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VÍDEO – Onde posso investir as minhas poupanças para renderem mais?

Escrito por Pedro Andersson

01.03.18

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6 min de leitura

… Investir, mas com mais retorno do que nos depósitos a prazo

A pergunta não é fácil, porque investir dá logo a entender que queremos de facto fazer render um pouco mais o que tanto nos custou a ganhar e a poupar. Mas o português não suporta o risco. Tem de ser tudo com capital garantido e quer um rendimento garantido, mesmo que seja pouco. Eu quero sempre saber se vai render ao fim do ano 0,5 ou 0,9 ou 1,1%. Querem saber a que conclusão cheguei? É que de 0,9 para 1,1 a diferença em termos de resultados líquidos é ridícula. É estar a perder o sono por causa de umas migalhas a mais ou a menos. Não é que não seja relevante. É. Mas se quiser ver alguma coisa de jeito daqui a 5 ou 10 anos temos de mudar o chip que temos metido na cabeça desde que começamos a mexer com dinheiro.

 O português detesta risco

Isso já percebi. Aliás, deixem-me dizer-vos que eu próprio detesto qualquer espécie de risco. Faço parte dos aforradores (quando consigo poupar alguma coisa) extremamente conservadores e avessos a qualquer risco. Por isso, até agora sempre coloquei as minhas poupanças em depósitos a prazo e Certificados. SEMPRE. No melhor depósito que encontro. Se calhar, muitos de vocês revêem-se nesta estratégia. Mas vocês obrigaram-me a pensar. Tantas vezes me perguntaram “Onde é que as minhas poupança rendem mais?” que eu tive de ir (empurrado por estas perguntas insistentes) à procura de respostas. Já tinha feito reportagens sobre os Certificados do Tesouro Poupança Mais, que foram substituídos pelos Certificados do Tesouro Poupança Crescimento. E sempre me fiquei por aí. Pensei: Mas se um dia me der na cabeça sair da minha zona de conforto e arriscar nem que seja um poucochinho para onde é que me posso virar? Falei com vários especialistas e todos me indicaram uma porta: Os Fundos de Investimento. Fiz perguntas e mais perguntas e o resultado é a reportagem desta semana do Contas-poupança que podem rever AQUI:

O que são Fundos de Investimento?

Sim, é investir na Bolsa. É comprar ações e obrigações. “Mas eu não percebo nada disso…”. Eu também não. “E tenho medo disso”. Eu também. O que percebi depois da reportagem é isto:

  1. Tem de ter dinheiro (pode ser 100 euros) que TEM A CERTEZA de que não lhe vão fazer falta;
  2. Tem de ter PRIMEIRO um fundo de emergência, esse sim, em contas a prazo para qualquer eventualidade;
  3. Quem gere o Fundo são especialistas e não nós. Só entregamos o dinheiro e eles decidem com base nos limites que nós definimos;
  4. Tem de saber esperar 4, 5, 10 anos ou mais para valer (muito) a pena;
  5. Tem de estar disposto a aceitar que em alguns anos o fundo dê prejuízo se as bolsas tiverem um mau ano e NÃO VENDER em pânico porque está a perder;
  6. Tem de ter um objetivo para esse dinheiro (a Universidade dos miúdos, uma moradia, a reforma, etc) para não desistir a meio;
  7. O segredo é manter o dinheiro o mais possível (muitos anos) para acumular juros sobre juros;
  8. Ir juntando pequenos montantes ao fundo que já tem para ir “multiplicando”;
  9. Tem de escolher bem o Fundo. Para começar deve investir pouco até perceber como funciona e em Fundos Multiativos (são os de menor risco), mas que já rendem ao fim de 5 ou 6 anos 4 ou 5% ou às vezes mais.
  10. Pode correr tudo muito mal e quando precisar mesmo do dinheiro ter menos do que o que lá pôs. Até agora historicamente não aconteceu em períodos de médio e longo prazos.

Faça muitas perguntas

Não invista nada sem perceber no que se está a meter. Não subscreva 200 ou 300 euros de fundos só porque lhe dizem que é o melhor. Compare com outros bancos e não apenas no seu. Porque os bancos também têm interesse em “vender” FUNDOS em que têm maiores comissões. Preferencialmente escolha um ou dois ou 3 fundos que lhe pareçam interessantes e com um grau de risco 3 ou 4 no máximo, para começar. E depois de os escolher, pergunte a opinião dos especialistas desses bancos e torne a avaliar. Estes são os conselhos que ouvi e que partilho. Eu não sou especialista de todo neste tipo de investimentos. É a primeira vez que saio da minha zona “segura”.

Vou experimentar e partilhar a “aventura”

Como já sabem, ao longo destes 8 anos tenho por estratégia testar as reportagens que faço. Acho que esse é o segredo do sucesso do Contas-poupança. São reportagens reais, do dia-a-dia e não apenas teoria ou frases feitas. Por isso vou arriscar algum dinheiro meu e investir um valor que eu defini para testar ao longo dos próximos meses e anos num Fundo de Investimento. Não vou dizer o valor por uma questão de privacidade mas será sempre um valor pequeno. Poderá ser 100 €, 500€ ou 1.000 € (já não é assim tão pequeno). É irrelevante para o caso. Mas para as contas fazerem sentido usarei o valor hipotético de 1.000 € para facilitar as contas.

Portanto, investirei dinheiro real meu (vou assumir o valor “1.000 €” para escrever os artigos) e vou mensalmente dizer-vos como está a correr o investimento e assim podem ir acompanhando se afinal é uma opção prática e com ganhos reais como aparentemente nos estão a vender.

Nesta fase já estou a investigar fundos. Por exemplo nesta página da DECO têm já por onde começar. É um comparador. Não é para comprar e vender. Isso é no site dos bancos, nos vossos e nos outros. Todos têm. Mas para perceberem no que me vou meter já dá para começar. Espero não perder dinheiro com esta “aventura”. É a primeira vez que vou investir num produto sem capital garantido. Se quiserem acompanhar, é só fazer “Gosto” no Facebook do Contas-poupança.

De facto a informação faz toda a diferença na nossa carteira. Vamos ver como corre. Não negue à partida um produto que desconhece. Em próximos Contas-poupança vou falar de outros tipos de Fundos (imobiliários, por exemplo) e de investimentos alternativos (a internet está cheia deles).

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14 Comentários

  1. Luis Reis

    Aproveitando a deixa:”Em próximos Contas-poupança vou falar de outros tipos de Fundos (imobiliários, por exemplo) e de investimentos alternativos (a internet está cheia deles).”, está para breve a reportagem sobre a RAIZE?

    Responder
  2. Celso

    Infelizmente, cada vez menos confio nos bancos. Quanto menos dinheiro lá deixar melhor. Para mim, que detesto risco, não me meto nesses assuntos.
    Compensa mais, guardar o dinheiro e abater o mais depressa possível o empréstimo. Até porque, na bolsa não se produz, apenas se procura lucro “fácil” e quando as coisas dão para o torto, dão com cada tombo…. Preferia antes investir na compra de ouro ou prata e aguardar pela sua valorização.
    Ainda assim, a minha prioridade é abater o meu empréstimo atual. Nada mais.
    Desejo que tudo corra bem com o seu investimento mas tome cuidado.

    Responder
    • Pedro Andersson

      Ola. Compreendo perfeitamente. Aliás a sugestão do ouro e da prata é uma possibilidade de reportagem. Alguma vez investiu nesses ativos?

      Responder
      • celso

        Ainda não investi mas ando a pensar desde a altura em que o ouro atingiu recordes há alguns anos atrás. Com o problema que se passou com os bancos na crise e devido ao aumento do fabrico de componentes eletrónicos e consequentemente o uso do ouro no processo de fabrico, dá-me a entender que poderá eventualmente valorizar mais (não sou entendido na área).
        Apenas não investi porque com o empréstimo, quanto mais cedo o abater, mais me compensará.
        Se eventualmente fizer uma reportagem, cá estarei para ouvir e agradecer 😉

        Deixo aqui um link que lhe poderá ser útil:
        https://www.deco.proteste.pt/investe/tudo-sobre-ouro-s1663801.htm

        E o melhor de tudo:

        “A compra de ouro para investimento está isenta de IVA. Como investimento, considera-se o ouro em barras e algum tipo de moedas, nomeadamente as que tenham curso legal no seu país de origem. A compra de joias e outros artefactos está sujeita a IVA. Os ganhos na venda do ouro não estão sujeitos a imposto sobre mais-valias.”
        Cumprimentos,
        Celso

        Responder
    • Julio

      Nos fundos de investimento, os bancos são meros intermediários, por isso esse risco não se corre. O banco pode falir e continuamos com as UP’S (acções) nos fundos onde investimos.

      Responder
  3. Carlos

    Deixo uma sugestão que penso ser útil para todas as pessoas que têm um crédito habitação.
    Atualmente e como as taxas de depósitos estão demasiado baixas, optei por aplicar o conceito de juro composto na amortização do crédito à habitação. Mais concretamente, todos os meses, em vez de aplicar um pequeno montante numa conta poupança ou num fundo de investimento, amortizo o crédito habitação, sendo que no mês seguinte aplico o mesmo montante adicionado do valor que a prestação baixou. Assim todos os meses abdico do mesmo capital, ou seja, do valor de prestação mais o adicional de amortização. Por exemplo, se a minha prestação for 400€ e eu amortizar 200€, no mês seguinte a minha prestação baixa, por exemplo para 399€. Assim no mês seguinto aplico os 399€ da prestação mais 251€ de amortização. Isto faz com que o crédito seja pago em muitos menos anos, poupando em juros e no valor de seguro de vida que seria pago ao longo do tempo de vida do crédito habitação. Penso que seria um bom tema para explicar às pessoas, sendo que a maior parte não tem noçao do que é possivel poupar.

    Responder
    • Pedro Andersson

      Excelente Carlos. Pode mandar-me o seu contacto por mensagem privada?

      Responder
      • Carlos

        Boa Tarde, Claro que sim. Só não sei como enviar mensagem privada por aqui.
        Atentamente

        Responder
  4. Carlos

    Já agora, e para perceber os ganhos de aplicar os juros compostos na amortização do crédito habitação, aqui fica o exemplo do que irei poupar:
    O meu crédito habitação era a 40 anos e iria pagar cerca de 42500€ em juros e 27500€ em seguro de vida, ou seja, um total de 70000€. Aplicando este método de amortização, com amortizações de 250€ todos os meses mais as sobras de cada mês, irei pagar o crédito habitação em cerca de 21 anos (o capital em divida vai diminuindo ao longo dos meses) e irei pagar cerca de 24700€ em juros, 5900€ em seguro de vida e cerca de 1900€ de comissões de amortização, ou seja, um total de 32500€. Assim poupo 37500€ e além disso fico com capital disponivel ao fim de 21 anos, sendo que nos restantes 19 anos posso ir aplicando o capital disponivel noutro tipo de investimentos. Espero que seja útil e caso seja preciso estarei disponível para tirar mais algumas dúvidas.

    Responder
    • Luis Reis

      Concordo plenamente com o Sr. Carlos! É efectivamente uma estratégia de sucesso! Actualmente faço exactamente o mesmo com um crédito pessoal da Crédibom.

      No meu caso, ao efectuar as amortizações de capital, a Crédibom baixa o valor das mensalidades (foi escolha minha, poderia optar por redução do prazo) e faz o extorno do valor já pago pelo seguro de vida (o seguro de vida foi pago na totalidade aquando da celebração do contrato de crédito).

      Se tudo me correr bem, irei pagar em 16 meses um crédito que seria para pagar em 84 meses e irei poupar uns bons milhares de euros com isso. A minha taxa de juro é de 9,8%, pelo que conseguirei um retorno muito maior desta forma do que fazendo uma conta a prazo. E não esquecer que o risco é zero.

      Obrigado pela sua partilha, é bom saber que não sou o único a usar esta estratégia.

      Responder

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