[Introdução - Pedro Andersson]
Olá! Sou o Pedro Andersson, jornalista especializado em finanças pessoais, e neste podcast tento encontrar maneiras de gerirmos melhor o nosso dinheiro. Neste episódio quero falar sobre uma das questões que mais me têm enviado, que tem a ver com a queda dos mercados.
Na altura em que estou a gravar este episódio, estamos a assistir à guerra no Irão que já tem tido consequências nas bolsas e nos investimentos que alguns de vocês fizeram no passado e que agora estão em queda.
Por causa disto, tenho recebido dois tipos de questões: se como os mercados estão em queda é melhor vender antes que se perca mais ou se esta é a altura para pôr mais dinheiro ou se simplesmente devem esperar até que recupere.
Para começar, quando falamos de investimentos, neste caso, não é de depósitos a prazo ou de certificados de aforro. Estamos a falar de investimentos relacionados com as bolsas como ETFs, fundos PPR, ETCs, que são ETFs de commodities como ouro, prata, etc.
Para sequer começar a fazer este tipo de investimentos, não basta ter uma conta à ordem. Ou tem de ir ao seu banco e abrir uma conta à parte para investimentos, e pagar as comissões altas que cobram, ou tem de abrir conta numa corretora. Há várias corretoras low-cost que já cobram taxas muito mais baixas.
Há diversas como a XTB, Trade Republic, Degiro, Trading 212, etc. Não tenho qualquer ligação a nenhuma, são apenas exemplos para que percebam do que estou a falar e para que saibam quais são algumas das entidades supervisionadas e credíveis. Por favor não se metam em coisas nas redes sociais com nomes esquisitos.
Mas adiante, depois de ter dinheiro numa conta de investimentos no seu banco ou numa corretora, já pode começar a subscrever produtos relacionados com as bolsas.
Agora, nesta fase complicada, é normal que as pessoas que têm estes investimentos e que seguem os gráficos e o saldo de forma regular, se tenham apercebido que têm menos dinheiro do que lá tinham antes. Mas isto também é uma coisa a que temos de estar dispostos quando investimos nestes produtos. Se achar que esta instabilidade não é para si, então não se meta nisso.
Estas quedas são absolutamente normais, atenção. Fazem parte das regras do jogo, não são exceções. Quem quer começar a investir em ETFs ou coisas do género não pode esperar ver sempre o dinheiro a crescer, isso é para tirar o cavalinho da chuva, porque não é assim que funciona.
O que temos de perceber é que guerras sempre houve, crises sempre houve, situações como pandemias podem acontecer, enfim. Sempre que há um acontecimento desse género, os mercados ressentem-se e o valor que investimos cai. Quanto maior a crise, mais caem os mercados.
Se olharmos para os gráficos desde o início do século, ou seja, desde 2000, o que vemos é que sempre que há uma crise, grande ou pequena, as bolsas caem, mas depois recuperam.
Não quer dizer que não haja várias empresas que faliram ao longo dos últimos 26 anos, mas estamos a falar das bolsas de uma forma geral e é precisamente por causa dessas situações que diversificar é tão importante.
Mas aquilo de que estamos aqui a falar, essencialmente, é mesmo de ferramentas diversificadas como os ETFs que seguem as bolsas. E esses ETFs, depois das crises, recuperaram sempre. Porquê? Porque têm dezenas ou até centenas de empresas e de produtos lá dentro. E, na média, mesmo que dez empresas dessas fossem à falência, as outras conseguiam recuperar.
Então, qual é o maior erro de quem investe? É parar de investir ou então vender em pânico porque estão a perder e têm medo de perder ainda mais. O outro problema é quem tem dinheiro para investir, mas está sempre à espera de um momento certo ou de uma queda maior para investir.
Pode até ser que caia mais, mas também pode não cair mais e voltar a subir. O óbvio, no entanto, é que quando está em queda é um bom momento para investir. O dinheiro faz-se nas quedas, não nas subidas.
É verdade que isto pode parecer estranho, mas não é quando as coisas estão em alta que é a melhor altura para investir, porque se investir só quando está em alta, já perdeu o crescimento.
Comprar barato, mesmo com medo, é aquilo que vai distinguir os resultados medianos dos resultados excelentes.
É preciso que as pessoas compreendam que numa altura de queda, se calhar com o mesmo dinheiro compra duas unidades de participação em vez de uma.
Mas vamos cimentar algumas estratégias. A primeira, é não fazer nada e nem sequer investir. Pode não arriscar, não pôr mais dinheiro, mas também não tirar. Ficar só à espera que a guerra passe e que as bolsas recuperem.
Claro que se só voltar a investir depois da recuperação, não vai ganhar, só vai quando muito voltar ao nível que perdeu. Quem investiu na altura de queda, vai estar a ganhar com a subida.
Outra estratégia é investir tudo agora na queda e outra, que acho mais equilibrada, é fazer um investimento faseado. Ou seja, aproveitar a queda, mas não colocando o dinheiro todo de uma vez, porque pode ser possível aproveitar mais quedas no futuro, ou não.
Também é importante investir em produtos diversificados como fundos de investimento ou ETFs. São produtos com muita coisa lá dentro o que reduz as probabilidades de perder tudo, porque é improvável que tudo colapse ao mesmo tempo.
O grande incentivo que vos quero dar é para começarem. Enquanto não o fizerem e não perceberem que isto pode ser relativamente simples, desde que escolham as ferramentas corretas, não vão estar a aproveitar para rentabilizar o vosso dinheiro.
Obviamente, não vai nunca investir dinheiro que lhe vá fazer falta a curto prazo. E principalmente numa altura de crise, que não se sabe quanto tempo vai durar, é preciso ter muita atenção ao dinheiro que de facto podemos ter para investir.
E, claro, nunca peça créditos para ter dinheiro para investir. Isso é um pecado capital. Tem de garantir, antes que qualquer investimento, que tem o seu fundo de emergência também.
Se percebermos estas coisas básicas, já estamos bem encaminhados. Volto a dizer: se tudo isto lhe faz confusão com dinheiro para cima e para baixo, não se meta nisto, porque o mais provável é que acabe por se assustar, resgatar o investimento e perder dinheiro.
E isso só vai reforçar a convicção que já tinha de que os investimentos são maus.Mas os investimentos não são maus. Só são quando não percebemos como funcionam.
Não quero que isso aconteça consigo, por isso é que lhe trago as vantagens, as desvantagens e os riscos para que possa decidir em consciência. Muito obrigado por me ter acompanhado em mais uma boleia financeira.
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Neste episódio vai perceber porque é que tentar adivinhar o “fundo” do mercado quase nunca resulta, qual é a estratégia mais segura para quem está a começar e como distinguir entre reforçar bons investimentos ou insistir em más decisões.
Dou-lhe exemplos concretos com valores reais para perceber o impacto destas escolhas ao longo do tempo e explico-lhe como pode transformar momentos de queda em oportunidades — sem pôr em risco a sua estabilidade financeira.
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