
A taxa de juro média dos novos depósitos a prazo desceu para 1,36% em dezembro, ficando abaixo dos 1,37% registados no mês anterior, de acordo com dados divulgados pelo Banco de Portugal (BdP) esta quarta-feira.
Entre dezembro de 2024 e dezembro do ano passado, a taxa de juro média dos novos depósitos a prazo caiu 0,80 pontos percentuais, passando de 2,16% para 1,36%. As aplicações com prazo até um ano representaram 95% do montante total de novas operações em 2025.
Já os depósitos com prazos entre um e dois anos corresponderam a 4% do total de novas aplicações o ano passado, contra 3% em 2024. A remuneração média desses depósitos reduziu 0,40 pontos percentuais, passando de 1,73%, em dezembro de 2024, para 1,33% em dezembro de 2025.
Os depósitos com prazo superior a dois anos representaram apenas 0,4% do total de novas aplicações o ano passado e a sua taxa de juro média passou de 1,26% em dezembro de 2024 para 1,13% em dezembro do ano passado.
De recordar que o ciclo de sucessivas descidas na remuneração dos depósitos a prazo se iniciou em janeiro de 2024. No entanto, e apesar das quebras consecutivas, os portugueses continuaram a escolher colocar o seu dinheiro em aplicações a prazo.
De facto, o montante de novas operações de depósitos a prazo de particulares chegou aos 144,3 mil milhões de euros o ano passado, o valor anual mais elevado desde o início da série, em 2003.
Faz sentido ter depósitos a prazo?
Manter dinheiro em depósitos a prazo, neste momento, significa perder poder de compra. Os dados disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), relativos à inflação em dezembro, mostram que nesse mês o indicador se fixou em 2,2%.
Ora, se a inflação estava em 2,2% e os bancos pagavam apenas 1,36% sobre os depósitos a prazo, o dinheiro na conta está a render menos do que aquilo que os preços sobem. Na prática, todos os meses, o valor real da poupança está a diminuir.
Ainda que se considere a mais recente estimativa do INE para a taxa de inflação, relativa a janeiro, a perda de poder de compra mantém-se.
Os cálculos do gabinete de estatística apontam para uma taxa de inflação de 1,9% em janeiro de 2026, valor que ainda está acima dos 1,36% da remuneração dos depósitos a prazo.
Que estratégias aplicar?
- Diversificar aplicações: manter apenas uma parte em depósitos a prazo, para liquidez e segurança imediata.
- Aproveitar alternativas seguras com mais rendimento: em Portugal, os Certificados de Aforro da série F continuam a pagar taxas superiores às dos depósitos bancários e são garantidos pelo Estado.
- Investimentos de médio e longo prazo: quem puder arriscar um pouco mais deve considerar fundos de investimento, ETFs ou PPR com perfil adequado ao seu risco. O objetivo é procurar retornos que superem consistentemente a inflação.
- Definir horizontes de tempo: o dinheiro de que vai precisar a curto prazo pode ficar em depósitos ou contas à ordem; o que só vai usar a médio/longo prazo deve ser colocado em produtos que realmente protejam contra a inflação.
Guardar dinheiro apenas em depósitos a prazo é, atualmente, um erro financeiro, porque os juros não acompanham a inflação. A solução não é deixar de poupar, mas escolher onde aplicar para que o esforço de poupança não se transforme numa perda.














