PodTEXT | 5 sinais de alerta de que as suas finanças não estão bem

Escrito por Inês de Almeida Fernandes

11.04.24

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13 min de leitura

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O podcast de sempre, agora mais inclusivo!

Como a literacia financeira é um aspeto fundamental para a boa gestão das finanças pessoais, os podcasts do Contas-poupança tornam-se agora mais inclusivos e passarão a ser publicados também em texto, nomeadamente para incluir a comunidade surda, pessoas que – não sendo surdas – têm dificuldades auditivas e, claro, todos os que ainda não perceberam como funcionam os podcasts ou que simplesmente preferem ler. Estamos também a trabalhar a possibilidade de traduzir o podcast para Língua Gestual Portuguesa, mas essa vai demorar mais tempo.

É o seu podcast de sempre, mas a partir de agora pode escolher lê-lo ou ouvi-lo. Aguardo as vossas criticas e sugestões.

Quais são os 5 sinais de que as suas finanças não estão bem?

[Introdução]

[Pedro Andersson]

Olá! Sou o Pedro Andersson, jornalista especializado em finanças pessoais e aproveito as minhas viagens de carro para falar consigo sobre dinheiro. Faço de conta que você vai sentado ou sentada aqui ao meu lado no lugar do pendura e juntos vamos partindo pedra sobre como podemos melhorar a nossa vida financeira, ter mais literacia financeira para tomarmos melhores decisões, mais inteligentes, para termos mais dinheiro na carteira ao fim do mês e ao fim do ano.

Quero falar-lhe neste episódio sobre uma situação que me preocupa bastante e que verifico que continua a acontecer. Verifico que há muitas, muitas pessoas que até ganham bem, são pessoas com bastante cultura, pessoas com estudos, licenciadas e às vezes até mais do que isso, embora isso não seja um critério porque há muita gente inteligente e culta que não tem licenciaturas ou coisa parecida.

Mas ainda assim, muitas vezes estas pessoas têm a vida financeira num caos completo e não se apercebem disso e isso é o que mais me preocupa. Porque uma pessoa ter problemas financeiros e saber que os tem é o primeiro passo para encontrar uma solução e resolver esse problema. O problema é mais grave quando temos um problema e não sabemos ou não admitimos que o temos.

Neste episódio queria dar-lhe cinco dicas, há mais e poderei falar delas depois mais tarde, até se calhar noutro episódio, mas estes parecem-me ser sinais claros, evidentes de que deverá admitir a si próprio, não é aos outros, não é a mim, não é aos seus familiares, mas a si próprio que tem um problema ou que está a caminho de ter um problema.

Portanto, como é que uma pessoa sabe que não está bem financeiramente a gerir as suas finanças, ganhei muito ou pouco, porque isto não tem a ver com rendimentos. O mesmo caos financeiro tanto pode existir numa família em que ganham o salário mínimo, como numa família em que ganham cinco mil euros cada um, ok? Portanto, vou dar-lhe alguns sinais, algumas bandeiras vermelhas que se você tiver uma delas é porque há qualquer coisa que não está bem e que precisa agir imediatamente.

Primeira bandeira vermelha

Um sinal claro de que tem a sua vida financeira desorganizada é não ter um fundo de emergência. Se não tem numa conta separada disponível para usar a qualquer momento, com entre seis a 12 meses de todas as suas despesas, é porque ainda não pegou a sério na sua organização financeira e não está a gerir bem as suas finanças pessoais.

Qualquer problema, venha ele de onde vier, quer seja um imprevisto – e atenção que os imprevistos são a coisa mais previsível que há, já falei sobre isso –, se não tem esse valor que eu calculo, para arredondar as contas na sua cabeça entre cinco mil euros e 10 mil euros, então tem de fazer pela sua vidinha e começar a mexer-se.

Porque isso quer dizer que ainda não percebeu a importância de ter um fundo de emergência, uma rede de segurança financeira para si e para a sua família. Porque é só uma questão de tempo até esse imprevisto acontecer na sua vida e ao acontecer, se não tiver o fundo de emergência, o que é que vai acontecer? Vai ter de pedir emprestado, vai ter de se endividar.

Pode não conseguir controlar a sua vida daí para a frente durante muitos meses ou anos. Basta, por exemplo, não conseguir pagar uma prestação da casa ou ficar durante um ou dois meses sem carro, parado na oficina, porque não tem dinheiro para pagar o arranjo. Pode ter de pedir emprestado a familiares e amigos e isso vai prejudicar a sua autoestima, a sua autoconfiança, a sua imagem junto dos outros e pode ser o princípio de vários problemas. Como já sabe, sempre que há dinheiro emprestado entre familiares e amigos alguma coisa má vai acontecer. Escreva o que lhe estou a dizer.

Segunda bandeira vermelha

Uma segunda bandeira vermelha é, no caso das pessoas que têm conta ordenado, que é aquela que deixa ir a negativo, se todos os meses ou frequentemente, acaba um mês tendo de recorrer, das duas uma, a essa conta ordenado, a um cartão de crédito ou a pedir dinheiro emprestado a alguém para pagar uma dívida, uma conta da luz, telecomunicações ou de um arranjo, se isto é uma constante na sua vida – se acontece três, quatro vezes por ano ou mais – isso significa que tem a sua vida financeira completamente desorganizada.

Para que não se sinta mal, se for o seu caso, quero dizer-lhe que já passei por essa situação. Como é que resolvi isso muito simplesmente assim que tive uma fonte extra de rendimento, já não me lembro se foi o reembolso do IRS, se foi o subsídio de férias ou se foi o subsídio de Natal, meti na minha cabeça que isto não podia voltar a acontecer. Então, como já tinha um saldo negativo constante de mês para mês e aquilo estava a tornar-se um hábito, peguei nesse dinheiro que faltava, acrescentei mais uma margem e disse para mim próprio que, dali para a frente, não voltaria a ir a negativo.

E isso é o que tem acontecido, foi remédio santo. É verdade que não utilizei aquele dinheiro da forma como costumava utilizar, fosse para umas férias, fosse para um telemóvel novo, fosse para uma peça de mobiliário ou outra coisa qualquer, mas resolvi o meu problema.

Portanto, segunda bandeira vermelha é ter saldos negativos vários meses ao longo do ano, se forem seguidos então é alarme vermelho, mas vermelho vivo e, portanto, faça desse o seu objetivo imediato: reduzir esse saldo negativo a zeros com mais uma margem de 100, 200, 300 euros, o que seja, para gerir ao longo do tempo, mas nunca ir a negativo. E porquê? Porque está a pagar juros sobre esse saldo negativo, além de estar a aumentar o stress na sua vida, porque sente-se ansioso sempre que vê aquilo negativo. É inevitável.

Terceira bandeira vermelha

Outra bandeira vermelha é quando andamos ansiosos por razões financeiras. Esse é outro alarme, esse stress é a terceira bandeira vermelha que significa que tem as suas contas desorganizadas. Se está constantemente preocupado com dinheiro, se discute com o seu companheiro ou companheira sobre dinheiro e isso é frequente, então quer dizer que alguma coisa não está bem.

É um sintoma, é como as doenças. E os sintomas não são a doença, a doença é que causa os sintomas. A febre não é uma doença, é um sinal de que há alguma coisa no seu corpo que não está bem. A tosse não é uma doença, significa que o seu corpo quer expulsar alguma coisa que está a incomodá-lo lá dentro.

Quando desmaiamos, o desmaio não é uma doença, significa que o nosso corpo está a proteger-se porque não aguenta mais ali com alguma circunstância. Portanto, com estes três exemplos, creio que já percebeu logo desde o primeiro, consegue perceber porque é que isto é um alerta vermelho. Quando encontra sintomas, tem de perceber o que está a causar a doença e há vários tipos de doenças financeiras, mas isso fica para outro episódio.

Quarta bandeira vermelha

A quarta bandeira vermelha é não saber nada sobre as suas finanças pessoais, sobre os contratos que tem, sobre os rendimentos ou poupanças, quanto é que paga de seguros e para que servem esses seguros ou o retrato fiel, rigoroso e atual do seu crédito à habitação. Se não sabe qual é o spread que contratou do maior negócio da sua vida, da maior despesa, do maior contrato que tem na sua vida, que é o crédito à habitação, ou se não sabe as condições dele, é porque não sabe lidar com as suas finanças pessoais.

E tem de perder o medo de lidar com o dinheiro. O dinheiro é uma coisa engraçada, motivadora e que nos traz alegria quando o dominamos. Quando controlamos o nosso dinheiro e sabemos para onde ele está a ir, sentimo-nos no controlo da situação. Somos os comandantes, somos os patrões e não os escravos, não somos o empregado que tem de estar à ordem de alguém que nos prejudica a vida. Portanto, este é um ponto fundamental.

Peço desculpa porque às vezes sou um bocadinho assertivo de mais e não estou aqui para criticar, era o que faltava. Estou aqui porque quero que melhore a sua vida e espero que nunca me interprete como se estivesse a fazer juízos de valor. De facto, entusiasmo-me a falar destes temas e pode parecer que estou a criticar, mas o que quero é conseguir passar a mensagem e com isto ajudá-lo a melhorar a sua vida. A minha intenção é boa.

Mas então, tem de saber o seu spread, quantos anos faltam, qual é o valor da sua prestação e precisa de saber isso para quê? Para depois tentar encontrar melhor, porque o objetivo é encontrar sempre mais barato e mudar sempre. Porque é que tem de saber quanto é que paga dos seus seguros? Para encontrar mais barato e para isso tem de saber quais são as suas coberturas para encontrar coberturas melhores. E aí, para um preço mais baixo, tem de saber quanto é que as suas poupanças estão a render em termos de taxa de juro. Para quê? Para encontrar melhor.

Fico chocado quando me dizem isto, mas é uma grande quantidade de pessoas que me dizem que têm dinheiro à ordem na casa dos 30 mil ou 50 mil euros e não está a render nada. Como é que isso é possível? Não compreendo como é que essas pessoas não estão a valorizar o seu próprio esforço para ganhar esse dinheiro. Ao menos, já que o têm, seja muito ou seja pouco, ganhem dinheiro com o vosso dinheiro. Já nem digo arriscar em produtos sem capital garantido, mas pelo menos com capital garantido.

Claro que alguém pode dizer que tem um depósito a prazo, mas isso não quer dizer rigorosamente nada. Esse vosso depósito pode estar a render quase tanto ou tanto como a conta à ordem. Há depósitos a render 0,01 e se nunca fez nada, se calhar é isso que está a render. Tem um PPR e não sabe quanto é que está a render? Se calhar está a render 0,5% e bastava transferi-lo para outro PPR para já estar a ganhar dinheiro que se veja. Por favor, faça alguma coisa por si. Portanto, se não sabe quanto está a pagar de juros, quando está a render a sua poupança em juros, isso quer dizer que está desorganizado financeiramente.

Quinta bandeira vermelha

Vamos agora à quinta bandeira vermelha, que é não conseguir ter uma poupança regular e constante todos os meses. Suponha que é uma empresa, o objetivo de uma empresa é dar lucro e se não der todos os meses, então está na falência. Você tem de ser uma pessoa ou uma família que dá lucro todos os meses.

Qual é o seu lucro? É aquilo que lhe sobra todos os meses. É por aí que pode medir a sua taxa de lucro, a sua margem de lucro. Portanto, basta começar a encarar-se dessa forma que é, se não estou a ter uma margem de lucro, então tenho de reduzir despesas e aumentar as receitas.

É tão simples quanto isto. Portanto, qualquer uma destas cinco bandeiras vermelhas que acabei de mencionar envolvem o seguinte: passar a organizar-se. O primeiro ponto é parar e fazer uma selfie financeira para saber em que pé está, quanto dinheiro tem, quando dinheiro entra e sai de casa todos os meses e perceber quanto sobra ao fim do mês. Depois disto, é mudar o que for necessário, mas tem de agir.

Com base nesta última bandeira vermelha, o que é que vai ter de fazer? Depois de reduzir todas as suas despesas, vai ter de assim que recebe o seu ordenado pagar-se a si próprio primeiro, que é pegar em 10%, por exemplo, dos seus rendimentos e pôr logo numa conta à parte. É transformar isso num movimento automático, não confie na sua cabeça e na sua organização. Tem de ser uma transferência automática todos os meses assim que recebe.

Se depois vier a precisar desse dinheiro ao longo do mês ou ao longo dos meses, ele está lá, é só ir buscá-lo, mas se o deixar na conta à ordem, ele vai desaparecer. É matemática pura. Isto é uma lei.

E era sobre isto que lhe queria falar neste episódio. Não se esqueça de subscrever este podcast, de o partilhar com outros, de dar as estrelinhas que entender e não se esqueça também de enviar as suas perguntas em áudio para o WhatsApp do Contas-poupança, que é o 92 775 37 37.

Muitos destes conselhos estão no livro mais recente que escrevi, O Ganhar Dinheiro: Como criar riqueza com um salário normal? Se quiser, tem o link abaixo. É um livro que tem mudado algumas vidas e que, no fundo, fala de uma forma organizada sobre como pôr as suas finanças e a sua vida financeira em ordem.

Estes alertas não estão lá, estas são dicas adicionais. O meu objetivo, como lhe disse, é fazer com que acorde, caso ainda não se tenha apercebido que afinal não está assim tão bem como pensava.

Muito obrigado e boas poupanças!

 

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Aproveite a minha boleia financeira (gravo em áudio uma “conversa” no carro enquanto faço as minhas viagens e faço de conta que você vai ali ao meu lado) e veja como pode aumentar-se a si próprio. São uma espécie de programas de rádio para escutar enquanto faz outras coisas. Subscreva o podcast na plataforma em que estiver a ouvir para ser avisado sempre que houver um episódio novo. Não estranhe ouvir o motor do carro, buzinadelas e o pisca-pisca. Faz parte da viagem.

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