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PodTEXT | Coloquei dinheiro a mais no PPR. Posso levantar sem perder benefícios fiscais?

O ouvinte tem 38 anos e fez um PPR pela primeira vez no ano passado. Com essa idade (após os 35 anos), só tem direito a uma dedução de 350 euros no IRS. O “problema”‌ é que colocou 2.000 euros no PPR, o que quer dizer que 250 euros não ficam abrangidos pela dedução. Será que pode resgatar esse 250 euros que colocou “a mais” sem ser penalizado pelas Finanças? Respondo no episódio desta semana do “Vamos a contas", em que pode enviar as suas perguntas em áudio para o número de WhatsApp do Contas poupança 92 775 37 37. 

PodTEXT | Coloquei dinheiro a mais no PPR. Posso levantar sem perder benefícios fiscais?

[Introdução - Pedro Andersson]

Olá! Sou o Pedro Andersson, jornalista especializado em finanças pessoais, e este é o Vamos a Contas, um episódio bónus, especial e semanal, do podcast Contas-Poupança. Respondo às vossas perguntas em áudio que enviaram para o número do WhatsApp 92 775 37 37. A sua pergunta é muito importante. Vamos à dúvida desta semana.

[Ouvinte do podcast]

Boa tarde, Pedro. Antes de mais, queria agradecer-lhe pelo bom trabalho que tem feito em formar os portugueses relativamente à gestão das suas finanças pessoais, visto que continuamos todos com muita iliteracia financeira. Relativamente à minha questão, então é a seguinte.

Tenho 38 anos e fiz no final do ano passado o meu primeiro PPR. Pelo que sei, o benefício fiscal máximo que consigo obter em IRS é de 350 euros com 1750 euros, por causa da minha idade. Acontece que fiz um PPR com dois mil euros. Posso declarar na linha do IRS apenas 1750 euros destes dois mil euros?

E se o fizer, posso resgatar 250 euros desse meu PPR, sem sofrer qualquer penalização por parte das finanças, visto que não estou a mexer nos tais 1750 euros declarados? E isto é um processo linear, ou seja, funcionaria apenas agora por ser a primeiro PPR, numa ótica de que foi o primeiro dinheiro a entrar, First in First Out?

É que esta situação começa a ficar um pouco confusa na minha cabeça se começar a pensar em futuros reforços deste PPR. Desde já agradeço a resposta e espero não ter sido muito confuso com a minha questão.

[Pedro Andersson]

Olá! Não foi nada confuso com a sua questão, pelo menos acho que a entendi perfeitamente e muito obrigado por ter levantado esta questão, porque se calhar muitas pessoas também têm a mesma dúvida.

Os PPRs são um excelente produto de poupança e de investimento por causa dos benefícios fiscais à entrada e à saída, mas é difícil, como temos falta de literacia financeira, perceber exatamente como é que isto entra dentro também da literacia fiscal, ou seja, como é que funcionam os impostos.

O Estado dá-nos uma prendinha por estarmos a poupar para a reforma. É uma forma de incentivar a poupança a muito longo prazo e para que as pessoas não andem a pôr dinheiro no PPR e depois logo a seguir levantem outra vez, só para receberem a tal prendinha que vai de 300 a 400 euros, conforme a nossa idade. Quanto mais novos, maior é a prendinha, que é para começarem o mais cedo possível.

Mas depois dizem-nos que só podemos levantar em caso de urgência prevista na lei, como doença, desemprego, para educação ou então chegando à idade da reforma. O que nos dizem é que, se levantarmos antes disso só porque sim, ou porque precisamos antes porque não planeámos bem, então teremos de devolver o benefício fiscal.

Ainda bem que foi a primeira tranche de PPRs que fez na sua vida, porque assim já lhe vai permitir corrigir a situação. Não é que tenha feito algum erro, mas justamente porque conhece o conceito FIFO – First In First Out –, o primeiro dinheiro a entrar é o primeiro a sair, quer dizer que se resgatar esses 250 euros não vai resgatar os 250 euros depois dos 1750 que lá pôs.

Vai resgatar os primeiros 250 euros que lá pôs que fazem parte, estão ali naquela confluência, chamemos-lhe assim, da dedução que o Estado lhe deu, que também foi sobre o primeiro dinheiro que pôs no PPR.

Basicamente o que lhe quero dizer é que a AT não consegue fazer essas distinções. E, portanto, se resgatou, deixou de cumprir os requisitos, portanto, vão pedir-lhe a devolução correspondente no IRS do ano a seguir ao ano em que fez o tal resgate.

Portanto, digamos que não vai ter um benefício sobre 250 euros. Desculpe, não quero ser mal interpretado, mas direi para esquecer esses 250 euros, deixe-os lá estar, estão muito bem, não pense mais no assunto. Recebe o benefício fiscal a que tem direito, goze esse dinheiro da forma como entender, mas a estratégia ideal é somar esses 250 euros ao próximo PPR que fizer.

Ou utilizá-lo agora na circunstância que vou mencionar a seguir. Qual é o conselho que dou? Para evitar qualquer confusão com as finanças e não ter qualquer dúvida na sua cabeça ou sentir-se confuso, quem quer pôr mais dinheiro em PPR do que aquela margem que lhe dá direito ao benefício fiscal, a solução é simples, é fazer dois PPR.

Há um PPR que já sabe que é para ter o benefício fiscal e mete lá exatamente ao cêntimo o valor para obter o máximo, que é 20% desse valor até ao limite que corresponde à sua idade, 300 euros, 350 ou 400 euros.

E depois, se tiver mais dinheiro, neste caso dois mil euros, se for esse o valor, vai pegar nesses 250 euros que faltam e vai pôr noutro PPR, à sua escolha para ganhar dinheiro com esse dinheiro.

Não é irrelevante o PPR que escolhe, como é evidente. Veja sempre a rentabilidade nos últimos três anos, nos últimos cinco anos e nos últimos 10 anos, se já tiver essa antiguidade, e que tenha o menor valor em comissões possível.

Os mais caros cobram 2,5%, que é uma brutalidade, os mais baratos cobram 1,5% ou menos. E depois há a questão do grau de risco, o que é que para si é aceitável.

Porquê é que é importante ver estas três coisas? Porque, por exemplo, um PPR, apesar de ter as comissões mais caras, pela qualidade dos produtos subjacentes que estão lá dentro, se calhar tem mais rentabilidade do que outros, que cobram comissões mais pequenas, mas que também têm piores resultados. Ou pode ser o inverso também.

O melhor PPR é aquele que tiver a maior rentabilidade com as comissões mais baixas. Pronto, os critérios são simples.

Portanto, em resumo, para evitar essa confusão, esqueça os 250 euros que pôs a mais, entre aspas, desta primeira vez que se meteu nisto, e meteu-se bem, na minha opinião, que vale o que vale.

E agora, em 2026, vai reforçar com o mínimo indispensável esse PPR, e depois vai pôr o resto que quiser pôr noutro PPR à sua escolha. Atenção a este pormenor muito importante: escolha uma entidade diferente para ter o seu PPR, porque senão também pode criar confusão.

Porque quando isto aparece pré-preenchido no IRS, aparece lá quanto dinheiro é que entrou em cada número de contribuinte dessa empresa ou dessa entidade. Portanto, se fizer dois PPRs no mesmo banco, corretora, seguradora ou gestora de fundos, vai estar tudo ao monte.

Escolha criteriosamente uma entidade diferente para que, depois, quando aparecerem os dois, ou os três, ou os quatro, pré-preenchidos no modelo 3 do IRS, apaga aqueles que não quer que entrem para a dedução do IRS. Se agora fizer esta estratégia até ao fim da sua vida, enquanto entender e tiver esses benefícios, tem o seu problema resolvido.

Mais uma vez, esqueça esses 250 euros e faça agora esta estratégia, se assim o entender e se achar que faz sentido, porque acho que é aquela que lhe dará menos dores de cabeça e até o ajuda a fazer contas à sua vida.

Porque se um dia precisar de resgatar dinheiro, vai àquele PPR que nunca entrou no IRS e levanta aquilo que precisar. Pronto, e está feito. Não há chatices com ninguém. Faz as contas de uma forma clara, simples, sem nenhuma confusão e fica resolvido o problema.

Muito obrigado por me acompanharem nestas boleias financeiras. A sua dúvida é muito importante, porque pode não ser só a sua dúvida, pode ser a dúvida de dezenas de milhares de pessoas.

Boas poupanças!

Aprenda a gerir melhor o seu dinheiro

Como é a primeira experiência com PPR, o ouvinte está confuso com os próximos reforços que vai fazer. Respondo às dúvidas dele neste episódio do podcast. Fazer um PPR pode parecer complicado no princípio, mas é fácil de perceber. É uma das melhores ferramentas financeiras, se for bem escolhido e utilizado, para preparar a sua reforma e até como forma de investir o seu dinheiro para o usar antes disso.

Boas poupanças!

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