[Introdução - Pedro Andersson]
Olá! Sou o Pedro Andersson, jornalista especializado em finanças pessoais, e aproveito as minhas viagens de carro para falar consigo sobre dinheiro. Estamos em 2026 e, neste início de ano, é muito importante planearmos, dentro do possível, a nossa vida financeira para mais um ano.
O início do ano é muito dado às resoluções de Ano Novo. É a saúde, é o peso, é o dinheiro, mas pensar ou sonhar é uma coisa, pôr em prática é outra. Se queremos mudar alguma coisa, temos de agir. Pode correr bem, pode correr mal, até pode correr mais ou menos, mas fazer sempre as mesmas coisas, ou não fazer as mesmas coisas, e esperar que aconteça alguma coisa diferente, não é realista.
Neste episódio, quero falar-lhe especificamente sobre uma conta que deve fazer o mais rapidamente possível, porque vai servir de referência para o resto da sua vida se quiser pôr as suas contas em ordem. Vou explicar-vos como calcular o vosso património líquido.
Ou seja, o que se pretende é que agora, neste mês de janeiro, saiba exatamente quanto dinheiro é que tem. Deve anotar num caderno, num ficheiro de Excel, nas notas do telemóvel, onde quiser, desde que esteja registado.
Isto é importantíssimo, porque se não soubermos quanto dinheiro temos, ou a nossa família, é impossível fazer escolhas conscientes no futuro. Seja no futuro próximo, seja daqui a dois ou três anos, seja num futuro longínquo. Acho que nunca ninguém nos ensinou como calcular o património líquido, que é mais do que saber quanto tem na sua conta bancária.
Antes de começar com os cálculos, é importante que faça um levantamento de todo o dinheiro que tem. Ou seja, até ao fim de janeiro, vai ver todos os saldos bancários que tem, em todas as áreas e em todas as ferramentas financeiras. Não se preocupe em calcular se já pagou ou não as despesas todas deste mês porque, para este cálculo em específico, vamos utilizar o valor global.
Primeiro, comece por calcular quanto dinheiro tem agora em todas as contas à ordem que tiver, em depósitos a prazo, em certificados de aforro, em investimentos e quanto estão a valer esses investimentos atualmente. Vai somar tudo o que tem entre contas e aplicações ou ferramentas financeiras.
Ao fazer isto, já vai ter uma referência, porque quando fizer exatamente a mesma coisa, em janeiro do próximo ano, vai conseguir perceber de uma forma muito clara quanto é que a sua família precisa de dar lucro, como se fosse uma empresa.
Portanto, se perceber que no início de janeiro do próximo ano tem mais 5%, 10%, o que seja, a mais do que tinha em janeiro deste ano, então pode ficar satisfeito. Porquê? Porque teve lucro. Depois pode ficar mais ou menos satisfeito com a percentagem desse lucro, mas isso depois vai dos objetivos que cada um estabelece.
Por outro lado, se chegar à conclusão que teve prejuízo, então tem de pensar sua vida para perceber porque é que, passado um ano, tem menos dinheiro que no ano anterior. Alguma coisa está mal e, por isso, precisará de rever o que tem a mudar para que no ano seguinte as contas sejam positivas.
Isto tudo ainda é antes de começarmos a falar no património líquido, porque é uma parte fundamental da fórmula. Na verdade, temos mais dinheiro do que achamos que temos e é essa a boa notícia deste episódio. Isto porque, normalmente, não fazemos a conta ao dinheiro que temos em bens.
Ora, para calcular o património líquido temos de somar ao valor que temos em numerário, ou seja, nas nossas contas à ordem e aplicações financeiras, o valor dos nossos bens. Por exemplo, se tem uma casa, mesmo que tenha crédito à habitação, é proprietário desse imóvel e, portanto, pode vendê-lo.
E se pode vender uma coisa, é porque essa coisa tem valor. É importante somar ao valor em numerário o valor dos nossos bens que podemos eventualmente vender, porque se nos virmos aflitos, podemos transformar essas coisas em dinheiro.
Ao lado da coluna, ou da notinha, onde tem apontado o valor que tem em numerário, vai criar uma segunda coluna em que vai somar todas as coisas que têm valor e que pode eventualmente vender. Se não for um bem que possa vender, então não é para entrar nesta lista, porque não faz parte do seu património.
Vamos a um caso prático. Se eu vendesse agora a minha casa por valores do mercado atual, em janeiro de 2026, quanto é que ganhava? Vamos imaginar que a casa vale 200 mil euros. Então e se vender um carro ou mais que um se tiver? Vou a um daqueles sites que vendem carros e coloco as informações do meu automóvel e fico a saber quanto é que me dariam por ele. E faz isto com tudo o que possa vender, sejam casas, carros, motas, obras de arte, o que seja.
Tudo isto abre a nossa mente, porque ficamos a perceber imediatamente que temos mais dinheiro do que julgamos em caso de emergência ou caso queiramos transformar o património em dinheiro líquido.
Além disso, há outras coisas que pode ter em casa que sejam valiosas e que possam ser vendidas. Essas também devem entrar na lista do património. Falo, por exemplo, de coisas como joias, ouro, etc. Deve apontar todas essas coisas que podem transformar-se em dinheiro.
Depois de concluída esta lista, somam os dois valores. Isto é, o valor do que têm em numerário, mais o valor do que têm em bens que possam ser vendidos. Aponte e guarde esse valor, que são os ativos.
Mas temos de calcular também os passivos, ou seja, tudo o que sejam dívidas. Pode começar pela casa, porque caso tenha crédito à habitação, tem de perceber quanto é que ainda teria de pagar ao banco depois de vender a casa. Se a casa valer 200 mil euros, mas ainda dever 150 mil euros ao banco, esses 150 mil euros têm de constar da coluna do passivo.
Com os carros a mesma coisa. Se ainda estiver a pagar um automóvel, deve apontar no passivo quanto ainda tem a pagar. O mesmo com dívidas de cartões de crédito, dívidas que possa ter com familiares ou amigos, aponte tudo o que ainda não pagou e que terá de pagar, independentemente do prazo.
Não interessa se tem ainda 30 anos para pagar ou se tem seis meses. Se deve algum dinheiro, vai apontar na coluna do passivo. Depois de completa a lista dos passivos, é somar tudo e chegar ao valor final.
A partir daqui a conta passa a ser muito simples. Vai pegar no valor dos seus ativos – que é a soma do que tem em numerário, mais o que tem em bens que possa vender –, e subtrair o valor total do passivo, ou seja, das dívidas. O valor que essa conta der, é o seu património líquido.
Portanto, se a soma de tudo o que tem em bens que sejam convertíveis em dinheiro, mais todos os seus investimentos, mais o dinheiro que tem disponível, é superior às suas dívidas, à partida isso é um bom sinal. Pode até achar que podia ser melhor, mas aí o que tem a fazer é traçar objetivos concretos para este ano para aumentar ainda mais essa diferença.
Pela minha experiência, quando as pessoas fazem isto, normalmente descobrem até coisas que têm em casa, que não precisam ou que já não dão tanto valor e que resolvem converter em dinheiro. Ou podem descobrir, por exemplo, que agora pode ser uma boa altura para vender, quer seja imobiliário, porque está num pico, quer seja vender ouro, porque está num pico, embora ainda possa subir mais. Ou seja, podem tomar decisões conscientes e não apenas impulsivas.
Também permite às pessoas, ao fazerem esta listagem, ter consciência de tudo aquilo que têm. Assim, no futuro, se precisarem de vender alguma coisa, não vai ser a primeira coisa de que se lembram. Vão consultar a lista e vão vender o bem que mais facilmente resolve o problema. Ter este Raio-X financeiro permite ter mais clareza ao analisar o que vai querer fazer ao longo dos meses que tem pela frente.
E mesmo que não faça nada com esta informação, ou seja, mesmo que acabe por não vender nada, pelo menos permite-lhe reavaliar daqui a um ano, ou seis meses, e perceber como está a correr. É uma forma de ir avaliando se está a conseguir aumentar os seus ativos, reduzir os passivos, qual é o balanço atualizado do seu património, etc.
Em resumo, fazer esta conta é um ponto de partida, ou seja, não define nem sucesso nem fracasso, mas diz-lhe exatamente em que ponto é que está. É importante fazer isto para ver se estamos de facto a melhorar a nossa vida financeira ou se é só uma aparência, porque estar a ganhar mais dinheiro ou ter mais coisas não significa que estejamos a diminuir as nossas dívidas.
Por exemplo, se fizer mais créditos está, no fundo, a ganhar mais, mas está com um património líquido negativo ou mais negativo. Fazer esta conta obriga-nos a tomar decisões mais racionais sobre créditos, sobre investimentos e sobre o dinheiro que usamos no dia-a-dia.
Muito obrigado por ter estado desse lado. Em 2026 vamos continuar estas boleias financeiras para melhorar a nossa vida.
Boas poupanças!
Aprenda a gerir melhor o seu dinheiro
Neste episódio explico:
- O que é, afinal, o património líquido e porque é tão ignorado
- Como fazer essa conta de forma simples, sem complicações
- Porque é perigoso investir ou “sentir-se rico” sem conhecer este número
- Como usar o património líquido para medir progresso real ao longo dos anos
Esta é uma abordagem clássica, prudente e testada no tempo. Pode não ser a mais entusiasmante, mas é a que pode evitar erros caros. Quem não sabe onde está, dificilmente sabe para onde vai.
Este é um episódio essencial para começar o ano com os pés bem assentes na realidade financeira.
Boas poupanças!
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