As faturas detalhadas das telecomunicações vão mudar (para melhor)

A MEO (e os outros) vai deixar de poder cobrar as faturas em papel

A ANACOM acaba de definir o nível mínimo das faturas detalhadas e a informação que é obrigatório incluir nas faturas que os operadores de comunicações eletrónicas devem disponibilizar gratuitamente aos assinantes que solicitem faturação detalhada.

A informação a constar da fatura disponibilizada gratuitamente inclui a data em que termina o período de fidelização e os eventuais encargos a suportar pelo cliente se quisesse terminar o contrato na data da emissão da fatura. O nível de detalhe definido permite ainda um seguimento mais fácil, discriminado e transparente dos gastos associados aos pacotes de serviços, sobretudo quando existem consumos adicionais.

Não podem cobrar pela fatura em papel

De acordo com a decisão da ANACOM, os operadores de telecomunicações NÃO PODEM cobrar aos clientes pela emissão e envio de faturas com o detalhe mínimo agora definido, nem pelas faturas sem detalhe ou com um detalhe inferior ao definido, INDEPENDENTEMENTE DO MEIO E DO SUPORTE UTILIZADO. Ou seja, mesmo que seja em papel.

Falei deste problema neste artigo AQUI.

O nível de informação e de detalhe que deve ser incluído nas faturas disponibilizadas gratuitamente aos clientes que o solicitem não invalida que, por sua iniciativa ou a pedido expresso dos clientes, os operadores emitam ou enviem faturas com um detalhe e informação superiores ao definido pela ANACOM, nos termos acordados com os clientes. Suponho que nestes casos (a interpretação é minha) essas fatura já possam ter um custo. Digo isto porque por exemplo eu, como jornalista, tenho faturas com 7 e 8 páginas. Para mim o telemóvel é uma ferramenta de trabalho. Se todos os portugueses tivessem faturas assim seria uma fortuna em papel e correios para as operadoras. Reconheço isso.

Os detalhes mínimos das faturas

Os elementos que as faturas básicas GRÁTIS em papel ou digitais devem disponibilizar e enviar aos clientes que solicitem faturação detalhada são estes (destaquei aqueles que me parecem mais relevantes):

  • O número de cliente ou identificador equivalente;
  • A designação comercial do(s) serviço(s) faturado(s);
  • O período de faturação;
  • O valor total da fatura;
  • O preço relativo à instalação e ativação do(s) serviço(s);
  • O preço relativo à aquisição ou ao aluguer de equipamento(s) solicitado(s) aquando da contratação ou posteriormente ao início da prestação do(s) serviço(s), com indicação da(s) correspondente(s) unidade(s) faturada(s);
  • O preço relativo à mensalidade ou ao período de referência que sirva de base à faturação, com indicação do(s) serviço(s) abrangido(s);
  • O valor referente a serviço(s) e outro(s) encargo(s) adicional(is) não incluído(s) no preço da mensalidade ou no período de referência que sirva de base à faturação, identificando a(s) correspondente(s) categoria(s) e quantidade(s) faturada(s);
  • O valor referente a comunicações adicionais (chamadas e mensagens, incluindo para números não geográficos, tráfego de Internet, entre outros) não incluído no preço da mensalidade ou no período de referência que sirva de base à faturação, identificando a(s) correspondente(s) categoria(s) e quantidade(s) faturada(s);
  • O valor de descontos aplicados;
  • Acertos na faturação;
  • O valor de carregamentos efetuados pelo assinante e consumos efetuados, saldos transitados de períodos de faturação anteriores e saldos existentes no final do período de faturação, que podem ainda transitar para o período seguinte;
  • Os números de contacto do serviço de apoio a clientes;
  • A data de término da fidelização;
  • Os encargos devidos à data da emissão da fatura pela cessação do contrato por iniciativa do assinante antes do término da fidelização;
  • A data limite de pagamento;
  • Os meios de pagamento admitidos;
  • Os débitos e créditos do assinante, devidamente discriminados e justificados;
  • A referência à possibilidade de contestação, pelo assinante, dos valores faturados, o prazo previsto para o efeito, bem como os meios pelos quais poderá fazê-lo junto da empresa que presta o(s) serviço(s);
  • A referência à possibilidade de exercício do direito de queixa através do livro de reclamações, incluindo o livro de reclamações eletrónico;
  • A referência à possibilidade de recurso aos mecanismos de resolução extrajudicial de conflitos, em particular, no caso dos consumidores, aos centros de arbitragem de conflitos de consumo legalmente autorizados.

Esta “proposta” de decisão da ANACOM vai estar agora em consulta pública durante 20 dias úteis, decorrendo até 3 de julho de 2018. Os contributos (sim, você também pode participar) devem ser enviados, por escrito e em língua portuguesa, para o endereço de correio eletrónico detalhe-fatura@anacom.pt, apelando a ANACOM a uma intervenção alargada por parte dos vários agentes e intervenientes no mercado. Se tem alguma sugestão a acrescentar sobre este tema, não se acanhe. Enquanto consumidores, participar nestas decisões é um direito e um dever. Não se limite a reclamar para o ar.

Acompanhe-nos AQUI

Registe-se AQUI para receber a Newsletter do Contas-poupança. Assim não perde nenhuma dica.

YouTube 

Facebook do Contas-poupança

 Pergunte no Grupo “Contas-poupança – As suas dúvidas”

Instagram

Twitter  

Se quiser um resumo muito claro e prático das dicas que demos nestes anos todos, pode adquirir o livro “Contas-poupança”. Escrevi-o com esse propósito.

É só clicar AQUI abaixo.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *