O meu Fundo de Investimento – Semana 3 (Continua TUDO negativo)

Escrito por Pedro Andersson

06.04.18

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3 min de leitura

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Tudo AINDA negativo

Subscrevi alguns fundos de investimento há 3 semanas. Estou a verificar que não podia ter escolhido pior altura. Mas os “mercados” são mesmo assim. Quem investe neste tipo de produtos tem de encarar estas situações como normais. Esta é uma longa jornada que conto que dure cerca de 5 anos (pelo menos) . Portanto, é apenas um tropeção numa maratona. Pelo menos é com esta atitude que vejo as coisas.

Estou a fazer isto porque fiz recentemente uma reportagem no Contas-poupança sobre investimentos que rendem mais do que os Certificados do Tesouro (1,39% em média a 7 anos). A única forma que encontrei de pôr o meu dinheiro a render mais do que isso é arriscando em produtos sem garantia de capital. Todas as pessoas que entrevistei e com quem falei que já entraram neste mercado, são unânimes quando dizem que a longo prazo tem compensado sempre quando se tem uma carteira diversificada. Não é apostar tudo só num fundo, porque pode ter o “azar” desse correr mal durante vários anos seguidos.

Subscrevi 5 fundos: 1 isolado e uma carteira com 4 fundos. Explico tudo em artigos anteriores. Se tiverem curiosidade é só usar o motor de busca do blogue, na coluna da direita, e escrever “fundos”.

A semana

Como já expliquei, investi um valor simbólico que para facilitar as contas, dou aqui os valores proporcionais a um investimento de 1.000 €.

Neste momento, este fundo está 1% NEGATIVO. E reparem como no ano passado rendeu 8%. Como as coisas mudam…

A carteira de 4 Fundos, que subscrevi noutro banco também já esteve toda negativa, mas agora há um que já regressou ao zero. Curiosamente é o mais arriscado de todos.

É aguardar

Não sei quanto tempo vão continuar negativos, mas o pior que pode fazer nestas alturas é vender. Assim, perde de certeza. Só perderei se os vender quando estiverem negativos. Seja como for, como já referi, este investimento é para manter aconteça o que acontecer. Não é dinheiro que preciso para o dia-a-dia. NUNCA INVISTA DINHEIRO QUE POSSA VIR A PRECISAR.

Recordo que estes artigos não são conselhos para ninguém investir nem para imitarem o que quer que seja. É mais um contributo (é a minha intenção) para a literacia financeira – primeiro minha – e depois para todos os portugueses que queiram aprender a gerir melhor o seu dinheiro. Por isso partilharei aqui o que correr bem e o que correr mal.

Daqui a 5 anos vamos ver se o que dizem é verdade ou não. Historicamente, a médio prazo os fundos têm rendido mais que os investimentos com capital garantido. Mas rendimentos passados não são garantia de rendimentos futuros. É o que está escrito em todos os documentos que assinei. E tenho consciência disso.

Semana 3 de negociação

Valor investido (proporcional ao valor real): 1.000 €

Fundo de Investimento 1

(misto): -1% (antes – 0,65%)

Valor ao fim do dia: 993,50 € (antes 997,05 €)

 

Fundo de Investimento 2

Carteira: (valor proporcional ao real) 1.000 €

Fundo 1 (misto): -0,71% (antes – 2,36%)

Fundo 2 (misto global): -1,63% (antes – 1,79%)

Fundo 3 (misto): -1,64 (antes – 2,28%)

Fundo 4 (misto agressivo): 0% (antes – 0,97%)

Valor ao fim do dia: 986,14 (antes 976,97 €)

Vale a pena investir em Fundos de Investimento?

Como sabem, depois da reportagem do Contas-poupança sobre alternativas de investimento para as nossas poupanças que rendem mais do que nos produtos com capital garantido, decidi investir um valor simbólico para “testar” como funcionam os Fundos de Investimento. Podem ver AQUI os meus critérios para a escolha dos bancos e dos Fundos.

Agora é esperar que passe esta crise nas bolsas e ver como e quanto é que os meus fundos recuperam.

Vou dando notícias.

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6 Comentários

  1. Júlio

    Já invisto em fundos de investimento há muito anos, já passei por muitas quedas e subidas acentuadas. Acho bem que se vá acompanhando a carteira mas não podemos “stressar” senão vai correr mal.

    Imagino quem passou pelo “crash” de 2008… é preciso ter estomago.

    Em 4 anos estou a ganhar cerca de 20%, nada mau.

    Responder
  2. Luis

    Pedro, permita-me deixar aqui a minha opinião/input sobre este assunto (pode ser que ajude alguém):
    – quem tem a possibilidade de investir dinheiro (sabemos que infelizmente em Portugal – assim como em todos os países do mundo – nem todos têm meios para tal) deve ter atenção, como sabe, ao binómio rendibilidade e risco;
    – normalmente entende-se o risco como a variabilidade (negativa) do valor do nosso investimento. No entanto, para quem investe em períodos alargados – por exemplo para a reforma – existe um risco muito mais perigoso (porque menos visível) que é a inflação. É difícil, para não dizer impossível, que a longo prazo os produtos ditos seguros (“sem risco”) consigam dar retornos acima da inflação, pelo que os produtos “seguros” o que garantem são perdas do poder de compra; garantem o valor (nominal) do investimento mas o valor “real” medido pelo poder de compra, esse vai diminuindo;
    – assim, a necessidade de investir no mercado acionista é uma evidência, goste-se ou não (por questões de apetite ao risco, razões ideológicas, razões morais,…). Historicamente essa tem sido a classe de activos que melhor tem remunerado o capital e conseguido reter o poder de compra, no longo prazo – pois no curto prazo tudo pode acontecer;
    – como diz num dos seus artigos o dinheiro que deve ser investido em ações é aquele que não precisamos no futuro próximo (ex.: se queremos juntar dinheiro para dar entrada na compra de uma casa daqui a 5 anos, ou mesmo daqui a 10) esse dinheiro não deve ser investido no mercado acionista, porque apesar de historicamente as acções terem dado retornos positivos generosos em períodos alargados de tempo, em períodos de 5/10 anos ninguém consegue garantir que os retornos vão ser positivos sequer;
    – o passo a seguir é determinar a alocação de ativos que pretendemos (e que está relacionada com os nossos objectivos de rendibilidade mas acima de tudo com o nosso apetite/tolerância ao risco). Este passo é o mais importante de todos e resulta de um equilíbrio entre querer “comer bem” (rendibilidade) e querer “dormir bem” (risco). A mera procura de níveis o mais elevados possível de rendibilidade poderiam significar uma alocação a ações de 100% mas a volatilidade que tal carteira representaria não seria suportável para a maioria das pessoas que iriam reagir da pior maneira vendendo em caso de queda abrupta dos mercados assumindo perdas que caso não vendessem não teriam. Assim, a alocação a ações deve ser tal que permita que o investidor prossiga a sua estratégia sem desistir a meio. A maioria dos investidores não suportaria ver o seu património perder 50% do seu valor (como aconteceu em 2008 para quem estava investido a 100% em ações), mas se calhar uma perda de 25% – para quem perceba como os mercados têm funcionado historicamente – talvez fosse mais suportável. Assim, em vez de investir 100% em ações, fazer um investimento de 50% em ações e 50% em obrigações terá um perfil de risco mais moderado. Para alguns investidores mesmo perder (ainda que temporariamente) 25% do valor investido é demais; se sim, então mesmo 50% em ações é demasiado. Fazendo este exercício ajuda a determinar o perfil de riso de cada um de nós e descobrir qual a percentagem do nosso património que devemos alocar à componente acionista do nosso portfólio;
    – depois de definida a alocação a ações e obrigações há que escolher os instrumentos de investimento propriamente ditos e que podem ser: ações individuais, obrigações de empresas, obrigações de governos, fundos de ações, fundos de obrigações, imobiliário, fundos de imobiliário, ETF’s,… A tendência natural das pessoas que se decidem investir em ações é investirem em ações individuais, nomeadamente aquelas ações que conhecem melhor (sejam portuguesas ou estrangeiras). Ora isto é um erro, a seleção de ações individuais – mesmo para os que consideram que o sabem fazer bem – é um jogo muito arriscado que incorpora uma componente de risco (designado de risco especifico) que não é remunerado de forma sistemática. Pode correr muito bem ou muito mal mas quer num caso como noutro tal deve-se exclusivamente a fatores aleatórios (sorte/azar). O que a generalidade dos investidores no mercado acionista deve fazer é investir em fundos de ações com o objetivo de diversificar o tal risco específico – não desaparece todo o risco mas apenas o risco inerente a portfólios não suficientemente diversificados. No entanto, os fundos não são todos iguais e tem de se perceber em que fundos se está a investir. Por exemplo, nas vésperas do rebentar da bolha tecnológica de 1999/2000 era frequente ver-se investidores a comprar diversos fundos de investimento todos eles tecnológicos – comprar diversos fundos (em vez de um apenas) parece boa ideia mas se todos eles investem no mesmo setor então não se está a diversificar nada e sim a colocar-se tudo na mesma aposta – nessa altura muita gente ficou surpreendida quando todos os seus fundos começaram a cair ao mesmo tempo. Assim, investir em fundos sim (são uma boa ferramenta para quem quer investir) mas com critério – fazendo o esforço de perceber o que se está a comprar: o que diz o regulamento do fundo? É um fundo setorial? É um fundo que só investe numa zona geográfica do mundo? Só investe em empresas de grande capitalização bolsista? É de mercados emergentes? Como é que se enquadra no nosso portfólio? Há sobreposição ou complementaridade com os nossos outros ativos?
    – Ainda relacionado com a escolha sobre o que comprar há que distinguir entre gestão passiva (o objetivo é ter a mesma rendibilidade que um índice de mercado, ex.: S&P500, PSI20,… – a gestão é quase automática – a gestão não sente necessidade de estar sempre a comprar e a vender ações porque a composição dos índices é tendencialmente estática) e gestão ativa (o gestor do fundo, dentro do mandato que lhe foi atribuído, pode decidir a composição do fundo a cada momento: que ações entram/saem e quando; em que momentos assumir mais risco ou menos). O debate entre gestão ativa e gestão passiva é um debate aceso em que há quem defenda uma ou outra partes. A minha opinião tende para o lado da gestão passiva – basta ver que grande parte dos fundos de pensões à escala mundial (investidores sofisticados, com grande dimensão e que investem para o longo prazo) ao longo do tempo têm vindo a privilegiar a gestão passiva. Os argumentos a favor dos fundos de gestão passiva (os tais fundos que apenas replicam determinados índices – tentando obter os mesmos retornos dos índices) são o seu mais reduzido custo de gestão, a menor rotação dos seus componentes (menos rotação significa também menos custos de transação), menor impacto fiscal e maior previsibilidade em termos de comportamento (na gestão ativa os gestores podem tomar as decisões erradas nos momentos errados). Do outro lado, a gestão ativa promete mais retorno mas não existe evidência de que o consiga fazer de forma sistemática. Assim, na minha opinião o que faz sentido é identificar as classes de ativos nas quais se pretende investir e escolher os fundos de índice (index funds) – gestão passiva – que repliquem as classes de ativos selecionadas.
    – Ainda a este respeito, é comum os fundos (de gestão ativa) oferecidos pelos bancos cobrarem 1,5% ou 2% de comissão de gestão – a tal comissão que é “paga sem se ver” uma vez que é descontada (pro-rata numa base diária) à cotação do fundo. A maioria das pessoas ou desconhece que está a pagar isso ou como não lhe sai do bolso de forma explícita parece não se importar. Pois bem, 1,5% ou 2% por ano de custos de gestão é muito!!! Ninguém devia aceitar pagar isso ao ano. Pode parecer pouco mas esse custo (retirado à rendibilidade do fundo) capitalizado ao longo do tempo – e estamos a falar de longo prazo – tem um impacto bastante considerável. Se assumirmos um retorno esperado (antes de custos) de 6%, por exemplo, para um portfólio diversificado entre ações e obrigações, estar a pagar 2% é deixar um terço da rendibilidade para quem não incorre nenhum risco (gestor do fundo/Banco). Em comparação, os fundos de gestão passiva têm custos anuais de gestão à volta de 0,20% ou mais baixos.
    – Há também quem selecione os fundos com base nos Ratings (em número de estrelas) da Morningstar – creio que o Pedro refere esta entidade num dos seus artigos. Convém, a este respeito, ter em atenção que esses ratings pouco ajudam a escolher bons fundos. O modo como esses ratings são determinados dá um peso considerável à performance passada dos fundos e como os fundos são obrigados a informar-nos “rendibilidades passadas não são garantia de rendibilidades futuras”, pelo que o poder preditivo dos ratings da Morningstar é próximo de nulo. Existem, inclusivamente, estudos que mostram que o nível dos custos de gestão (os tais que são mais baixos nos fundos de gestão passiva) é melhor como ferramenta para identificar os fundos que vão ter melhor performance no futuro do que os ratings Morningstar em vigor à data do investimento – é verdade que o rating Morningstar dos fundos que vão tendo má performance vai sendo atualizado (em baixa) mas isso é fraco consolo para quem neles investiu quando o seu rating era 5 estrelas.
    – Outro aspeto que convém ter em atenção tem a ver com perceber qual a motivação/interesses das partes com quem o investidor se relaciona. Convém perceber que os interesses do seu Banco, da sua Corretora, do seu agente de Seguros não estão necessariamente alinhados com os seus. É verdade que, dependendo do nível de conhecimento de cada um de nós nestas questões financeiras, esses agentes nos podem ensinar alguma coisa (caso não se tratem de meros vendedores, o que muitas vezes são), mas independentemente disso não podemos ser inocentes a ponto de pensar que nos estão a aconselhar de forma 100% desinteressada. Um bom exemplo, é porque é que os Bancos nunca aconselham aos seus clientes Fundos de Índice mas sim Fundos de gestão ativa de gestores que partilham com eles (Bancos) as comissões que os investidores suportam; outro bom exemplo é no caso das Corretoras que com o seu fluxo regular de informação e sugestões de compra/venda geram no investidor a “necessidade” constante de comprar e vender títulos – não esquecer que a fonte de receita das corretoras são as comissões que ganham sempre que há uma compra ou uma venda (e quem a paga é o investidor). Na maioria dos casos o que o investidor deve fazer é estar quieto mas isso não convém a quem ganha a vida sempre que o investidor dá uma ordem de compra ou de venda. No caso do custo de gestão dos fundos o que melhor serve o investidor é, obviamente, investir nos fundos que menos custos têm mas isso não convém a quem ganha a vida com os custos suportados pelos investidores.
    – Outro ponto que convém também ter em linha de conta diz respeito a aspetos do âmbito da psicologia e da forma como os nossos cérebros estão programados para reagir. O nosso cérebro está programado para reagir de forma rápida e a fomentar comportamentos que eliminem o que se nos afigura como ameaças. Um mercado a cair 50%, faz-nos transpirar como se de uma ameaça real (no mundo físico) se tratasse e o nosso cérebro quer a todo o custo que façamos algo que termine com a agonia, ou seja que vendamos o nosso investimento para estancar a hemorragia. Ceder a esse ímpeto é o pior que podemos fazer pois concretizamos/efetivamos uma perda quando o aconselhável seria esperar que o mercado recuperasse como sempre fez até ao momento. Temos de ter a noção que as nossas emoções, no capítulo dos investimentos, são nossas inimigas.
    – Relacionado com o ponto anterior está o nosso consumo de informação. A convicção enraizada é a de que quem investe no mercado tem de estar constantemente a seguir as notícias para reagir em conformidade tão rápido quanto possível. Uma vez mais, esse comportamento é contrário aos nossos interesses enquanto investidores e por esse fato aconselho uma “dieta de informação”. Caso gostemos de seguir notícias financeiras e sejamos hiper-racionais e autocontrolados então podemos consumir informação diária mas devemos encará-la como entretenimento apenas e nunca para atuar sobre ela. Caso não consigamos controlar as nossas emoções e nos sintamos tentados a agir com base na informação financeira que nos chega, então o melhor é abstraírmo-nos do seu consumo. Existe um estudo interessante, nos EUA creio, em que foram calculadas as performances de todas as contas de clientes de uma determinada corretora (as tais que estão sempre a disponibilizar informação sobre o que o mercado fez nos últimos minutos e a emitir sugestões de compra/venda) e chegou-se à conclusão que as que tinham tido melhor performance eram as de clientes que não mexiam nas suas contas há diversos anos (alguns até já tinham morrido). Ou seja, em questão de investmentos a inação é o melhor curso de ação.
    – Ainda no aspeto da psicologia, uma perda “dói mais” do que um ganho da mesma magnitude. Por esse motivo, alguém que acompanhe o mercado constantemente – mesmo que no final todas as perdas sejam recuperadas – tem uma experiência emocional negativa. O acompanhamento frequente dos mercados – e da performance do nosso portfólio – é desaconselhada. Não só nos causa desconforto como aumenta a probabilidade de atuarmos quando devíamos estar quietos. A este propósito e relativamente aos artigos semanais de performance da carteira do Pedro enquanto produtor de conteúdos que é entendo mas enquanto ajuda para si ou para os leitores como investidores a minha opinião é que faz mais mal que bem.
    – Mais um ponto a respeito das rendibilidades passadas vs futuras. Às vezes nas revistas vê-se publicidade ao fundo A da sociedade gestora X que teve no ano anterior uma rendibilidade fenomenal, depois no ano seguinte nessa mesma página a sociedade gestora X publicita a performance fenomenal do seu mais recente sucesso, o fundo B (e nada nos diz sobre como se portou o fundo A esse ano). É assim que este negócio funciona, publicitam-se os sucessos esperando que os incautos investidores façam fila para os comprar na esperança de replicar essas rendibilidades; quando as coisas correm menos bem (porque é assim que funcionam os mercados e num determinado ano um estilo de gestão/segmento/classe de ativos é bafejada pela sorte e noutro ano eventualmente será outro gestão/segmento/classe de ativos quem irá brilhar) já não se faz o mesmo destaque. Na prática, os investidores estão sempre com um ano de atraso, sempre a perseguir rendibilidades que nunca irão ter. Tendo que decidir entre um fundo que subiu +30% o ano passado e outro que perdeu -30% a tendência natural é preferirmos e investirmos no que ganhou +30% embora, em circunstâncias normais, seja mais provável que o que já ganhou +30% tenha menos espaço para valorizar.
    – Outro ponto que queria referir antes de concluir é a tendência que temos para confundir uma estratégia com os seus resultados principalmente quando a aleatoriedade está envolvida. Temos a tendência para idolatrar quem atinge “sucesso” prosseguindo estratégias erradas – ainda há dias vi uma reportagem em que entrevistavam um rapaz que tinha ganho 50.000 eur em bitcoins como se fosse um génio dos mercados quando possivelmente toda a sua performance pode ser atribuída à sorte e não a capacidade/mérito. Não podemos esquecer que sempre que nos contam uma história de sucesso existem muitas mais histórias de quem prosseguiu a mesma estratégia com resultados bem menos favoráveis que nunca conheceremos. Outro exemplo, de estratégia vs resultados, um indivíduo que enriqueça (o resultado foi bom) a jogar à roleta russa (estratégia má) não é concerteza um exemplo a seguir, não é concerteza um guru. Assim, devemos fazer esse exercício de espírito crítico sempre que nos contarem uma história de sucesso em vez de irmos a correr replicar a sua estratégia. O melhor que podemos fazer (atuando sobre o que podemos controlar) é prosseguir uma estratégia correta (na minha opinião a constituição de uma carteira diversificada de fundos de índice adequada ao nosso apetite ao risco é a estratégia correta) e esperar pelos resultados no longo prazo. É possível que os resultados não sejam tão bons como foram no passado (espero que sejam) – o mercado nunca nos prometeu nada, não há garantias, mas pelo menos sabemos que fizemos o que estava ao nosso alcance evitando estratégias erradas e escolhendo uma das menos más.
    – Ainda a respeito de “estratégia” queria sublinhar a importância de percebermos e de termos confiança na estratégia que estamos a seguir. Se seguirmos uma estratégia, uma dica que alguém nos deu, sem a percebermos verdadeiramente, assim que tenhamos resultados (de curto prazo) menos bons começamos a questionar a bondade da estratégia. Quanto mais literacia financeira tivermos mais “certeza” teremos acerca da bondade da estratégia prosseguida e mais provável é perdoarmos resultados negativos no curto prazo, mantendo-nos investidos e dando à estratégia a oportunidade de nos entregar os resultados de longo prazo esperados. Para quem queira aprofundar estes temas aconselho vivamente o livro “The Four Pillars of Investing” de William J. Bernstein. Quem não esteja tão à vontade com o inglês sugiro em português o “Finanças Pessoais” do Juan Palacios.
    Abraço,
    Luís

    Responder
    • Filipe

      Luis,
      Já escreveu o post há algum tempo. Mas devo felicitar pelo seu comentário. Sou novo nos fundos e tenho feito uma pesquisa exaustiva. O Luis conseguiu resumir tudo o que tenho pesquisado sobre a matéria num único comentário. Obrigado

      Responder
      • Luis

        De nada Filipe. O objetivo quando escrevi o post era o de ajudar quem o lesse. Nem que seja apenas uma pessoa já terá valido a pena.

        Responder
  3. João

    Boa tarde,

    Deixo só uma questão muito simples como uma pessoal altamente leiga na materia.

    Posso perder mais que aquilo que investi? Ou seja ter que pagar alguma coisa?

    Obrigado

    Responder

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