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Painel solar fotovoltaico – Balanço de agosto de 2021 (mês #57)

Escrito por Pedro Andersson

06.09.21

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9 min de leitura

Balanço de agosto de 2021

Este verão está a ser atípico. Ao longo dos últimos 4 anos, a produção do painel vai subindo desde março em diante, até atingir o pico em julho e depois começa a descer até ao fim do ano, altura em que volta a subir novamente. Este ano de 2021 teve 4 meses muitos bons em termos de produção de eletricidade. Maio, junho, julho e agosto foram praticamente iguais a tocar sempre quase o máximo possível. Confesso que não tenho nenhuma explicação científica para isso, é apenas uma constatação. Terá a ver com as alterações climáticas? Não faço ideia e não pretendo ir por aí. 

Para o caso que nos interessa, o que importa referir é que agosto foi um mês excelente. Produziu quase 45 kWh de eletricidade. Para muito pena minha, como estivemos de férias foi um desperdício enorme, como já esperava. É o habitual. Este cenário repete-se todos os anos em agosto. Vamos às contas e aos gráficos mais abaixo.

A eletricidade vai aumentar

Quero aproveitar esta oportunidade (uma vez que está a ler este artigo) para o avisar mais uma vez que a eletricidade vai (com uma probabilidade altíssima) aumentar em janeiro próximo. E não devem ser aumentos “meigos”. Daí que esteja a acontecer uma corrida aos paineis solares, sobretudo por parte de empresas que os estão a comprar às dezenas e às centenas. É que a eletricidade produzida pelo sol é imediatamente consumida (ou armazenada, ou vendida) e assim que o investimento esteja pago é lucro total. Só vai comprar a eletricidade que não consegue produzir sozinho.

Aliás, quem tem muitos paineis solares, e está a vender ao preço do OMIE agora está a fazer um excelente negócio porque a eletricidade está ao preço mais alto de sempre. Subiu cerca de 180% nos últimos meses na produção. É brutal. E nós vamos pagar isso, claro. Portanto, quem tiver paineis solares instalados antes de janeiro do ano que vem, estará a proteger-se desses aumentos. Se há uma altura em que deve investir em paineis solares é agora.

Contudo (para que não pense que estou a “vender” paineis solares), deve entender que estas subidas são temporárias, com o inverno e as barragens cheias é expectável que o preço da eletricidade volte a valores normais. Isto é um pico extraordinário. Mal de nós se estes preços continuarem nestes valores.

Em agosto, foram quase todos os dias “perfeitos”, com uma produção máxima de 1,5 kWh por dia. De uma forma aproximada, estamos a falar de cerca de 30 cêntimos de eletricidade grátis diariamente.

Leia também: Como faço para vender o excedente que não consigo consumir 

Leia também: Quanto custa um painel solar?

NOTA PERMANENTE: Como já sei que muitas pessoas vão perguntar, comprar baterias (com 6 painéis para ser suficiente para carregar as baterias) custar-me-ia vários milhares de euros. Eu não tenho esse orçamento e demoraria décadas a recuperar o investimento. Assim, o “acordo” que fiz com a E-Redes (como se chama agora a EDP Distribuição) é consumir em tempo real o que o painel fotovoltaico produz e o que não consumir é oferecido para a E-Redes vender aos outros consumidores. Essa opção é boa para soluções “off-grid”, ou seja em locais isolados sem acesso a eletricidade da rede.

Acima tem também o link para o artigo onde explico o que tem de fazer para vender o que não quiser oferecer à rede, com as vantagens e desvantagens. No meu caso não posso porque só se pode vender o excedente se produzir 300 W ou mais. Há ainda uma enorme confusão sobre o funcionamento do net metering de 15 minutos que, pelos relatos que me estão a chegar, não estão a ser calculados (nem bem nem mal).

Os números de agosto de 2021

Tem aqui abaixo o gráfico da produção do painel ao longo dos meses mais recentes. Para quem está aqui pela primeira vez, ou recentemente, quero relembrar que o painel solar instala-se no telhado (aparafusa-se), aponta para sul e a tomada que sai do painel liga a uma tomada normal em sua casa (no meu caso é na tomada da arrecadação junto ao telhado, uma vez que moro num andar a meio do prédio).

Tem AQUI o vídeo com a instalação do meu painel.

Sempre que há sol, ele produz eletricidade. É como se fosse um frigorífico, só que em vez de gastar eletricidade, injeta eletricidade em minha casa.

A sua casa, por uma lei da física, consome sempre primeiro a energia do painel. Portanto, se ele produzir o suficiente para o frigorífico e uma ou duas luzes ligadas, não vai buscar nada à “EDP”. É eletricidade de “graça”. Só tem de levar em conta o investimento. 

Como pode ver, o painel produziu exatamente 44,675 kWh em julho. Em teoria, daria para secar o cabelo com um secador durante cerca de 45 horas seguidas (claro que ficava sem cabelo…) se produzisse essa energia no momento em que o estivesse a utilizar.

Aproveito para vos mostrar o consumo da minha casa quando não está ninguém em casa. Os dois picos mais altos que vê, ocorreram quando alguém foi a minha casa e ligou algum aparelho ou luzes. Olhando para este gráfico que o meu aparelho de medição de eletricidade produz minuto a minuto, vejo que os únicos gastos que tenho com a casa vazia é quando o router (ligado 24 horas por dia) se junta ao frigorífico a ligar e desligar o motor e a arca frigorífica a fazer a mesma coisa. No máximo dos máximos quando o router, e os motores do frigorífico e da arca estão ligados ao mesmo tempo, o máximo de consumo que atingem são os 200 W. Logo, o meu painel ao produzir 250 W suporta tudo isso. Assim, durante o dia não vou buscar nada à empresa de eletricidade. Tenho eletricidade completamente grátis, graças ao meu painel solar fotovoltaico.

As contas

O que o painel fotovoltaico de 250 W produziu em agosto representou cerca de 7 euros de poupança na minha fatura da luz, se tivesse consumido tudo o que o painel produziu no mês passado. Mas tive um desperdício altíssimo, de cerca de 20%. O meu aparelho mede tudo minuto a minuto por isso consigo saber ao detalhe.

Leia também: Como os vendedores podem tentar fazer com que compre mais painéis do que aqueles que precisa

Como pode ver neste gráfico, o desperdício do meu painel em agosto é sempre muito alto, porque ninguém está em casa para consumir o que o painel produz. Como pode ver abaixo, nos dias em que estou em casa, o desperdício é nulo ou quase.

Se tivesse consumido tudo o que o painel produziu desde 2016 teria já poupado até agora 364,73 €. O retorno do investimento continua nos 8 anos. Pelo preço dos painéis hoje, já estaria pago. O meu foi barato na altura, mas caro para os dias de hoje (tudo ficou-me em 620 euros, com instalação e material extra).

No gráfico abaixo tem a produção total do painel em kWh. Não é influenciado pelo preço que pago pela eletricidade. Se reparar no gráfico anterior,  parece que poupo cada vez menos. E é verdade. Como tenho renegociado o preço da eletricidade mais ou menos de 6 em 6 meses, pago cada vez menos por kWh de eletricidade (enquanto a maior parte das pessoas se queixa de que paga cada vez mais). Portanto, cada vez que baixo o preço do kWh, poupo menos com o que o painel fotovoltaico produz. Por mim, está ótimo.

Este gráfico é importante porque a poupança em dinheiro é uma coisa, mas a eletricidade que ele produz é outra. Eu posso produzir mais eletricidade, mas se o preço da eletricidade baixar, a minha poupança vai ser igual ou inferior. Por outro lado, se o preço da eletricidade aumentar, a minha poupança vai ser maior. Assim consigo comparar as duas coisas e ao mesmo tempo avalio a eficiência do painel para saber se devo acionar a garantia ou não. Se a eficiência baixar para os 80% antes de 20 anos dão-me um novo.

Até agora, os picos máximos nestes 4 anos mantêm-se iguais (nos 45 kWh mensais nos melhores meses), logo não tenho nenhuma razão para reclamar. Estão bons. Não gasto 1 cêntimo em manutenção. Vou ao telhado duas vezes por ano passar um pano para tirar a poeira.

Compensa comprar um painel solar?

É por estas contas que acabou de ver que deve avaliar bem se precisa mesmo mais do que um painel solar. Um, pode e deve ter de certeza, diria. Dois ou mais, só os deve instalar se tiver a certeza de que tem gente ou equipamentos elétricos suficientes para gastarem a energia que vai estar a produzir em tempo real (nas horas de mais sol).

Assim, o retorno real continua pelas minhas contas perto dos 8 anos (reais). 

Depois de passado esse tempo (8 anos), o painel estará pago e terei pelo menos mais 15 anos de “lucro”. Já só falta metade desse tempo, uma vez que 4 anos já passaram. Veremos se é assim. Mensalmente continuarei a fazer aqui o balanço para o ajudar a avaliar se deve ou não comprar um (ou vários) painéis solares. Mesmo que não esteja virado para este tipo de instalações, pelo menos fica a saber como funcionam e qual é o grau de poupança que pode alcançar, sem exageros ou falinhas mansas. Aqui tem um caso real, isento, que o ajuda a avaliar se isto é uma opção para si.


 

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5 Comentários

  1. Sara Carvalho

    Como pode perceber, não colocou nenhum daqueles aparelhos como o inversor, outros chamam-se solax? Foi só fazer uma ligação a uma tomada doméstica?

    Responder
    • Carlos Campos

      Viva,
      A instalação do Pedro Andersson, tem um micro-inversor da “APS”, que converte a tensão DC, cerca de 35Volts do painel fotovoltaico, para 220V AC, este micro-inversor, está instalado por baixo do painel fotovoltaico de 250W, e tem um IP67.
      Espero ter respondido à sua questão.
      Saúde e boas energias.

      Responder
  2. Pedro Alves

    Viva,

    Excelente partilha e análise realista dos números, invés de só comermos a banha da cobra com os cálculos teóricos! Obrigado! Agora uma pergunta: seria possível partilhar esse Excel para cálculo de amortização?

    Cumprimentos.

    Responder
  3. António Cruz

    Quem sabe esclarecer sobre os contadores inteligentes? Há quem diga que alguns somam a energia exportada à consumida, (e que também contam a energia Reactiva, que os antigos não contam). Recentemente substituíram-me o contador por um Sagemcom S212 devido a ter informado que montei um painel FV de 275W. Verifico que tem 4 quadrantes de medição Q1…Q4 com um +1 ou-1 à frente, em que o -1 junto com Q2 ou Q3 refere-se a exportação e os restantes Q1, Q4 e +1 a consumo. Alguém tem mais informação sobre estes contadores e como contabilizam a exportação?
    Obrigado

    Responder
    • Carlos Campos

      Essa informação deverá ser solicitada à própria empresa de distribuição de electricidade, seja Edp, Galp, .. e enviar esse pedido de esclarecimento com conhecimento (C/c.:) da ERSE – Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos.
      Se o Sr. fez a comunicação prévia do seu módulo fotovoltaico no portal da DGEG-SERUP, o contador agora instalado não deverá NUNCA
      contabilizar a energia eléctrica desperdiçada, mas pode acontecer terem esquecido de parametrizar o contador com esse menu específico.
      Peça o esclarecimento de como poderá efectuar esse controlo.
      Não esquecer que o contador consome energia para se alimentar, visor, Leds, placa de electrónica, e essa alimentação é feita com energia eléctrica paga por si.

      Espero ter sido útil com o meu comentário, apesar de não ser o Sr. Pedro Andersson.

      Cumprimentos,

      Responder

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