PodTEXT Vamos a Contas | Posso usar o meu PPR para pagar o crédito à habitação?

Escrito por Inês de Almeida Fernandes

11.05.24

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11 min de leitura

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O podcast de sempre, agora mais inclusivo!

Como a literacia financeira é um aspeto fundamental para a boa gestão das finanças pessoais, os podcasts do Contas-poupança tornam-se agora mais inclusivos e passarão a ser publicados também em texto, nomeadamente para incluir a comunidade surda, pessoas que – não sendo surdas – têm dificuldades auditivas e, claro, todos os que ainda não perceberam como funcionam os podcasts ou que simplesmente preferem ler. Estamos também a trabalhar a possibilidade de traduzir o podcast para Língua Gestual Portuguesa, mas essa vai demorar mais tempo.

É o seu podcast de sempre, mas a partir de agora pode escolher lê-lo ou ouvi-lo. Aguardo as vossas criticas e sugestões.

Posso usar o meu PPR para pagar o crédito à habitação?

[Introdução]

[Pedro Andersson]

Olá! Sou o Pedro Andersson, jornalista especializado em finanças pessoais e este é o Vamos a Contas, um episódio bónus, especial e semanal, do podcast Contas-poupança. Respondo às vossas perguntas em áudio que enviaram para o número do Whatsapp 92 775 37 37. A sua pergunta é muito importante. Vamos à dúvida desta semana?

[Domingos, ouvinte do podcast]

Olá, Pedro! O meu nome é Domingos. Percebi nos episódios lá mais para trás que um dos seus objetivos é acabar rapidamente com o seu crédito à habitação e percebi que desenvolve algumas estratégias para isso. No entanto, quero cruzar aqui esta sua forma de lidar com o crédito à habitação com os PPR. Então, percebi que há os seguros PPR e os  fundos PPR, mas a questão que tenho para lhe colocar entre o crédito de habitação e especificamente os seguros PPR, que têm o capital garantido e que podemos ir buscar também o benefício fiscal, seja em seguros ou em fundos.

Mas a questão é: porque é que não usa a estratégia de fazer seguros PPR, ir buscar o benefício fiscal e ao final de cinco anos, de forma cíclica, estar a usar esse mesmo seguro PPR, que não rentabilizou praticamente nada porque é um seguro PPR, mas que conseguiu ir buscar o benefício fiscal? Porque é que não utiliza esta estratégia para pagar a prestação do crédito à habitação? Obrigado por todo o trabalho que tem feito para toda a comunidade e um forte abraço.

[Pedro Andersson]

Olá, Domingos. Muito obrigado pela pergunta! É bom saber que está a começar a abrir janelas financeiras na sua vida. Tenho todo o gosto em responder à sua questão. Em primeiro lugar, parabéns por ter compreendido a diferença entre seguros PPR e fundos PPR. Pela sua pergunta, percebo que tem um perfil conservador e isso não tem rigorosamente nada de mal, ou seja, parte deste princípio de que prefere ter um produto com capital garantido e ganhar dinheiro com isso.

Percebeu também, felizmente, que os seguros PPR, embora não perca nenhum dinheiro, é muito difícil ganhar dinheiro com eles. Porquê? Porque a maior parte do rendimento vai para as comissões dos bancos, corretoras, instituições ou seguradoras que lhe permitem subscrever esse tipo de produtos, porque têm comissões normalmente muito altas, que vão de 1,5% a 2%. Isto quer dizer que se crescer 2% e a Comissão for de 2%, quer dizer que o rendimento será zero.

Portanto, sendo zero, ainda vai perder para a inflação. Portanto, tendo um PPR vai ganhar dinheiro, em princípio, no IRS com essa dedução entre 300 e 400 euros, conforme a sua idade, pondo o máximo, ou seja, 1500, 1750 ou 2000 euros por ano. Portanto, vai ganhar esse dinheiro.

Agora, porque é que eu não faço isso? Vou explicar-lhe que há uma razão matemática e há uma razão relacionada com os meus objetivos. Sim, o meu objetivo é amortizar a minha casa o mais cedo possível, já vos disse várias vezes que todos os meus investimentos estão direcionados para esse objetivo.

Quero pôr o meu dinheiro a render o máximo possível para atingir um bolo com o qual me sinta confortável para, além de ter o meu fundo de emergência, chegar ao pé do banco e dizer “meus amigos, adeus e um queijo, foi muito bom ter estado estes 20 anos convosco a pagar a minha casa, mas não vou pagar a minha casa em 42 anos vou despachar isto muito mais cedo”. A partir do momento em que fizer isso, vou aumentar-me a mim próprio todos os meses, pagando aquilo que deveria pagar, mas durante mais tempo, vou aumentar-me, dizia eu, em 500 ou 600 euros, ou valores variáveis conforme o valor da Euribor a cada momento, uma vez que tenho Euribor a três meses.

Portanto, porque é que não faço isso? Para quem não sabe, uma das formas de utilizarmos os PPR de uma forma inteligente é fazer planeamento financeiro, além de poder resgatar o PPR sem nenhuma multa, entre aspas, por parte das finanças e estou a falar unicamente das finanças. É como, por exemplo, desemprego, doença grave, incapacidade a partir de 60%.

A outra forma de resgatar esse dinheiro sem ter de devolver essas centenas de euros +10% de multa por cada ano que passou, é por passados cinco anos de entregas regulares do PPR, seja fundo PPR, seja seguro PPR, utilizar esse valor e o respetivo crescimento para pagar a prestação da casa ao banco do crédito à habitação própria e permanente. Já fiz uma reportagem sobre isso e aconselho as pessoas a fazerem isto porque é uma forma inteligente de o fazer.

Mas o Domingos pergunta porque é que eu próprio não faço isto. Não faço, porque faço uma conta simples para mim que é: partindo do princípio que o seguro PPR não cresce praticamente nada, vou partir do princípio que é zero para facilitar aqui as contas, ao pôr o PPR no IRS recebo até 400 euros, que é o máximo, ou seja, equivale a 20% do valor que subscrevi. Se passados cinco anos eu resgatar esse dinheiro que me rendeu zero em juros, mas que me rendeu 400 euros a mais no reembolso do IRS, isso equivale a menos de 5%.

Como ainda não passaram oito anos, quer dizer que as mais-valias que tenho de pagar ao Estado quando resgatar serão não de 8% – e vamos lá ver se não me engano nas contas de cabeça –, mas de 21,5% logo a seguir, portanto, melhor que os 28%, mas depois baixa para 17%, creio eu, e só depois passados oito anos é que passa para 8%. Portanto, ainda vou ter que descontar esse imposto. Naturalmente, com os meus outros investimentos, um fundo PPR ou mesmo um seguro PPR, não pondo no IRS, será exatamente a mesma tributação.

Mas isto para dizer que esses 20% equivalem a menos de 5%, provavelmente quatro e tal porcento. Portanto, se eu tiver investimentos que me rendam mais do que 4%, e tenho vários investimentos que me rendem mais do que isso ou pelo menos que tenho a expectativa de que me rendam mais do que isso, e como passei de ter um perfil hiperconservador para um de investidor agressivo, decidi que vou aproveitar os anos à frente para ganhar o máximo possível, arriscando.

Como é dinheiro que não preciso para o meu dia a dia, porque isso já tenho controlado, quero ganhar uma média de todos os meus investimentos de 7% ao ano. Esse é o meu objetivo. O que quer dizer que tenho investimentos que crescem 3%, que crescem 2%, que crescem 5%, que crescem 10%, que crescem 16%, alguns crescem 200%. Portanto, é com esta média que lido e não apenas com um investimento. Trato o meu dinheiro como um bolo ou como uma pizza com vários ingredientes para ver se aquilo sai bem, pode sair, pode não sair. Isso é à minha responsabilidade. Portanto, esta é a primeira razão. Ter apenas o reembolso do IRS, para mim, não é o rendimento que pretendo. É, apesar de tudo, pouco. Para quem está habituado a não ter nada, é muito bom.

Há outro aspecto que acho que deve levar em conta que é, o facto de receber esse dinheiro de reembolso, isso não quer dizer que reutilize esse dinheiro para ter uma estratégia de juros compostos. Estou firmemente convencido de que a maior parte das pessoas que recebe essa dedução do PPR não pega nesse dinheiro para voltar a fazer ou reforçar o PPR ou outros investimentos. Porquê? Porque recebe o valor global do reembolso na conta bancária à ordem e vai acabar por gastá-lo naquilo que entender e muito bem, não tenho nada a ver com isso. Só cada pessoa é que sabe.

Isto só fará sentido do ponto de vista financeiro se conscientemente perceber pela nota de liquidação que recebeu mesmo esses 400 euros e assim que os recebe, retira-os da conta à ordem e reinveste novamente para ganhar dinheiro com esse dinheiro. Se os gastar em alguma coisa, seja o que for, em termos de investimento de médio ou longo prazo, esses 400 euros equivalem a zero, porque foi dinheiro que lhe deram, que ganhou sem esforço nenhum e que você gastou e não reinvestiu.

A minha terceira razão é que não quero ter o meu dinheiro preso durante cinco anos. Portanto, não é essa a minha estratégia, às vezes, não acontece muitas vezes é certo, mas às vezes, perante determinadas oportunidades de investimento que surgem na minha vida, devido aos vários acontecimentos mundiais, retiro o dinheiro de um lado para pôr no outro. E se tiver uma parte do meu dinheiro em PPR, ou seja, não é tão pouco dinheiro quanto isso, porque se falarmos de 2000 euros por ano durante cinco anos, estamos a falar de 10 mil euros que estão ali parados recorrentemente. Não posso mexer naquilo.

É verdade que está planeado para esse objetivo, mas é dinheiro que está ali dentro de uma fronteira da qual não posso sair sem ter prejuízo. Portanto, prefiro ter liberdade em vez de ter um rendimento de 4%. Ou seja, esta estratégia que o Domingos mencionou, e que faz todo o sentido, portanto, não estou a dizer para não fazerem, porque considero que é uma estratégia inteligente para quem essa estratégia faz sentido. Mas isso pra mim equivale a ter um depósito a prazo não mobilizável de 4%. Sendo bom, não quero porque não encaixa na minha estratégia.

Por outro lado, e em conclusão, se isso faz sentido na sua cabeça, faça. Não tem nenhum problema, está a pensar bem. É um direito e uma circunstância que enquanto clientes bancários, enquanto cidadãos e contribuintes, temos. Portanto, se acha que isso encaixa na sua estratégia, força nisso, nada contra. Pelo contrário, a minha estratégia é diferente. Porquê? Porque é muito mais arriscada, mas para quem tem um perfil conservador ou mesmo moderado, faz todo o sentido, avance com isso.

Eu estou a fazer de uma forma diferente. Não lhe estou a dizer que deve concordar comigo, tem todo o direito de discordar e pode encontrar estratégias melhores para si, melhores do que esta na sua opinião. Mas como perguntou, porque é que eu não faço isto, estas são as minhas três razões.

Muito obrigado por ouvir este podcast! Não se esqueça de subscrever, de acionar o sininho, de partilhar com outros e de falar sobre este podcast a outros. Juntos vamos melhorar a nossa vida financeira!

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4 Comentários

  1. Ricardo

    Estando dentro das condições da lei a taxa de retenção não deveria ser 8%? Encarando os investimentos como um bolo ter um investimento garantido com uma taxa de pelo menos 4% com uma taxa de imposto de menos 20% que os outros investimentos parece-me bastante atrativo.

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá, a taxa de retenção tem a ver com a idade do PPR e não com a “legalidade” do resgate. São coisas diferentes 🙂

      Responder
  2. Nuno

    Olá Pedro,
    o raciocínio que fez é válido se fizer um PPR num determinado ano (20%/5=4%). Se o fizer todos os anos são 20%/ano. Correto?

    Obrigado

    Responder
    • Pedro Andersson

      Certo, mas esse juro de cada “gaveta” só dura 5 anos. Depois passa a zero. É 20% desse valor, mas exclusivamente nesse ano.

      Responder

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