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Painel solar fotovoltaico – Balanço Maio de 2022 (mês #66)

Escrito por Pedro Andersson

15.06.22

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5 min de leitura

Balanço de Maio de 2022

Maio bateu o record de produção de eletricidade até agora. Por outro lado, foi simultaneamente o mês com o maior desperdício de sempre para a rede. Quanto mais produzo mais desperdiço. É também uma falha de organização da minha parte, eu sei. Este dado é importante para quem está a pensar instalar painéis solares sem baterias. Se está a pensar apenas em autoconsumo em tempo real, dimencione o seu sistema aos seus padrões de consumo durante as horas de sol. Comprar painéis a mais é um desperdício. Vender à rede é outra opção. Mas pense bastante e faça muitas contas antes de avançar.

O meu processo de reembolso de 85% do Fundo Ambiental continua parado. Não tive nenhum contacto após o início da repetição da minha candidatura. A candidatura estava já na fase de reembolso quando voltou tudo para trás porque as certidões de não dívida caducaram entretanto por causa da demora da análise do processo. Voltou tudo à estaca zero.

Mas avancemos para o balanço de maio de 2022.

Em maio, os 5 painéis produziram o total de 217 kWh. Estou a ter um desperdício gigante de 59%. Podia iniciar o processo de venda do excedente, mas tenho receio porque ainda me chegam relatos de muitos problemas com a e-redes para quem iniciou o processo. Como estou a pagar uma ninharia por mês de eletricidade  (2 ou 3 euros por mês por causa dos códigos amigo da endesa – tenho 60 amigos) não vejo necessidade de ter pressa em meter-me em confusões.

Leia também: Como faço para vender o excedente que não consigo consumir 

Leia também: Quanto custa um painel solar?

NOTA PERMANENTE: Como já sei que muitas pessoas vão perguntar, comprar baterias (com 6 painéis para ser suficiente para carregar as baterias) custar-me-ia vários milhares de euros. Tenho recebido mensagens de alguns leitores que dizem que já encontram baterias a preços muito razoáveis. Para já não me interessa porque demoraria décadas a recuperar o investimento. Assim, o “acordo” que fiz com a E-Redes (como se chama agora a EDP Distribuição) é consumir em tempo real o que o painel fotovoltaico produz e o que não consumir é oferecido para a E-Redes vender aos outros consumidores.

Os números de maio de 2022

A sua casa, por uma lei da física, consome sempre primeiro a energia dos painéis (porque são a fonte de energia mais próxima). Portanto, se eles produzirem o suficiente para o que a minha casa estiver a gastar naquele segundo específico (ou conjuntos de 15 minutos se tiver net metering), não vou buscar nada à “EDP” (no meu caso Endesa). É eletricidade de “graça”. Só tem de levar em conta o investimento.

Como pode ver no gráfico seguinte, os 5 painéis produziram 217,629 kWh em abril.

As contas

Os meus 5 painéis fotovoltaicos têm um potencial de produção imediata de 1.370 W no pico do sol.

O que produziram em Maio representaria cerca de 41 € de poupança na minha fatura da luz, se tivesse consumido tudo o que o painel produziu no mês passado. Mas tive um desperdício de 59%, que ofereci à rede. O meu aparelho (www.eot.pt, porque estão sempre a perguntar-me) mede tudo minuto a minuto por isso consigo saber ao detalhe. Assim, sei que poupei exatamente 17,09 € na minha fatura da luz (valores reais com IVA incluído).

 

Leia também: Como os vendedores podem tentar fazer com que compre mais painéis do que aqueles que precisa

Entre 2016 e Novembro de 2021 poupei com um painel 376 €. O retorno do investimento estava nos 8 anos.

Portanto, a partir de Novembro de 2021, com a instalação de mais 4 painéis, “zerei” o meu investimento e vou apresentar-vos as minhas contas em relação ao que investi a mais e ao que estou a poupar desde esse momento (subtraindo o que já tinha amortizado do primeiro painel).

Nestes 7 meses já produzi 211 euros de eletricidade mas só aproveitei na realidade 102 euros, ou seja uma média de 14,57 euros de desconto “verdadeiro” na fatura. Se não tiver o reembolso do Fundo Ambiental vou demorar 11 anos a reaver o dinheiro investi. Com o reembolso, as minhas contas mantêm-se nos 5 anos, que é menos 3 anos do que o que calculei desde o início.

Esta é a minha situação atual, que atualizarei todos os meses.

No gráfico abaixo tem a produção total dos painéis em kWh. Não é influenciado pelo preço que pago pela eletricidade.

Este gráfico é importante porque a poupança em dinheiro é uma coisa, mas a eletricidade que ele produz é outra. Eu posso produzir mais eletricidade, mas se o preço da eletricidade baixar, a minha poupança vai ser igual ou inferior. Por outro lado, se o preço da eletricidade aumentar (como está a acontecer), a minha poupança vai ser maior. Assim consigo comparar as duas coisas e – ao mesmo tempo – avalio a eficiência do painel para saber se devo acionar a garantia ou não. Se a eficiência baixar para os 80% antes de 20 anos, posso reclamar.

Não gasto 1 cêntimo em manutenção. Vou ao telhado duas ou 3 vezes por ano passar um pano para tirar a poeira.

Compensa comprar um painel solar?

É por estas contas – que acabou de ver – que deve avaliar bem se precisa mesmo mais do que um painel solar. Um, pode e deve ter de certeza, diria. Dois ou mais, só os deve instalar se tiver a certeza de que tem gente ou equipamentos elétricos suficientes para gastarem a energia que vai estar a produzir em tempo real (nas horas de mais sol), ou então se os conseguir verdadeiramente a preço de saldo. Também tem a hipótese de vender o excedente, mas o preço tem de compensar e a e-redes tem de comunicar atempadamente e de forma rigorosa os valores à empresa que lhe está a comprar a energia.


 

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12 Comentários

  1. Tiago

    É uma realidade que a E-Redes está com graves problemas de fiabilidade do seu sistema… durante alguns dias deste mês tenho tido registados no site da E-Redes produções/injeções dos meus painéis fotovoltaicos entre as 00h e as 01h30m (noite profunda, em que os painéis não produzem), o que é de todo impossível.
    Em todo o caso, os problemas da E-Redes não impedem que se inicie o processo para venda do excedente… esses 128,61 kWh de excedente poderiam ter-lhe rendido em Maio um valor aproximado de 20€, ou seja um valor ainda superior ao valor que poupou diretamente com o autoconsumo. Era uma excelente ajuda para amortizar os painéis mais rapidamente.

    Responder
    • Miguel

      128,61 kWh nunca daria um retorno de 20 euros nem parecido. O máximo que, atualmente, estão a pagar por 1 kWh vendido é 4 cêntimos. Por isso, esse excedente só renderia cerca de 5 euros… é triste, mas é a realidade.
      Os painéis também produzem durante a noite, um valor muito baixo, mas é possível… Verifique se existe luz pública nas imediações. No meu caso, consigo produzir entre 5 a 10 Wh durante a noite.

      Responder
      • MARCO RAMOS

        Sim, máximo 6 cent foi o que me ofereceram… (opção valor FIXO).
        Em relação à opção valor INDEXADO sabe como funciona?
        Descontam uma taxa de processamento, mas será que compensa, pois o valor é o de mercado?
        Obg

        Responder
        • Tiago

          MARCO RAMOS, às propostas indexadas ao OMIE é subtraído uma Comissão de Gestão (CG), que andava à 15 dias pelos 0,015€/kWh ou de 10% a 20% dependendo das empresas que adquire os excedentes fotovoltaicos do autoconsumo.
          Aos valores atuais compensa de certeza as propostas indexadas, e se o contrato for de 1 ano, duvido que o valor indexado – CG venha a ser inferior aos 0,06 €/kWh da proposta fixa. (mas como é óbvio é uma opinião minha, pode falhar)

          Responder
          • Marco Ramos

            Obrigado,
            Era para o indexaso que estava mesmo mais inclinado, vou optar por esse.
            Tenho tudo tratado, agora estou SÓ dependente da e-redes, que estão para me trocar o contador há mais de um mês.
            Pelo meio trocaram (por engano) numa outra morada que tem o meu NIF no contrato, agora dizem que não têm contadores!
            Sugeri irem buscar o que instalaram no outro local, pois pedi para a morada onde tenho os painéis e preciso do contador para avançar com a venda… Dizem que em 15 dão resposta, vamos ver…
            Resumindo, desta saga épica que é tentar vender o excedente entre abrir atividade (fácil), reconhecer uma assinatura (fácil, 15€) e mandar a papelada para a empresa escolhida, até agora estou “empancado” com a e-redes… 🤷‍♂️

      • Tiago

        Miguel, o valor que referiu de 4 cêntimos, com certeza será um valor fixo proposto por alguma empresa algum tempo atrás, ou então para a microgeração.
        De momento, todas as empresas que compram o excedente fotovoltaico do autoconsumo têm 2 propostas, uma fixa, que andará pelos 6 a 8 cêntimos (à 15 dias era mais ou menos isso) e uma proposta indexada ao OMIE, ao qual é subtraído uma Comissão de Gestão (CG).
        Neste momento, o valor OMIE, por causa duma alteração dos governos português e espanhol, está mais baixo do que no mês passado, mas à data de hoje o valor médio é de 0,13213€/kWh. Poderá consultar os valores anteriores e atuais neste link https://www.omie.es/pt, ou fazendo uma pesquisa por OMIE. A este valor tem de retirar uma CG de 0,015€/kWh ou de 10% a 20% dependendo das empresas que compram.
        Em Dezembro 2021, 56,25 kWh renderam-me 13,48€ (média de 0,239576 €/kWh). Em Fevereiro 2022, 125,75 kWh, renderam-me 22,64€ (média 0,180069 €/kWh), valores já recebidos por mim.
        Quanto à produção noturna, no caso dos meus painéis isso não acontece… seriam 1 ,5kWh por noite (em algumas noites), algo completamente impensável.

        Responder
  2. Alberto

    Boa tarde,
    relativamente aos painéis solares, existe agora uns vendedores que “oferecem” um contrato para a compra dos painéis com um sistema em que o contador caso exista um excesso de produção solar e não havendo consumo em casa, esse sistema calcula a energia não consumida enviada para a rede, e posteriormente, se o consumo interno aumentar de forma a ir à rede buscar energia, como existe um “crédito” na rede, essa energia não é cobrada. Claro que isto só é válido enquanto os painéis produzirem energia.
    Será uma boa aposta nestas condições ou é mais uma venda da banha da cobra?
    Cumprimentos

    Responder
    • Joaquim

      Candidato-me ao Fundo Ambiental e foi recusado só porque a EDP não emitia a fatura como eles queriam, por muito que reclama-se perante a EDP e o FA, fizeram-me perder tempo empurrando o assunto para o outro, só sei que prejudicado fui eu.
      Recomendo a não comprarem está treta, o custo total dá para compensar mais do que poupam.
      Uma completa fantochada.

      Responder
      • Tiago

        Se instalou pela EDP e está a pagar em mensalidades, tal não é contemplado pelo Fundo Ambiental. Teria de pagar a pronto pagamento.
        De qualquer das formas, não recomendo instalações fotovoltaicas pela EDP ou qualquer outro comercializador de energia (GALP, Endesa…)
        Os painéis fotovoltaicos, se o sistema for bem dimensionado, proporcionam uma verdadeira poupança em meia duzia de anos, e se tiverem o apoio do Fundo Ambiental, em 2 anos estão pagos.

        Responder
    • Tiago

      O crédito que fala, em teoria é em períodos de 15 minutos, e é calculado automaticamente pela E-Redes, é o chamado Saldo Quarto-horário (ou como se vê por aí escrito de forma não totalmente correta, “netmetering”).
      O acerto de contas é feito de 15 em 15 minutos… por exemplo entre as 14:00 e as 14:15, consumiu da rede 1 kWh, e nesses mesmos 15 minutos injetou (da sua produção fotovoltaica) 0,25 kWh, só irá pagar 0,75 kWh.
      Isto acontece qualquer que seja o instalador dos painéis fotovoltaicos e qualquer seja o seu comercializador de energia (EDP, Endesa, Goldenergy….)

      Responder
  3. Rui Ribeiro

    Boa tarde Pedro! Sempre um gosto ler os seus artigos! Gostava de saber se tem alguma ideia do tempo de resposta que está a ser dado a quem solicita candidatura ao programa “Vale Eficiência”. Fiz a minha candidatura no dia 2 de Abril, com o objectivo de instalar painéis fotovoltaicos em casa, e até ao momento não recebi qualquer resposta. Grato pela ajuda! Cumprimentos

    Responder
    • Tiago

      Rui Ribeiro, tem sido entre os 4 a 6 meses para ter alguma noticia do Vale Eficiência.

      Responder

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