PodTEXT Vamos a Contas | Socorro! Ganhamos pouco e apareceram 500 € de IRS para pagar. Fizemos alguma coisa mal?

Escrito por Inês de Almeida Fernandes

08.06.24

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7 min de leitura

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O podcast de sempre, agora mais inclusivo!

Como a literacia financeira é um aspeto fundamental para a boa gestão das finanças pessoais, os podcasts do Contas-poupança tornam-se agora mais inclusivos e passarão a ser publicados também em texto, nomeadamente para incluir a comunidade surda, pessoas que – não sendo surdas – têm dificuldades auditivas e, claro, todos os que ainda não perceberam como funcionam os podcasts ou que simplesmente preferem ler. Estamos também a trabalhar a possibilidade de traduzir o podcast para Língua Gestual Portuguesa, mas essa vai demorar mais tempo.

É o seu podcast de sempre, mas a partir de agora pode escolher lê-lo ou ouvi-lo. Aguardo as vossas criticas e sugestões.

Ganhamos pouco e apareceram 500 € de IRS para pagar. Fizemos alguma coisa mal?

[Introdução]

[Pedro Andersson]

Olá! Sou o Pedro Andersson, jornalista especializado em finanças pessoais e este é o Vamos a Contas, um episódio bónus, especial e semanal, do podcast Contas-poupança. Respondo às vossas perguntas em áudio que enviaram para o número do Whatsapp 92 775 37 37. A sua pergunta é muito importante! Vamos à dúvida desta semana?

[Tânia, ouvinte do podcast]

Boa tarde! Peço desculpa de estar a incomodar, mas preciso de ajuda. O meu nome é Tânia alho é o seguinte, eu e o meu marido em relação ao IRS, eu tive a ver só só fiz assim, porque eu também não percebo muito IRS fiz assim só verificado uma simulação e eu e ele tínhamos 500 EUR para pagar, sendo que eu ganho 12000 EUR anuais. O meu marido fez bastantes horas extra, deu 17000, mas temos um crédito à habitação de 800 800 EUR por mês. Isso é normal, alguma coisa que nós estamos a fazer errado. Será que me podiam ajudar?

[Pedro Andersson]

Olá, Tânia, obrigado pela sua pergunta! De facto, sinto aí algum quase pânico na sua voz. E se calhar tem razões para isso, talvez até seja o primeiro ano em que lhe aparece uma conta para pagar de IRS. Os vossos rendimentos são baixos e agora ter de pagar 500 euros, de facto, é preocupante.


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A primeira coisa que quero dizer é que estou a receber muitas, muitas mensagens de pessoas que nunca pagaram IRS e que agora este ano apareceram contas para pagar e isso explica-se com o facto de as retenções na fonte terem baixado no ano passado, o que quer dizer que descontaram menos dinheiro para o IRS. Portanto, como pagaram menos IRS no ano passado, caso tenham tido algum tipo de rendimento adicional para além do salário mínimo nacional agora vão ter de pagar IRS sobre esses valores porque não pagaram antes.

Ou seja, não descontaram a mais, não tiveram um excesso de IRS no ano passado. É neste período de entrega de IRS que o Estado faz as contas finais e chega à conclusão que aquilo que pagou no ano passado não chega para pagar o imposto que tem que pagar de acordo com o seu escalão.

A explicação está na pergunta da própria Tânia, porque ela disse que o marido fez várias horas extraordinárias. A explicação é essa, as pessoas fazem horas extraordinárias, mas não descontam IRS sobre esse valor. Como não descontaram na fonte sobre as horas extraordinárias, mas apenas sobre o salário base, agora vão ter de pagar IRS sobre essas horas extraordinárias que ainda foram bastantes.

Essa é a explicação. Não fizeram nada de errado e sempre que isso acontecer na vossa vida daqui para a frente, sempre que algum de vocês fizer horas extraordinárias, têm de prever esta situação. O mais provável é no ano seguinte pagarem IRS em vez de receberem.

Contas-poupança

Como é que isto se resolve? De três maneiras: vai ter de perguntar à sua entidade patronal, neste caso o seu marido tem de perguntar, se pode descontar na fonte essas horas extraordinárias, mas não vai receber tanto dinheiro líquido nesse mês. Fica logo descontado e não terá de pagar. A outra opção é dividir estes 500 euros por 12, assim que recebem o vosso salário, e esse valor vai para uma conta à ordem à parte e ninguém mexe nesse dinheiro. É dinheiro proibido para que depois, no ano seguinte, neste caso em 2025, quando tiverem de pagar os tais 500 euros, já lá têm esse dinheiro.

Neste caso, estamos a ser previdentes, estamos a ser pessoas que planeiam a sua vida financeira. Assim, já sabe que parte daquele dinheiro que recebem no salário fica de parte. Claro que é muito bom quando ele cai na conta, mas aquele dinheiro não é vosso, ou seja, parte desse dinheiro é do Estado e é melhor pô-lo de lado.

Não será um valor muito relevante, mas até podem pô-lo de lado em Certificados de Aforro e passados três meses podem levantá-lo. Sempre vai rendendo algum dinheirinho e depois quando tiverem de pagar os 500 euros ao Estado, em vez de 500 têm lá se calhar 530 ou 540. Não sei, mas talvez ainda ganhem algum dinheiro com isso e não têm esse stress financeiro que estão a ter agora.

A terceira alternativa, e não sabendo qual é a vossa situação, talvez até não tenham tido todas as deduções a que podiam ter direito. Ou seja, ao longo de todo o ano, e devem começar já este ano se não é um hábito vosso, é começar a pedir fatura com número de contribuinte de tudo, mas mesmo tudo, até do geladinho quando vão à praia ou do café e pastel de nata do lanche, do restaurante, do cabeleireiro, da oficina. Portanto, todas, mesmo todas, as despesas que conseguirem pôr com número de contribuinte vai abater a esses 500 euros.

Imagine que, por exemplo, podia ter pedido faturas de jornais ou de revistas, se calhar em vez de pagar 500 euros, pagariam 400 ou 300 euros, porque o Estado abate ao valor do IRS a pagar as deduções que terão disponíveis, quer de saúde, quer de educação ou estas outras que vos mencionei.

Tânia, lamento muito que tenha sido apanhada de surpresa, mas sim, essa situação é perfeitamente normal. A única forma de lidarmos com isso daqui para a frente, mas vai ser cada vez pior porque vamos receber cada vez mais todos os meses, mas vamos ter reembolsos cada vez menores no IRS porque não pagamos tanto a mais.

É dinheiro que fica no nosso bolso e não no bolso do Estado, mas quando tiver de pagar vai ter de pagar tudo. O Segredo está no planeamento e em saber que vai ter de pagar, pôr logo de lado e pedir o máximo de deduções possíveis com o número de contribuinte da vossa família.

Muito obrigado por terem enviado as vossas perguntas em áudio para o 92 775 37 37. Não se esqueça de subscrever este podcast, de o partilhar com outros, de dar as estrelinhas que entender e não se esqueça também de subscrever a Newsletter em contaspoupanca.pt. Vai ao site e tem lá uma linha em cima que diz “subscrever newsletter” para receber todas as dicas que dou praticamente diariamente na página do Contas-poupança. É um prazer ajudar a sabermos gerir melhor o nosso dinheiro, seja muito ou pouco.

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