PodTEXT| Como vai usar de forma (mais) inteligente o seu reembolso do IRS?

Escrito por Inês de Almeida Fernandes

18.04.24

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11 min de leitura

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O podcast de sempre, agora mais inclusivo!

Como a literacia financeira é um aspeto fundamental para a boa gestão das finanças pessoais, os podcasts do Contas-poupança tornam-se agora mais inclusivos e passarão a ser publicados também em texto, nomeadamente para incluir a comunidade surda, pessoas que – não sendo surdas – têm dificuldades auditivas e, claro, todos os que ainda não perceberam como funcionam os podcasts ou que simplesmente preferem ler. Estamos também a trabalhar a possibilidade de traduzir o podcast para Língua Gestual Portuguesa, mas essa vai demorar mais tempo.

É o seu podcast de sempre, mas a partir de agora pode escolher lê-lo ou ouvi-lo. Aguardo as vossas criticas e sugestões.

Como posso rentabilizar o reembolso do IRS

[Introdução]

[Pedro Andersson]

Olá! Sou o Pedro Andersson, jornalista especializada em finanças pessoais e aproveito as minhas viagens de carro para falar consigo sobre dinheiro. Faço de conta que vai sentado ou sentada aqui ao meu lado no lugar do pendura e juntos vamos conversando, na medida do possível, sobre como podemos ter mais dinheiro ao fim do mês ou ao fim do ano, gerindo com inteligência as nossas finanças pessoais, porque é possível vivermos melhor.

É possível aumentarmo-nos a nós próprios sem termos de pedir ao patrão, basta para isso racionalizarmos um pouco a forma como lidamos com o dinheiro, fazer crescer o nosso dinheiro, ganhar dinheiro com o nosso dinheiro, reduzindo as nossas despesas, curiosamente aumentando a nossa qualidade de vida. Deve estar farto de saber que isso é possível, porque senão não estaria aqui a ouvir este podcast.

Dentro de algumas semanas ou neste momento já recebeu o reembolso do IRS, tudo depende da altura em que estiver a ouvir este podcast. Sei que certamente no ano passado e nos anos anteriores já recebeu o seu reembolso do IRS, isto para as pessoas que recebem, as famílias que recebem. Portanto, desafiava-o a pensar em que é que gastou o seu reembolso do IRS no ano passado ou nos anos anteriores.

Há pessoas que o aproveitam para pagar o IMI, por exemplo, há pessoas que aproveitam o reembolso para juntar ao bolo das férias para terem umas férias melhores, por exemplo. Há pessoas que o utilizam para comprar algo que já estão à espera há muito tempo, para darem uma prenda a si próprios.

Portanto, como já viu, podíamos continuar por aqui fora, cada um gasta o dinheiro como muito bem entende. Portanto, aquilo que lhe queria dar era algumas sugestões de preferência antes de receber o reembolso do IRS, para pensar ainda antes de ter o dinheiro na mão, para pensar com calma e de forma não impulsiva, não emocional, na forma como vai utilizar esse dinheiro que vai receber.

Podemos estar a falar de valores relativamente pequenos de 100, 200 ou 300 euros ou podemos estar a falar de 700, 800, 900, 1000 ou mais euros. As famílias não são todas iguais e conheço reembolsos muito baixos, muitos nulos. Há famílias que têm de pagar IRS e que não sabem o que é um reembolso, mas também é bom sinal, porque é sinal de que tiveram rendimentos suficientes para isso. E famílias que têm reembolsos, às vezes até superiores a 5000 euros porque pagaram e descontaram muito, muito IRS no ano anterior e, portanto, como pagaram a mais agora têm direito a essa devolução. Portanto, nenhuma das situações é injusta.

Quem paga IRS é porque teve rendimentos elevados no ano anterior e não descontou sobre eles, não os reteve na fonte e agora vai ter de pagar a diferença e quem recebe é porque descontou muito para o IRS durante o ano anterior, mas que depois tiveram muitas deduções absolutamente legais, muitas despesas de saúde, muitas despesas de educação e que o dinheiro ficou do lado do Estado e agora têm direito à devolução do dinheiro que pagaram a mais face à declaração que apresentaram agora em abril.

Qual deve ser a prioridade na altura de receber o reembolso?

Agora, seja qual for o montante do seu reembolso, queria dizer-lhe quais são as alternativas que tem disponíveis para utilizar o seu dinheiro da forma mais racional possível. A primeira é óbvia, que é gastá-lo como muito bem entender e, portanto, ninguém tem nada a ver com isso.

Não há aqui nenhum juízo moral, o dinheiro é seu, foi dinheiro que pagou a mais ao Estado e que agora está na sua mão e se lhe apetece gastá-lo num fim de semana, em dois ou três, ou numa semana de férias, força nisso. Ou se lhe apetece trocar de telemóvel, força, portanto, a primeira opção é gastar naquilo que lhe apetece. Tudo bem, se isso o faz feliz, se é o que lhe apetece, se é o que deseja, se acha que é aquilo que deve fazer, então, maravilha.

Depois, há pessoas que ponderam outras alternativas e a segunda alternativa, não gastando, é poupá-lo e isso significa acumulá-lo. E isso significa colocá-lo numa conta à ordem, em certificados de aforro, num depósito a prazo, pode tê-lo em notas debaixo do colchão, mas é guardá-lo. Pode ser numa lata lá em casa, no mealheiro, portanto, poupar e reservá-lo. Esta alternativa é boa, sobretudo para quem precisa de criar um fundo de emergência.

Para quem não tem 1000 euros disponíveis num fundo de emergência, esta deveria ser a prioridade em vez de gastar, criar essa tal bolsinha, que é uma mini bolsa, que é o que chamo o fundo base, para um eletrodoméstico que avaria, para pagar uns óculos que se partiram, para ir ao dentista, pagar um exame ou consulta no privado, mudar pneus do carro, o que seja. Qualquer mini emergência, pronto, já tem ali aqueles 1000 euros que são sagrados, não é para gastar em mais nada e está feito.

O segundo passo, ou a segunda alternativa, é pagar dívidas. Se tem dívidas de cartão de crédito, se tem um crédito pessoal, se tem um crédito automóvel ou outro tipo de crédito, ou se deve dinheiro a alguém, meus amigos, essa é a prioridade. É pagar essas dívidas ainda antes de gastar esse dinheiro em outras coisas, porque, se não, tem a oportunidade de tapar um buraco e deixa o buraco aberto correndo o risco de cair lá ou de outras pessoas caírem lá, nomeadamente a sua família.

Portanto, esta é a segunda sugestão que lhe deixo, além do gastar, portanto, pode poupar para criar o fundo de emergência de 1000 euros ou, em segunda alternativa, pagar qualquer dívida que tenha. Isso inclui amortizar antecipadamente cartões de crédito, créditos pessoais ou outras dívidas que tenha.

E a terceira alternativa que lhe quero deixar é começar a ganhar dinheiro com o seu dinheiro e investir. Para investir tem várias ferramentas, não vou agora falar em detalhe nesta ocasião, mas além dos certificados de aforro tem fundos de investimento, tem ETF, tem fundos PPR e pode começar a preparar a sua reforma. Aproveitando estes reembolsos do IRS, depois o subsídio de férias, depois o subsídio de Natal. Em qualquer circunstância tem sempre estas alternativas: gastar, poupar, pagar dívidas ou investir

Ainda nos investimentos tem várias ferramentas, umas mais arriscadas do que outras, depois depende do seu perfil de risco. Depois, tem algumas contas à ordem que rendem juros bastante interessantes. A Trade Republic tem 4% à ordem, o que é muito bom. Veja quais são as condições, porque depois pode ter de pagar comissões cada vez que lá põe dinheiro. Se é apenas um bolo que lá põe ou se é para fazer reforços, depende do valor dos reforços para depois compensar.

Tem uma conta à ordem que, também com várias condições, rende 5% no primeiro ano. Também é uma forma de ganhar dinheiro com isso e, portanto, se decidir investir, então aí já tem de ler um bocadinho, mas reserva esse dinheiro do reembolso do IRS e põe, por exemplo, em certificados de aforro enquanto decide e passados 3 meses já pode pôr esse dinheiro investido em produtos com maior rentabilidade.

Formação é sempre uma boa aposta

Portanto, deixo-lhe aqui estas alternativas, sendo que tem também outras que costumo referir sempre todos os anos. Por exemplo, pode utilizar esse dinheiro para fazer um curso e depois há cursos, por exemplo, na área do digital, que já falei num episódio mais atrás dos tais 750 euros “grátis” do IEFP, em que gasta esse dinheiro nesse curso e depois eles devolvem os 750 euros. Portanto, se gostava de tirar um curso, mas não tem dinheiro, então agora já tem neste caso. Ainda por cima, se for este curso é um investimento em que depois lhe devolvem o dinheiro, portanto, é um investimento que sai de graça.

Mesmo que não seja nesta área do digital, tem outros cursos, pode ser um curso que custe 500, 600 ou 700 euros, mas pode mudar a sua vida, porque a partir daí ganha novas competências, pode ser promovido no seu trabalho, pode mudar de trabalho, pode criar um trabalho por conta própria enquanto ainda mantém o seu próprio trabalho e pode testar para ver se conseguiria viver apenas disso e melhor. Portanto, investir no seu conhecimento, nas suas habilitações, na sua formação, é também uma forma extraordinária de melhorar a sua vida a médio e longo prazo.

Dei-lhe aqui várias alternativas sobre como a utilizar este dinheiro de uma forma racional. Lembrei-me agora, mas pode fazer obras de eficiência energética em sua casa, o simples facto de, por exemplo, trocar uma janela, duas janelas, três janelas, comprar um painel solar fotovoltaico ou para aquecimento de águas sanitárias, pode fazê-lo poupar muito dinheiro nos próximos anos.

Basicamente, o que lhe quero dizer é: avalie qualquer alternativa que o faça ganhar dinheiro em vez de gastar esse dinheiro. É esse o critério. Ligue o seu radar e ponha o seu cérebro e a sua cabeça a andar a 1000 à hora a pensar como é que vai transformar o seu dinheiro em mais dinheiro, como é que vai ter mais dinheiro daqui para a frente. Há imensas possibilidades de fazer isso. Agora, tem de ver de acordo com o seu perfil, de acordo com o valor que tem disponível e o prazo que está disposto a esperar até esse dinheiro começar a dar frutos.

Muito obrigado pela sua companhia em mais esta boleia financeira. É um prazer saber que está desse lado. Não se esqueça de subscrever este podcast, de acionar o sininho para ser notificado cada vez que houver um episódio novo. É sempre às segundas-feiras, às 7 da manhã, e depois às quartas-feiras há um episódio bónus em que respondo às vossas perguntas em áudio que enviam para o número do WhatsApp do Contas-poupança, que é o 92 775 37 37.

Muito obrigado por estar desse lado e se quiser ler todas estas dicas, já publiquei cinco livros cujos links estão disponíveis na descrição. Se não os quiser comprar, pode lê-los numa biblioteca. Vai à biblioteca municipal, requisita e lê na mesma de graça.

Muito obrigado e boas poupanças!

O que é um podcast?

Aproveite a minha boleia financeira (gravo em áudio uma “conversa” no carro enquanto faço as minhas viagens e faço de conta que você vai ali ao meu lado) e veja como pode aumentar-se a si próprio. São uma espécie de programas de rádio para escutar enquanto faz outras coisas. Subscreva o podcast na plataforma em que estiver a ouvir para ser avisado sempre que houver um episódio novo. Não estranhe ouvir o motor do carro, buzinadelas e o pisca-pisca. Faz parte da viagem.

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Boa viagem e boas poupanças!


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