Cidadão

Reparações – Pediram-me 99 euros, resolvi com 1 euro

Tem coragem para tentar o “Faça Você Mesmo”? Como sabem, iniciei esta minha aventura da poupança há 8 anos, quando comecei a rubrica “Contas-poupança” na SIC, no Jornal da Noite às quartas-feiras. Desde então também aprendi muito convosco. Mas iniciei recentemente na minha vida – sem me aperceber – um novo capítulo na área da […]

Tem coragem para tentar o “Faça Você Mesmo”?

Como sabem, iniciei esta minha aventura da poupança há 8 anos, quando comecei a rubrica “Contas-poupança” na SIC, no Jornal da Noite às quartas-feiras. Desde então também aprendi muito convosco.

Mas iniciei recentemente na minha vida – sem me aperceber – um novo capítulo na área da poupança: O DIY.

O que é o DIY?

DIY (Do It Yourself): “Faça você mesmo”, em português. Se pesquisar no Google por “DIY” vai encontrar milhares de dicas e ideias para fazer ou reparar tudo o que possa imaginar. Com as suas próprias mãos, sem ter de recorrer a outros a quem teria de pagar. De que forma é que o “Faça você mesmo” entrou na minha vida?

É complicado reparar um drone?

A resposta óbvia é: “Claro que é complicado. Isso é só para técnicos especialistas”. Não é, como verá.

O meu filho mais velho tem um drone comprado numa conhecida loja de produtos de grande consumo. Não é dos mais caros, mas também não é dos mais baratos. Tem GPS, câmara que filma e tira fotografias, segue-nos quando nos movimentamos, etc. O miúdo gosta de brincar com ele e já fez alguns filmes engraçados.

Pois. Avariou passados 2 meses. Quando digo avariou, quero dizer que um dos motores deixou de funcionar. Queimou. Como devem imaginar, com menos um motor o drone deixa de funcionar. Morreu.

Como estava na garantia, levei-o à loja. Ficaram com ele e passados uns dias, disseram-me que já tinham orçamento para a reparação. Não estava a contar com orçamento para reparação porque ainda estava na garantia… 99 euros.

Porque é que não acionavam a garantia?

Porque o técnico escreveu que a avaria deveu-se a “má utilização do aparelho”. Ora, a utilização que demos ao drone foi voar com ele. Reclamei por escrito, perguntando de que “má” utilização é que estavam a falar porque pela descrição fiquei na mesma. Responderam-me que o motor sofreu esforço demasiado e por isso queimou. Talvez tenha ficado preso em algum fio minúsculo, ervas ou semelhante.

Lembrei-me que, justamente para não estragar o drone levantávamos voo e aterrávamos na erva do jardim junto a nossa casa. Poderia ser essa a explicação? Talvez. Não tinha como provar que não era culpa minha porque houve situações em que as ventoinhas “cortaram relva” e não sei se entrou alguma coisa lá para dentro.

As opções de reparação

Antes de mais, devo dizer que apesar de cara a reparação ainda compensava em relação ao custo do aparelho. Vamos a contas.

Ou pagava os 99 euros de reparação, ou mandava reparar noutro lado ou reparava eu.

Reparava eu? Mas eu não percebo nada de eletricidade nem de eletrónica! Decidi ir ao YouTube. Escrevi “Reparar motor queimado + Marca e modelo do drone”. O YouTube já me “safou” muitas vezes quando não sei o que fazer para reparar uma situação ou um aparelho. Mas neste caso, um drone é muito acima das minhas competências. Achava eu.

E não é que encontrei justamente o que procurava?

Um vídeo explicava como abrir o drone, retirar o motor queimado, substituí-lo e colocá-lo no ar a voar novamente.

Anotei as características do motor e fui a um dos muitos sites na internet que vendem tudo e mais alguma coisa. Neste caso foi no “Ali Express”. Tinham os motores exatos para o drone do meu filho. Tinham motores individuais e conjuntos de 4. Quanto custava o pack de 4, já com portes incluídos? 5 euros. Basicamente ficou a cerca de 1 euro cada motor. Mandei vir da China.

Passadas 3 semanas chegaram os motores. Abri o aparelho conforme as instruções, mudei o motor e foi só soldar 2 fios. Como não tenho jeito para soldar, pedi a um amigo que sabe. Ficou como novo. Está a voar na perfeição.

As lições que aprendi

Aprendi com esta situação várias lições:

1) Há várias coisas que pensamos que não somos capazes de fazer que, com ajuda de conhecidos ou da internet (YouTube e outros), conseguimos perfeitamente realizar, por muito complicadas que pareçam à primeira vista;

2) Poupei 98 euros (ou 94, porque comprei 4 motores em vez de 1), só porque não aceitei o primeiro orçamento. Podia ter perdido os 5 euros da compra de motores se não tivesse dado resultado, mas decidi arriscar;

3) Percebi o negócio de algumas reparações. Cobram-nos o dinheiro que querem sem nenhuma justificação financeira. Neste caso pediram-me 99 euros por uma reparação cujo material custava 1 euro. Seriam 98 euros de mão-de-obra. É verdade que demorei cerca de 2 horas a desmontar e a montar o drone, mas acredito que quem sabe faz aquilo de olhos fechados;

4) Mesmo que tivesse corrido mal, fiquei extremamente satisfeito comigo mesmo por ter tentado e sobretudo, por ter conseguido. Deu-me confiança para tentar reparar tudo o que avariar cá em casa. Sem exageros, claro. Máquinas grandes ainda me metem medo;

5) A loja podia ter aprendido também uma lição de Atendimento ao Cliente. Por um euro (literalmente 1 euro) perdeu um cliente. Da próxima vez, compro noutro lado. Estando o aparelho em garantia (com apenas 2 meses) e percebendo – espero eu – que não houve má fé na utilização do aparelho, quando muito falta de informação, poderiam ter sido mais pedagógicos. Tive de arrancar a informação a ferros, através de reclamações escritas. Assim, fiquei com uma péssima imagem da empresa (não dos funcionários que me atenderam) e fiquei convencido que os orçamentos das reparações naquela loja são absolutamente exagerados. Mesmo que tenha sido só aquele caso, por 1 euro, podiam ter evitado esta situação. Mas não são obviamente obrigados a pagar a reparação de um aparelho “estragado” pelo cliente. Dou isso de barato.

Portanto, da próxima vez que tiver um aparelho avariado veja na internet se consegue repará-lo sozinho ou com ajuda de alguém que perceba mais do que nós.

Depois desta minha experiência, já arranjei o meu Ferro de engomar de caldeira (sim, consegui!) Com a ajuda de um amigo “desconhecido” na minha página pessoal de Facebook (que me enviou o Manual do meu ferro de engomar para ir comprar a peça que partiu) e reparei a torneira da cozinha gastando 30 cêntimos. Quanto gastaria se tivesse de chamar um canalizador a casa? Ou se tivesse de comprar uma torneira nova? Bastou substituir 3 argolas de borracha (aprendi que se chamam o-rings). Depois disso, partiu-se a torneira de segurança da água quente do lava-loiças. Fechei a torneira de segurança do contador da água, desmontei a peça, levei-a a uma loja de ferragens para comprar uma igual. Montei a nova e resolvi o problema. Foi como mudar uma lâmpada.

Estes casos podem servir de exemplo para outros e com os vossos exemplos conto aprender muito também. Espero que, com esta dica, não se levante uma onda de indignação de todos os reparadores de drones, ferros de engomar e canalizadores de Portugal. Não quero o vosso emprego, OK? Estou a falar de coisas simples que podemos tentar fazer. Se não conseguir, chamo os profissionais.

Com esta dica, pode poupar 35 euros de deslocação + mão-de-obra na reparação de pequenos eletrodomésticos. O que tem a perder? Já está avariado mesmo (mas não perca as peças, caso precise da ajuda de um profissional).

A reportagem do Contas-poupança desta semana é sobre como pode arranjar os seus aparelhos gratuitamente. Não fazia ideia de que isto existia. Mas só conto na quarta-feira :).

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