[Introdução - Pedro Andersson]
Olá! Sou o Pedro Andersson, jornalista especializado em finanças pessoais, e aproveito as minhas viagens de carro para falar consigo sobre dinheiro. Desta vez quero falar-vos sobre crédito à habitação e sobre como podemos geri-lo em nosso benefício e proteger as nossas finanças pessoais.
Estou preocupado, e penso que muitos de vocês também estarão, porque tudo indica que as prestações do crédito à habitação vão subir nos próximos meses. A razão é a guerra no Irão, que está a fazer com que a inflação suba, ou pode fazer com que suba ainda mais, o que pode levar o BCE a subir as taxas de juros para baixar a inflação. Dessa forma, aumentam as prestações do crédito à habitação e ficamos com menos dinheiro para gastar.
Por muito estranho que isto possa parecer, é assim que funciona. Aumentando o preço de algo que é muito relevante nas nossas despesas mensais, ficando com menos dinheiro, compramos menos coisas, os comerciantes e as empresas acabam por baixar os preços para que as pessoas voltem a comprar e assim baixa a inflação.
Se percebermos isto, percebemos grande parte das crises financeiras e crises económicas que são cíclicas na nossa história.
Esta será mais uma se o conflito não acabar. E mesmo que acabe, não nos vamos livrar de alguns aumentos que ficarão mais ou menos permanentes, quer nos preços das coisas, quer nos preços das casas, no sentido em que a Euribor é muito rápida a subir, mas depois é muito lenta a descer.
A pergunta é: está na altura de mudar para taxa fixa ou mista nesta altura de incerteza?
Obviamente, quem já tem taxa fixa ouvirá este episódio já muito mais descansado, na medida em que sabe que aconteça o que acontecer no Médio Oriente, isso não vai afetar a prestação destas pessoas.
Por isso é que, normalmente, quem opta pela taxa fixa paga mais todos os meses, mas tem a garantia, quase como se fosse um seguro adicional, de que isto está estável por algum tempo.
Vamos a dados práticos que recolhi junto das minhas fontes no setor imobiliário. Os valores que estão a ser praticados neste momento em que estou a gravar, para taxa fixa total a 30 anos, é à volta de 3,35%. Ora, quero dizer-vos que, para um crédito a 30 anos, pode ser um valor aceitável para quem quiser, ou quem puder, assumir uma prestação mais alta.
Depois também depende do valor que pede e da data em que termina o contrato, ou seja, a idade das pessoas que estão a pedir o crédito. Há várias condicionantes. Mas o valor que está a ser praticado é 3,35%. Este mês, pela informação que recebi, a maior parte dos bancos já vão aumentar estes valores.
Porquê? Porque já estão a prever que vem aí, ou pode vir aí, tempestade. Quando os bancos aceitam fazer taxa fixa o risco fica do lado deles, enquanto na taxa variável o risco fica do lado do cliente, que paga a variação dos mercados e das várias Euribor, mas o banco ganha sempre com o spread.
Mas quando um banco aceita fazer taxa fixa, está a assumir que está à espera de ter aquele lucro, mas se o mercado subir, ele não pode subir a prestação. Portanto, não pode fazer nada e tem de pedir mais para absorver o risco destas crises.
Qual é o melhor spread que os bancos estão a fazer neste momento? É 0,6%. É verdade que há algumas situações em que, eventualmente, alguém consiga 0,5%. É possível, mas tem de aderir a uma série de produtos e tem de, se calhar, dar uma boa entrada ou uma entrada acima do habitual.
São estes os valores atuais. Agora, o que é que devemos fazer? Diria que se conseguir um destes valores, mesmo que ainda não tenha a casa definida, poderá ir ao banco e tentar garantir uma pré-aprovação nestas condições.
Porque é que poderia ser útil fazer isto se estiver a pensar comprar casa este ano? Porque os bancos normalmente aceitam, pelo menos durante três ou quatro meses, a decisão que tomaram da pré-aprovação.
Depois vai ter de encontrar a casa e fazer o negócio, porque se esperar por meados de abril ou final de abril, muito provavelmente os valores que acabei de mencionar já não existirão.
Porquê? Porque os bancos já estão a descontar, que é a expressão que eles utilizam, o risco que aí vem, ou o risco de as coisas subirem e se tornarem muito mais caras, e do BCE subir os juros e das Euribor subirem muito também.
Qual é o outro alerta que vos quero dar? É que independentemente do BCE aumentar ou não na próxima reunião as taxas, os bancos já estão a prever que isso vai acontecer eventualmente. De forma prática, a Euribor a 12 meses já está a ficar próxima dos 3%.
Isto é preocupante. Portanto, numa primeira fase, estamos a falar de mais 20, 25 ou 30 euros na prestação, mas se daqui a alguns meses a prestação for atualizada em mais 20, 25 ou 30 euros, já estamos a falar de 50 euros por mês, 60 euros por mês, 70 euros por mês.
Quem, por exemplo, tem Euribor a 12 meses, tem de multiplicar esse aumento mensal de 50, 60, 70 ou 80 euros por 12 meses. Ao fim de um ano, é um valor significativo e um impacto grande no orçamento familiar.
Já agora, partilho com vocês o meu caso. Como sabem, a minha estratégia é amortizar cada vez mais, e sempre que posso, o meu crédito à habitação. Espero conseguir pagar a minha casa nos próximos cinco anos, o que quer dizer que já devo pouco.
Sempre que tenho mil euros, amortizo o que conseguir. Portanto, estes aumentos nas taxas e nas Euribor têm cada vez menor impacto nas minhas finanças pessoais.
Gostava muito que vocês também conseguissem, à vossa escala, conseguir esta tranquilidade progressiva. Quanto menos deve ao banco, sempre que houver aumentos, esses aumentos serão cada vez menores e mais suportáveis. É esta a tranquilidade que nos dá conseguirmos dominar, ter as rédeas, da nossa vida financeira e tomarmos decisões.
Eu estou nesta fase muito mais tranquilo porque a minha prestação, mesmo que duplicasse, no pior cenário de todos, mesmo assim conseguiria suportar esse aumento sem prejudicar o básico da minha família.
Assim, neste episódio, queria dizer-lhe que deve avaliar, caso tenha taxa variável, se consegue mudar para taxa fixa com boas condições, nem que seja para os próximos dois ou três anos, para garantir pelo menos os próximos tempos.
Portanto, avalie seriamente esta questão, vá ao seu banco e até a outros bancos. Já sabe que pode sempre transferir o seu crédito de habitação de banco para banco, sempre que conseguir e quiser, e nessas alturas aproveitar também para renegociar o seguro de vida associado ao crédito à habitação.
Estas crises são excelentes oportunidades para melhorarmos a nossa vida, por muito estranho que isto nos possa parecer. Muito obrigada por ter acompanhado mais uma boleia financeira.
Boas poupanças!
Aprenda a gerir melhor o seu dinheiro
Também pode ouvir o episódio nas plataformas:
🟢🎵 Spotify
📱🎵 iTunes
📺▶️ YouTube
Boas poupanças!
Não se esqueça de subscrever o podcast e ativar a notificações.
Ouça e partilhe com quem mais precisa de saber disto. Envie este episódio por WhatsApp, Facebook ou email.
**********************
ENVIE A SUA PERGUNTA EM ÁUDIO PELO WHATSAPP 927753737
Ao deixar a sua pergunta está a autorizar que ela seja utilizada publicamente. O objetivo é que a resposta seja útil não apenas para si, mas para todos os outros que nos escutam.
O que é um podcast?
Aproveite a minha boleia financeira (gravo em áudio uma “conversa” no carro enquanto faço as minhas viagens e faço de conta que você vai ali ao meu lado) e veja como pode aumentar-se a si próprio. São uma espécie de programas de rádio para escutar enquanto faz outras coisas. Subscreva o podcast na plataforma em que estiver a ouvir para ser avisado sempre que houver um episódio novo. Não estranhe ouvir o motor do carro, buzinadelas e o pisca-pisca. Faz parte da viagem.













