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PodTEXT | A minha vida não está estável, devo fazer um PPR ou ETF para ter mais equilíbrio?

A pergunta da nossa ouvinte está bem colocada na intenção, mas sugere implicitamente que investir pode trazer equilíbrio, quando pode acontecer justamente o contrário. Aviso já que este episódio pode gerar algum desconforto, mas a intenção da resposta é boa. Respondo no episódio desta semana do “Vamos a contas", em que pode enviar as suas perguntas em áudio para o número de Whatsap do Contas poupança 92 775 37 37. 

PodTEXT | A minha vida não está estável, devo fazer um PPR ou ETF para ter mais equilíbrio?

[Introdução - Pedro Andersson]

Olá! Sou o Pedro Andersson, jornalista especializado em finanças pessoais, e este é o Vamos a Contas, um episódio bónus, especial e semanal, do podcast Contas-Poupança. Respondo às vossas perguntas em áudio que enviaram para o número do WhatsApp 92 775 37 37. A sua pergunta é muito importante. Vamos à dúvida desta semana.

[Marisa, ouvinte do podcast]

Boa noite, o meu nome é Marisa. Já sigo o seu podcast e neste momento tenho uma dúvida. A minha vida não está propriamente estável, mas gostava de investir em alguma coisa. Só que não sei se devo investir num PPR para preparar a minha reforma, visto que já tenho 40 anos, ou se devo investir em ETFs, de forma a conseguir estabilizar a minha vida. Gostava de saber a sua opinião. Obrigada.

[Pedro Andersson]

Olá! Muito obrigado pela sua pergunta. Devo avisar que a minha resposta talvez não seja exatamente o que gostaria de ouvir, mas vou aproveitar esta oportunidade para recentrar a forma como devemos ver o dinheiro.

Vejo a sua pergunta com alguma preocupação, porque disse que neste momento a sua vida não está muito estável. A minha interpretação é que a sua vida financeira não está estável neste momento, pelo que assumo que possa não ter rendimentos muito certos ou elevados e que, por isso, vê o futuro com alguma preocupação. Vejo também que encontrou uma luz ao fundo do túnel, que é investir, e pergunta se deve escolher um PPR ou um ETF, o que me indica que já tomou a decisão de investir.

Contudo, devo dizer-lhe que quanto não temos estabilidade financeira, investir é um risco. Isto é literacia financeira pura. Qual deve, então, ser a sua prioridade num momento de instabilidade? Aumentar ao máximo o seu fundo de emergência e não arriscar nada quando está numa situação de instabilidade.

Não arriscar nada significa não investir, pelo menos não de uma forma significativa que ponha em causa o seu dia-a-dia, em produtos que não têm capital garantido e que tanto sobem, e podem subir muito, é verdade, mas quando descem também pode descer muito.

Imagine que só tem três mil, quatro mil ou cinco mil euros e tem rendimentos instáveis. Na minha opinião, que vale tanto como a sua, não deve arriscar praticamente nada, se não mesmo nada.

Quando é que deve começar a investir em produtos sem capital garantido? Quando já tem um fundo de emergência completo que possa usar nestes momentos de instabilidade.

Se nunca precisar de tocar nele, maravilha, era para isso que ele servia. Se precisar, então é a esse fundo de emergência que vai buscar o dinheiro. Este fundo de emergência deve estar em depósitos a prazo, contas remuneradas ou certificados de aforro, para que renda qualquer coisa, mas seja rapidamente mobilizável.

No entanto, o caso pode mudar de figura se, entretanto, e apesar da instabilidade, já tiver o seu fundo de emergência completo. A partir daí, diria que deve começar a preparar a sua reforma, sim, mas apenas com dinheiro que lhe sobre desse valor e nunca com dinheiro que faça falta no dia-a-dia.

Neste momento, de uma forma muito transparente e clara, tem dinheiro suficiente para pagar todas as contas do mês, tem dinheiro para pagar a sua casa, seja renda ao senhorio, seja o crédito à habitação? Tem dinheiro para ir ao médico, comprar uns óculos, ir ao dentista ou pagar uma avaria do carro?

Se tem dinheiro todos os meses para este tipo de coisas, apesar da sua instabilidade, se isto estiver tudo controlado e o fundo de emergência estiver completo – com seis a 12 meses de todas as suas despesas –, então diria que aí sim, está preparada para escolher um bom PPR.

Não se preocupe, que 40 anos ainda é cedo. Eu, por exemplo, só comecei aos 45 anos. Ainda me leva cinco anos de avanço se começar agora a preparar o seu futuro. Quanto à questão PPR contra ETF, depende dos seus objetivos e da sua tolerância ao risco. O PPR é um bom produto para quem o percebe, mas o ETF também é um bom produto para quem o percebe e sabe escolher bem.

Tenho vários episódios do podcast a explicar quais são os critérios para fazer essa escolha. Portanto, se já cumpre todos estes requisitos que mencionei e ainda lhe sobram 25 ou 50 euros por mês, pode sim planear a sua reforma. Avance com os comparadores de PPR da ASF ou da CMVM e começa a sua investigação.

É só ir ao Google e pesquisar por “comparador de PPR” e deverão aparecer-lhe, pelo menos, esses dois. Depois é só escolher de toda aquela lista que lá está, são cerca de 300 PPRs em comercialização em Portugal, e começar a escolher.

Também encontra no site do Contas-Poupança o balanço mensal dos meu PPRs, que são 14 atualmente, e isso também a pode ajudar a perceber melhor. Devo alertar que todos os meus PPRs não têm capital garantido, pelo que se para si isso é um impedimento, então não escolha nenhum desses.

Se preferir algo mais seguro, vai escolher um PPR que tenha capital garantido ou ETFs que, embora nenhum tenha capital garantido, pode começar pelo mais básico S&P500.

Para isso vai ter de abrir conta numa corretora, há várias, também há um episódio do podcast em que vai encontrar os vários critérios para escolher aquela que for mais adequada para si e que cobre menos comissões.

Já sabem que eu não tenho nenhuma ligação a nenhuma empresa, nenhuma corretora, nenhum PPR, portanto, isto é apenas para partilhar literacia financeira.

Espero ter respondido à sua pergunta. Não dê um passo maior do que a perna. Só vai começar a investir, seja em PPR, seja em ETFs ou qualquer outra espécie de produto, depois de ter construído os alicerces financeiros da sua casa.

Até lá, enquanto isso não acontecer, a sua prioridade é aumentar os seus rendimentos. Enquanto não tiver esses rendimentos, é cedo para isso.

Boas poupanças!

Aprenda a gerir melhor o seu dinheiro

Neste episódio, a pergunta de uma ouvinte serve de ponto de partida para uma conversa incómoda, mas necessária. Com resultados passados muito positivos em PPR agressivos, a ouvinte questiona se faz sentido manter dinheiro “parado” num fundo de emergência quando poderia estar a render mais em ETF ou PPR.

A resposta é clara: investir não existe para compensar instabilidade. Existe para fazer crescer dinheiro que já não faz falta no dia a dia.

Ao longo do episódio, explico:

  • Porque investir sem estabilidade pode aumentar o risco, e não o equilíbrio
  • A diferença entre boa rentabilidade e boa estratégia
  • O erro comum de confundir sensação de controlo com organização financeira
  • Porque a ordem certa continua a ser fundo de emergência primeiro, investimento depois

Um episódio para quem sente que está a investir, mas não tem a certeza se está a fazê-lo no momento certo.

Boas poupanças (e investimentos)!

Já sabe que às quartas-feiras respondo às vossas perguntas. Saber é poder (nas finanças pessoais também). Disponível nas principais plataformas de podcasts:

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Aproveite a minha boleia financeira (gravo em áudio uma “conversa” no carro enquanto faço as minhas viagens e faço de conta que você vai ali ao meu lado) e veja como pode aumentar-se a si próprio. São uma espécie de programas de rádio para escutar enquanto faz outras coisas. Subscreva o podcast na plataforma em que estiver a ouvir para ser avisado sempre que houver um episódio novo. Não estranhe ouvir o motor do carro, buzinadelas e o pisca-pisca. Faz parte da viagem.

Boas poupanças!

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