VÍDEO – Vale a pena ter um PPR? E posso trocar por um melhor?

Escrito por Pedro Andersson

19.09.18

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11 min de leitura

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Vale a pena ter um PPR?

Claro que sim! Desde que o saiba escolher e tenha claramente um objetivo definido para a sua reforma. Subscrever o PPR ideal para si pode render-lhe muitos milhares de euros a mais do que se simplesmente escolher o que lhe aconselharam no banco ou na seguradora.

Com certeza, já percebeu que as nossas reformas vão ser muito mais curtas do que esperávamos quando começámos a trabalhar. Pode encolher os ombros e pensar “Depois logo se vê” ou pode começar já hoje a garantir que os cortes que vamos ter serão compensados por algum esforço agora. A questão é que quanto mais cedo começar o seu PPR, menor será esse esforço.

Eu tinha a ideia (completamente errada) de que só devia começar a pensar nos PPR quando chegasse aos 50, porque aí já estaria perto da reforma. Para ser sincero, faço parte de uma geração em que quando entrei no mercado de trabalho nem se falava muito em PPR ou se falaram achei que era muito novo para ter logo uma despesa que não me serviria para nada durante décadas. Para mim era um desperdício de dinheiro. Não sei qual é a sua ideia ainda hoje sobre os PPR, mas essa era a minha ideia completamente desligada da realidade: PPR = Despesa inútil.

Uns anos depois comecei a perceber que os PPR traziam vantagens fiscais. Mesmo assim, não pensei muito no assunto porque envolvia uma “despesa” de mais de mil euros por ano e não estava para isso. Nunca pensei nos PPR como um investimento, em vez de uma despesa.

O que são os PPR?

Os Planos Poupança Reforma (PPR) são dos produtos financeiros mais conhecidos em Portugal.

Os banco normalmente propõem os PPR como um produto de poupança para juntar dinheiro para a reforma. Mas poucos sabem como realmente funcionam e até pode acontecer que tenha prejuízo com eles em vez de poupança.

Os PPR são fundos de investimento mistos: contêm dentro deles vários tipos de produtos como ações, obrigações e outros produtos diversificados mais ou menos complexos. O enquadramento legal é feito especificamente para que os valores colocados nos PPR sejam utilizados para a sua reforma. As entregas e os respetivos juros só podem ser resgatadas na altura da reforma ou nas situações previstas na lei.

Há centenas de PPR disponíveis em Portugal. Há mais de 17 mil milhões de euros subscritos. É muito dinheiro.

Muitos portugueses até poupam mensalmente, mas colocam o dinheiro em depósitos a prazo ou em produtos com maior liquidez (que possam levantar quando quiserem).

Mas a vantagem dos PPR é justamente essa: Não terem liquidez. Assim não tem a tentação de o resgatar por razões menos importantes que a sua reforma.

As vantagens do PPR

Hoje, num depósito a prazo, o melhor que consegue é 1% bruto, ou seja quase nada.

Caso não saiba, os PPR têm duas categorias: Seguros de capitalização ou Fundos de investimento. Cada um deles destina-se a faixas etárias diferentes e a diferentes perfis de risco

Os seguros de capitalização têm capital garantido. Quando estiver mais próximo da reforma (a 10 anos) deve mudar, aconselha a DECO, para um Seguro PPR.

Se ainda estiver longe da reforma – com 30 ou 40 anos – pode correr algum risco para obter maiores rendimentos. Há anos nas bolsas piores do que outros. A longo prazo, o rendimento destes Fundos PPR será superior. Mas obviamente tem de ter consciência de que tanto pode ganhar como perder o dinheiro que lá tem. Repito que não têm capital garantido.

Em média, os seguros PPR andam nos 2% de juros. Os melhores fundos de investimento PPR rendem entre 5 e 10%. Deverá decidir de acordo com o seu perfil de risco.

Quem escolheu o seu PPR?

Infelizmente, a maior parte dos PPR são sugeridos por bancos e seguradoras, que são partes interessadas no negócio. Os clientes subscrevem o que o gestor de conta recomenda e fica com esse PPR toda a vida e muitas vezes aquele PPR não é o mais adequado para essa pessoa. Para uma pessoa de 30 ou 40 anos, ter um seguro PPR é provavelmente um desperdício de tempo e dinheiro. Tem opções muito mais rentáveis. Avalie.

Aos 30 anos posso assumir riscos, mas aos 50 não devo. Deve ir adequando o tipo de risco ao longo da vida e ver ano a ano se a concorrência tem PPR melhor do que o seu atual.

A ASF (Autoridade de Seguros e Fundos de Pensões) publica anualmente quanto rendem os seguros PPR e a Associação Portuguesa de Fundos de Investimento (APFIPP) publica quais os rendimentos dos vários Fundos de investimento PPR.

Tem aqui os links:

Relativamente aos PPR sob a forma de seguro, estão na Autoridade de Supervisão dos Seguros e Fundos de Pensões em http://www.asf.com.pt > Seguros > Informação sobre PPR. Aqui encontrará não só as comissões que paga em cada um como a rendibilidade no ano anterior e nos últimos 3 anos.

http://www.asf.com.pt/NR/exeres/1A4E93BA-6496-4F9F-A04F-B5E786F9871C.htm

Quanto aos PPR sob a forma de Fundos de Investimento, estão na Associação Portuguesa de Fundos de Investimento em http://www.apfipp.pt. Clique em “Fundos de Investimento Mobiliário” e também em “Fundos de Pensão” e tente encontrar o seu atual PPR. Veja se os números lhe agradam ou se anda a perder dinheiro (comparando com alguns dos outros referidos com as mesmas características do seu).

PPR sob a forma de fundo de pensões

http://www.apfipp.pt//report.aspx?itemcode=Mrr_FPAbertos_PT.rpt&calendar=yes&type=FP

PPR sob a forma de fundo de investimento (sem ser fundo de pensões) http://www.apfipp.pt//report.aspx?itemcode=MR_FIM_PUB_PT.rpt&calendar=yes&type=FIM

Onde subscrevo o melhor PPR e com que critérios

Veja nas listas da AFPIPP e da ASF quais são os PPR que têm maior rendimento ao longo dos últimos 5 anos e que têm menos comissões.

Em muitos dos Seguros contratados por 90% dos portugueses que têm PPR, o rendimento é absorvido pelas comissões que as pessoas pagam. Um Seguro PPR pode dar 2% de juro por ano mas as comissões levam todo esse rendimento, sem se aperceber. Faça contas rapidamente porque pode estar a perder dinheiro.

Se perceber que o seu PPR não está a render nada (ou muito pouco) pode mudar o seu PPR para outro banco. O que acontece normalmente é que as pessoas vão ao banco onde têm conta e dizem que querem fazer um PPR. O bancário até pode ter boa vontade, mas vai propor o que tem e não o melhor do mercado. E propõem na maior parte dos casos um Seguro PPR em vez de um Fundo PPR. Vendem os seus produtos ou os do grupo a que pertencem ou com os quais têm protocolos ou parcerias. Temos de abrir os olhos.

As comissões de subscrição são muito pesadas nos Seguros PPR e as pessoas não se apercebem ou acham normal. Há situações em que cada entrega tem uma comissão que é muito superior ao rendimento que vai obter. Por exemplo, comissões de 5% cada vez que entrega dinheiro. É uma enormidade. E os bancos ou seguradoras são capazes de lhe dizer que o PPR rendeu 2% quando na realidade teve um prejuízo de 3%!

Estão a perder dinheiro com um PPR. Isto é absurdo.

Isto acontecia frequentemente quando os PPR eram muito procurados por causa dos benefícios fiscais. Como tinham muita procura, e as pessoas recebiam mais de IRS, nem se questionavam sobre as comissões. As comissões desses PPR ainda continuam se não fez nada para mudar essa situação. Investigue as condições e a rendibilidade do seu atual PPR. Pode estar a perder muito dinheiro.

A transferência não é complicada. Se o seu PPR tem capital garantido vai pagar uma penalização de 0,5% no máximo. Se não tem garantia de capital não paga nada por transferir o seu montante acumulado para outro PPR que acredite que será mais rentável.

Assim que souber para qual quer mudar, é só chegar a essa instituição e dizer que quer transferir o seu PPR para eles. Eles vão disponibilizar uma carta de transferência, coloca a apólice do seu PPR atual, assina e eles tratam de todo o processo. Demora alguns dias, mas não tem de fazer mais nada.

Não tem nenhuma fidelização. Pode mudar de PPR todos os anos se quiser, mas não convém andar sempre a mudar porque num ano as bolsas até podem andar negativas e isso não ter a ver com o fundo especificamente. Há anos bons e anos maus e o PPR pode perfeitamente recuperar nos anos seguintes.

Claro que rendimento passado, já sabe, não é garantia de rendimento no futuro. Não se pode garantir nada. É preciso estar atento e ver se os conselhos se alteram.

Pode ver ou rever a reportagem desta semana no Contas-poupança neste link abaixo:

https://sicnoticias.sapo.pt/programas/contaspoupanca/2018-09-19-Saiba-como-escolher-o-melhor-Plano-Poupanca-Reforma

Porque deve pensar seriamente num PPR?

Quanto mais cedo começar a poupar mais vai acumular. Faz toda a diferença. Se só começar aos 40 ou 50 anos, só vai juntar 20 mil euros ou nem isso. Não é suficiente para ser um complemento de reforma.

Vamos a contas. Se aplicar mensalmente 50 euros numa poupança durante 27 anos (ou seja, a partir dos 40 anos até aos 67) poderá juntar:

Num mealheiro – 16.200 € (sem risco)

Num depósito a 1% – 18.593 € (sem risco)

Num Seguro de capitalização PPR a 2% – 21.436 € (sem risco)

Num Fundo PPR a 5% – 33.683 € (com risco de capital)

Num Fundo PPR a 9% – 64.599 € (com risco de capital)

Está a ver a diferença de escolher um bom PPR? Se ambos os membros do casal fizessem isto, no pressuposto que os juros conseguidos se manteriam estáveis (não é provável, porque haverá sempre oscilações) teriam cerca de 130 mil euros quando chegassem à reforma. Se começar a poupar para a reforma aos 50 anos, durante 15 anos só vai juntar cerca de 18 mil euros.

Se com esta dica descobrir que o seu PPR não está a render nada, é só transferi-lo para outro e fica provavelmente a ganhar mais. Pode fazer toda a diferença. Avalie.

Os benefícios fiscais dos PPR perderam importância. Representam hoje apenas 2 ou 3 centenas de euros de dedução e mesmo assim com algumas limitações. Mas têm ainda uma vantagem importante: No momento do resgate a tributação é de apenas 8%, em vez dos 28% dos outros instrumentos de poupança.

Em resumo: Olhe bem para os papéis que tem em casa. Descubra o nome do seu PPR (cada banco e seguradora tem vários PPR). Compare as comissões e a rentabilidade com os PPR da concorrência. E transfira-o se achar que vale a pena fazê-lo.

Se não tem nenhum PPR, é sempre um boa altura para o fazer. Com o passar dos anos, as reformas serão cada vez mais baixas e quanto mais cedo começar a pensar na sua reforma mais esse investimento vai render mesmo que seja pouco por mês.

Pode resgatar o seu PPR antes da reforma?

Os PPR podem ser sempre resgatados. Mas se for fora das condições previstas na lei terá de devolver os benefícios fiscais que recebeu acrescidos de 10% por cada ano que já decorreu. É muito desaconselhado.

Há várias situações em que pode resgatar o seu PPR sem penalização: Desemprego de longa duração; Incapacidade para o trabalho; e Doença grave do próprio ou de um familiar. Em 2013, foi acrescentada uma nova condição: Pode pagar com ele as prestações do crédito à habitação. Não é amortizar. É pagar as prestações. Pode retirar pequenos montantes e pagar as prestações que venceram ou que vão vencer.

Com esta dica pode vir a ganhar mais algumas centenas ou mesmo muitos milhares de euros, mudando o seu PPR atual para um mais rentável, de acordo com o seu perfil de idade e de risco. Por outro lado, não sabemos que crises virão no futuro e como as bolsas vão reagir e isso pode afetar o seu PPR. Há quem seja completamente avesso a qualquer risco e há quem não se importe de arriscar para ter mais ganhos. Avalie os riscos e benefícios. A decisão final é sempre sua.

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10 Comentários

  1. Pedro Silva

    Boa tarde Pedro,

    Antes de mais quero agradecer-lhe por este seu espaço e por já me ter ajudado a poupar dinheiro com pequenas alterações ao meu quotidiano.

    Escrevo-lhe este comentário porque, tanto eu como a minha esposa, temos PPR mas faz parte de um requisito do banco para o nosso spread de 0,9%.
    Assim, a análise do melhore PPR dificilmente poderá compensar já que, muito provavelmente, sairíamos prejudicados na prestação mensal do crédito à habitação.

    Gostaria de saber se o Pedro tem conhecimento de situações em que seja vantajoso melhorar as condições do PPR na mesma instituição bancária.

    Muito obrigado.

    Melhores cumprimentos.

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá. Claro. Cada banco tem varios ppr e pode perguntar se pode ter um ppr na seguradora associada ao banco. Aumenta a variedade de escolha.

      Responder
  2. Pedro

    Olá Pedro

    Desde já um obrigado por todas as suas dicas sempre tão valiosas.

    Tenho um ppr há alguns anos, daqueles de acções, com algum risco (embora este não seja o problema). numa instituição bancária. O problema é que neste momento gostava de fechar essa conta, mas não quero ter de pagar os beneficios fiscais que usufruí. É possivel retirá-lo, nem que seja para mudar para outro ppr? De que forma o posso fazer? Obrigado

    Responder
    • Pedro Andersson

      Sim. Pode. Pergunte no banco para onde vai a seguir ou seguradora ou corretora do ppr que quer.

      Responder
  3. Nuno

    bom dia sr. Pedro, obrigado pelo seu trabalho, quero transferir o meu ppr porque estou a perder dinheiro, tenho 2 duvidas, o sr diz para colocar a apolice actual do ppr, tenho de levar o contrato á instituiçao que quero transferir o ppr? qd transferir o ppr para o outro banco, paga se alguma comissao de manutençao de conta só por ter la o ppr?
    muito obrigado

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá. Deve fazer essa pergunta na instituição para onde quer transferir. Há inúmeras situações diferentes. Umas grátis outras não.

      Responder
  4. Nuno

    obrigado sr. Pedro

    Responder
  5. João Faria

    Bom dia, tenho 52 anos e estou a pensar fazer um seguro ppr pois vou vender a casa e quero colocar parte do valor da venda nesse ppr.
    Em relação ás transferências mensais, elas são obrigatórias ou posso transferir quando puder ou me fizer mais jeito?
    O valor da transferência tem que ser constante ou pode ser variado?
    Obrigado.

    Responder
  6. João Fernando Rodrigues

    Boa noite.

    Tenho um seguro PPR que já tem algum capital acumulado e depois das informações obtidas no Contas Poupança estou a pensar diversificar um pouco o investimento.
    Será possível transferir apenas uma parte do capital deste seguro PPR para outro seguro PPR e ainda para mais um ou dois fundos PPR, mantendo o PPR atual tal como está, mas com menos capital?
    Tendo em conta que faço reforço mensal automático isto iria obrigar a reforçar os novos PPR com o mesmo valor, triplicando ou quadruplicando o montante mensal que teria que colocar de lado?

    Agradeço ao Pedro todo o tempo que dedica a divulgar informação preciosa e que faz a diferença na minha vida financeira e, estou convencido, na de muitos outros portugueses.

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá. Não é obrigatório reforçar nada. Quanto às transferências, deve perguntar como funciona na instituição para onde planeia fazer isso. Alguns pagam todas as despesas se as tiver.

      Responder

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