O meu primeiro Fundo de Investimento – Semana 11

Escrito por Pedro Andersson

25.05.18

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4 min de leitura

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Como está a correr o investimento?

Os portugueses têm uma aversão natural ao risco quando se trata de investir. Eu também sinto essa aversão. Aliás, deixem-me dizer-vos que estar a colocar o meu próprio dinheiro em produtos nos quais nunca pensei investir na vida custa-me um bocado. Mas estou a fazer isto com ajuda.

Como jornalista, tenho acesso a profissionais destas áreas a quem posso fazer perguntas de ignorante sem grandes receios. Perdem algum tempo comigo que, num balcão de um banco, talvez alguns funcionários não tivessem paciência para explicar algumas coisas básicas, outras talvez mais complexas. Mas vou acreditar que em todos os bancos, a maior parte dos funcionários terá prazer em esclarecer as dúvidas de qualquer cliente que apareça.

Vejo isto como uma espécie de missão pedagógica em termos de literacia financeira. Por isso partilho regularmente convosco como estão a correr estes investimentos completamente novos para mim para terem a noção das vantagens, desvantagens, problemas e dúvidas de um cliente bancário normal que se aventura nestas ondas pela primeira vez.

Estes artigos NÃO são para profissionais da área (que certamente julgarão estes textos completamente ignorantes e banais). Mas são a perspectiva do cidadão normal perante produtos financeiros que (alegadamente) são mais rentáveis do que os depósitos a prazo normais.

Faz agora quase 3 meses que subscrevi alguns fundos de investimento. Decidi fazê-lo para testar a reportagem do Contas-poupança que fiz sobre como rentabilizar as nossas poupanças. Explico o processo AQUI,

Recordo que subscrevi 5 fundos: 1 isolado e uma carteira com 4 fundos em 2 bancos diferentes. Explico tudo em artigos anteriores. Se tiverem curiosidade é só usar o motor de busca do blogue, na coluna da direita, e escrever “fundos”.

A semana

Como já expliquei, investi um valor simbólico que (para facilitar as contas) dou aqui os valores proporcionais a um investimento de 1.000 €.

Da última vez que fiz o balanço, o primeiro fundo estava a render 0,65%. Neste momento está  a render 1,47 %. No ano passado rendeu 8%. Em 3 meses, passou de -1% a +1,47% (o meu depósito a prazo no banco rende 0,30%).

A carteira de 4 Fundos, que subscrevi noutro banco também já esteve toda negativa, mas agora 2 já estão positivos e um deles já rende, passados 3 meses, 3%. Mesmo assim, no conjunto dos 4 fundos ainda estou a ter prejuízo.

Não vender se estão negativos

Sublinho que só vou perder dinheiro se vender os fundos quando estiverem negativos. Seja como for, como já referi, este é dinheiro que NÃO preciso para o dia-a-dia. NUNCA INVISTA DINHEIRO QUE POSSA VIR A PRECISAR. E estes artigos não são conselhos sobre se deve investir ou não em Fundos, nem em quais deve investir. Isso são decisões exclusivamente suas.

É apenas mais um contributo para a literacia financeira dos portugueses que queiram aprender a gerir melhor o seu dinheiro. Por isso partilharei aqui o que correr bem e o que correr mal.

Daqui a 5 anos vamos ver se o que dizem é verdade ou não. Historicamente, a médio prazo os Fundos de Investimento têm rendido mais que os investimentos com capital garantido. Mas rendimentos passados não são garantia de rendimentos futuros. É o que está escrito em todos os documentos que assinei.

Fundos de Investimento

Semana 11 de negociação

Valor investido (proporcional ao valor real): 1.000 €

Fundo de Investimento 1

(misto): +1,47% (máximo negativo: -1% – Abril 2018)

Valor se resgatasse hoje: 1.018,35 € (máximo negativo: 993,50 € de 1.000 €) 

 

Fundo de Investimento 2

Carteira: (valor proporcional ao real) 1.000 €

Fundo 1 (misto): +3,00% (Máximo negativo: – 2,36% – Abril 2018)

Fundo 2 (misto global): -1,25% (Máximo negativo: – 1,79% – Abril 2018)

Fundo 3 (misto): -2,91 (Máximo negativo: – 2,91% – Maio 2018)

Fundo 4 (misto agressivo): +0,67% (Máximo negativo: – 0,97% )

Valor se resgatasse hoje: 994,70 (Máximo negativo: 976,97 € de 1.000 €)

Avalie se este tipo de investimento é para si e se vale a pena informar-se sobre Fundos de Investimento no seu banco ou em outros bancos. Não é tão complicado como parece.

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4 Comentários

  1. Sérgio

    Olá Pedro

    Nunca vender em perda é um péssimo conselho. Imagine se os acionistas do BCP ou, pior ainda, do BES fizessem todos isso? perder 20% é muito diferente de perder 100%.

    O raciocínio em relação aos produtos de rendimento variável e com possibilidade de perda total de capital é definir antes de tudo o mais quanto se está disposto a perder (definir quanto se está disposto a ganhar é fácil).

    Nunca vender em perda só se aplica se o investidor considerar que a perda máxima que está disposto a suportar equivale à totalidade do capital aplicado e que o investimento é para sempre, ou seja, não tem um horizonte temporal definido, o que só faz sentido se o investidor for muito jovem ou, não sendo, esteja a pensar nos filhos e nos netos.

    Um abraço e continuação de bom trabalho.

    Sérgio

    Responder
    • Luis

      “Nunca vender em perda é um péssimo conselho. Imagine se os acionistas do BCP ou, pior ainda, do BES fizessem todos isso? perder 20% é muito diferente de perder 100%.”

      Esse comentário é válido para investimento em acções individuais (BES, BCP, …) – que corresponde a investir da forma errada (é precisamente por causa dos BESs e dos BCPs e das Lehman Brothers,… que se deve fazer investimento em fundos diversificados) – mas não é válido para um investimento em Fundos desde que devidamente diversificados. Quem esteja a investir para o Longo prazo, dinheiro que não necessita (pelo menos no curto prazo) em fundos diversificados fará muito bem em seguir o conselho de não vender em perda. Só deve vender se os pressupostos em que se baseou no início do investimento se tiverem alterado, caso contrário deve manter o investimento apesar dos sobe-e-desce dos mercados e dos sustos que nos prega pelo caminho.

      Responder
  2. Sérgio

    É muito mais difícil perder a totalidade do investimento num fundo diversificado do que em títulos individuais como é óbvio, mas não é impossível. Por isso, e por considerar que é mau principio arrastar perdas por anos (ou mesmo lucros zero), a minha opinião é mesmo essa. Há inúmeras opções de investimento, o que não rende ou dá prejuízo é para despachar. Se é para deixar correr, é preferível fazer o contrário: “nunca” vender um fundo que nos dá ganhos consistentes ao longo dos anos. O que às vezes se ouve dizer: “estou a perder mas se não for para mim será para os mesmos netos” é, quanto a mim, uma perfeita perda de tempo/dinheiro a que muitas vezes se junta um desgaste psicológico e uma ansiedade desnecessárias. Os pressupostos em que se baseou o inicio do investimento nunca devem deixar de fora “o limite máximo de perda que estou disposto a assumir e, embora talvez mais secundário, o horizonte temporal. Se 100% do capital pode ser perdido e se não houver um prazo estipulado, assim posso dizer que nunca venderei em perda. Mas isso não é nem de longe nem de perto aquilo que procuro fazer, seja em fundos, acções, ETF, etc.

    Cumprimentos, Sérgio

    Responder
  3. André Prudencio

    Bom dia Pedro,

    Como estão actualmente os seus fundos.? Na passada semana perdi dinheiro com os meus faces ao resultados das bolsas europeias, no entanto, mantêm-se com pequenos ganhos. Obrigado

    Responder

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