COMBUSTÍVEIS | Compensa abastecer com o diesel aditivado de marca? (Depósitos #7 e #8)

Escrito por Pedro Andersson

10.11.22

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7 min de leitura

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Diesel aditivado de marca – Prio e Shell (Setembro/Outubro 2022)

Total de km percorridos desde julho de 2022: 7.809 km

Desde o meu último artigo sobre este tema (se compensa pagar mais por gasóleo de marca aditivado para fazer mais quilómetros) já consumi mais 2 depósitos. Não tenho conseguido fazer este balanço com a rapidez que gostaria, mas – podem não acreditar – fazer estas análises ocupam muito tempo. Não é tanto a minha análise pessoal (essa é rápida), é mais transformar isto numa informação que possa partilhada convosco e que seja entendível de forma prática. Trago hoje uma grande novidade (para mim, para vocês não sei…). Fiz uma descoberta muito interessante que pode vir a ter um impacto importante nas marcas que escolho para o meu dia a dia.

Trago-vos hoje os resultados do meu “teste” com um depósito de Prio TOP e outro da Shell.

O meu “teste” da vida real

Estou a testar combustíveis de marcas diferentes para tentar perceber se me compensa abastecer combustíveis aditivados de marca ou aditivados low cost (ou mesmo só os simples). 

Recordo e sublinho que se não concordar com a minha metodologia não precisa criticar.Tenho plena consciência de que isto não é um “teste” científico, está cheio de subjetividade e não pode ser replicado em laboratórios. São apenas contas que estou a fazer e que partilho, sem nenhuma segunda intenção. 

Qualquer resultado destes “testes” nunca serão publicidade a nenhuma marca, nem nenhuma tentativa de prejudicar outra. Será o que for.

Sou um cidadão normal que está a tentar perceber – com os recursos que tem, que neste caso é o próprio carro – o que é mais vantajoso: combustíveis simples mais baratos ou combustíveis aditivados de marca (mais caros), mas que aparentemente fazem mais quilómetros, conferem mais potência ao motor e são mais “limpos”.

O que pretendo fazer (e mostrar) é que se quiser tirar essa dúvida também vai ter de fazer o que estou a fazer: testar e comparar – depósito a depósito – durante vários meses. Eu gasto um depósito por mês. Logo, testar várias marcas vai ser um projeto longo e com percursos diferentes, condições de trânsito diferentes, tipos de condução diferentes. Só eu é que poderei no final chegar às minhas próprias conclusões. E o que eu concluir pode ser muito diferente do que você concluiria com o seu veículo, o seu estilo de condução, percursos e das marcas que você tem disponíveis perto de si.

Não vos quero convencer de nada, nem a mudar de marca ou de tipo de combustível. Nunca saberei (nem vocês)  sequer se os meus resultados são realmente “cientificamente” fiáveis porque pode acontecer pelo caminho uma alteração de uma ou mais variáveis que desconheço. 

O que você vai fazer depois com esta informação é consigo. Se acha que isto é totalmente despropositado, pouco rigoroso, influenciador no mau sentido ou outra coisa qualquer, não precisa ler. Simplesmente ignore. Mas não precisam dizer repetidamente o que já sei e que digo desde o primeiro minuto: tento que os percursos sejam o mais semelhantes possível, mas isso nunca será totalmente conseguido, como é óbvio. Procuro uma tendência e não dados fixos. 

Se eu verificar que os aditivados de marca, ao longo de vários meses, fazem de facto mais quilómetros do que os simples (com que sempre abasteci nos últimos 10 anos) e que compensam financeiramente, mudarei sem qualquer problema. Porquê? Porque é bom para mim. Se ficarem – feitas as contas – ao mesmo preço, de facto, verifiquei em várias marcas marcas premium um aumento de potência do carro e um trabalhar mais “suave” do motor. 

A minha sugestão é que tente fazer o mesmo. Não se baseie apenas num “achismo” ou num teste de que lhe falaram. A vida não é um laboratório esterilizado. Tenho de decidir com base nas minhas circunstâncias, limitações e recursos. 

Vamos às contas de final de setembro e outubro.

Neste artigo AQUI, expliquei que estou a tentar tirar a dúvida se compensa pagar mais por combustível aditivado de marca porque compensaria no maior número de quilómetros percorridos. 

A cada abastecimento, encho o depósito mesmo até ao máximo possível (até sair por fora). Desta forma, quando abastecer novamente saberei exatamente quantos litros gastei do combustível anterior. Já estou a fazer isto há 8 depósitos, por isso os valores abaixo são bastante rigorosos.

Até agora, o resumo é este (sempre com o preço à data sem qualquer espécie de descontos):

*AE é Autoestrada; U é Urbano

MêsMarcaLitrosCircuitoKm percorridosConsumo

l/100 km

€/100 km
JulhoGALP Evo51,59AE9725,31310,63 €
JulhoBP50,39AE9435,34410,95 €
AgostoAuchan (simples)52,12AE+200 km9455,3329,81 €
AgostoGALP Evo50,95(U) 534 km+(AE) 392 km9265,50211,25 €
SetembroRepsol52,33U7936,59913,75 €
OutubroPrio Top49,77AE9375,3129,45 €
OutubroShell51,58AE10205,0579,81 €
     

A surpresa

Como pode ver no quadro acima, acrescentei uma coluna com o consumo aos 100, à milésima. No fundo é o que vai traduzir o rendimento por quilómetro, mais do que o preço (porque este varia de semana para semana). Mas noto que a tendência está lá.

Tendo em conta os depósitos exclusivamente em autoestrada (e sempre a 120 km/hora em cruise control), até agora o melhor resultado que consegui foi com o combustível Shell V-Power. Consegui, pela primeira vez na minha vida, fazer mais de 1.000 km apenas com um depósito (1.020), com uma média de 5,057 litros aos 100 (sempre a 120 km/hora). A seguir, ficou a TOP Prio, com uma média de 5,312 e em terceiro lugar do podium a Galp Evologic, com uma média de consumo de 5,313 l/100.

Em relação a percursos exclusivamente urbanos, até hoje, só consegui testar apenas um depósito que foi o da Repsol, com o qual fiz 793 quilómetros. Todos os outros percursos mistos têm valores que não consigo analisar com detalhe. Neste momento estou a gastar um depósito Shell V-Power exclusivamente em circuito urbano (casa-trabalho-escola do miúdo-casa-compras-voltinhas) e estou curioso para ver se faz mais ou menos (ou igual) à Repsol.

Até ao momento as minhas conclusões (preliminares) são as seguintes:

  • O melhor desempenho até agora é o da Shell V-Power. Não estou ainda a analisar os preços. Só os quilómetros máximos que consigo fazer.
  • A média de consumo da Galp, da BP, da Prio TOP e do Auchan simples são bastante semelhantes em autoestrada (ambas me deram um consumo de 5,3 l aos 100). E as diferenças de preços entre eles são substanciais.
  • Continuo a notar diferença para melhor no rendimento do motor e no “trabalhar” com o premium da GALP, da BP e da Shell em relação ao low cost, mas não no número significativo de quilómetros. O premium da Repsol não tem esse rendimento melhor e é mais ruidoso. Neste aspeto, comparo o premium da Repsol ao do simples do Auchan. Pode ser do meu carro.
  • O próximo depósito é da Shell mas em circuito exclusivamente urbano.

Não sei se acham piada a este tipo de testes, mas eu divirto-me imenso a fazer estas comparações porque tiro as minhas conclusões e acabo por perceber quais são as melhores opções financeiras para mim. Mesmo que não partilhasse convosco estas “aventuras”, fazia isto na mesma. Se acharem que é interessante acompanharem, fico contente. Se acham que é uma perda de tempo e que nada disto faz sentido, por mim não há problema. Basta não lerem estes balanços. Leiam só os outros artigos.


 

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21 Comentários

  1. José Fernandes

    Obviamente que todos os testes são válidos e interessantes de ler. Uma dica, hoje vinha na autoestrada e lembrei me de si já que oiço os seus podcasts e um deles tal como aqui no artigo fala de vir em Cruise Control. É mais confortável mas gasta mais que vir a 120 a controlar com o acelerador. Já fiz esse teste e a minha carrinha gasta bem mais em Cruise Control. Fica a dica para fazer a experiência. Um abraço.

    Responder
    • Pedro Andersson

      Obrigado! O problema é que eu sou um péssimo condutor. Assim, pelo menos tenho uma bitola 🙂

      Responder
      • Vitor

        Boa iniciativa. Sempre engraçado. Por outro lado a limpeza que os premium podem proporcionar ao motor tb pode prevenir problemas futuros. Pelos menos lêem se umas histórias assim.
        Continue o bom trabalho pedro. Portugal agradece! Abraço

        Responder
      • José Bártolo

        Gostaria de saber e agradeço a quem sabe mais do que eu… Se é de confiança o combustível chamado de marca branca que vendem nos supermercados, simples ou aditivado….??!! O que eu pergunto é se o combustível sendo mais barato é de confiança….!!!! Agradeço se possível uma resposta…. Obrigado.

        Responder
      • Marco

        Sabia que esse produto foi proibido na Holanda ,de qualquer marca e as companhias multaras por falsa publicidade ,chegaram á conclusão que os benefícios de por um combustível normal com um aditivo comprado em qualquer lado é muito superior aos benefícios apregoados pelas companhias.

        Mas realmente o senhor antes das comparações explicou que não fez nenhum teste ,apenas se limitou a atestar e fazer considerações sobre os combustíveis.

        Sinceramente quando não conseguimos passar uma informação válida ,mais vale estar calado .

        Responder
    • Pedro

      Isso é um mito. Vir em Cruise Control ou controlo do acelerador feito por nós mesmos, é igual, se o controlo for exatamente o mesmo.

      Vocês diz ao Cruise Control para manter sempre os 120km/h.

      Se vocês “disser” o mesmo ao seu pé para ir sempre a 120km/h, vai gastar exactamente o mesmo.

      Nota sim um consumo menor ao não usar o Cruise Control pois a demanda que pede ao motor com o seu pé é menor, pois oscila com as subidas e descidas….

      Responder
  2. Ricardo Sousa

    É uma carolice interessante. 😉

    Responder
  3. Nelson

    Artigo interessante, porém sugiro que faça o mesmo teste com a velocidade adequada do COUPLE do motor. No meu carro esse COUPLE motor é a 74km/h com pneus especiais para carros elétricos ( pois têm menos atrito no asfalto ( Michelin E-Primacy)) acrescentados de 0,3 Bar de pressão consigo média de 2,97 Litros por 100Kms. Com cada depòsito cheio ando mais de 1400Kms.

    Pense nisso. 😉

    Bye

    Responder
  4. Miguel Almeida

    Parabéns… Bem haja pela coragem de pensar pela sua cabeça. Nos tempos que correm é raro. Concordo com o leitor Vitor relativamente à poupança futura, principalmente na manutenção dos injectores limpos (motores a gasóleo).

    Responder
  5. João Silva

    Boa tarde e parabéns por mais uma iniciativa e partilha que tendo as suas nuances e limitações tem como propósito de tentar ajudar e elucidar todos nós.

    Face ao que mencionou “A cada abastecimento, encho o depósito mesmo até ao máximo possível (até sair por fora). Desta forma, quando abastecer novamente saberei exatamente quantos litros gastei do combustível anterior.” remeto-lhe alguns artigos que por si só também tentam ajudar quem tem carro.

    Os artigos estão relacionados com o facto de encher o depósito até cima, até sair por fora ou perto disso que poderá ser prejudicial para o veívulo ou inclusivamente gerar desperdício de combustível.

    https://pplware.sapo.pt/motores/atestar-o-deposito-depois-do-primeiro-clique-pare-de-abastecer/

    https://www.ibizaclubpt.com/threads/sera-bom-encher-o-deposito-ate-ca-acima.21466/

    https://magg.sapo.pt/atualidade/artigos/deve-mesmo-parar-de-encher-o-deposito-quando-ouve-o-primeiro-clique-da-bomba-de-gasolina-mesmo

    Um abraço e continuação de excelentes partilhas!!

    Responder
    • Pedro Andersson

      Obrigado, João. Sim. Tenho consciência disso. Mas é a única forma de ter valores reais. Assim que chegar à minha conclusão deixo de fazer isto.

      Responder
      • Paulo Santos

        Boa tarde caro Pedro,
        Quero primeiro de tudo agradecer pelo seu excelente trabalho.
        Referente ao combustível eu pessoalmente gosto muito do Bp ultimate mas como tudo pode ser placebo.
        Eu acho que o combustível da Prio é o mesmo da shell pois a prio foi comprada pela shell.
        Muito obrigado.

        Responder
  6. Pedro Lebre

    Atesto sempre meu depósito até à boca, andei anos a ir sempre pela solução mais barata por pensar que faria uma poupança maior, total engano, costumava abastecer no Intermarché e, na viatura actual que tenho noto uma diferença enorme de desempenho, falhas de resposta, pouca força em regimes baixos, isto tanto no normal como no aditivado, tendo até que efectuar quinzenalmente resets à centralina do carro numa operação que envolvia tirar os fusíveis e religando para o motor “reaprender”.
    Há uns meses comecei a fazer outro teste, colocar sempre o aditivado de marcas, Repsol, Prio, Galp, Cepsa. A diferença que notei foi óbvia, tenho um SUV com 20 anos, não é muito guloso mas enquanto com os combustíveis do Intermarché fazia médias de 7,7 litros por cada 100 km e com falhas constantes no motor, ralenti irregular, pouca força em regimes baixos, com os aditivados de marca a média baixou para os 6,5 litros a cada 100 km, não necessariamente por baixarem o consumo mas mais pelo facto de obter com eles melhor resposta do motor a baixa rotação e não precisar de andar nos regimes mais altos e gastadores. Conclusão: num depósito de 60 litros em que a diferença entre um aditivado, que seja de 5 cêntimos, poupando 3 euros num depósito cheio, se usar os aditivados de marca e em cada 100 km poupar 1 litro, já se traduz numa poupança de cerca de 15 euros, e com o motor muito mais saudável e responsivo e nunca mais tive que andar a mexer em fusíveis da centralina para sentir o carro normal. Low cost nunca mais, Intermarché então nem pensar.

    Responder
  7. Miguel Penela

    Gosto de ler todo o tipo de testes. Há sempre situações parecidas que se pode aproveitar. Eu tenho feito mas é em relação ao GPL, mas também verifiquei que os pneus influenciam muito. Tinha pneus de gama B na parte de consumo e agora tenho C e D e notei a diferença. Fica a nota. Obrigado e bom trabalho

    Responder
    • Pedro Oliveira

      Caro Pedro, antes de mais obrigado pelo seu trabalho. Para mim é muito interessante. Tenho uma carrinha de sete lugares porque tenho uma família grande. Os consumos são uma preocupação, não só pela despesa, mas também por questões ambientais.
      Tendo em conta que não tenho capital para comprar uma viatura eléctrica, opto por combustível top da prio e faço uma condução tranquila para baixar os consumos que ficam sempre acima dos sete litros.
      Obrigado e continue combo excelente trabalho que nos auxilia a poupar.
      Cumprimentos
      Pedro Oliveira

      Responder
  8. José Pedro

    Há muito tempo que fiz os testes. O melhor será utilizar o computador de bordo. Com combustível simples gasta, pelo menos, mais 0,5 litros aos 100 Kms, além da lubrificação ser pior. Basta fazer as contas com o diferencial do preço do combustível. Há largos anos que não utilizo combustível simples.

    Responder
  9. Victor Manuel

    Desculpem a minha ignorância, pois normalmente não costumo abastecer na Prio, mas sim na Galp, (Diesel Evologic).
    Porque é que o preço do Top Diesel na Prio, que supostamente é o Diesel Premium da Prio, é mais barato que o Gasóleo Simples da mesma marca. É mero marketing para levar as pessoas a abastecer do Diesel Top, (quanto a mim um pouco infeliz, pois ao inflacionar o preço do Gasóleo simples perde alguns clientes, que se recusam a abastecer com combustíveis premium, para os quais nem sequer olham para o preço destes), ou tem outra razão qq? Obrigado

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá. É marketing. Cada um pode fazer os preços que quiser…

      Responder
  10. Márcio Lopes

    Muito obrigado pelo estudo!
    Costumo abastecer entre repsol ou prio, mas agora fiquei curioso para testar outras marcas!
    Vou continuar a acompanhar!
    Obrigado,

    Responder

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