Painel solar fotovoltaico – Balanço Outubro de 2022 (Mês #71)

Escrito por Pedro Andersson

05.12.22

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5 min de leitura

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Balanço de Outubro de 2022

Estou a tentar recuperar os meus balanços perdidos. Segue agora o balanço de produção dos meus painéis solares em Outubro e dentro de 15 dias faço o de Novembro. E depois – espero – volto a entrar no ritmo mensal normal. Para os que chegaram agora a este blogue, desde 2016 que faço mensalmente o balanço da produção dos meus painéis solares para o ajudar a decidir se vale a pena ou não investir em painéis fotovoltaicos (estou a falar dos que produzem eletricidade e não dos que aquecem água). Primeiro comprei um, e depois comprei mais 4 com a ajuda do Fundo Ambiental.

Sem mais demoras, vamos ao que interessa. Como é habitual ao longo de todos estes anos, depois do Verão, a produção dos painéis solares fotovoltaicos começa a descer até janeiro do ano seguinte. Outubro confirmou essa previsão:  produziram “apenas” 133,952 kWh. Tudo normal, portanto.

O retorno do meu investimento (com o reembolso do Fundo Ambiental incluído) continua atualmente nos 5 anos. Continuo a ter um desperdício de cerca de 50%. Se consumisse tudo o que eles produzem, a minha poupança na fatura de eletricidade seria, em Outubro, de 21 euros .

Leia também: Como faço para vender o excedente que não consigo consumir

Leia também: Quanto custa um painel solar?

NOTA PERMANENTE: Comprar baterias (com 6 painéis para ser suficiente para carregar as baterias) custar-me-ia vários milhares de euros. Tenho recebido mensagens de alguns leitores que dizem que já encontram baterias a preços muito razoáveis. Para já não me interessa porque demoraria décadas a recuperar o investimento. Assim, o “acordo” que fiz com a E-Redes (como se chama agora a EDP Distribuição) é consumir em tempo real o que o painel fotovoltaico produz e o que não consumir é oferecido para a E-Redes vender aos outros consumidores. Também já pode vender o excedente que produz. É um processo ainda bastante burocrático, mas nada de impossível. Ainda não iniciei esse processo.

Os números de Outubro de 2022

Em Outubro, os 5 painéis produziram o total de 134 kWh. Tive um desperdício de 48%.
A sua casa, por uma lei da física, consome sempre primeiro a energia dos painéis (porque são a fonte de energia mais próxima). Portanto, se eles produzirem o suficiente para o que a minha casa estiver a gastar naquele segundo específico (ou conjuntos de 15 minutos se tiver net metering), não vou buscar nada à “EDP” (no meu caso Endesa). É eletricidade de “graça”. Só tem de levar em conta o investimento. Se tudo correr como nos anos anteriores, em Novembro e Dezembro a produção vai continuar a descer até começar novamente a subir a partir de Janeiro.

 

As contas

Os meus 5 painéis fotovoltaicos têm um potencial de produção imediata de 1.370 W no pico do sol.
O que produziram em Outubro representaria cerca de 21 € de poupança imediata na minha fatura da luz, se tivesse consumido tudo o que o painel produziu. Metade dessa poupança potencial foi oferecida à rede. O meu aparelho (www.eot.pt) mede tudo minuto a minuto por isso consigo saber ao detalhe. Assim, sei que poupei 11 € neste mês na minha fatura da luz (valores reais com IVA incluído).

Leia também: Como os vendedores podem tentar fazer com que compre mais painéis do que aqueles que precisa

Entre 2016 e Novembro de 2021, tive apenas um painel instalado com o qual poupei 376 € em eletricidade. O retorno do investimento (ROI – Return of Investment) estava nos 8 anos.
Portanto, a partir de Novembro de 2021, com a instalação de mais 4 painéis, “zerei” o meu investimento e estou a apresentar-vos mensalmente as minhas contas em relação ao que investi a mais e ao que estou a poupar desde esse momento (subtraindo o que já tinha amortizado do primeiro painel).
Nestes 12 meses já produzi 389 euros de eletricidade mas só aproveitei na realidade 189,33 euros, ou seja uma média de 15,78 euros de desconto “verdadeiro” na fatura. Agora, com o reembolso do fundo Ambiental efetuado, as minhas contas ficam nos 5 anos, que é menos 3 anos do que o que calculei desde o início, em 2016.

Esta é a minha situação atual, que atualizarei todos os meses.

 

No gráfico abaixo tem a produção total dos painéis em kWh. Não é influenciado pelo preço que pago pela eletricidade.

Este gráfico acima é importante porque a poupança em dinheiro é uma coisa, mas a eletricidade que ele produz é outra. Eu posso produzir mais eletricidade, mas se o preço da eletricidade baixar, a minha poupança vai ser igual ou inferior. Por outro lado, se o preço da eletricidade aumentar, a minha poupança vai ser maior. Assim consigo comparar as duas coisas e – ao mesmo tempo – avalio a eficiência do painel para saber se devo acionar a garantia ou não. Se a eficiência baixar para os 80% antes de 20 anos, posso reclamar.

Não gasto 1 cêntimo em manutenção. Vou ao telhado duas ou 3 vezes por ano passar um pano para tirar a poeira.

Compensa comprar um painel solar?

É por estas contas – que acabou de ver – que deve avaliar bem se precisa mesmo mais do que um painel solar. Um, pode e deve ter de certeza, diria. Dois ou mais, só os deve instalar se tiver a certeza de que tem gente ou equipamentos elétricos suficientes para gastarem a energia que vai estar a produzir em tempo real (nas horas de mais sol), ou então se os conseguir verdadeiramente a preço de saldo. Também tem a hipótese de vender o excedente, mas o preço tem de compensar e a e-redes tem de comunicar atempadamente e de forma rigorosa os valores à empresa que lhe está a comprar a energia. Nem sempre acontece.


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17 Comentários

  1. David Martins

    Boa noite, estou a pensar em investir num sistema de autoconsumo cá para casa. Para poupar algum visto que tudo indica que o preço da energia vai aumentar.
    Mas os valores começam a disparar, para o sistema de 6 paineis de 655w cada e inversor de ibrido “para mais tarde colocar baterias ” de 3kw pedem 4355€.
    Até ter o retorno vai demorar muito….
    Mas tenho uma duvida, você tem micro inversores nos paineis, não torna o sistema mais em conta?

    Responder
    • David Martins

      *455w e não 655w.

      Responder
      • Bruno Oliveira

        Bom dia
        Gostaria de saber porque não vende o excedente existe algu a contra partida?
        Obrigado

        Responder
      • jlx

        Investir em 6 painéis logo de entrada é de facto um investimento bastante grande, tem noção dos consumos atuais? A não ser que tenha carros elétricos e com possibilidade durante o dia, provavelmente irá ter um grande desperdício de energia. E colocar um inversor híbrido também encarece logo o valor da proposta.

        Responder
    • Francisco Freitas

      Olá,
      Posso dizer que o processo de venda do excedente não é assim tão burocrático.
      Abraço

      Responder
      • Nuno Matias

        Bom dia, concordo em pleno pois estou a vender o excedente e não foi nada complicado.
        Abraço

        Responder
    • Artur

      Boa tarde,
      Se for investir, instale um inversor de 4kw. É o máximo permitido se não quiser instalar um contador de produção GSM.
      Mais tarde se quizer aumentar o número de painéis, já tem margem no inversor. Faça um contrato de venda do excedente com preço indexado. Se houver novos apoios do fundo ambiental, consegue recuperar o investimento em 3 a 4 anos sem problema. Não instale micro inversores. Daí menos rendimento e são mais frágeis.

      Responder
  2. LICINIO VAZ

    Bom dia. Posso saber onde comprou o painel solar? Gostava de obter informação de alguma empresa credível e a preços acessiveis. Obrigado

    Responder
  3. João Gonçalves

    Bom dia.
    Eu já iniciei o processo para a aquisição de 4 painéis solares junto da Galp solar. Neste momento estou a aguardar que venham até minha casa para fazerem a avaliação no local.
    A minha questão é se mesmo com o contrato assinado com a Galp solar, também posso fazer o pedido para receber apoio do fundo ambiental e se sim, como posso fazer.
    Tenho potência contratada 6.9kva, com contrato com a Endesa e aderi a 4 painéis que me irá permitir uma produção até 1.4kwh.
    Obrigado por nos ensinar a rentabilizar os nos tão escassos €€€

    Responder
  4. Cecilio Valente

    Bom dia, tenho painéis para autoconsumo e o o injetado na rede é abatido ao meu consumo mensal. As contas são feitas pela Eredes. Não tive que fazer nada. Foi a própria Eredes que me informou, quando uma vez reclamei por os valores de faturamento e do contador não coincidirem. Pode verificar na sua página da Eredes em histórico de leituras.

    Responder
    • Artur

      Sim também me aconteceu, o contador estava mal parametrizado e não efetua a leituras no período de maior excedente. A situação já foi corrigida. Atenção que só é abatido o valor resultante do balanço de 15 em 15 minutos. O excedente durante o dia nunca serve para compensar o consumo durante a noite. O aconselhado é mesmo fazer um contrato de venda do excedente. Existem várias empresas que fazem esses contratos.

      Responder
  5. Roberto Troeira

    Boas, eu sou dos que aquecem água, mas com o excedente fotovoltaico.
    Não é para quem quer, só para quem sabe aproveitar mais dos que os 50%
    Abraço

    Responder
    • Mauro

      Só faz isso? Se assim é, não sabe assim tanto. Cumps.

      Responder
    • Artur

      João Gonçalves, fazendo o contrato com uma comercializadora penso que não dá para se candidatar pois o pagamento é em prestações ao longo dos anos. Através do fundo ambiental, tem que ser uma compra única com fatura e recibo com data dentro do prazo de candidatura. A instalação tem que ser por uma empresa credenciada de porque é necessário apresentar o número do técnico. Não sei quando abrirão novamente as candidaturas. Ainda estavam em análise as últimas da segunda fase. Enquanto isso não for concluído, não abre uma terceira. Atenção que comprando o sistema a uma comercializadora tem de confirmar se tem autorização para vender o excedente a quem quizer.

      Responder
  6. Miguel Macieira

    Eu tenho venda de excedente. Se necessitar de ajuda nesse processo, disponha.

    Responder
    • Gonçalo Batista

      Eu estou agora a tentar desbloquear o processo de venda de excedentes. Ando a navegar em fóruns e afins para tentar desenvolver o processo, mas parado por falta de resposta da DGEG.

      O instalador já realizou o registo de submissão na DGEG e enviou-me o comprovativo já com o meu CPE . Já confirmei com a E-Redes que tenho um contador bidirecional, as a E-Redes diz-me que ainda falta receber a comunicação da DGEG do processo. Pelo que entendi, só depois terei a leitura oficial do que estou a injetar na rede, e terei também o necessário CPE de produção. Solicitei por mail prazos à DGEG para a comunicação à E-Redes, mas não obtive resposta.
      Dados do registo de submissão:
      Injeta energia na rede: sim
      CPE: PT0002XXXXXXXXXXXX
      CPE de produção: –
      Potencia geradores: 3.60kW
      Potencia instalada: 3.68kW
      Potencia de injeção na RESP: 3.68kW
      Instalação ligada à RESP: sim
      Data da autorização para entrada em exploração: 2022-11-17

      Alguma coisa que esteja a ir na direção errada?

      Dados adicionais:
      Tenho atualmente acesso aos dados em app ou no site da Huawei do meu sistema, e consigo monitorizar deste modo a produção dos paineis, o que injeto na rede e o que consumo na rede; faço o registo diário e comparo o consumo da rede com as leituras diárias da E-Redes e bate tudo certo.
      Coloquei uma bateria de 5kW, e tenho uma previsão de retorno de investimento 12 a 14 anos
      Quanto à venda de excedentes, estimo entre 120-140Euros ano, se conseguir obter um preço de 0.07kW/h
      Dados de independencia da rede:
      Novembro (Desde dia 17): 45% do meu consumo dos paineis+ acumulado na bateria
      Dezembro (Até dia 20): 44% do consumo dos paineis + acumulado na bateria

      Responder

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