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RADARES | Pela primeira vez Portugal vai ter radares de velocidade média

Escrito por Pedro Andersson

12.08.20

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5 min de leitura

As multas vão disparar?

Em algumas cidades/vias onde estes novos radares foram instalados, as multas dispararam 700% (em fase de testes). Este aumento seria insuportável politicamente – digo eu – portanto, depois os critérios para as multas serão naturalmente ajustados para que não se diga que é apenas “caça à multa”. Mas que estes radares são eficazes, são. E podem vir a mudar alguns comportamentos nas estradas portuguesas.

Travar e acelerar

É uma prática recorrente em Portugal. Infelizmente, um grande número de condutores quando sabe que naquela curva ou reta há um radar, trava bruscamente um pouco antes do radar e volta a acelerar logo que passa o alcance do equipamento de medição. Essa estratégia vai deixar de resultar. O Conselho de Ministros aprovou a compra de 10 radares de medição de velocidade média e mais 20 “normais”. A autorização para os comprar já saiu em Diário da República. São 8 milhões de euros destinados ao controlo de velocidade nos próximos 5 anos.

Número de radares vai aumentar

O reforço dos atuais 60 locais de controlo de velocidade – 50 instalados em 2016/2017 e 10 em 2019 – para 110, agora anunciado, vai permitir um significativo aumento dos níveis de dissuasão no incumprimento dos limites de velocidade e consequentemente na redução da sinistralidade rodoviária, diz o governo. Haverá 20 novos Locais de Controlo de Velocidade (LCV) para o controlo de velocidade média entre dois pontos e 30 LCV de velocidade instantânea. Os novos 50 LCV serão equipados rotativamente com 30 novos radares – 10 que permitem o controlo de velocidade média entre dois pontos e 20 que apenas permitem o controlo da velocidade instantânea – aumentando a capacidade instalada de 40 para 70 radares. No Brasil, estes radares já funcionam há vários anos e o funcionamento é simples, como pode ver neste gráfico. Os novos radares introduzirão em Portugal o controle de velocidade média entre dois pontos, e a capacidade para medir, em simultâneo, a velocidade de vários veículos, mesmo nos casos em que estes circulam lado a lado ou a uma distância inadequada entre si.

Onde vão ser colocados os novos radares de velocidade média

A seleção dos locais de instalação dos novos radares teve como pressuposto, entre outros fatores, o nível de sinistralidade aí existente e em que a velocidade excessiva se revelou uma das causas para essa sinistralidade. As características encontradas em alguns dos locais selecionados, nomeadamente o elevado nível de sinistralidade ao longo de troços e não apenas de pontos recomendam a utilização de equipamentos de controlo da velocidade média em vez dos tradicionais equipamentos de velocidade instantânea. Entre outros, os locais para instalação dos novos radares são:

  • EN5 em Palmela
  • EN10 em Vila Franca de Xira
  • EN101 em Vila Verde
  • EN106 em Penafiel
  • EN109 em Bom Sucesso
  • IC19 em Sintra
  • IC8 na Sertã

O combate à sinistralidade rodoviária em Portugal permitiu, nos últimos 20 anos, reduzir a sinistralidade mortal em 73%, de acordo com o Ministério da Administração Interna. O governo considera que um dos vários fatores que tem contribuído para a melhoria comportamento dos utilizadores tem sido o aumento das ações de fiscalização da velocidade dos veículos em circulação. Nos primeiros 6 meses de 2020 foram fiscalizados 55.320.244 veículos, mais de 300.000 por dia, o que correspondeu a um aumento de 29%, face a período homólogo de 2019 (42.842.087). Os locais que são controlados por radares além de, em termos globais, terem um efeito dissuasor sobre o incumprimento dos limites de velocidade e sobre a sinistralidade, têm tido também a nível local, na zona de influência de cada radar, um efeito na diminuição da sinistralidade. Com 4 anos de funcionamento, os locais onde foram instalados os radares registaram, face a igual período anterior à entrada em funcionamento do sistema, uma redução em todos os indicadores de sinistralidade: menos 29% de acidentes com vítimas, menos 82% de vítimas mortais, menos 57% de feridos graves e menos 26% de feridos leves.

E as questões da privacidade?

Alguns críticos dizem que estes radares são uma violação da privacidade porque permitem saber com mais detalhe de onde vem e para onde vai e detalhes assim. Os radares atuais também identificam a direção do veículo. Não me parece que seja por aí. Nos países onde foram instalados, pelo que pesquisei, os radares de velocidade média são instalados entre pontos distantes entre 500 metros e cerca de 2 quilómetros (em alguns casos ultrapassa).  Ora isso já permite dissuadir os mais “distraídos”. A velocidade média vai ter vários critérios de tolerância (se for como lá fora) para evitar que seja multado por exemplo por ter acelerado por ter ultrapassado um ou dois veículos. Tenho a certeza de que os critérios serão divulgados lá mais para a frente. Para já ainda vai ser aberto concurso para os comprar. Portanto, em conclusão, se é dos “aceleras” prepare-se para mudanças a sério nos radares. Durante pelo menos 3 quilómetros seguidos vai ser “obrigado” a cumprir com a velocidade legal. Isso pode ter um efeito pedagógico importante. E inicialmente vai ter um reflexo importante nas carteiras dos condutores e nos cofres do Estado. Prevejo muitas multas que vão aparecer inesperadamente e aí vai perceber o que aconteceu: foram os radares de velocidade média. Aproveite estes meses de “folga” para começar a abrandar. Poupa nos acidentes e na carteira.



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13 Comentários

  1. Ricardo Nel

    Não percebo porque não fazem isso com o sistema de portagens, por exemplo.
    Seria bastante mais fácil e mais barato.

    Entrou na AE na portagem de Lisboa às 10:00, chegou à portagem do Porto às 13:00, não tem multa.

    Responder
    • Ricardo Patrício

      Ai sim: caso A: Entro na AE e faço média de 240km/h, paro na área de serviço para atestar e tomar um bom e demorado pequeno almoço. Arranco novamente feito louco sempre a 240 e chego ao Porto às 13h00, não levo multa…

      Caso B: Vou sempre descansadinho e em plena segurança com o cruise control nos 140km/h até ao Porto. Levo multa.

      Responder
      • Marco Oliveira

        Se tiver um radar na portagem e outro antes da area de serviço e depois um imediatamente depois da area de serviço e outro do fim da portagem pode tomar um pequeno almoço de 5 horas que a se for a mais de 120km/h a multa vai ter a casa.

        Responder
  2. Ricardo Nel

    Caso A: tb pode fazer o mesmo no outro sistema; Não sei qual seria o interesse. Quem vai a 240km é porque quer chegar rápido ao destino, digo eu.
    Entre 2 pontos posso sempre acelerar e descansar antes de chegar ao 2º ponto, por isso vai dar ao mesmo.

    Caso B: Cruise Control a 140km/h dá multa, velocidade máxima são 120km/h.

    Responder
  3. Ricardo Miguel Barata Pereira

    Honestamente, é mais um sinal dos tempos que vivemos: da falta de dinheiro que o nosso governo tem.
    Não existe uma medida concreta por parte da ANSR (de existência e utilidade pública duvidosa) que traga proveito objectivo e honesto para o cidadão / povo.

    Assistimos a repressão e caça a uma multa na forma mais objectiva que existe. Sempre sobre o lema/bandeira que o excesso de velocidade mata. Temos os carros mais caros da europa, dupla tributação (IVA e IA), aumentos de 500% de IUC de um ano para o outro em certas viaturas (sem o FP da AT no atendimento saber o porquê, porque não teve formação) e agora ainda levamos com mais uma.
    Porque não obrigam logo todos os fabricantes a barrarem/ trancarem os carros a 120km/h? nas unidade vendidas em solo nacional. Se calhar assim já se venderiam mais electricos, dado que todos os carros teriam a mesma velocidade de ponta: 120!
    Ah mas já sei, assim a ANSR não teria proveito com multas da treta baseadas na conversa de que o excesso de velocidade mata.

    Portugal está cada vez melhor para uma coisa: Emigrar!

    Responder
    • Francisco Wicked

      É possivel informar-me para que país vai emigrar? É um que nao tem qualquer limite de velocidade, nao é?

      Responder
  4. María Ferreira

    Aí está a mentalidade portuguesa a trabalhar… é preciso ousar sempre e ser mais”esperto “que os outros! Fui uma grande acelera, fui me “educando ” ao longo dos anos pois não havia campanhas nem acções psicológicas nos anos ’70 e ’80 …mas tive sempre presente a educação cívica e o respeito pelo outros. As escolas de condução deverão ter um papel determinante que não o teem para esse efeito! Querem velocidade,adrenalina????aluguem um autódromo e piquem aí… Uma viva a estes radares, já cá deviam estar, e por favor…coloquem tbm na A2, mesmo com brutas refeições…a seguir pode ser que tenham um AVC…

    Responder
  5. Jota

    Venham os radares para lixar os pseudo pilotos. Não tenho pena nenhuma.

    Responder
  6. Ricardo Oliveira

    Verdadeira caça à Multa!!! Ponto.
    Gostava de saber, que critérios são usados para tomar como certo que a velocidade excessiva é a principal razão de acidentes? Por ex, um acidente dentro de uma localidade, a 51km/h, é considerado velocidade excessiva? Aos olhos da lei sim, na pratica, não!

    Eu acho, que o maior problema, continua a ser a falta de civismo, a falta de respeito e a falta de educação quando estamos ao volante.
    Quantos fazem pisca, quando mudam de direcção?
    Quantos travam, sem tráfego pele frente?
    Nas AE, quantos camionistas, ultrapassam outros camionistas, criando um efeito harmónio durante km?Á velocidade MAX de 90km/h…se eu vier a 100/110/120km/h…tenho que reduzir drasticamente a velocidade, colocam os outros condutores em risco.
    Quantas estradas não têm piso, marcações. bermas e/ou sinalização adequada?

    ….e ficaria aqui até amanhã!

    Responder
    • Francisco Wicked

      “Á velocidade MAX de 90km/h…se eu vier a 100/110/120km/h…tenho que reduzir drasticamente a velocidade, colocam os outros condutores em risco.” Drasticamente? Qual a diferença entre reduzir de 120 para 90 pq ha um “obstáculo” e de 50 para 0 quando o sinal passa a vermelho? Argumento oco.

      Responder
  7. bruno

    excelente notícia. finalmente estradas seguras, onde os nós teremos menos hipoteses de ser abalroados por pessoas em velocidade excessiva. é pena portugal não estar cheio de radares de velocidade. na Holanda há muitos radares destes e há muito poucas mortes na estrada. significa tb que há menos assassinos a andar a 100Km num estrada de 50km/h, porque são logo multados… haters vão dizer que é caça à multa. eu diria que é apenas civismo.

    Responder
  8. Dinis Braz

    Por mim nem tinha carro!
    Poupava muito dinheiro, só era necessário era ter os transportes públicos gratuitos como em Cascais, já agora no país todo!

    Limitem a velocidade dos carros e também a cilindrada em fábrica, nos que vêm para Portugal!!!

    Desculpem, esqueci-me dos impostos

    Responder
  9. celso macedo

    Uma equação, formada pela soma de uma frota de carros mais moderna e segura, excelente infra-estrutura rodoviária e educação no trânsito, é que de fato reduz os indicadores.

    Responder

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