Painel solar fotovoltaico – Balanço Fevereiro 2018 (mês 15)

Como meço a produção do painel solar?

Esta é a pergunta que mais vezes me fazem. Se está a pensar instalar um painel (ou mais) que produzem eletricidade para auto consumo é essencial (a menos que goste de arriscar em jogos de sorte e azar) medir muito bem antes os seus gastos e depois o que o seu painel produz.

Há vários equipamentos que fazem isso. Muito tempo antes de me aventurar a comprar um painel solar para testar se é um bom investimento ou não, durante mais de um ano andei (e continuo) a medir todos os consumos elétricos da minha casa ao segundo.

Tenho um sistema de uma empresa portuguesa chamada www.eot.pt.

Custa cerca de 100 euros e não tenho depois de pagar mais nada em mensalidades. Foi por esse motivo que na altura optei por eles. A EDP tem o Re:dy muito prático e eficaz mas tenho de pagar uma mensalidade. Há também um sistema da efergy que na altura não conhecia e havia também o Cloogy, entre outros. Podem ver a reportagem AQUI.

Conhecer em detalhe o que gasto

Este permitia-me (e ainda permite) verificar em tempo real (ao segundo) o que a minha casa está a consumir e depois tenho um gráfico tipo eletrocardiograma que me diz como se comporta a minha casa em termos de consumos elétricos. Com esses dados consigo perceber se o frigorífico está a funcionar bem ou se tem uma avaria, se deixei a porta do frigorífico aberta, como funciona uma máquina de lavar (roupa e louça), o microondas, o ferro de engomar, quanto custa o standby da minha televisão ou a box, etc.

Foi assim que percebi que a minha casa sozinha, sem ninguém, gasta no máximo 150 W (Router, frigorífico e arca congeladora). Só por aí percebi que se um dia quisesse comprar um painel solar bastava-me um. Como produz no máximo 250 W (que nunca atingiu) chega e sobra para as necessidades da casa nas horas em que não está ninguém em casa. Mas ao fim de semana precisava de 4 ou mais…

Este é o aspecto “turbinado” do meu quadro elétrico em casa. Tem um sistema EOT para medir os consumos da casa e outro sistema (separado) para ler a produção em tempo real do painel solar.

 

O sistema da EOT foi feito para ter um sensor colado sobre o “pisca-pisca” do contador de eletricidade na rua. Mas precisa de uma fonte de alimentação – o que é um problema grande porque não há tomadas na rua. Assim, chegámos a este consenso. instalamos um contador no próprio quadro geral da casa (é o da luz azul) e a partir daí sai um cabo para a caixinha transparente que é um emissor wireless que está sincronizado com a password da rede wireless da minha casa e que emite para o site que me permite “ler” todos os valores em forma de gráficos.

Parece complicado e provavelmente é. Só sei que funciona. Faço este tipo de instalações por razões profissionais e não financeiras. Para recuperar 200 euros em eletricidade demoraria imenso tempo. Mas que me é útil é… e partilho os resultados convosco.

A parte do painel está ligada ao fusível que vem da arrecadação junto ao telhado, onde está colocada a tomada do painel. Recordo que ele liga-se a uma tomada qualquer da casa como se fosse um eletrodoméstico. Só que em vez de gastar, injeta eletricidade na rede de casa. E só depois de gastar esta energia é que o contador vai buscar energia à rede (EDP ou outra empresa).

Se tiverem mais dúvidas digam.

Balanço do mês de Fevereiro de 2018

Sim, já passaram 15 meses. Em Fevereiro gastei 445 kWh de eletricidade. Mas o painel só produziu 27 kWh. Pouquíssimo, dirão alguns. Certo.

Isso é menos de 1/16 do que gastei. Será que é assim um tão bom investimento? Apesar de tudo sim, porque acho que esse é um primeiro mito. E que tenho todo o gosto em desfazer. Sem baterias, escusa de comprar 3, 4,5  ou 6 painéis a menos que tenha sempre alguém em casa e a gastar bastante eletricidade. Um painel produz pouca eletricidade. É uma curva que começa a subir assim que o sol nasce e que começa a descer a partir da uma da tarde. Ou seja. Nunca é uma produção constante. Depende do sol. Basta que haja nuvens para ele não produzir nada de jeito.

Por exemplo, se repararem no gráfico abaixo, em dias de chuva ou muito nublados praticamente não produz nada.

E neste gráfico a seguir pode ver que cada vez que a linha desce é uma nuvem que passou no céu e tapou os raios solares. Portanto, a produção é muito instável.

Mesmo assim compensa?

No meu entender sim, desde que saiba com o que conta e que tenha expectativas realistas.Estas são as contas de Fevereiro de 2018.

Até agora, se tivesse gasto tudo o que o painel produziu, já teria poupado na fatura da luz 101 euros. Como investi 620 euros no painel e na instalação, neste momento o retorno do investimento está nos 7 anos e meio (mais uns dias).

Como podem ver abaixo, mesmo nos meses maus, a poupança ronda os 5 euros por mês. E tenho baixado o valor do kWh ao longo do tempo porque tenho mudado de empresa fornecedora de eletricidade. Portanto, junto as duas poupanças.

Comprei o painel para testar se realmente é uma poupança real ou não. A minha conclusão é que sim, mas muito menor do que por vezes nos querem vender. Estimo o meu desperdício para a rede em cerca de 30%. O que quer dizer que o retorno real  (o chamado break even) estará neste momento nos 10 anos. Depois de passado esse tempo, o painel estará pago e terei pelo menos mais 15 anos de “lucro”. Veremos se é assim. Mensalmente farei o balanço.

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Veja mais dicas no livro “Contas-poupança” que reúne as melhores reportagens  dos primeiros 5 anos do programa:

12 comentários em “Painel solar fotovoltaico – Balanço Fevereiro 2018 (mês 15)

  1. Carlos Campos Reply

    Boas, ..
    Estimado Pedro Andersson, ainda não publicou o balanço referente ao mês de Março 2018.
    Não teve ainda dusponibilidade pela certa!?
    Deve ter sido um mês “desgraçado” em termos de produção!
    Comparativamente com o mesmo mês de 2017.
    Bom trabalho e bem-haja.
    Cumprimentos,

  2. Carlos Campos Reply

    Boas, ….
    Aproveito o blogue do Pedro Andersson, para ALERTAR que a propaganda da EDP sobre oferta/proposta de venda a crédito dos sistemas Solares Fotovoltaicos, não é nada vantajoso em termos de preços. São muito mais caros do que adquiridos no mercado tradicional, e mesmo com a instalação incluída.
    A não ser que, não possa pagar o equipamento a pronto pagamento.
    Os módulos fotovoltaicos são de qualidade “baixa-média”, com células de silício reciclado.
    Depois têm o pacote de “ofertas”, durante um ano “grátis”, depois com mensalidades, (já seria de esperar) adoçar a boca, e logo de seguida pedir pagamento para a manter doce!
    Não vão atrás do chamariz dos -10% desconto em bi-horário ou tri-horário, com este desconto só em períodos de vazio, (períodos nocturnos).
    Nem mesmo sem esta promoção dos módulos fotovoltaicos, poderá ser interessante em termos de poupança para si.
    Porquê?
    Porque se não usufruírem principalmente do maior número de kWh durante o período nocturno, então o valor a pagar no total da sua factura será maior do que tivesse contrato de tarifa simples.
    Por isso faça bem as contas, (como é hábito o Pedro Andersson nos dizer) passará por fazer cálculos matemáticos simples.
    Ou em opção, investirem num produto de monitorização iguais ou parecidos aos que o Pedro Andersson nos apresentou já em últimas dicas, e, que poderá ser revisto, para isso terão de voltar a ler/ver as introduções bem explicadas e apresentadas em vídeo, dos meses anteriores e neste blogue.
    Nunca esquecer a “velha máxima”;
    NINGUÉM DÁ NADA A NINGUÉM!!!
    Olhos bem abertos, e audição apurada.
    No entanto a publicidade que a EDP nos propõe, é bastante útil para todos, pois deste modo desperta a atenção dos menos informados, não crentes na tecnologia, e das suas mais valias.
    Tal e qual como o Pedro Andersson nos “presenteia”, claro que, com o Pedro as coisas são todas explicadas ao pormenor e sem interesses comerciais!
    Em suma, presta-nos um verdadeiro serviço público!!! 🙂
    Cumprimentos,

  3. Carlos Campos Reply

    Caríssima Senhora das “sete vidas”, 🙂 Helena Marques;
    Para melhor responder-lhe, e sem muito escrever, (não é fácil) além da necessidade de utilizar alguma linguagem técnica, o melhor mesmo é enviar uma cópia da factura da sua companhia de electricidade, (pode ser a última, desde que contenha um gráfico com os consumos de cada mês) onde vêm todos os dados necessários para podermos analisar qual é o seu perfil de consumos!?
    E, em função da análise, mesmo sem ter de se deslocar ao local um técnico projectista e instalador, poderíamos propor a solução mais adequada.
    No entanto, para todos os ilustres que lerem as questões da Sra. Helena Marques, poderem também ter uma pequena noção do que é ou não um investimento sustentável em termos económicos, quer em eficiência energética quer financeira/investimento.
    Então aqui fica um parecer que julgo ser relevante e de levar em consideração.
    Primeiro, se tem rede eléctrica de serviço público (RESP) à porta, e, se o serviço é seguro e sem apagões constantes, flutuações de tensões, subtênsão ou sobretênsão (abaixo do mínimo e normal 220V, ou acima do máximo aceitável como normal 241V), sendo um fornecimento monofásico ou trifásico.
    NÃO vale a pena investir num sistema totalmente autônomo!
    Se não tiver a RESP à porta, ou se o serviço de fornecimento for inconstante e degradante, então talvez seja uma boa ideia investir num sistema isolado, neste caso com baterias, bem dimensionado ao seu actual e eventual crescimento de consumos de electricidade.
    Este dimensionamento nunca deverá ser inferior de 4 a 5 dias de autonomia total.
    Nestes casos deverá ter sempre como salvaguarda, e só para casos de emergência um gerador a combustível, gasolina ou diesel.
    Porque pode o sistema ter uma avaria, quer nos equipamentos electrónicos e eléctricos, quer no grupo (Banco) de Baterias.
    Se é bem servida pela RESP, independentemente de ser a distribuidora A ou B, …, então, ao preço que está a energia eléctrica actualmente, o que irá compensar é, um investimento do género que o Pedro Andersson fez para a sua habitação, eventualmente começando com um ou dois painéis, e depois poderá sempre acrescentar mais módulos/painéis solares Fotovoltaivos, se assim o entender, claro só se necessários!
    Espero ter ajudado.
    O contacto é:
    geral@eurosisnergia-norte.com
    Cumprimentos,

  4. Vitor Madeira Reply

    Viva. Considere estudar o preço da eletricidade do operador YLCE.
    Tenho desde 2015 e o preço do KW/h situa-se nos 0,15Eur na tarifa simples.
    (poderá conseguir ainda melhor poupança se contratar tarifa bi ou tri horária.)

  5. César Reply

    Viva sou novo nestas andanças,
    gostaria de perguntar qual é o melhor painel solar (qualidade preço) e onde adquirir?
    Obrigado

  6. Helena de Carvalho Marques Reply

    Olá Pedro boa tarde

    Em Agosto de 2017 adquiri a minha casa com as poupanças de “uma vida” ainda me faltam seis 🙂 mas a minha questão é a seguinte:

    Desde o inicio que penso em colocar energia solar, ou a energia eólica ou ambas, tendo em conta que é uma vivenda, para os lados da Ericeira, o tempo é muito instavel, ou seja, tanto está um vendaval com sol, só há sol, ou só há vento.

    Inicialmente a ideia era efectivamente a energia solar, mas com o passar do tempo fiquei sem saber, tendo em conta a instabilidade do tempo, tanto no verão como no inverno, (pelo menos ao que já assisti). Vi há relativamente pouco tempo uma familia que é completamente independente da energia fornecida por uma distribuidora, e fiquei deveras com a mesma intenção, mas não sei se em Portugal isso seria possivel, será que me pode dar uma ajuda sobre o mesmo?

    Muito grata por qualquer esclarecimento que me possa dar.

    • Pedro Andersson
      Pedro Andersson Post authorReply

      Sim. É possível mas é um investimento de muitos milhares de euros. E precisa de muitos conhecimentos técnicos. Não sou a pessoa indicada para esclarecer. O Carlos Campos que costuma comentar aqui talvez possa ajudar…

  7. Luis Reply

    Onde é feita a leitura do EOT no contador digital? Parece que acima do mostrador digital é onde está o led dos impulsos mas o sensor de leitura do EOT não está lá colado….

    • celso Reply

      No caso do Pedro, ele pode ter colocado outro contador.
      Eu como tenho o contador fora de casa, instalei outro contador no meu quadro para fazer a leitura.
      Inclusive, esse contador traz um open collector em que não preciso de colar lá nada mas apenas ligar dois fios diretos ao meu medidor. Mas atenção que não uso os da EOT, porque, apesar de ser um equipamento bom, tem a desvantagem de, se ficar sem internet, fica sem os dados. O meu não, ele guarda offline e posso aceder mesmo sem internet.
      E para quem entende um pouco de eletronica, pode sempre usar um raspberry pi para ler os impulsos, como também tenho.

  8. Nuno Reply

    No medidor EOT, quanto tempo mostra o seu gráfico de detalhe seleccionando “Tudo”?

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