EURIBOR | Prestação da casa sobe em abril para contratos indexados à Euribor a 6 e a 3 meses

Escrito por Pedro Andersson

31.03.22

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4 min de leitura

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Prestação da casa sobe em abril para contratos indexados à Euribor a 6 e a 3 meses

Meus amigos, devem começar a preparar-se para aumentos constantes e regulares na vossa prestação do crédito à habitação a partir de agora. Era inevitável acontecer, e só estávamos à espera disto lá mais para a frente, mas começou mais cedo.

A prestação paga pelos clientes bancários pelo crédito à habitação vai subir novamente em abril nos contratos indexados à Euribor a seis e a três meses, face às últimas revisões, segundo a simulação da Deco/Dinheiro&Direitos.

Um cliente com um empréstimo no valor de 150 mil euros, a 30 anos, indexado à Euribor a seis meses e com um ‘spread’ (margem de lucro do banco) de 1%, passa a pagar a partir de abril 455,00 euros, o que traduz uma subida de 7,46 euros face à última revisão em outubro.

Já no caso de um empréstimo nas mesmas condições (valor e prazo de amortização), mas indexado à Euribor a três meses, o cliente passa a pagar 449,11 euros, mais 2,82 euros do que paga desde janeiro.

Estes valores foram calculados tendo em conta as médias da Euribor no mês de março, tendo sido a seis meses de -0,406% e a três meses de -0,495%.

Desde 2015 que as taxas de juro estão em terreno negativo. Contudo, caso se concretize a alteração da política monetária é possível que as taxas Euribor subam ligeiramente e com elas a prestação dos contratos de crédito à habitação.

Os aumentos não vão ser drásticos, mas de 5 em 5 euros, e depois de 10 em 10 ou de 15 em 15, deve começar a prever estar a pagar daqui a 1 ano dezenas de euros a mais por mês em relação a agora. Pode ser mais 50 euros por mês, 60, 70 ou até mais conforme o valor que pediu emprestado. Mas reorganize o seu orçamento para absorver esses aumentos que são neste momento mais do que previsíveis.

Como sabe, tenho andado a avisar todos estes anos que esta situação da Euribor negativa não é normal e que esta “poupança automática” não é eterna. No meu caso, estou a “não gastar” cerca de 70 euros por mês face ao valor normal que deveria estar a pagar ao banco. Tenho estado a colocar esse dinheiro de lado e a investi-lo de forma a ganhar dinheiro com esse dinheiro “grátis” para fazer amortizações extraordinárias no meu crédito à habitação quando a Euribor voltar a estar positiva.

Quando vos digo que reforço os meus PPR, Fundos de investimento, ETF ou criptomoedas é, em parte, com este dinheiro que estou a poupar sem fazer nada (só porque a Euribor está negativa). Claro que a outra opção seria gastar esse dinheiro em qualquer coisa que 15 dias depois já não me lembrava em quê. São opções. Esta foi a forma que encontrei de me preparar para esse momento.

Se ainda não fez nada para se preparar para o aumento da sua prestação ao banco, está mais do que na hora de começar a fazer isso. Reforce o seu Fundo de Emergência com mais um mês ou dois das suas despesas mensais (para além dos 6 ou 12 meses que já tem). Com o aumento da inflação acima dos 5% e os preços de tudo a subir, é bom que se prepare para mais esta subida.

E, por favor, não faça o que milhares de portugueses fazem, que é assobiar para o lado e pensar que tudo se vai resolver por si e que o Estado e as instituições vão ser os paizinhos de toda a gente. Preparar-se significa tomar as rédeas das suas finanças e começar a tomar decisões já, como reduzir despesas e criar poupanças automáticas para uma conta a parte.

Renegoceie imediatamente todos os seus contratos e veja se consegue transferir o seu crédito à habitação para outro banco (ou no mesmo) com condições mais vantajosas. Avalie também passar de taxa variável para taxa fixa se a segurança e a previsibilidade são importantes para si. Mesmo que passe para taxa fixa, não passe dos 2% (é a minha avaliação, não tem de ser a sua).

As taxas Euribor entraram em terreno negativo em 2015 e significam uma poupança significativa para todos os que têm taxa variável, seja qual for o prazo. O aumento preocupante da inflação e a incerteza da guerra veio baralhar as contas que apontavam para um regresso a terreno positivo da Euribor só em 2025. Em princípio ainda vai ser este ano no prazo a 1 ano e no ano que vem nos restantes.  

Explico neste artigo como pode fazer as contas para saber se a sua prestação vai subir ou descer nas próximas mensalidades, com base no comportamento da Euribor.

Leia mais:
Como a Euribor afeta a minha prestação do Crédito à habitação?


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2 Comentários

  1. Armando Serrão

    Bom dia snr.Pedro,

    Os bancos só deveriam aumentar quando passasse do negativo real e ia subindo gradualmente até ao positivo. Porque os cliente deveriam ter crédito do euribor negativo. Não sei se me fiz compreender .

    Um abraço
    Armando Serrão

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá. Mas isso está a ser feito. Está a pagar menos do que de evia desde 2015…

      Responder

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