ATUALIZAÇÃO – O Excel para saber se pode deduzir o PPR no IRS




Faço um PPR ou não para receber mais no IRS?

Há umas semanas, publiquei um artigo aqui no blogue com um ficheiro Excel feito pelo leitor/espectador Armando Gonçalves em que você coloca apenas duas variáveis e consegue saber se (com base no seu IRS do ano anterior) compensa-lhe ou não subscrever um PPR e deduzi-lo no IRS. Claro que pode fazer um PPR e não o deduzir no IRS (isso é uma dica que darei proximamente).

Neste momento estou a escrever um artigo novo porque o amável Armando Gonçalves (que não tenho o prazer de conhecer pessoalmente) me enviou – para partilhar convosco – uma atualização do ficheiro de Excel.

Diz ele que como este ano (2020) houve alteração dos escalões do IRS, “aproveitei a oportunidade para actualizar a folha de excel relativa aos limites das deduções previstas no artº 78 do CIRS. Para além dessa actualização  também corrigi uns erros e acrescentei a possibilidade de inserir o número de dependentes (não sujeitos passivos) de forma a que calculasse também a majoração. A folha está protegida, excepto nas células com fundo em amarelo que são aquelas que devem ser preenchidas. Fiz várias simulações e agora parece-me estar tudo bem”.

Já testei com os meus dados e parece-me ser novamente uma ferramenta extraordinariamente útil. Obrigado mais uma vez ao Armando (se puderem e acharem que foi útil no vosso caso agradeçam-lhe nos comentários).

O novo ficheiro está aqui:

PPR Conta Poupança versão 2020

Devo dizer que isto é cidadania e boa vontade por parte do Armando Gonçalves. Não é uma fórmula feita pelo Estado e certificada por ninguém. Não tenho capacidade técnica contabilística nem informática para dizer que está correta. Apenas posso dizer que coloquei os meus valores e me parece – pela lógica – que bate certo. Aliás, devo dizer que descobri por esta fórmula que – no meu caso pessoal – NÃO VALE A PENA  fazer um PPR para ir buscar os tais 350 euros em deduções. Mas há eventualmente milhões de situações (ou muitas centenas de milhares) em que valerá a pena fazer este investimento.

É só inserir os dados solicitados (que estão na sua Nota de Liquidação do ano passado, ou deste ano quando a receberem mais perto do Verão) e automaticamente o Excel dirá se ainda pode deduzir e quanto.

Ou, pelo contrário, que não tem dedução e que, portanto, não vale a pena colocá-lo no IRS.

Portanto, usarão esta fórmula de Excel por vossa conta e risco e terão de confirmar pelos vossos meios se vos vale a pena ou não fazer um PPR por causa dos benefícios fiscais.

Volto a sublinhar que ao colocar os dados do IRS do ano anterior, o resultado só fará sentido se as receitas e despesas forem iguais no ano em que subscreverem um PPR. 

Falei sobre este tema num dos episódios do meu podcast AQUI.

Mas acredito que é uma ferramenta muito útil para saberem já, agora em 2020, se devem pensar nisso ao longo deste ano, para receberem mais quando entregarem o vosso IRS em 2021 (referente a este ano em que estamos).

Faça o download da fórmula e teste com os seus valores. Se descobrir que perdeu uma boa oportunidade em 2019, não fique triste, talvez a possa aproveitar em 2020!

Porquê fazer um PPR com objetivos fiscais?

Fazer um PPR para receber mais 300 ou 400 euros no IRS pode ser considerado um bom investimento. Se tem dinheiro disponível na poupança que não lhe vai fazer falta nos próximos anos, sim, é.

Mas isto não é automático para todos. O Estado deixa-o deduzir 20% do valor que investir no imposto a pagar, mas só se ainda lá tiver dinheiro no imposto para recuperar. E tem limites máximos.

Vou dar um exemplo simplista para perceber melhor. Se este ano descontar na fonte (quando recebe o salário) 1.200 euros e tem despesas de saúde e de educação no valor de 1.000 euros, com mais a dedução das Despesas Gerais Familiares de até 250 euros já ultrapassou os 1.200 euros que reteve na fonte. NUNCA receberá mais de reembolso do que o que descontou de IRS ao longo do ano anterior. Portanto, neste caso, não é por fazer um PPR que vai receber mais dinheiro. Porquê? Porque com as deduções “normais” já foi buscar tudo o que podia.

Quem tem muitos rendimentos também tem a mesma dúvida. A lei estabelece limites. Quanto mais ganha, menos pode deduzir. E há fórmulas para isto tudo.

Mas como é que eu faço as contas?

Neste artigo mostrei-lhe a fórmula para fazer essas contas. Leia-o e às dezenas de comentários que lá estão porque todos são úteis para perceber melhor tudo o que está envolvido.

E agora até já tem o ficheiro Excel com a papinha toda feita.

Em resumo, já não tem a desculpa de que não percebe nada disto. É que não precisa de perceber. É só colocar os seus dados e tem logo a resposta. Se encontrar melhor e mais simples diga. Eu não encontrei :).

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8 comentários em “ATUALIZAÇÃO – O Excel para saber se pode deduzir o PPR no IRS

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    João Vieira Reply

    Boa noite.
    É de grande importância toda a informação que o Sr. nos dá, mas quero fazer aqui um pequeno reparo, todos os exemplos são feitos com base de quem ganha muito,
    se fosse possível dar exemplos de valores mais baixos ainda seria mais útil.
    Os melhores cumprimentos e que continue a nos dar informações por muitos anos.

    • Avatar
      Armando Reply

      João Vieira, Só precisa de colocar o seu valor na célula com fundo amarelo que diz “Rendimento Coletável ver nota de liquidação de IRS”.
      Cumprimentos,
      Armando Gonçalves

  2. Avatar
    Eduardo Cabral Reply

    Boa tarde Sr. Pedro,
    Tenho uma duvida, no limite de deduções é a parcela que diz “Total das Deduções sujeitas a limite (art 78)” ou a anterior que diz “Total das Deduções”.
    Fiquei com a duvida porque no site da Deco n está claro isso.
    obrigado pelas dicas que nos vai dando:)

    • Avatar
      Armando Gonçalves Reply

      Eduardo, aquilo que aqui estamos a tratar são as deduções com limite (artigo 78 do CIRS), O total das deduções englobam estas. Cumprimentos

  3. Avatar
    Adão Ferreira da Silva Reply

    Boa tarde.
    eu i a minha esposa temos PPR há bastantes anos tenho dois filhos com 18 anos,
    gostaria que-me informasse como possa ter vantagens futuras.

  4. Avatar
    Isabel Martins De Castro Reply

    Obrigada Sr. Armando.
    Pelo trabalho e pela partilha.
    Também sou fã de ficheiros excel 🙂
    Obrigada

  5. Avatar
    Armando Gonçalves Reply

    Pedro, será que estarei errado ou não queria dizer bem o que disse. Passo a citar “Vou dar um exemplo simplista para perceber melhor. Se este ano descontar na fonte (quando recebe o salário) 1.200 euros e tem despesas de saúde e de educação no valor de 1.000 euros, com mais a dedução das Despesas Gerais Familiares de até 250 euros já ultrapassou os 1.200 euros que reteve na fonte”.
    Se as despesas de saúde e educação forem de 1.000 €, teremos uma dedução de 15% + 30% sobre cada um dos valores per si, mas que nunca serão superiores a 300 €, é isso não é Pedro? Ou então queria dizer que esses 1.000 € já seriam o valor das deduções e assim quem estaria errado seria eu. Abraço

    • Pedro Andersson
      Pedro Andersson Post authorReply

      Olá. Obrigado pelo seu rigor. Sim, euros dizer deduções e não despesas. É o sentido do texto. A palavra que usei pode ser interpretada como diz. Irei corrigir assim que puder.

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