VÍDEO | Como reduzir os gastos com alimentação (e comer melhor)?

Escrito por Pedro Andersson

23.01.23

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7 min de leitura

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Como reduzir os gastos com alimentação (e comer melhor)?

Com a subida da inflação para os valores mais altos dos últimos 30 anos, as despesas com a alimentação passaram a ser uma preocupação para muitas famílias. Na reportagem do Contas-poupança, fomos saber como podemos – com pequenos truques – gastar menos e continuar a ter uma alimentação saudável e equilibrada.

Obrigado aos quase 1 milhão e 200 mil pessoas que viram a reportagem no Jornal da Noite, na SIC. Aproveito para referir que o Contas-Poupança recebeu o prémio de “Melhor programa de TV na categoria Negócios” da “Escolha do Consumidor”. Muito obrigado pela vossa confiança e incentivo.

Comer melhor e mais barato?

Não é segredo para ninguém que – com algum trabalho e engenho – é perfeitamente possível comer bem e barato. Basta pesquisar por exemplo no Youtube por “receitas económicas” e tem milhares de receitas para experimentar em centenas de canais espalhados por todo o mundo, incluindo o “A pitada do pai”, um canal português criado há 6 anos por Rui Marques. Variedade não falta.

Mas se quer realmente poupar a sério, as contas começam não na cozinha, mas na compra dos ingredientes. Há pessoas que desperdiçam muito dinheiro simplesmente porque nunca aprenderam a ir às compras.

Fui com o Rui Marques ao mercado municipal de Benavente para vermos como podemos comprar produtos melhores ao preço mais baixo.

Por exemplo, uma das dicas mais simples é comprar um peixe inteiro em vez de às postas, filetes ou lombos. Uma pescada inteira é muito mais barata do que comprar apenas as postas ou em filetes.

Rui Marques sugeriu aproveitar a cabeça e o rabo da pescada (que vêm incluídas, obviamente) para fazer uma canja de pescada. Confesso que nunca tinha pensado nessa possibilidade. Para mim, canja é sempre de galinha. É de facto óbvio que podemos fazer muitas coisas com o que normalmente deixamos na peixaria. Na reportagem, fizemos a tal canja de pescada e tenho a dizer-vos que ficou óptima. Vou testar aqui em casa.

Evite comprar cortes caros

Com a correria dos dias – por comodidade – habituamo-nos a comprar coisas em que é só comprar e pôr no tacho ou na frigideira. Obviamente, carne ou peixe já pré-cortado ou preparado é muito mais caro por quilo.

Se não tem nenhum problema em pedir para escalar uma dourada, qual é o problema em pedir para comprar um salmão inteiro e pedir para o cortar em postas ou em dois filetes e depois fazer os lombos com o tamanho que quiser?

Vejamos um exemplo prático: Num hipermercado – no mesmo dia –  as postas de salmão estavam a 13 euros o quilo, os lombos de salmão custavam mais de 28 euros o quilo, mas poderia comprar um salmão inteiro a 10 euros e meio o quilo e bastaria pedir para cortá-lo da forma que quisesse. Congela em doses e usa-as como quiser nos próximos meses. Com a vantagem de que com a cabeça e o rabo ainda pode fazer uma refeição “grátis”, como uma massada de salmão. 

Outro truque é aproveitar as promoções. Sempre que encontrar um bom preço, compre em quantidade e congele.  

Experimente também peixes menos conhecidos e mais baratos. procure receitas criativas que o motivem a testar. Uma refeição de um peixe “nobre” pode ficar por 3 euros por dose, e a mesma refeição com um peixe menos caro pode ficar por 1 euro por pessoa. É 3 vezes menos. Ao fim do mês pode começar a fazer muita diferença.

Mais legumes à mesa 

Outro truque que é benéfico para a sua carteira e para a sua saúde é juntar mais legumes à sua alimentação. Para além da clássica sopa, a criatividade é também uma solução para alguns dias da semana.

Experimente fazer legumes à Brás, Strogonoff de cogumelos ou caril de legumes. Cada uma dessas refeições, algumas vezes por mês, vai reduzir os seus gastos mensais em alimentação.

O importante é planear as suas refeições semanalmente, comprar apenas os ingredientes que precisa para essa semana ou mês ao melhor preço e fazer sempre a mais para o dia seguinte para não ter de pagar por refeições “caras” na cantina da empresa ou  num restaurante.

Compare 1 euro por refeição com 6 euros numa cantina ou 9 ou 10 ou mais num restaurante todos os dias.

Uma conta simples:

  • 20 dias (5 dias por semana) x 2 euros (comida feita em casa) = 40 €
  • 20 dias (5 dias por semana) x 8 euros (comida num restaurante)  = 160 €

Está a ver a importância da marmita? Se os dois membros do casal gastarem 10 euros por dia em almoço fora no trabalho, ao fim do mês são 400 euros. Fora toda a alimentação de casa e não contabilizando o pequeno almoço, os lanches fora e o café. Às vezes não sabemos para onde vai o nosso dinheiro, mas se anotarmos tudo ao longo de um mês vai apanhar um susto.

E a carne no talho? 

Vamos agora à carne. Tal como no peixe, há muitas formas diferentes de poupar. Tal como no peixe, comprar a peça inteira pode gerar poupanças enormes. Por exemplo, se comprar o frango inteiro em vez de apenas os peitos de frango ou as pernas, vai ter exatamente o mesmo ingrediente mas 3 vezes mais barato. Basta pedir ao senhor do talho para separar os peitos. Se ele não o fizer (está no direito dele), faça você. 

Num hipermercado onde fui, o funcionário disse-me que têm ordens para não o fazer mas que se estiver com pouco trabalho (ao fim da noite) não se importa de o fazer porque até o ajuda a passar o tempo. Obviamente não terá esta reação simpática em todo o lado…

Há talhos que fazem e talhos que não fazem, mas perguntar não ofende…  Para os mais corajosos, há centenas de vídeos no Youtube que ensinam de forma fácil a preparar qualquer ave, peixe fruta ou legume. A poupança pode chegar aos 60 ou 70%.

Cozinhe em quantidade e depois congele em doses. Assim, quando chegar a casa é só pôr no forno a gratinar (por exemplo) e evita gastar 10 vezes mais a pedir um Uber Eats (ou Glovo) ou num clássico Take Away.

Fiz a conta à última refeição que encomendei do Uber Eats e concluí que o valor que gastei porque não tinha nada pronto, daria para 8 refeições bem planeadas aos melhores preços que conseguisse.

Como fazer “render o peixe”

Com as compras feitas, pode fazer render o peixe. Literalmente. Na reportagem (tem o link em vídeo no fim deste artigo), cozinhamos a pescada que comprámos no mercado, aproveitando-a de uma ponta à outra. Mas o importante é que perceba que muitas famílias podem alimentar-se melhor, gastando muito menos. Basta planeamento, organização e obviamente, dar-se ao trabalho de cozinhar. 

Com 4 euros de legumes (cenoura, bróculos, uma cebola e outros legumes) e 1,300 kg de pescada, gastámos cerca de 18 euros.

Cozeu os legumes, cozeu a pescada, desviou as postas de peixe, e fez uma camada de legumes, uma camada de peixe, cobriu com um iogurte natural e depois queijo para gratinar e levou ao forno um tabuleiro. O segundo tabuleiro, depois de arrefecido, congelou-o.

Um dia que não tenha jantar feito, basta retirar o tabuleiro com o gratinado do congelador, colocá-lo no forno e só o liga nesse momento. assim vai descongelando até gratinar no final. Fica como se o fizesse na altura, disse-me o Rui.

Com o peixe da cabeça e do rabo da pescada juntos ao caldo da cozedura da pescada, Rui adicionou a massa da canja. No final, ralou uma cenoura e juntou umas folhas de hortelã. Ficou maravilhosa, provei eu.

Rui Marques – tendo em conta o que comem os membros da sua família – em meia hora fez 12 doses de gratinado de pescada, mais quatro doses de canja de pescada. Dá cerca de 1,50 euros por pessoa, por refeição. 

Se o Rui tivesse cozido ainda mais legumes, com uma parte ainda faria uma nutritiva sopa. O que é preciso é planeamento e organização. Ainda poupa na energia para além dos ingredientes.

Faça as contas a quanto custa cada refeição em sua casa e veja se consegue reduzir essa despesa mantendo ou melhorando a qualidade das suas refeições. A poupança pode ser de muitas dezenas ou centenas de euros por ano.

Pode ver ou rever a reportagem em vídeo neste link na página da SIC Notícias: https://sicnoticias.pt/programas/contaspoupanca/2023-01-18-Como-poupar-nos-gastos-com-alimentacao–a42f97ee

 


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4 Comentários

  1. Paula Sofia santos

    Olá!!Gostava de sugerir a utilização de aplicações que permitem adquirir cabazes de produtos em fim de vida, fruta tocada, aproximação do fim do prazo de validade…Dependendo da localização onde se encontram, as aplicações vão sugerir lojas/mercearias/supermercados perto de vocês mas nada de impede de explorarem outras localizações. Podem por exemplo estar no trabalho e pesquisar lojas na proximidade de casa, reservar online (o pagamento é feito na app) e apanhar ao fim do dia quando chegarem a casa! Costumo usar para mercearias/frutarias que são sempre lojas com imenso desperdício e por norma as boxes vêm cheia de coisas perfeitamente aproveitáveis! Legumes, (batatas que grelam com facilidade e as lojas descartam, cenouras feias, nabo, cougete, nabiças, alfaces) fruta (bananas mais escuras ótimas para congelar e fazer batidos, panquecas, bolos, peras, mangas, laranjas, ananás) iogurtes em aproximação da validade limite….Até as grandes insígnias aderiram, Continente, Jumbo, Minipreço, Celeiro… Não costumo deixar estragar nada. Implica tempo para aproveitar é verdade, mas nada que não se faça numa hora. Planeio as refeições a partir dai. Experimentem a To Good to go ou a Phenix!!Boas poupanças!!Pedro, obrigada pelo excelente trabalho que faz. É um ótimo comunicador e traz sempre informação relevante!!

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