VÍDEO – Housers: Comprar ou arrendar uma casa a partir de 50 euros?

Housers – Seja um mini investidor imobiliário

Já percebemos todos que o mercado imobiliário está em grande neste momento. Os preços, quer do arrendamento, quer da compra e venda de casas, estão altíssimos. No momento em que escrevo, um amigo comentava que estão a alugar um quarto (sim, um quarto, não é uma casa) em Queluz, concelho de Sintra, por 400 euros. A especulação está a atingir valores incomportáveis.

Independentemente da sua opinião sobre o assunto, a verdade é que muitas pessoas pensam (mesmo que não o digam) como seria bom se tivessem dinheiro nesta altura para comprar uma casa e pô-la a render (para venda ou arrendamento). Podia ser o negócio da sua vida. Se tem esse dinheiro, é uma questão de arriscar ou não.

Foi o tema da reportagem desta semana do Contas-poupança.

Se não tem 100 mil euros para comprar uma casa, e mais 20 ou 30 mil para fazer obras e depois vender essa casa, porque não compra um pedacinho de uma casa e ganha o correspondente ao dinheiro que investiu? Já pensou em ser “dono” de 1 metro quadrado de uma casa? Por apenas 50 euros? (Bem, por 50 euros, como estão as coisas, se calhar só pode ser dono de um pequeno azulejo). Sim, é possível. A plataforma que torna isso possível chama-se Housers.

Housers é uma plataforma de investimento na internet em que qualquer pessoa, a partir de 50 euros, pode investir em vários projetos imobiliários em Portugal, Espanha ou Itália. É mais uma opção de investimento (com risco e sem capital garantido) em alternativa aos depósitos a prazo, ações ou Fundos de Investimento.

A diferença em relação aos investimentos já referidos é que estamos a falar de investir numa casa “a sério”. É um ativo tangível. Pode passar pela morada do imóvel e ver as obras e ver as pessoas a morar lá dentro. Pessoas que lhe compraram a casa ou que lhe pagam a renda mensalmente (proporcionalmente ao dinheiro que lá investiu). Estamos a falar de juros de 8, 9 e 10%, conforme os casos. Já lhe vou explicar como funciona em detalhe. É um investimento que tem o imóvel como garantia.

A Housers começou em Espanha em 2016. Dois amigos juntaram-se para comprar um lote de terreno, construíram uma casa e venderam-na. O negócio correu muito bem. Decidiram repetir a experiência mas quiseram fazer um projeto maior. Convidaram mais 5 amigos. Fizeram uma cooperativa e, novamente, o negócio valeu a pena. Depois desse projeto, mais e mais conhecidos e amigos começaram a dizer que no próximo projeto também queriam participar. Os fundadores tiveram uma ideia: E se fizessem projetos em que em vez de 5 ou 10 pessoas participassem, centenas pessoas pudessem investir? Podia entrar quem quisesse, e não precisava ser só em Espanha – podiam ser também italianos e os vizinhos portugueses, para começar. Foi assim que nasceu o conceito da Housers.

O mínimo para investir, como já lhe disse, são 50 euros. Para experimentar e perceber como funciona é suficiente. Mas para ver resultados, obviamente que tem de investir mais. Perguntei a João Távora, responsável pela Housers em Portugal, o que poderia fazer com 500 euros. O conselho é o mesmo de todos os especialistas em finanças: Nunca deve investir tudo só num projeto; pode investir no Porto, 200 num imóvel em Barcelona e mais 100 euros numa casa em Milão, por exemplo. Assim, se um investimento não correr como esperava, provavelmente os outros 3 compensam. O segredo é diversificar sempre os seus investimentos.

Insisto neste ponto: Com esta e todas as outras reportagens NÃO estou a aconselhar que invista ou que deixe de investir neste tipo de plataformas de crowdfunding imobiliário. São produtos que envolvem risco de perda e nenhum capital é garantido. O meu objetivo é que conheça as várias alternativas para poder investir nas que entender. Em todo o caso, nunca coloque todos os ovos no mesmo cesto. Divida as suas poupanças por vários tipos de investimento e dentro de cada um, em vários produtos, projetos ou empresas. Reduz a probabilidade de insucesso.

Tem 3 tipos de oportunidades de investimento diferentes:

Poupança Arrendamento – Comprar uma casa, remodelar e colocar no mercado de arrendamento. Recebe mensalmente a sua parte das rendas e, após 5 anos, a casa é vendida e o lucro é distribuído por todos os que investiram naquele projeto.

Poupança Venda – Comprar casa, remodelar e vender. Normalmente, é um investimento a 1 ano. Os juros e o capital só são devolvidos depois do processo de venda concluído. Os resultados dependem da forma como o negócio correr. Não há juros mínimos garantidos.

Taxa fixa – Esta forma de investimento tem mais risco. Há um acordo entre o promotor e o(s) investidor(es). O promotor pede dinheiro para comprar um terreno ou promover um projeto.

O conceito

Ao investir na Housers está a investir exatamente nas mesmas condições em que estaria caso investisse sozinho com a totalidade do dinheiro. Teria de pesquisar o mercado, encontrar uma casa que lhe interessasse, negociar, comprá-la, fazer obras (se necessário), colocá-la no mercado, negociar com os interessados e realizar a venda com o maior lucro possível.

Neste processo, as obras podem não correr como previa (pode aparecer uma despesa imprevista), pode não haver interessados, pode ter de baixar o preço, etc. Também pode acontecer o contrário: pode eventualmente esperar vender por 150 mil euros e afinal conseguiu vender a casa por 200 mil. Quando investir num projeto destes na Housers pode acontecer qualquer uma destas situações. Tanto pode ganhar menos do que esperava como pode ganhar mais do que estava previsto. As taxas de juros e as contas finais são um reflexo de como correr aquele projeto imobiliário específico.

A única diferença em relação à realidade dos investidores imobiliários é que em vez de 1 ou 2 ou 3 investidores, são 500, 600 ou 700 investidores para apenas uma casa. Como se fossem todos sócios que emprestam dinheiro a outro sócio que faz o trabalho por eles e que é remunerado por isso.

Se investir no caso do arrendamento, tem de perceber que o dinheiro que vai receber não é só a renda a dividir por todos os investidores. Antes de receber a sua parte, é descontado o condomínio, o IMI, e todas as despesas normais que teria se fosse você o proprietário.

Depois disso ainda terá de descontar a comissão da Housers e os impostos. O valor que receberá é o que sobrar depois disto tudo. Como na vida “real” de um senhorio.

Qual é o risco que corre?

As obras podem durar mais do que o previsto. Pode demorar até a casa ser alugada. Os inquilinos podem não pagar a tempo e horas. O mercado, ao fim dos 5 anos, pode ter “rebentado” e a casa vale menos do que o esperado. Pode ser necessário fazer obras urgentes no prédio, etc. Tudo isso pode acontecer. Tudo é gerido pela Housers com o objetivo de que receba o maior rendimento possível. Porquê? Porque eles ganham 10% do que você ganhar. Portanto, querem que você ganhe o mais possível.

Quais são os custos para mim?

Sempre que receber mensalmente as rendas (ou os juros mensais ou o total no fim do projeto) o valor que recebe na sua conta na plataforma já virá limpo de impostos que terá de pagar ao estado e já descontada a comissão da Housers. Essa comissão só é aplicada sobre os lucros e não sobre o capital investido. Se investir e o projeto não correu bem e não ganhou nada, não paga nada de comissão.

Uma nota importante: até ao momento todos os promotores são espanhóis (no futuro terão promotores de outras nacionalidades, nomeadamente portugueses) o que quer dizer que os impostos são retidos em Espanha. E em Espanha, a taxa liberatória é de 19% em vez dos 28% praticados em Portugal. Portanto, ao fim do ano terá de declarar estes valores no IRS como rendimentos obtidos no estrangeiro e pagar a diferença para os 28% ao Estado português. Tenha isso em atenção.

Pode ver ou rever a reportagem onde dou vários exemplos AQUI:

https://sicnoticias.sapo.pt/programas/contaspoupanca/2018-10-24-Como-investir-no-setor-imobiliario-e-aumentar-as-poupancas

Em Portugal, desde Outubro de 2017, registaram-se na plataforma 3.500 investidores e desses, 350 foram além da curiosidade e investiram dinheiro. Já movimentaram até agora 1 milhão de euros.

Em Espanha o alcance é muito maior. Até maio de 2018, já têm 83 mil utilizadores e angariaram 51 milhões de euros, dos quais já devolveram cerca de 9 milhões.

É compreensível que haja muitos receios à volta de plataformas deste tipo. Tudo isto é novo. Mandar dinheiro para um IBAN que não conhecemos e gerir tudo apenas pela internet faz confusão a muitas pessoas. É normal. João Távora, da Housers Portugal, explica que há sempre um contrato entre o investido e o promotor da obra. Se a Housers desaparecer por algum motivo, o contrato continua. A pessoa não perde o direito ao seu dinheiro. Mas será, digo eu, obviamente complicado resolver o problema, ainda por cima por estarem no estrangeiro. Terá de avaliar por si os riscos e os benefícios.

Os portugueses são avessos a arriscar o seu dinheiro. Convenhamos que têm algumas razões para isso.

Se entretanto vier a precisar do dinheiro que investiu, pode vender as suas “quotas” no chamado “Marketplace” na página da Housers. O investidor chega lá e diz que quer vender a sua posição pelo preço que lhe custou, e outro adquire aquele bloco de títulos. Recebe o dinheiro e sai. Não paga nenhuma comissão neste processo.

Para quem não percebe nada disto, deve informar-se e ler muito bem toda a documentação e os avisos nas várias plataformas. Tem bem explícitos os riscos em que incorre em cada projeto. Se não domina este tipo de investimentos, o melhor é não se meter nisto até compreender tudo o que está envolvido. Evita desilusões e perdas desnecessárias e que podem complicar a sua vida. Nunca invista em produtos de risco dinheiro que lhe possa fazer falta.

Estas plataformas já funcionam há anos em Inglaterra, na Alemanha, França e EUA. Já são considerados investimentos normais. Será que vão substituir os bancos no futuro? Em parte, claramente sim.

Em Espanha já há bancos tradicionais a comprar plataformas deste tipo ou a criarem as suas próprias para se protegerem de perdas no futuro.

Com as plataformas de crowdfunding, os investidores pequenos passaram a ter acesso a ferramentas que só os grandes investidores tinham. Isso muda tudo. E vai mudar ainda mais.

NOTA: Tem mais duas plataformas em Portugal com conceitos semelhantes: Tem a MutuAll em mutuall.pt/ e a PortugalCrowd em portugalcrowd.pt. Explore estas plataformas e faça a sua própria avaliação.

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11 comentários em “VÍDEO – Housers: Comprar ou arrendar uma casa a partir de 50 euros?

  1. Almeida Reply

    Passado um ano o meu primeiro investimento nesta plataforma, Projecto Santander com uma taxa fixa 10% terminou. Acabei por fazer todo o processo desde depositar, receber os juros, calcular o juro liquido e fazer o levantamento.

    Eis o que foi a minha experiência na Housers relativamente a neste projecto:

    – a parte inicial pode levar alguns dias ou até semanas até que o investimento esteja financiado a 100%, ou seja, durante essa janela o dinheiro está parado, por forma a limitar esta janela é entrar no projecto quando este já está quase todo financiado
    – os pagamentos de juros foram sempre efectuados no inicio de cada mês, na maioria dos casos o mais tardar dia 6. Excepção de junho que foi a 13. Nesta mesma data é retirada a comissão da casa que é 10% do valor de juro recebido. Fazendo as contas aos valores finais dos 10% que este projecto tinha fiquei com 9% liquidos aos quais falta retirar os 28% de impostos
    – relativamente ao levantamento demorou 2 dias a ser creditado na minha conta
    – e ainda recebi 25€ da promoção tell-a-friend para novos utilizadores (https://www.housers.com/pt/formulario-inscricao?pt=PFH–REF–71875) quando fiz este primeiro investimento usando a referência de um amigo (que nessa data também recebeu os seus 25€)

  2. Nuno Saraiva Reply

    Olá, Pedro.
    Não pode comparar este investimento, por muito sério que seja, com um depósito a prazo. Ao fazê-lo na reportagem, comete um erro na minha opinião.
    Os bancos também comercializam produtos que têm dado rentabilidades de 10%, muitos deles com informação bem mais transparente e completa do que a housers. Quando o vento sopra a favor (e o BCE dá um empurrão, sabe-se lá a que preço no futuro), muita coisa parece um bom investimento.
    Não duvido que acredite na bondade dessa entidade, mas há demasiadas variáveis que não controlamos. Basta uma delas não correr bem.
    E pode bem ser um Ponzi, volto a referir. O Sr Madoff também enganou muita gente enquanto a maré subia…
    Cumps

  3. Nuno Saraiva Reply

    E se a Housers falir? E se o Fundo/Sociedade promotor desaparecer? De quem é a conta bancária para onde se transfere o dinheiro? Que segurança há de que o dinheiro é bem aplicado e que isto não é um mero esquema ponzi?

    • Pedro Andersson
      Pedro Andersson Post authorReply

      Olá Nuno. Tem aqui as respostas deles. https://www.housers.com/pt/faqs/investidores

      O que me expkicaram é que o contrato é com o promotor e nao com a housers. Se a housers falir o contrato mantém-se. Se o promotor desaparecer perde provavelmente o dinheiro nao devolvido. O dinheiro é transferido atraves de uma empresa certificada pela cmvm espanhola. Tera de se convencer se deve investir ou nao. Se tem duvidas não invista. Este “conselho” aplica-se a tudo. Com a reportagem nao estou a aconselhar investir. Estou a dar conhecimento das alternativas no mercado. Se tivesse a ínfima suspeita de que é um esquema jamais falaria dele. No final de tudo a sua intuição é que conta.

  4. Carlos Pereira Reply

    Neste e noutros sites deste tipo, na inscrição ou para levantar os fundos é obrigatório enviar uma cópia do documento de identificação ou do passaporte. Este é um dos casos permitidos na lei? Vocês confiam a estas entidades sediadas no estrangeiro os vossos dados?

    • Pedro Andersson
      Pedro Andersson Post authorReply

      Ola Carlos. Terá de ser cada um a decidir. No meu caso pessoal depois de investigar e entrevistar os responsáveis decidi confiar. Não é um conselho. Nao nos cabe dizer o que as pessoas devem fazer. Falamos apenas das várias opções.

      • Carlos Pereira Reply

        Obrigado Pedro. Devemos ter sempre algum cuidado na partilha de dados pessoais na internet. Todo o cuidado é pouco.

        Parabéns pelo excelente trabalho que tem desenvolvido!

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