Painel solar fotovoltaico – Balanço de Janeiro de 2022 (mês #62)

Escrito por Pedro Andersson

16.02.22

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5 min de leitura

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Balanço de Janeiro de 2022

Janeiro foi um bom mês de produção de eletricidade, agora já com 5 painéis. A grande novidade é que acaba de ser aprovado o reembolso da minha candidatura ao Fundo Ambiental (Programa Edifícios mais sustentáveis II) embora ainda não tenha recebido o dinheiro na conta bancária.

Mas quero que perceba que com este reembolso já me compensa ter comprado mais 4 painéis (antes só tinha um). Sem este reembolso, teria sido um péssimo negócio. Com o reembolso de 85% do investimento (excepto o IVA) terei todo o investimento pago em 7 anos ou menos. Talvez chegue aos 5 anos. Vamos ver. Depende de como correrem os verões daqui para a frente.

Normalmente, é a partir de janeiro que a produção começa a subir até depois começar a baixar depois do verão.

Em janeiro, os 5 painéis produziram o total de 139 kWh. É um valor muito relevante. É quase metade do que costumo gastar cá em casa (300 kWh/mês). O problema é que não consigo gastar tudo o que eles produzem.

Leia também: Como faço para vender o excedente que não consigo consumir 

Leia também: Quanto custa um painel solar?

NOTA PERMANENTE: Como já sei que muitas pessoas vão perguntar, comprar baterias (com 6 painéis para ser suficiente para carregar as baterias) custar-me-ia vários milhares de euros. Eu não tenho esse orçamento e demoraria décadas a recuperar o investimento. Assim, o “acordo” que fiz com a E-Redes (como se chama agora a EDP Distribuição) é consumir em tempo real o que o painel fotovoltaico produz e o que não consumir é oferecido para a E-Redes vender aos outros consumidores. Essa opção é boa para soluções “off-grid”, ou seja em locais isolados sem acesso a eletricidade da rede.

Os números de Janeiro de 2022

A sua casa, por uma lei da física, consome sempre primeiro a energia dos painéis (porque são a fonte de energia mais próxima). Portanto, se eles produzirem o suficiente para o que a minha casa estiver a gastar naquele segundo específico (ou conjuntos de 15 minutos se tiver net metering), não vou buscar nada à “EDP” (nomeu caso Endesa). É eletricidade de “graça”. Só tem de levar em conta o investimento.

Como pode ver no gráfico seguinte, os 5 painéis produziram 139,221 kWh em janeiro.

As contas

Os meus 5 painéis fotovoltaicos têm um potencial de produção imediata de 1.370 W no pico do sol.

O que produziram em janeiro representaria cerca de 25,06 € de poupança na minha fatura da luz, se tivesse consumido tudo o que o painel produziu no mês passado. Mas tive um desperdício de 47% (igual ao desperdício em dezembro), que ofereci à rede. O meu aparelho mede tudo minuto a minuto por isso consigo saber ao detalhe. Assim, sei que poupei exatamente 13,35 € na minha fatura da luz (valores reais).

Neste gráfico a seguir tem o desperdício de kWh (65 kWh) que ofereci à e-Redes em Janeiro.

Assim, dos 25 euros de eletricidade que os painéis produziram, só aproveitei realmente 13,35 € na minha fatura de eletricidade (IVA incluído).

Leia também: Como os vendedores podem tentar fazer com que compre mais painéis do que aqueles que precisa

Entre 2016 e Novembro de 2021 poupei com um painel 376 €. O retorno do investimento estava nos 8 anos.

Portanto, a partir de novembro de 2021, “zerei” o meu investimento e vou apresentar-vos as minhas contas em relação ao que investi a mais e ao que estou a poupar desde esse momento (subtraindo o que já tinha amortizado do primeiro painel).

Nestes 3 meses já produzi 65 euros em eletricidade mas só aproveitei na realidade 33 euros, ou seja uma média de 11 euros de desconto “verdadeiro” na fatura. Se não tivesse o reembolso do Fundo ambiental demoraria 15 anos a reaver o dinheiro investi. Com o reembolso, as minhas contas dão 7 anos, que é o que calculei desde o início.

Esta é a minha situação atual, que atualizarei todos os meses.

No gráfico abaixo tem a produção total do painel em kWh. Não é influenciado pelo preço que pago pela eletricidade.

Este gráfico é importante porque a poupança em dinheiro é uma coisa, mas a eletricidade que ele produz é outra. Eu posso produzir mais eletricidade, mas se o preço da eletricidade baixar, a minha poupança vai ser igual ou inferior. Por outro lado, se o preço da eletricidade aumentar (como está a acontecer), a minha poupança vai ser maior. Assim consigo comparar as duas coisas e – ao mesmo tempo – avalio a eficiência do painel para saber se devo acionar a garantia ou não. Se a eficiência baixar para os 80% antes de 20 anos ,posso reclamar.

Não gasto 1 cêntimo em manutenção. Vou ao telhado duas ou 3 vezes por ano passar um pano para tirar a poeira.

Compensa comprar um painel solar?

É por estas contas – que acabou de ver – que deve avaliar bem se precisa mesmo mais do que um painel solar. Um, pode e deve ter de certeza, diria. Dois ou mais, só os deve instalar se tiver a certeza de que tem gente ou equipamentos elétricos suficientes para gastarem a energia que vai estar a produzir em tempo real (nas horas de mais sol), ou então se os conseguir verdadeiramente a preço de saldo.

A possibilidade de vender o excedente à rede pode vir a ser um cenário interessante, mas ainda tenho muitas dúvidas. Em todo o caso esse será o meu próximo passo. Vou querer vender o excedente à rede. Darei conta disso ainda este ano, espero, e partilharei aqui todos os pormenores.


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24 Comentários

  1. Filipa

    Boa tard, tenho uma questão. Não é possível rentabilizar esse consumo automatizando determinadas coisas? Programar máquinas de lavar e assim para fazerem consumo diurno no período que os painéis estão a produzir?
    Obrigada.

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá. Claro que sim! Isso queria eu, mas com filhos em casa para mim é complicado :). Quero fazer isso mas não tenho tido muito sucesso…

      Responder
      • Horário

        Bom dia, Sr Pedro Anderson não percebi como não pode programar máquinas, tb tenho instados painéis fotovoltaicos, muito satisfeito mas com gestão de consumo .

        Responder
        • Pedro Andersson

          Olá. Eu posso. A minha mulher é que quer a loiça e a roupa lavada e seca quando ela quer e não quando eu quero pôr o sol a trabalhar para mim :). Dinâmicas familiares… Tento gerir as coisas com equilíbrio. Nem tudo na vida são faturas e contas 😉

          Responder
  2. Fernando Martins

    Boa tarde Pedro. Não ponderou colocar uns suportes para otimizar a exposição solar dos painéis?

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá. Sim. Achámos que o ganho não compensava o acréscimo de despesas na estrutura e na segurança por causa do vento. Para mim assim chega e sobra :).

      Responder
  3. José Sendas

    Boa tarde, a SU Eletricidade é o comercializador de último recurso (CUR), à qual poderá vender a energia elétrica a partir da sua Unidade de Pequena Produção (UPP). Cmp

    Responder
  4. Carlos

    Boa noite Pedro, tenho uma questão: sabe-me dizer se será possível conciliar os 2 apoios existentes do “Vale Eficiência” com o do “Edifícios + Sustentáveis” para a compra de painéis? É que eu já tenho um “vale eficiência” de 1300+IVA comigo e queria saber se ainda poderia ir buscar o restante (1200€) da diferença até aos 2500€ ao apoio “Edifico +Sustentáveis”. Ia jurar que já li o Pedro dizer que seria possível num dos muitos comentários que responde.

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá Carlos. Pode acumular os dois apoios mas não na mesma despesa. teria de comprar os painéis em duas fases com faturas diferentes. Por exemplo 3 painéis e usava o vale eficiência. E depois comprava mais 3 e candidatava-se as o mais sustentáveis. Atenção que cada apoio tem as suas regras. Confirme junto do fundo ambiental.

      Responder
      • Carlos

        Pois, não faz muito sentido ter de partir a fatura em 2. Mas se calhar mais vale jogar pelo seguro e pedir ao fornecedor para fazer 2 faturas. Obrigado pela resposta. Depois futuramente deixarei o meu testemunho de como correu ou até farei um video no meu canal “KTM Laranjinha”.

        Responder
  5. José Antônio palma

    tenho dois paneis solares posso saber quanto é a pruducao mensal exemplo 15,euros foi a proposta inicial mas não me parece que seja

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá José. Uma coisa é o que os painéis produzem. Outra é o que o José consome do que eles produzem. É muito diferente. Tem de ter um aparelho de medição.

      Responder
      • José palma

        Que aparelho e não sei fiz aplicação mas pouco. dizem

        Responder
  6. Rogério Silva

    Boa Noite Pedro

    Tenho uma duvida sobre «Autoconsumo e Settlement», pelo que percebi o excedente ( contabilizado em períodos de 15 minutos) que vai para a E redes é contabilizado como saldo a favor do produtor e descontado no consumo, o que ainda não percebi é se é descontado quando o produtor necessitar ou seja quando os painéis já não estiverem a produzir?

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá. Será um desconto na fatura ao fim do mês. Mas não está a funcionar muito bem. A e-redes está a ter dificuldade em comunicar esses valores às empresas que fazem a faturação.

      Responder
      • Rogério Silva

        Mas se estivesse afinado a questão das baterias por exemplo não se colocaria certo? A rede funcionaria como um powerbank…

        Responder
        • Helder Capelo

          Aquilo que produz é descontado ao que consome nos períodos de 15 minutos. O que produz a mais (excedente) é: a) oferecido à e-redes; b) vendido por sí se tiver contrato de venda do excedente; ou c) armazenado se tiver baterias. A rede não é um powerbank.. só pode usar o excesso que produziu se tiver baterias.

          Responder
  7. Filipe

    Caro Senhor Pedro , na realidade passa-se o mesmo com o carro a gasóleo vs gasolina da mesma gama ou equipamento , pois parece que compra a energia mais barata mas no fim pagou à cabeça mais um x para na realidade ter um benefício a longo prazo . E como os painéis sem baterias só beneficia a E-Redes . Como diz , durante 7 anos porque inclui o benefício do Estado , na realidade não poupa na fatura , amortiza na “eletricidade” ( painéis ) que comprou já de imediato . Daqui a 7 anos é que poderá começar na realidade a poupar na fatura mas isso se os referidos estiverem em condições de produzirem energia . Como sabe , as células fotovoltaicas tem uma vida útil e vão perdendo rendimento como o tempo . Quase aposto ao fim dos 10 anos tem que comprar novos painéis , estão esses na sucata . Com só termoacumuladores é igual , ao fim do tempo sucata . Olhe , que hoje na da dura eternamente . Sem baterias e a oferecer energia … pode arrancar os mesmos do telhado .

    Responder
    • Pedro Andersson

      É o que vamos ver Filipe. Tenho uma visão mais optimista. Tem razão quando diz que só estou a amortizar nestes primeiros 7 ou 8 anos. A minha expectativa é que durem no mínimo 20 anos. Vamos ver.

      Responder
  8. Carmo

    Olá Pedro, muito obrigada pela sua partilha de informações . Já agora tenho uma questão sobre este assunto, com este número de paineis que tem e a energia que produz diariamente são suficientes para carregar um carro elétrico, ou para isso seria preciso mais produção de energia diária?

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá Carmo. Não funciona assim. Só usa a energia que consumir no momento em que ela é nproduzida. Para carregar o carro de graça teria de o carregar em casa entre as 11h e as 15h e tinha de estar um sol radiante. Fora desses horários ou com nuvens não seria suficiente. E depende da velocidade de carregamento do carro. Os meus painéis produzem no pico 1,3 kWh. É fazer a conta 🙂

      Responder
  9. Paulo Duarte

    Antes de mais, obrigado pelas suas dicas no Contas Poupança! Tenho aprendido muito com as suas dicas e partilha de informações úteis.
    Em relação a este tema, painéis solares fotovoltaicos, penso que seria interessante abordar a nova solução da EDP com baterias, pois a maioria dos portugueses que trabalham, não estão durante o dia em casa. Obrigado 😉

    Responder
  10. Bruno

    Boa noite Pedro,

    Eu também possuo paineis e ha uns meses ao consultar as minhas leitura na página da E-redes reparei que os saldos de energia produzida/consumida não batiam certo com os valores do meu sistema shelly que utilizo para medição (eu sei que o sistema utilizado pela E-Redes calcula a energia de 15 em 15 minutos). Questionei a E-redes que na altura se limitou a responder que as leituras estavam corretas sem explicar a formula de calculo. No entanto desde 21-01-2022 que na minha area pessoal na página da E-redes não são apresentados os saldos (Leitura calculada pelo saldo entre a energia consumida da rede e energia injetada na rede em cada período de 15 minutos.). Contactei novamente a E-redes mas desta vez em vez de me responderem por escrito, ligaram-me informando que estão com um problema na plataforma e por isso não estão a ser calculados os valores dos saldos, estando por isso a E-redes a enviar (não só no meu caso) apenas os valores totais de consumo (sem o desconto da energia injetada) ao meu fornecedor de energia. Tendo o Pedro também paineis instalados, pergunto-lhe se também está a ser afetado por este problema, e se sim se tem mais alguma informação sobre este assunto. Porque a meu ver o facto de os contadores não mostrarem estes calculos ao cliente (apenas mostram os consumos totais sem desconto da energia injetada) faz com que se torne impossivel verificar se os valores a pagar estão ou não corretos. Para não falar que os saldos que me são apresentados na página da E-redes não fazem sentido nenhum, por exemplo em vazio no dia 21-01-2022 é apresentado que o meu valor total de consumo é 962 e o valor total de produção é 0 (isto é obvio porque o painel não produz durante a noite), no entanto o saldo do vazio indica um total de exergia consumida de 961 e produzia 0. E as incoerencias continuam.

    Responder
  11. Sónia Cardoso

    Tenho um painel solar há 11 anos para aquecimento das águas . Depois de ler o artigo, pergunto: como posso medir a energia que ele produz?

    Responder

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