PodTEXT Vamos a Contas | Consigo poupar 300 € por mês: guardo, invisto ou amortizo?

Escrito por Inês de Almeida Fernandes

16.03.24

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9 min de leitura

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O podcast de sempre, agora mais inclusivo!

Como a literacia financeira é um aspeto fundamental para a boa gestão das finanças pessoais, os podcasts do Contas-poupança tornam-se agora mais inclusivos e passarão a ser publicados também em texto, nomeadamente para incluir a comunidade surda, pessoas que – não sendo surdas – têm dificuldades auditivas e, claro, todos os que ainda não perceberam como funcionam os podcasts ou que simplesmente preferem ler “na diagonal” em vez de gastar 15 ou 20 minutos a ouvir alguém falar.

Estamos também a trabalhar a possibilidade de traduzir o podcast para Língua Gestual Portuguesa, mas essa vai demorar mais tempo. Há 120 mil pessoas em Portugal com graves dificuldades auditivas, dos quais 30 mil falam nativamente Língua Gestual Portuguesa. Gostava de chegar a todos. Os cegos já conseguem usar programas de leitura de texto ou são ávidos ouvintes de podcasts.

É o seu podcast de sempre, mas a partir de agora pode escolher lê-lo ou ouvi-lo. Aguardo as vossas criticas e sugestões.

O André consegue poupar 300 euros por mês e pergunta qual é a melhor forma de os rentabilizar: poupar, investir ou amortizar o crédito à habitação?

[Introdução]

[Pedro Andersson]

Olá! Sou o Pedro Andersson, jornalista especializado em finanças pessoais e este é o Vamos a Contas, um episódio bónus, especial e semanal, do podcast do Contas-poupança. Aqui respondo às vossas perguntas em áudio que enviaram para o número do WhatsApp 92 775 3737.

A sua pergunta é muito importante, por isso vamos à dúvida desta semana.

[André, ouvinte do podcast]

Bom dia, senhor Pedro. O meu nome é André e tenho ouvido sempre os seus podcasts.

Não sei se já foi vista esta questão ou não, mas recentemente fui aumentado no meu trabalho, e ainda bem, mas tenho reparado que todos os meses me sobra uma quantia à volta de 300 euros.

A minha questão é a seguinte: devo investir este dinheiro e poupar este dinheiro para o futuro ou devo fazer amortizações periódicas, todos os meses, com este valor ou com uma quantia parecida, no meu crédito à habitação?

Qual seria a longo prazo, ou a médio prazo, a melhor solução, uma vez que as taxas de juros, tanto dos créditos à habitação como dos depósitos a prazo, estão mais ou menos parecidas?

Muito obrigado e continuação do seu excelente trabalho.

[Pedro Andersson]

Olá, André! Muito obrigado pela pergunta e parabéns por essa poupança e por ter sido aumentado. Não sei se foi uma coisa automática ou fruto do seu mérito e da sua competência, vou partir do princípio que é pela segunda razão.

Portanto, se consegue tirar mensalmente 300 euros para a sua poupança, isso é um valor já bastante razoável. E é dinheiro que pode acumular ou que pode investir, portanto, não precisa dele para nada e isso é uma excelente matéria-prima para conseguirmos trabalhar e fazer alguma coisa.

Portanto, o André está naquela situação que considero muito positiva e que me deixa bastante satisfeito saber que há pessoas que têm esta possibilidade, que é poder escolher onde é que vai pôr o dinheiro a render. São as chamadas dúvidas boas ou os problemas bons. É um bom problema, tomara muita gente ter esse problema. Onde é que vou pôr o dinheiro que me sobra?

Por onde começar?

Portanto, André, vou partir do princípio que já tem o seu fundo de emergência, ou seja, que ao longo do tempo já fez essa poupança, seja com esses 300  euros ou com um valor inferior. Vamos assumir que já tem esse fundo em certificados de aforro, num depósito a prazo mobilizável ou numa conta à ordem.

O importante é que o fundo de emergência tenha liquidez, ou seja, se hoje precisar do dinheiro, ou amanhã ou em dois dias, precisar desse dinheiro, poder ir lá tirá-lo, portanto, tem de ser sempre essa a condição fundamental para o fundo de emergência.

Não interessa a taxa de juro, pelo menos não interessa tanto, claro que se render alguma coisa, ótimo, maravilha. Não vamos desperdiçar isso, mas não é esse o critério fundamental.

Vou então partir do princípio que já tem esse fundo emergência, que são seis a 12 meses de todas as suas despesas. Isto é, estamos a falar de grosso modo em cinco ou dez mil euros.

Todas as famílias deviam ter, diria eu, pelo menos cinco mil euros nesse tal fundo de emergência e agora entramos nos tais cinco passos que menciono no livro Ganhar Dinheiro e, já agora, obrigado pelas vossas críticas positivas.

Obrigado a todas as pessoas que já leram o livro e que me mandam mensagens simpáticas a agradecer e a dizer que conseguiram mudar a sua vida em termos financeiros com a leitura desse livro. Foi o terceiro livro mais lido no ano passado em Portugal, é extraordinário. É extraordinário, sobretudo porque estamos a falar de um livro de finanças pessoais, de dinheiro, uma coisa chata, que fala em sacrifícios e que não tem fórmulas mágicas nem nada disso.

Então, estou a fazer referência ao livro justamente por isso, porque para responder à pergunta do André, é preciso seguir estes passos. Os 1000 euros já tem,  não tem dívidas, estou também a partir deste princípio, mas, portanto, se o André tiver um crédito automóvel, dívidas de cartões de crédito ou se tiver um crédito pessoal, essa é a sua prioridade, ok?

Portanto, liquidar esses créditos, e não estou a falar do crédito à habitação, que é a sua pergunta. Se depois de fazer essas liquidações ainda lhe sobrar esse dinheiro, deve aplicá-lo ao fundo de emergência.

Investimentos

Depois, seguimos para o quarto passo, que é preparar o seu futuro de uma forma constante, regular e adaptada aos seus rendimentos. O que é que isto quer dizer? Fazer um PPR, um ETF, dois PPR diferentes e dois ETF diferentes. Diversificar um pouco, não precisamos de diversificar à maluca, não é ter cinco ou seis produtos diferentes, não. Diria que se tiver um PPR, um ETF e mais o fundo de emergência, já tem aqui uma boa diversificação.

No que diz respeito aos PPR, imagine que quer lá pôr 100 euros por mês, então pode colocar tudo só num bom fundo PPR ou pode, por exemplo, escolher pôr 50 euros num PPR mais arriscado e os outros 50 euros num PPR mais moderado. Tudo depende do seu perfil.

Com os ETF é a mesma coisa. Se tiver 100 euros disponíveis, pode colocar 50 euros num ETF clássico SP 500, por exemplo, e os outros 50 euros num ETF mais tecnológico, mais ligado às novas tecnologias, à área da saúde ou das energias. Pronto, algo mais arriscado e que anda mais para cima e para baixo e que pode, eventualmente, ao longo do tempo, ter uma maior rentabilidade.

Portanto, investir no seu futuro. E isto é a muito longo prazo, não é para andar a pôr e a tirar. Tem de definir um valor dentro desses 300 euros que tem disponíveis. Por exemplo, assim que recebe o seu salário, 150 euros saem automaticamente para um desses produtos financeiros.

A partir do momento em que isto for automático e já não tiver de se preocupar com isto, porque já entrou na rotina e já sabe que aquele dinheiro é sagrado, é mesmo para isso e com este objetivo, aí sim é que vai começar a amortizar o seu crédito à habitação.

Amortizar o crédito à habitação

Depois entramos aqui num outro critério, o da amortização do crédito à habitação, sim senhor, mas idealmente quando? Bom, diria que qualquer altura é boa para dar cabo, nem que seja aos bocadinhos, do seu crédito à habitação, mas há alturas que são as ideais para fazer isso.

Por exemplo, em 2024 não tem a taxa de amortização de meio por cento, caso tenha taxa variável. Eu já amortizei bastante o meu crédito à habitação em 2023 e vou amortizar o máximo que puder também em 2024, por duas razões.

Para já, porque a taxa de juro do crédito à habitação está altíssima, está acima dos 4% no meu caso. Ou seja, a Euribor anda aí perto dos quatro, um bocadinho abaixo nesta altura, mais o meu spread de 0,30% e, portanto, não tenho muitos rendimentos garantidos que me deem 4,3 líquidos. Portanto, é claramente uma boa altura para amortizar.

Resumindo a resposta, André: assumindo que tem já um fundo de emergência, excelente, se tiver créditos pessoais, então essa deverá ser a prioridade. Caso não tenha créditos nem dívidas, então é apostar em PPR, ETF ou outro investimento que considere bom para a sua reforma.

E depois, muito importante, transformar isso num hábito recorrente, programado, e só depois disso é que vai começar a amortizar a sua casa, de preferência com o valor mais alto que conseguir. Se não, diria que quaisquer 1000 euros são bons para amortizar o crédito à habitação. Repare, qual é o critério? Neste momento, da minha prestação ao banco de 500 euros, que ultrapassa, 100 euros é para amortizar.

Portanto, se eu amortizar 1000 euros, é como se estivesse a antecipar o pagamento da minha casa 10 meses em termos de valores de amortização. Isto é de pensar um bocadinho. Quando fazemos as contas achamos que 1000 euros não é muito nesta altura, mas é uma fortuna.

Muito obrigado pela sua questão, André!

Não se esqueça de partilhar este podcast, de lhe dar as estrelinhas que entender, de acionar as notificações, subscrever o podcast e falar sobre ele a outras pessoas. Envie as suas perguntas em áudio para o WhatsApp do Contas-poupança, que é o 92 775 3737.

Muito obrigado e boas poupanças!

O que é um podcast?

Aproveite a minha boleia financeira (gravo em áudio uma “conversa” no carro enquanto faço as minhas viagens e faço de conta que você vai ali ao meu lado) e veja como pode aumentar-se a si próprio. São uma espécie de programas de rádio para escutar enquanto faz outras coisas. Subscreva o podcast na plataforma em que estiver a ouvir para ser avisado sempre que houver um episódio novo. Não estranhe ouvir o motor do carro, buzinadelas e o pisca-pisca. Faz parte da viagem.

Se preferir ouvir o podcast 🙂

Boa viagem e boas poupanças!


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