Os contadores inteligentes da eletricidade são bons ou maus? Parte II

Os contadores inteligentes da eletricidade são bons ou maus?

Em dezembro do ano passado mudaram o meu contador de eletricidade para um “inteligente”. Dá as contagens remotamente para a EDP Distribuição que é quem as depois transmite a TODOS os operadores de energia em Portugal, dos maiores aos mais pequenos. É importante que saiba que não é a EDP, GALP, Endesa, Iberdrola, e todas as outras que fazem as contagens.

Quando o instalaram – não fui eu que pedi – escrevi este artigo com as muitas dúvidas que a mudança me suscitou e prometi fazer mais tarde um balanço.

Contadores inteligentes de eletricidade – São bons ou maus

A minha experiência 8 meses depois

1) O contador “inteligente” não aumentou os meus consumos

Vários espectadores/leitores disseram logo que eram uma “roubalheira” porque aumentavam os valores de consumo. Sei de casos de medições erradas. Claro que há. Também havia erros (continuam a existir) de contagem nos contadores antigos. Quando identifica isso tem de reportar a situação para ser corrigida, obviamente. O que quero transmitir é que no meu contador está a medir bem. Como sei?

Tenho um medidor de consumos de eletricidade que mede o consumo da minha casa quase segundo a segundo e vejo na net o que estou a consumir e os números de cada dia e de cada hora, se eu quiser.

Verifiquei (por amostra) se estava a bater certo e os meus consumos medidos pelo aparelhómetro são sempre superiores aos do contador. Mas então os valores não deviam bater certinho? Deviam, mas eu tenho um painel solar de 250 W a produzir eletricidade todos os dias. E enquanto estiver sol a minha casa consome primeiro o que o painel produz. Só vai buscar à rede o que sobra e o painel não dá. Portanto tenho o registo dos consumos, mas o que o contador conta já tem o desconto do painel solar. Portanto, as duas situações batem certo: não mede a mais e está de facto a descontar o que o painel solar fotovoltaico produz.

2) O MITO da segurança

Muitos espectadores alertaram que estes contadores eram um perigo porque um criminoso poderia na rua junto ao contador inteligente desligar o quadro da minha casa e “obrigar-me” a sair de casa e aproveitar esse momento em que abro a porta para entrar e assaltar-me. Tentei por várias vezes fazer isso e não consegui. Bem tentei desligar o meu contador na rua e não dá para desligar a minha eletricidade a partir da rua. Portanto, com o modelo que tenho (com outros não sei) essa suspeita não se confirma. É seguro.

3) As contagens são mesmo em tempo real e são enviadas aos distribuidores?

Sim, mas… Desde Janeiro que o contador ” inteligente” envia para a EDP Distribuição a contagem real todos os dias 26 de cada mês. Verifiquei isso na página da EDP Distribuição. Vocês também podem ver todos os dados do vosso contador de eletricidade nesta página independentemente da empresa que contrataram para a eletricidade.

 

Portanto, o contador está a registar os valores reais todos os dias 26. O meu “problema” é que a minha fornecedora de eletricidade tem o ciclo de faturação sempre a dia 10. Logo tenho SEMPRE 16 dias de estimativas em TODAS as faturas apesar do contador ser “inteligente”. Estou a fazer contactos para ver se é possível coordenador as duas datas, mas até agora não tenho solução. É só para perceberem como as coisas estão a funcionar neste momento, caso tenham já ou venham a ter um contador destes.

Pelo menos não são estimativas de 6 meses ou 1 ano…

4) O novo contador obriga a aumentar a potência do quadro (e a pagar mais)

Sim e não. Vamos por partes. A tecnologia destes contadores inteligentes (smartmeters) é nova. Os antigos funcionavam por aquecimento de sensores (não sou eletricista, vou falar para que se perceba, OK?). Quando a nossa casa tinha demasiados eletrodomésticos ligados ao mesmo tempo, uma “fitazinha” de metal começava a aquecer e quando aquecia demais disparava o quadro. Ou seja, ultrapassavamos muitas vezes a nossa potência contratada sem sabermos e o quadro não disparava porque um dos equipamentos entretanto deixava de funcionar e não chegava a ter tempo de disparar o quadro. Por outra palavras, ao longo destes anos tivemos imensas “borlas” no disparo do quadro.

Com esta nova tecnologia tudo é medido ao “milímetro”. Se passa a sua potência contratada, o quadro dispara logo sem grandes tolerâncias. É por isso que as pessoas dizem (e com razão) que o quadro passa a disparar mais vezes. São mais rigorosos na leitura. Dizem que é para obrigar as pessoas a pagarem mais de potência contratada. Bom, é uma interpretação. Cada um interpretará como entender. Esta é a explicação técnica que me foi confirmada por vários eletricistas. É o que é.

Se tiverem mais conclusões sobre este tipo de contadores, comentem aqui ou no Facebook. Para irmos acompanhando.

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11 comentários em “Os contadores inteligentes da eletricidade são bons ou maus? Parte II

  1. jose Reply

    não sei se é o vosso caso mas no meu não a necessidade de ir a rua quando dispara o contador basta desligar o geral e voltar a ligar dentro de casa

  2. Maria Oliveira Reply

    Olá bom dia.

    No meu caso, mudaram o contador sem a minha presença como eu tinha pedido, e sem me avisarem relativamente ao dia e hora a que o iam mudar.
    Reclamei e na resposta disseram-me que teria de continuar a enviar as leituras pois o sistema ainda não funciona. Portanto, é bom esclarecer que apenas existem alguns poucos locais onde a contagem já é feita
    a distância. Por outro lado, considero que só existem desvantagens, a principal delas é o facto de o contador estar a ser colocado na rua ( o que implica termos de sair para o voltar a ligar, e se for de madrugada, em zonas complicadas, é sempre um risco). Além disso, pode ser considerado uma alteração da fachada, o que em muitos casos é contra o que diz a legislação nesta área. Se eu não posso colocar um toldo porque altera a fachada, então também não posso acrescentar uma caixa com um contador lá dentro, pois também altera a fachada. Entre estas , há muitas outras desvantagens, e até ilegalidades, pois se antes as empresas fornecedoras não sabiam a que horas ligávamos a máquina de lavar roupa e a tv, agora ficarão a saber e isso não cumpre a lei da protecção de dados. Ninguém, nem as empresas podem ter acesso a que tipo de consumo nós temos, pois é invasão da nossa privacidade. Independentemente de o sr Pedro Andersson se importar ou não que a empresa saiba o que consome, é sempre uma invasão da privacidade. E mais desvantagens não digo, para não ocupar mais espaço.

  3. Manuel Peñascoso Reply

    Os contadores inteligentes podem tornar-se num muito sério risco da privacidade dos consumidores!
    Os dados das leituras transmitidas a curtos intervalos de tempo quando tratados e cruzados com os dados dos contadores de gás e da água poderão permitir fazer a radiografia do perfil de vida dos consumidores!
    Imagine-se o poderá ser feito com o conhecimento do perfil de vida dos consumidores nas mãos de pessoas e organizações menos escrupulosas!
    É urgente a regulamentação da recolha, tratamento, uso, arquivo e confidencialidade dos dados transmitidos pelos contadores ditos inteligentes!
    Já era tempo da Comissão Nacional De Protecção De Dados se ter pronunciado sobre esta tão sensível matéria!

    • Marco Lopes Reply

      Em vez de eu imaginar (porque nada me passa pela mente!) diga-me quais são as suas preocupações… Esta “treta” do RGPD não veio mudar nada na minha vida… e sinceramente, estou-me nas tintas que as empresas saibam os meus hábitos de consumo, e desde que não os usem para me prejudicar…

  4. José Reply

    Boa noite,
    Em Sines também não é efetuada a recolha remotamente das contagens !

  5. S. Barbosa Reply

    Boa noite,
    No meu caso no que toca às contagens.
    Sempre me disseram que não ficaria esse serviço disponível para já.
    Mas como estava combinado, no dia 16 de cada mês dar a contagem.
    Ou seja, chega ao dia dou a contagem.
    Quando vem a fatura vejo que a contagem foi tirada por eles.
    Remotamente….
    Tenho o portão normalmente fechado.

  6. Rui Pinto Reply

    Em casa do meu pai existia um contador de disco. Pedimos mudança para o bi-horario apenas com o objetivo de trocar de contador (agora já está na tarifa simples outra vez). As vantagens são mais que as desvantagens (se formos honestos e contra piratear contadores). O fator de potência e o consumo são agora os reais e não dependem de ajustes mecânicos e aferições estimadas de há muitos anos em aparelhos electromecânicos pouco precisos. Em média a conta baixou (primavera e início de verão) 10 €. É óbvio que se ultrapassamos a potência que temos contratada o fornecedor tem de ter um mecanismo que o evite. Obriga-nos a ir rearmar o contador. É justo.

  7. Marco Lopes Reply

    1) “Dá as contagens remotamente para a EDP Distribuição” – nas zonas SUPORTADAS!!! Esta tecnologia requer muito equipamento de comunicação nas centrais, e pelo menos há 2 anos, ainda eram escassas as centrais que tinham comunicação com os contadores!

    2) Promessas como “software” para aceder ao contador, analisar os consumos, etc etc, não passam ainda disso mesmo: PROMESSAS…

    3) O contador “dispara” muitas vezes antes do disjuntor, o que faz com que muitos de nós, cujo contador se encontra fora de portas, tenhamos de ir até ao exterior para “armar” novamente o sistema! Isto é péssimo! O que me foi digo em contactos com a EDP é que o contador “deveria” detectar que a potência em uso “baixou” para limites inferiores aos contratados e ARMAR-SE automáticamente… mas isso não tem acontecido comigo.

    Portanto, um pequeno grande passo para o futuro, que até agora, pelo menos em Guimarães, não deu qualquer resultado prático. TODAS as contagens continuam a ser feitas manualmente.

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