Não percebo as contas da CGD com a Euribor negativa

Não percebo as contas da CGD

Não. Não estou a ser irónico. Não entendo mesmo. Já dei voltas e mais voltas à cabeça para perceber como chegaram aos valores a que chegaram e não saio do mesmo sítio.

Já liguei para o banco e, depois de pedirem tempo para analisarem a questão, ligaram-me a explicar que tinha havido um erro de cálculo e que já estaria corrigido. Que devia ir ver novamente o meu homebanking que os valores já deveriam estar corretos. Voltei lá e continuam iguais. Já vos dou os pormenores para verificarem se com o vosso banco as contas estão a ser bem feitas.

Pode ler este artigo AQUI se não sabe do que estou a falar.

O apoio ao cliente da CGD pediu-me novamente tempo para pedirem esclarecimentos “superiores” e que voltariam a ligar-me com a explicação para os valores que estão lá referidos. Mas já passaram vários dias e ninguém me diz nada. Tenho estado a adiar este artigo porque quando o escrevesse queria já ter a resposta da CGD, mas ela tarda. Por isso peço-vos ajuda porque pode haver aí alguém que saiba fazer estas contas para que, quando me contactarem novamente, eu possa confirmar ou não o que me estão a dizer.

Vamos a contas

Se tem um spread de 0,3 ou abaixo disso, a partir de Setembro o seu banco vai ajudar a pagar a sua casa. Vai descontar no seu capital em dívida (do bolso do banco) a diferença entre o spread e a Euribor que está negativa. No meu caso, a minha taxa de juro atual é de – 0,025% (sim, tem o sinal “menos” antes). A lei obrigou os bancos a assumirem o que assinaram nos nossos contratos.

Se for ao seu homebanking já lá tem a prestação que vai ser cobrada em Setembro (o primeiro mês após a entrada em vigor da lei).

No meu caso, foi isto que encontrei:

Como podem ver, já está assumido que em vez de ZERO, a taxa a aplicar ao meu empréstimo é de -0,025. Corretíssimo.

Face ao meu capital ainda em dívida ao banco (145 mil euros), multiplicando pela taxa negativa referida, dá (dividindo por 12 meses) os tais 3 euros por mês que estão referidos no extrato. Portanto, em português simples, aos 260,61 € que estou a amortizar mensalmente, somam-se 3,04 € que o banco vai amortizar por mim mensalmente. Mas as contas, como podem ver, não batem certo. Há uma diferença de 2 euros entre o que devia ser amortizado e o que a CGD me está a dizer que vai amortizar em Setembro.

Portanto, a minha expectativa é que ao capital que amortizo até agora, a CGD aumente essa amortização e que a minha prestação baixe todos os meses daqui para a frente (enquanto a Euribor estiver mais negativa do que o meu spread). Isso só vai acontecer em parte. Onde pára o resto do dinheiro?

A seguir têm mais um caso de um espectador que está na mesma situação:

O capital a amortizar devia subir 1 euro mas a CGD só calculou cerca de 50 cêntimos a menos na próxima prestação. A somar a estas amortizações é preciso acrescentar 2,50 € de comissão só para nos irem tirar o dinheiro da conta. SIM, é das comissões mais tontas que eu já conheci (é como se na mercearia me cobrassem 2,50 € para me fazerem a conta). Esta é outra história. E mais 10 cêntimos de imposto de selo sobre essa comissão, porque se os bancos cobram o Estado também aproveita, claro. Se o Estado decidisse acabar com estas comissões também perdia muito dinheiro.

A sério que não sei como fazer a conta

Estou a pedir ajuda, porque admito até que a conta da CGD esteja bem feita. Haverá de certeza uma fórmula matemática qualquer que fez chegar àqueles valores. Mas que ainda ninguém me conseguiu explicar a lógica da conta, isso não. Nem os funcionários da CGD percebem como chegaram a este valor.

Se está correto eu só quero que me expliquem porque está correto.

Não desistam enquanto não perceberem

E é esta mensagem que vos quero passar. Mais do que descobrir onde param os “meus” 2 euros mensais de diferença, o importante é que saibam e percebam para onde vai o vosso dinheiro mensal e até diariamente. Façam perguntas e sejam “chatos” ao infinito até perceberem tudo tintim por tintim. (E eu pedi explicações por escrito e até dei o meu e-mail e até agora não arriscam na CGD. Só me dão explicações por telefone.)

Alguma alma caridosa do sector bancário que me ajude a fazer a conta para saber como é que os bancos deveriam fazer as contas para nos pagarem parte da casa e fazer refletir isso na prestação da casa?

A minha lógica

Numa primeira impressão sujeita a atualizações, no meu entender a conta a fazer é:

  1. Manter a minha prestação como está (como se o juro continuasse a ser zero)
  2. O banco faz a conta ao juro negativo e após cada prestação subtrai esse valor ao capital em dívida
  3. A prestação seguinte seria recalculada sobre o mais recente capital em dívida (o que amortizei + o “desconto” da taxa negativa), e assim sucessivamente.

Os bancos devem ter “resmas” de pessoas especialistas a fazerem este tipo de contas. Eu só tenho o senso comum. E o meu senso comum diz-me que as contas da CGD (não conheço as dos outros bancos) neste caso estão demasiado mal explicadas para eu (cliente normal) as entender. Não é por me apresentarem uma conta que eu tenho de acreditar que está certa. Neste caso, preciso que me convençam.

Verifiquem as vossas contas e confirmem que batem certo. Se estiverem erradas e ninguém se queixar, a lei de nada valeu… Se as contas estiverem certas, fizemos o que nos competia. Confirmar.

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24 comentários em “Não percebo as contas da CGD com a Euribor negativa

  1. Sandra Marques Reply

    No meu caso a resposta da CGD foi esta:

    Conforme indicado no extrato referido o valor do indexante a aplicar ao seu empréstimo é de -0.27.
    Da subtração do valor indexante ao Spread resulta um valor positivo de 0.030%, fazendo com que no seu caso não se aplique a alteração da prestação pela taxa negativa.

  2. Joaquim Lavos Reply

    Obrigado por este post, muito útil. Fiquei particularmente interessado na comissão. Também pago os tais 2.5 mais imposto, e reparei te posterior a 02 de 2017 só pagava 1.7€. Sabe a razão para o aumento? O banco pode alterar esta comissão sem informar/justificar ao cliente?

    • Pedro Andersson
      Pedro Andersson Post authorReply

      Olá. A razão é que os bancos precisam ir buscar dinheiro a algum lado… Eles informam sempre. Está num extrato meses antes do aumento. Nós é que nao lemos as letras miudinhas. A lei permite sos bancos cobrarem o que quiserem. Pode cobrar 50 euros por mês se quiserem.

  3. Mário Gomes Reply

    É a 6 meses com TAE de 2,674% e spread 0,30%, contratada em 11/1999.

  4. Mário Gomes Reply

    Bom dia Pedro,
    Agora quem ficou baralhado fui eu!!!
    Também sou cliente da caixa, tendo uma taxa de juro efetiva de 0,026 de Dezembro de 2017 a Maio de 2018 que subiu para 0.030 até à próxima prestação (Setembro), com juro positivo de 0,48€. Tenho um spread de 0,30, então a minha taxa não deveria ser negativa também? ou ainda andam a fazer atualizações ao sistema?

  5. Ana Pinto Reply

    Boa tarde,
    Também sou cliente da CGD e na prestação de setembro, continua a aparecer o valor da prestação igual à de agosto.
    Já liguei para o banco e pus o problema ao que me responderam por email
    com este texto. “”” Na sequência do seu pedido de esclarecimento sobre a aplicação das taxas de juro negativas nos empréstimos habitação, informamos que o extrato de Agosto ainda não reflete esta informação.

    Contudo, poderá visualizar o valor apurado a aplicar no pagamento de capital correspondente da prestação através do Caixadirecta Online ou nas futuras emissões do Extrato Global, a partir de Setembro””
    Consultei as minhas prestações e lá está o mesmo valor!! O que fazer???
    Li o comentário do Pedro Andersson, pessoa que muito admiro pelas dicas importantíssimas que dá e que se mete muito dinheiro ao bolso, nosso bolso claro, ganho com o nosso suor.
    Muito obrigada Pedro Andersson!
    Cumprimentos,

    Ana Pinto

  6. Bruno Ochôa Reply

    Dá vontade também de cobrar à CGD o fato de confirmar os valores!
    Se é válido cobrarem taxas por “fazerem as contas”, igualmente seria cobrar de volta por “confirmar as contas”.
    Obrigado pelo esforço e empenho que tem nas suas contas e que espelham as do grande público.
    Bom trabalho.

  7. Jorge Gonçalves Reply

    No meu caso, também me aparece um aumento do capital a amortizar, mas usando o simulador Excel “Mapa de Juros” disponível no Dr. Finanças (https://www.doutorfinancas.pt/mapa-de-juros-4/), as contas batem certo com as da CGD. Se se simular manter estas condições até ao fim do empréstimo vê-se que o capital a amortizar vai decrescendo (assim como o valor dos juros a receber, claro). É de supor que estão a usar as mesmas fórmulas e que devem estar certas…

  8. Luís Figueiredo SIlva Reply

    atenção porque a prestação de setembro apenas reflecte o período de 19 de julho (data de entrada em vigor da Lei) e 2 de Agosto, pelo menos foi o que o meu banco (CGD) me informou. Ou seja, não compreende uma redução em 30 dias, que só vão ser contabilizados na prestação a cobrar em outubro, e que diz respeito ao mês de agosto, i-é, teremos sempre um mês de atraso. Mas as contas não batem certo mesmo. E atenção, porque os bancos se preparam – é o que corre mesmo entre funcionários – para aumentar…as comissões de cobrança. Ah, pois, porque não vão pagar por nós.

  9. João Santos Reply

    A prestação de Agosto bate certo-> 260,61+2.5+0.1=263.21
    A prestação de Setembro pela mesma lógica também-< 261.60-3.04+2.5+0.1=261.16

    Ou seja, para além de amortizar mais capital do que aquilo que efictavamente vai ser a sua prestação ainda "compensou" a taxa e o imposto.

    O facto de não amortizarem mais tem a ver com a prestação ser fixa para todo o empréstimo (se o juro se mantivesse). Como agora está a amortizar mais, se o valor da prestação não fosse alterado e os juros se mantivessem, a última prestação iria ser superior ao montante em divida à data.
    (Há algures uma formula para chegar ao valor da prestação)
    Não sei se respondi à dúvida.

      • João Santos Reply

        De facto a explicação que dei não é tão simples de perceber com os juros negativos mas faz sentido da mesma forma. O truque para perceber é olhar para a última prestação do plano de amortizações (não sei se a caixa o apresenta, o meu banco sim) e perceber como ficaria se a prestação/valor amortizado fosse superior ou inferior.

      • João Santos Reply

        Peço desculpa, nem reparei que o site era brasileiro e dá valores estranhos.

        Encontrei a formula:

        Prestação=Valor em divida x ((( taxa de juro / 12 ) x (1+( taxa de juro / 12 ) )^nr de meses restantes) / (( 1 + ( taxa de juro / 12 )) ^nr de meses restantes – 1 ))

        Com esse valor e subtraindo as taxas e impostos deve chegar ao 261.60 (e fiquei curioso para saber se realmente funciona igual para taxas negativas 🙂 )

        • Pedro Andersson
          Pedro Andersson Post authorReply

          Muito obrigado. Vou testar. Com o valor a taxa zero conheço a formula, conferi e bate certo ao cêntimo. Com juro negativo deixei de perceber.

          • João Santos

            Não sabendo os valores certos tentei simular com valores aproximados e pareceu-me fazer sentido. Ao usar a taxa -0.00025 deverá resultar-lhe 258,56 que é os 261,16-2,5-0,1

          • Pedro Andersson
            Pedro Andersson Post author

            Mas acho que nao me estou a explicar bem. O valor a amortizar tem de ser superior e nao inferior. Mas nao sou eu a pagar essa diferença. Nao sei se estou a explicar-me bem ou se estou a complicar.

          • João Santos

            É o valor do capital amortizado mais os juros que neste caso são negativos. 258,56.
            Se depois disso somar a taxa e o imposto tem o valor que efectivamente pagou.

  10. Bernardo Mendes Reply

    Pela imagem verifica-se que terá diferimento de capital. Está a retirar o capital diferido para apuramento da prestação base?

    • Pedro Andersson
      Pedro Andersson Post authorReply

      Sim. Fiz essa conta. Não bate certo na mesma. No atendimento ao cliente disseram-me que o diferimento de capital nao tinha influência. Seria uma explicação.

      • Bernardo Mendes Reply

        Não sei se foram estes os cálculos que fez, mas talvez consiga chegar ao valor através do seguinte processo.
        1º Calcule a prestação, capital a amortizar na prestação e valor de juros
        Prestação = -PMT(Taxa/12; Prazo Remanescente; Valor em dívida – Capital Diferido;;0)
        Valor de juros= (Valor em dívida – Capital Diferido) x Taxa/12
        Capital a amortizar na prestação = Prestação – Valor de Juros (com taxa negativa teremos um valor superior dado que a regra matemática de – por – resulta no +)
        2º Calcule o valor de juros do capital diferido
        Valor de juro= Valor Capital Diferido x Taxa/12

        Considerando que a CGD possa estar a aplicar a regra, num empréstimo sem diferimento de capital, em que o valor da prestação apurada é a cobrada e, paralelamente, aplica uma amortização superior ao que o cliente paga i.e., o cliente paga X e é amortizado X+Valor de Juros Negativos, se fizéssemos a mesma conta para um empréstimo com capital diferido, i.e., amortizar X+Valor de Juros Negativos da parte do Capital Não Diferido+Valor de Juros Negativos da parte do Capital Diferido, verificaria que teria um plano financeiro incoerente, em que a última prestação tinha um valor de capital a amortizar superior ao valor do capital não diferido em dívida (não se esqueça que o capital diferido é pago num adicional à última prestação).

        Certamente, e espero não estar errado, eles estarão, neste caso de operações com diferimento de capital, a aplicar o juro negativo calculado sobre o capital diferido, na redução da prestação cobrada efetivamente ao cliente. Outra solução seria eles aplicarem o juro negativo apurado sobre o capital diferido na amortização desse capital, mas não sei se isto é viável contratualmente.

        Espero ter esclarecido, ou na melhor das hipóteses, não ter acrescentado mais confusão.

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