Se quiser investir é melhor um PPR ou um ETF? (Mês #28 a #32 – Outubro 23 a Fevereiro 24)

Escrito por Pedro Andersson

11.03.24

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11 min de leitura

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PPR vs. ETF: Qual é melhor para investir a longo prazo?

Quando uma pessoa perde o medo e começa a investir (com algum risco) parte das suas poupanças, acaba por chegar a esta dúvida normal: é melhor um PPR ou um ETF?

Este “estudo” mensal compara dois dos meus PPR com os dois ETF mais representativos (SP500 e o World), que também tenho. Os 4 referem-se às mesmas datas, com o mesmo valor (1.000 euros) e são uma escolha completamente arbitrária e desinteressada. Não se trata de tentar “vender” nenhum produto ou serviço. É dinheiro meu, real.

Desde setembro que não fazia este balanço mensal. Felizmente um de vocês alertou-me para a ausência destes “relatórios”. Obrigado! Aqui faço o comparativo entre os meus ETF e o PPR “Save & Grow” da Casa de Investimentos e o PPR SGF STOIK. Acho que são amostras adequadas para o que nos interessa.

Porquê comparar o que não é comparável

Esta é uma das críticas que mais vezes me fazem: estou a comparar alhos com bogalhos. Uma coisa são os ETF, outra são os PPR, e mesmo dentro dos PPR, cada um tem uma filosofia diferente.

Os ETF não têm ninguém a geri-los. Os PPR têm gestores a pensar neles a cada momento (e recebem comissões por isso) e tentam proteger ao máximo os seus clientes de acordo com os seus perfis. Por exemplo, os ETF são 100% ações e o PPR STOIK só tem até um máximo de 75% de ações, o que quer dizer que faz parte da sua estratégia não “querer” crescer tanto como um ETF, mas também só arrisca ter perdas máximas a rondar os 20 ou 30%. Os ETF podem passar por tragédias como ter quebras de 50, 60, 70 ou até 90% como na Grande Depressão nos anos 20 do século passado. Os riscos entre os ETF e os vários PPR são diferentes. E após 8 anos, a fiscalidade é muito diferente. Os PPR só pagam 8% dos lucros ao Estado, enquanto os ETF pagam 28% sempre.

Os responsáveis pelos PPR criticam (e bem) estas minhas contas, porque – justificam – não se pode comparar com justiça coisas que são diferentes. Percebo este ponto de vista.

A minha justificação é a seguinte: como mais ninguém faz isto em Portugal, quero comparar coisas que não são comparáveis nas características, mas comparáveis no rendimento. Quero saber, com 1.000 euros “verdadeiros”, o que valoriza ou não cada um dos produtos justamente apesar das características diferentes. Tenho 1.000 euros. Quero saber, com riscos, características, fiscalidade e regras diferentes, quanto e como cada um deles evolui – positiva ou negativamente – perante as mesmas circunstâncias.

Não tenho nenhum objetivo por trás dos meus comparativos, sinto-me completamente livre para fazer estas comparações. Não tenho nenhuma intenção de prejudicar ou beneficiar o PPR da Casa de Investimentos, o PPR STOIK, o SP500 ou MSCI World e qualquer um dos mais de 20 produtos financeiros que tenho.

O Save and Grow tem quase 100% de ações, o Stoik tem no máximo 75%, e os ETF têm 100% de ações. E comparo também todos os meus PPR com os Certificados de Aforro. É outra comparação que não faz sentido na teoria, mas que faz todo o sentido para mim. Imaginem que daqui a 15 anos chego à conclusão que afinal os produtos com capital garantido é que valiam a pena no período que considerei… Isso dar-lhe-ia que pensar, e a mim também.

Mas só posso chegar às conclusões que pretendo, se comparar coisas diferentes. Porque essa é justamente aquela que considero a minha missão: contribuir para a literacia financeira dos portugueses. Experimentar tudo, ver como corre e contar o que aconteceu com isenção e rigor. Nunca ninguém fez isso por mim.

Pela ordem de ideias clássica, eu só poderia comparar produtos de capital garantido com produtos com capital garantido. E o mesmo com produtos da mesma categoria: ações com ações, fundos de investimento com fundos de investimento, ETF com ETF, Certificados de Aforro como Certificados do Tesouro. Quero e comparo todos com todos.

Deve compreender que todos os investimentos referidos (ETF SP500 e ETF World) e o PPR “Save&Grow” da Casa de Investimentos e PPR STOIK devem ser encarados a MUITO longo prazo (8 anos ou muito mais, décadas até) para termos uma ideia da tendência real. Já lhe expliquei que estes dados que lhe estou a transmitir são apenas retratos temporais, sem nenhuma análise técnica ou formal. O meu objetivo é apenas partilhar conhecimento para que saiba como funcionam estas ferramentas e como elas oscilam ao longo do tempo.

O facto de um determinado PPR não valorizar tanto como um ETF, não tem nada de mal, nem faz dele um produto “pior”. Simplesmente poderá render menos porque tem um cuidado consciente e permanente para que esses clientes tenham uma “rede” de segurança maior nos momentos difíceis do mercado. Esse cuidado paga-se com uma eventual rentabilidade menor. Se perceber isto, percebe tudo.

Comparar um ETF com um PPR com menor percentagem de ações é como ter dois amigos: um que é um acelera que pode chegar mais rápido ao destino quando tem pressa, mas que arrisca despistar-se algumas vezes, e outro que nunca excede os limites de velocidade e que pode chegar mais tarde, mas com maior segurança e cuidado. É justo comparar as duas situações? Depende. Na minha opinião posso tentar perceber quanto tempo demora cada um a fazer a viagem para depois comparar se a velocidade compensa os riscos, conforme o meu grau de urgência.

Assim, o meu objetivo é fazer uma “corrida” entre os PPR e os ETF em tempo real, em simultâneo, exatamente nas mesmas condições históricas e cronológicas. Subscrevi todos propositadamente ao mesmo tempo, para tirar as minhas dúvidas.

Fiz um quadro comparativo com os valores de crescimento (em percentagem) nos últimos meses. Como pode observar abaixo, em fevereiro, os ETF foram de longe os produtos com melhor rentabilidade.

Devo alertar também que estou a comparar 4 produtos específicos. Logo, não se trata “dos PPR”, porque comparo apenas dois com uma forte carga de ações (um com 100% e outro atualmente com 60%), com dois ETF de corretoras específicas que podem ter ligeiras diferenças de comissões de gestão e políticas de formação do índice, relativamente aos mesmos ETF de outras corretoras.  Seja como for, creio que ficará – como eu – com uma ideia bem concreta da comparação em tempo real dos dois tipos de produtos financeiros.

Uma nota para quem não percebe nada disto: no quadro anterior, as mais-valias são o que ganharia naquele dia se resgatasse a totalidade do investimento. Não acumula de mês para mês nem de ano para ano. É o valor que o PPR ou ETF tiver naquele dia específico.

Vamos a contas. Estes são os valores que receberia hoje, líquidos de impostos, em cada um dos produtos.

PODCAST | #28 – O que é isso de investir em ETF?

O que é um ETF e porquê comparar com um PPR?

ETF, também conhecido como tracker, significa Exchange Traded Fund (fundo de índices cotados). É um produto que segue um índice, mercadoria, obrigação ou composição de produtos. É, no fundo, uma cesta de títulos cotados em bolsa, mas que não tem de comprar nem vender individualmente. Em vez de comprar legumes um a um, compra um cabaz por um preço médio. No caso dos legumes, é para fazer uma sopa; no caso dos ETF é para os guardar e esperar que valorizem com o tempo (como se fossem peças de coleção ou um vinho que valoriza com o tempo).

VÍDEO | Investir em ETF: o que são e como funcionam

Quanto aos PPR, creio que já todos ouvimos falar deles pelos benefícios fiscais ou porque fomos “obrigados” pelo banco para nos baixar o “spread” do crédito à habitação. Há os seguros PPR (que não rendem quase nada, têm comissões altas e capital garantido) e os fundos PPR (que podem render muito mais, mas não têm capital garantido).

Os fundos PPR refletem ao longo do tempo o que se passa nas bolsas, nas ações, índices e obrigações que compõem cada PPR. Paga uma comissão de gestão a quem gere esses PPR, que vão alterando a composição do fundo PPR ao longo do tempo. A partir de 8 anos, o imposto sobre os lucros que tiver no momento do resgate é de apenas 8 por cento.

Por outro lado, os ETF são uma “média” do que acontece numa bolsa, bolsas, setores de atividade, países, regiões, etc. Ninguém gere nada e é o “espelho” quase exato do que acontecer nas bolsas.

Imagine um gráfico com o preço médio da batata em Portugal. Hoje o gráfico diz que o preço médio da batata é 1 euro. Você compra 500 euros do índice do preço médio da batata, a 1 euro cada unidade desse índice. Se daqui a 3 anos o preço médio da batata subiu para 1,50 €, os seus 500 euros transformaram-se em 750 euros (500 X1,5 €).  Se o preço médio da batata desceu para 80 cêntimos, e resgatar nesse dia, só receberá 400 euros. Percebeu o exemplo? Você não comprou batatas, comprou unidades de participação de preços médios da batata.

Subscrevem-se em corretoras ou bancos. Ninguém compra e vende nada ao longo do tempo e as comissões desses índices são muito pequenas ou inexistentes.  No dia em que resgatar, paga sobre as mais-valias 28%, como nos depósitos a prazo, e paga-os no IRS no ano seguinte (recebe menos reembolso ou paga mais IRS).

Leia mais: Como escolhi os ETF e os PPR

Uns acham que os PPR mesmo que ganhem menos ao longo do tempo, compensam no final porque pagam muito menos imposto.

Outros acham que historicamente compensam mais os ETF porque como ninguém anda a comprar e a vender são cometidos menos erros de gestão e como as comissões são baixíssimas, no final o que crescem a mais compensa a fiscalidade mais vantajosa dos PPR.

Para quem pergunta, subscrevo os meus ETF na plataforma digital Degiro. Digo-o por uma questão de transparência (não ganho nada com isto).

PODCAST | #107 – Estou a perder dinheiro com os meus investimentos. O que faço?

Tem aqui também a identificação deles (com o “cartão de cidadão” de cada um deles, o chamado ISIN).

  • iShares Core S&P 500 UCITS ETF USD (Acc)

IE00B5BMR087 

(Cerca de 400 euros por unidade)

Gráfico do que cresceu desde o “fundo” da Covid-19.

  • iShares MSCI World SRI UCITS ETF EUR (Acc)

IE00BYX2JD69

(Cerca de 10 euros por Unidade)

Gráfico do que cresceu desde o “fundo” da Covid-19.

Por favor, não considere estes artigos conselhos de investimento. Você tem de investigar por si e analisar com calma cada um dos produtos que lhe interessar. Há centenas de PPR e ETF. Estes foram os que me deram “jeito” investir no momento em que o fiz. O meu objetivo é puramente pedagógico. Nem quero ter a responsabilidade de alguém dizer que eu é que disse que estes eram bons ou maus. Tem de pensar pela sua própria cabeça.

Neste gráfico de Excel (Google Sheets) tem a evolução do que cada um está a render com o valor correspondente numa carteira de 1.000 euros.

Para já, olhando para os números, decorridos 32 meses, o SP500 vai à frente, juntamente com o ETF MSCI World e o PPR STOIK está em terceiro lugar. O PPR Save &Grow já está finalmente positivo. Teve uma recuperação meteórica nos últimos meses. O gráfico abaixo já tem as mais-valias líquidas de imposto, com o pressuposto de que os PPr já teriam 8 anos e que só pagaria 8% em vez dos 28% dos ETF.

Para mim, está a ser interessante acompanhar esta corrida. Para já, a minha intuição é que o ideal é ter os dois: resgato aquele que me interessar mais, na altura em que precisar. Ter escolhas é o melhor investimento.

O outro ponto que quero sublinhar é que enquanto me vê a fazer esta “corrida”, você não está a correr. Só está na bancada. Na bancada ninguém ganha dinheiro. É verdade que não perde, mas também não ganha.


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23 Comentários

  1. Rui

    Bom dia, fiquei com uma dúvida relativa ao retorno dos PPRs face aos impostos e peço desculpa caso não tenha percebido bem as tabelas de valores.
    Não se deveria ter em conta, o retorno benefício fiscal no IRS, por escalão de idade e valor investido, que o estado dá anualmente no IRS relativo aos PPRs?
    Este valor não tornará o PPR mais rentavél?

    Obrigado

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá. Sim, se usar esse valor para acrescentar ao reforço seguinte. Mas como eu quero usar o dinheiro quando me apetecer sem ter de pedir “autorização” ao Estado, nunca coloco. Se pretende usar o PPR para a reforma, sim, use essa dedução fiscal.

      Responder
      • Rui

        Entendi então, não será um exemplo a pensar somente na altura da reforma.
        Despertei somente agora para a Literacia Financeira, comprei o seu livro, “Ganhar Dinheiro – Como Criar Riqueza Com um Salário Normal”, e o único comentário que posso fazer, é que gostava de o ter comprado à 15 anos atrás.
        Está-me a ajudar bastante a ganhar interesse pela área e a procurar mais informação e conhecimento.

        Obrigad

        Responder
    • Tiago Oliveira

      Pedro, só lhe posso dar os parabéns pela partilha e espero que continue a partilhar quando fizer 5 e 10 anos desde a data da subscrição.

      Eu sou defensor dos ETF, fica feita a minha declaração de interesse 🙂

      Dito isso, o que os responsáveis dos PPR deviam explicar é porque não conseguem bater o S&P500 no longo prazo. Fazem carreira a estudar os mercados e empresas, e mesmo assim, não são capazes de acompanhar o retorno médio de índice que se auto gere a si mesmo.

      Mesmo com a grande vantagem dos 8% de tributação face aos 28%, teremos de ter a sorte de acertar no PPR que daqui a 20 anos terá batido o S&P500. Boa sorte com isso e… na dúvida, escolham o que tiver mais alocação em ações e menos comissões.

      PS: acho que cometeu uma pequena gafe no texto. Pode resgatar o PPR ao fim de 5 anos e não de 8.

      Responder
  2. João Filipe

    Os 4 produtos financeiros aqui mencionados investem nos mesmos ativos “acções” quer pela via dos ETFs quer pelos PPR.

    Mesmo dentro dos ETFs vejo MSCI World e SP500 que também se sobrepõem.

    A minha dúvida é: existe alguma diversificação neste conjunto usado como exemplo?

    Responder
    • Catia Alves

      Boa tarde. Também tenho a mesma dúvida deste senhor.. neste momento só tenho o PPR save and grow, que faz investimento basicamente nas mesmas ações dos ETFs mencionados… fico sempre na duvida se me devo atirar a esses Etfs se não estarei a diversificar pouco… e vez disso investir num fundo imobiliário ou Reits…

      Responder
  3. Catia Alves

    Boa tarde. Também tenho a mesma dúvida deste senhor.. neste momento só tenho o PPR save and grow, que faz investimento basicamente nas mesmas ações dos ETFs mencionados… fico sempre na duvida se me devo atirar a esses Etfs se não estarei a diversificar pouco… e vez disso investir num fundo imobiliário ou Reits…

    Responder
    • Joaquim Gonçalves

      Acho que era preferível o inverso. Se o ETF investe nos mesmos ativos do PPR, era preferível optar pelo ETF pelo simples motivo de que a comissão de gestão é menor. No PPR está com uma TER de 1.68%. Imagine que tem 50 mil euros no PPR, todos os anos está a pagar 840€ em comissões, e quanto mais tiver mais paga, inclusive nos anos em que o PPR perder rentabilidade. Quanto menos comissões tiver, mais ficará no seu bolso, e menos no bolso dos gestores.

      Responder
  4. Tiago Oliveira

    O MSCI World tem 18% investido nas suas 10 maiores participações, enquanto o save and grow tem 55%.

    Em termos de diversificação, esse ETF tem ações de cerca de 3000 empresas em dezenas de países e paga muito menos comissões.

    A vantagem do PPR é mesmo só a parte da tributação ser apenas 8%.

    É uma questão de, no longo prazo, ver se quer pagar mais ao Estado ou ao Fundo de investimento

    Responder
    • Joaquim Gonçalves

      A longo prazo o PPR não compensa em relação ao ETF. As comissões de gestão queimam uma boa parte da rentabilidade.

      Responder
  5. Vera

    Boa tarde,

    Começo por agradecer pelo trabalho que tem vindo a fazer para o esclarecimento geral nesta matéria tão importante da nossa vida.

    Eu acordei para estes assuntos recentemente e tenho tentado reunir a informação disponível on-line, no entanto, está a ser complicado distinguir o trigo do joio, quando tantas pessoas que nos dizem estar a “informar” acabam por estar a ser patrocinadas pelas empresas sobre as quais queremos informação.
    A minha grande dúvida é mesmo que correctora e/ou banco usar para começar a investir em ETF (a minha ideia é iniciar com uma entrada de alguns milhares de euros e depois fazer DCA mensal de algumas centenas de euros, numa perspectiva de 20 a 30 anos). E só ainda não comecei porque esbarro na altura de escolher a plataforma a usar, pois a informação sobre comissões, spreads, taxas, regulação, “ownership”, robustez da entidade, etc. parece ser sempre incompleta/omissa.

    Verifiquei neste seu post que usa a Degiro. Escolheu-a por algum motivo em especial?
    Têm surgido várias correctoras on-line recentemente (XTB, Revolut,…), fora as que já actuavam (Interactive Brokers, Degiro, Trading 212,…). Se tiver um tempinho, se calhar era boa ideia fazer um post onde compare estas e outras entidades numa simulação, por exemplo. Eu tentei com o auxílio do Gemini fazer isso, mas a IA ainda está muito longe de ser credível, pois, pelo menos neste tema, está constantemente a cometer erros.

    Desculpe o longo comentário 🙂
    Cumprimentos.

    Responder
    • Rui Marques

      Olá Vera partilho as minhas dúvidas que são iguais às suas.
      Estou para começar neste mundo dos ETF, mas tenho imensas dúvidas em que plataforma me inscrever para gerir a minha carteira.
      De facto, têm surgido várias plataformas mas em termos de contrapartidas são num pouco omissas.
      E tenho reparado que muita gente tem aderido à Trade Republic.

      Responder
      • Vera

        Boa tarde, Rui.

        Debrucei-me novamente sobre este assunto e, de facto, a Deco referiu este ano que a Trade Republic é a correctora mais barata quando se pretende comprar fora de Portugal e/ou fazer trading. Sendo a Deco uma instituição reputada por defender os interesses do consumidor, depreende-se que será uma correctora segura (ou não, não faço ideia). – https://www.deco.proteste.pt/investe/investimentos/acoes/dossie/corretagem/custos-corretagem

        Antes disso, estive a preencher os dados para Login na Degiro, mas sinceramente emperrei na parte em que me pedem para digitalizar um documento de identificação. Talvez seja bloqueio mental meu, mas faz-me um bocado confusão estar deliberadamente a fazer o upload deste tipo de documentos. É possível que peçam o mesmo na TR, ainda não experimentei.

        Cumprimentos

        Responder
        • Thiago Pereira

          Olá Vera.
          Este pedido de documentação é comum em qualquer corretora. Faz-se para garantir que és quem dizes que és e também para garantir questões fiscais. Vá sem medo.
          Recomendo que veja coisas sobre o tema no REEDIT, na sub literaciafinanceira onde são discutidos diariamente temas como este que questionaste o Sr. Pedro.
          Bom trabalho e boa sorte com vosso investmentos.

          Responder
        • Joaquim Gonçalves

          Qualquer instituição financeira vai exigir identificação, não vai conseguir ter uma conta numa corretora sem a sua identificação. E se alguma permitir abrir a conta sem nada disso, desconfie.

          Responder
    • Joaquim Gonçalves

      A sua dúvida é pertinente. Ninguém quer colocar o seu dinheiro num local duvidoso. A maioria dos bancos portugueses comercializa ETFs, no entanto as comissões de subscrição e/ou resgate, e a custódia de títulos na maioria dos casos esmifram o cliente, especialmente para quem faz reforços habituais. Não é nada de estranho um banco cobrar 10€ para uma operação de aquisição de unidades de participação de um ETF. Imaginemos que faz um DCA mensal de 100€, estão a comer-lhe 10% do valor. E anualmente além do custo do ETF, muitos bancos ainda lhe vão cobrar a custódia dos títulos.
      Em relação às corretoras online, low cost, todas elas têm o seu modelo de negócio. No caso da Trade Republic, só é possível subscrever numa bolsa (que lhes dá comissão), e habitualmente o valor será acima. É uma corretora/banco com pouco tempo, fundada em 2015, no entanto está sob supervisão do banco central alemão. A Trading 212 por exemplo já tem 20 anos no mercado.

      Responder
  6. Daniel Moreira

    Olá Pedro! Desde já muito obrigado pelo seu INCRÍVEL conteúdo! Gosto imenso das suas publicações pois ajudam-me muito a entender e analisar, para escolher a melhor opção, para mim! Tenho andado com uma pergunta que gostava que me respondesse, se soubesse. Estou a investir por mês no mesmo ETF que o seu, no SP&500, quanto à fiscalidade dos 28% apenas os terei de pagar/declarar quando os vender (daqui a muitos anos espero) certo?

    Responder
    • Joaquim Gonçalves

      Não necessariamente. Se tiver um ETF S&P 500 de distribuição, vai ter declarar anualmente os dividendos. Por isso é que é bom optar sempre por ETFs de acumulação, até pela situação do “juro composto”.

      Responder
  7. Marco

    Onde aconselha (ou pelo menos algumas hipóteses) adquirir um ETF? É melhor um banco? Um plataforma Digital? Refere a Degiro, o que a levou a escolher esta empresa/forma de comprar?
    Já agora no seguimento disto… Qual acha o tempo aconselhável para manter um ETF? Sei que depende do produto e de como o mercado evoluir, mas há uma média? 1 ano, 5 anos, 10 anos? Se não estiver satisfeito ou precisar do dinheiro, posso levantá-lo quando quiser? Ou tenho sempre que prefazer uma anuidade ou um período especifico??
    Obrigado

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá. Tem os bancos normais e as plataformas low cost como a Degiro, XTB, e-toro, etc. Eu escolho pelas comissões mais baixas. Sempre a muito longo prazo 5, 10 anos ou mais. Pode resgatar no dia a seguir ou quando quiser.

      Responder
    • Joaquim Gonçalves

      Tem de ter em atenção que a cotação de um ETF varia ao longo do dia, e se precisar de resgatar o capital, pode incorrer em menos valias.

      Responder
  8. Joaquim Gonçalves

    É preciso é ter a noção que com 1000€, o PPR parece ser vantajoso devido à fiscalidade no resgate em relação a um ETF, no entanto é preciso perceber que à medida que se vai reforçando o PPR, e o “bolo” vai crescendo também o valor da comissão de gestão vai subindo. No caso do PPR Save & Grow, quem tiver 50 mil euros, pode esperar levar “uma talhada” de cerca de 840€ anuais por parte do gestor do fundo, e até mesmo quando o PPR estiver no “vermelho” vai levar a talhada. É preciso fazer essas contas, porque as comissões erodem o investimento.

    Responder

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