Faça sempre uma lista de compras
A primeira dica da DECO é ter uma lista exata do que quer comprar e não simplesmente ir ver o que está com descontos. Corre o risco de comprar coisas de que não precisa.
Aproveite para fazer compras úteis, prendas programadas ou substituir equipamentos imprescindíveis.
Comparar sempre antes de comprar
A segunda dica é nunca comprar sem comparar primeiro com outras lojas físicas e na internet. Comprar por impulso, só porque vê outras pessoas a correr para um produto, normalmente dá prejuízo.
A tendência ilegal do PVPR
A DECO identificou a tendência geral este ano de descontos em que a percentagem é calculada sobre o PVPR. Muitas empresas estão a contornar a lei e estão a calcular as promoções com base no Preço de Venda ao Público Recomendado. Vai ver várias vezes esta sigla: PVPR. Estão a usar o preço sugerido pela marca original que talvez nunca chegaram sequer a usar.
O consumidor tem de estar muito atento. A lei é clara: os descontos anunciados devem ter por base o preço mais baixo nos últimos 30 dias.
O problema é que tem de ter a prova de que o valor já esteve muito mais baixo. Mas isso consegue tirando uma fotografia ao produto quando ele esteve em promoção no último mês. Daí a importância de “namorar” o produto que realmente quer durante algum tempo.
Também pode usar ferramentas como a página comparar preços da DECO e a página KuantoKusta. Nestas duas páginas consegue saber o preço todos os dias nos últimos 30 dias de cada produto elétrico ou eletrónico que tenha código de barras.
A DECO emitiu um comunicado com vários casos que já identificou nas últimas semanas.
Por exemplo, um telemóvel apresentado como promoção da Black Friday estava a ser vendido no dia 4 de novembro a 1.249 euros. A loja deu como referência o PVPR de 1.499,99 euros. Mas esse preço nunca foi aplicado nos últimos 30 dias.
Aliás, esteve à venda 49 euros mais barato alguns dias antes da campanha Black Friday.
Se a lei fosse aplicada, qualquer preço de desconto teria de ser sobre 1.199,99 €. Ou seja, neste caso não podiam falar de nenhum desconto, porque nesta altura estaria mais caro do que já esteve nos últimos 30 dias.
Noutra situação, uma televisão apresentava um preço “riscado” de 1.349,99 € e um desconto de 46% sobre o PVPR, ou seja, 729 euros. Mas o mesmo televisor, a 28 de Outubro, já tinha estado à venda por menos 78 euros, ou seja, 650,99 €.
Até pode continuar a ser um bom negócio, mas a DECO exige mais transparência junto do consumidor e que a lei seja aplicada. Reclame! Se identificar uma situação assim, peça o Livro de Reclamações e faça queixa na ASAE.
Analise antes de comprar
Não se esqueça de ver sempre as características e qualidade do produto que pensa comprar e informe-se sobre a política de devolução em caso de arrependimento. Às vezes, as regras alteram-se neste período. E cuidado com as páginas falsas que parecem verdadeiras. Verifique sempre se o endereço está correto. Alguns criminosos mudam uma letra no nome da página, faz a compra e nunca mais vê o dinheiro nem o produto. Se possível use sempre cartões de crédito temporários para fazer compras online.
Em resumo, muito cuidado na Black Friday e no resto o ano. Se vir que o desconto é sobre o PVPR, desconfie. O desconto anunciado tem de ser sempre sobre o valor mais baixo dos últimos 30 dias. A lei existe e não está a ser cumprida. Queremos descontos, mas que sejam verdadeiros.
Pode ver our ever a reportagem em vídeo aqui:













