Crédito à habitação no máximo 35 anos para clientes acima de 35 anos de idade

Escrito por Pedro Andersson

31.01.22

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3 min de leitura

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35 anos vai ser o prazo máximo para o crédito à habitação, se tem mais de 35 anos

“Más notícias” para quem vai fazer crédito à habitação nos próximos meses. Mas, digo eu, é para o nosso bem. Já explico porquê.

O Banco de Portugal, em 2018, introduziu limites a alguns dos critérios que as instituições de crédito e sociedades financeiras devem observar na avaliação de risco dos futuros clientes. Pretendia-se que as instituições não assumissem riscos excessivos na concessão de crédito, de forma a reforçar a segurança do setor financeiro perante  potenciais choques adversos, e promover o acesso a financiamento sustentável por parte dos consumidores, minimizando o risco de incumprimento.

O Banco de Portugal diz que as instituições de crédito têm cumprido genericamente as orientações definidas, mas verificou que a maturidade média dos novos empréstimos à habitação não tem vindo a convergir para os 30 anos, conforme estabelece a Recomendação. 

Assim, tendo em vista a convergência da maturidade média dos novos contratos de crédito à habitação para 30 anos até ao final de 2022, o Banco de Portugal decidiu apertar a malha e acaba de recomendar novos limites à maturidade máxima das novas operações de crédito à habitação em função da idade dos mutuários (quem compra). 

Os novos limites para crédito à habitação

A maturidade máxima destes créditos deve ser de 40 anos, para mutuários com idade inferior ou igual a 30 anos; de 37 anos, para mutuários com idade superior a 30 anos e inferior ou igual a 35 anos; e de 35 anos, para mutuários com idade superior a 35 anos.

O Banco de Portugal avisa que vai continuar a monitorizar o cumprimento da Recomendação e poderá adotar medidas adicionais que considerar adequadas para atingir o objetivo de convergência da maturidade média dos novos contratos de crédito à habitação para 30 anos até ao final de 2022. Ou seja, isto ainda pode vir a baixar mais.

Esta alteração entra em vigor a partir de 1 de abril de 2022.

Em resumo, a partir de abril vai ter de contar com mensalidades mais altas do que até agora porque vai ter de pagar o seu crédito durante menos tempo. Só para ter uma ideia do que isto significa, eu fiz um crédito a 40 anos e com a crise de 2008 ainda aumentei mais 2 anos, portanto vou estar a pagar a minha casa até aos 82 anos. É uma “tontice” completa para mim e para o banco. Vou pagar duas casas em vez de uma e o banco arrisca-se a que eu morra antes de acabar de pagar a casa.

Esta regra do Banco de Portugal faz sentido, mas vai obrigar muitas famílias a ter de gerir muito melhor o dinheiro que têm (lá vem a importância da literacia financeira) para não prejudicarem a sua qualidade de vida e evitar o risco de incumprimento porque se esticarem o orçamento familiar ao máximo agora, quando a euribor subir, vão passar um mau bocado. E com um prazo menor em termos de anos de crédito ainda vai ser pior.

Cuidado com os novos créditos

Não dêem passos maiores do que a perna. Já conversei com jovens namorados que estão à procura de casas que custam 400 mil euros.  Querem começar por cima, logo com a casa dos seus sonhos, e esquecem-se que a vida é uma maratona e não uma corrida de 100 metros…  Mas cada um sabe de si.


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11 Comentários

  1. Ana Paula Pereira

    Pedi ajuda ao Doutor Finanças
    5* e tudo explicado ao pormenor.
    Obrigada

    Responder
  2. Mariana

    Bom dia eu gostaria comprar uma casa aí em Portugal não sei como é para fazer no tenho entrada para pagar

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá Mariana. Nesse caso tem de juntar dinheiro para a entrada primeiro ou tenta encontrar uma casa dos próprios bancos. Aí o financiamento pode ser a 100%. Mesmo nesse caso tem de ter vários milhares de euros para os impostos e escritura.

      Responder
  3. Maria Catarina Santos

    Bom dia Pedro, obrigado por nos manter devidamente informados.
    Só fiquei com uma dúvida, é para aplicar a a créditos novos a partir de Abril ou também vai ser aplicados a créditos já feitos?
    Obrigado, Catarina Santos

    Responder
  4. Filipa Dâmaso

    Bom dia Sr. Pedro.
    Uma questão, se apenas uma das pessoas tiver 36 anos e a outra for mais nova, aplica-se na mesma a regra dos 35 anos?
    Obrigada. Filipa

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá. Filipa. Vai ter de perguntar no banco :). Até podem deixar passar… Ou não.

      Responder
  5. Oscar Gouveia

    Boa tarde Pedro,

    Mais uma vez o pequenino é que leva por tabela por causa da ganância dos bancos. Foram os empréstimos a fundo perdido, sem critério e sem cálculos de taxas de esforço que levaram á crise de 2008 (para não falar da falcatrua dos fundos imobilíários com os quais os bancos ganharam dinheiro e as pessoas perderam as casas). Concordo que pagar uma casa até aos 80 anos é uma tontice, mas discordo quando diz que “o banco arrisca-se a que eu morra antes de acabar de pagar a casa”. Fique descansado que o banco não fica a perder, por isso é que somos obrigados a ter um seguro de vida quando pedimos o empréstimo e antigamente (não sei se agora ainda acontece) na escritura, pelo menos na minha, vinha lá escrito que o banco se reservava ao direito de me fazer um seguro de vida no qual ele era o único beneficiário no caso de eu ir desta para melhor. Por muita literacia financeira que possamos ter e por muito cedo que começemos a poupar para uma casa, da maneira que o mercado imobiliário está inflacionado (basta passar por alguns sites de imobiliárias e ver o que pedem por algumas casas que não passam de ruínas sempre com o slogan “enorme potencial” e “oportunidade de investimento”), difícilmente se conseguirá o suficiente para a entrada de uma casa. Se calhar a casa que os jovens namorados que referiu, que custa 400 mil euros provavelmente o valor real nem a 250 mil chega, mas é preciso encher o bolso às imobiliárias e aos bancos. Dificilmente conseguiremos que a nossa primeira casa seja a casa dos nossos sonhos mas deve pelo menos perspectivar o futuro. Eu sou provavelmente uma excepção à regra e um sortudo. Comprei casa aos 18 anos, com o falecido crédito bonificado e sem dar um tostão de entrada. Não é casa dos meus sonhos mas era a casa a preparar o futuro. Podia ter comprado um T0? Podia e até tinha sido mais barato, mas depois quando juntei os trapinhos tinha de o vender e mudar-me para um T1 e quando viesse o filho volta outra vez o disco vende e vai para um T3. Não amigo. Comprei um T4, fui arranjando ao longo dos anos, não tive preocupações com o evoluir da vida (casar, filhos) e está quase pago. Depois de pago se der para ter a casa dos sonhos dá, se não der paciência ao menos tenho um teto que é meu e não do banco.

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá Óscar. Prazer em ouvir de si de novo :). Concordo com tudo o que diz. Quanto ao seguro de vida, não perde o banco mas perde a seguradora associada do banco, mas isso é problema deles… Eles não estão lá para perder. Para perder estamos lá nós. Faço questão de pagar a casa muito antes. Quero ter o meu teto pago muito antes disso. Abraço. Pedro Andersson

      Responder
    • Joao

      Concordo com o Sr Oscar Gouveia, e alem disso estamos nesta situaçao em encurtar os anos dos creditos, apenas e só porque cada vez mais estao os jovens dos 30 aos 40 sem conseguir comprar casa com estes valores absurdos, e nao tratam de solucionar, este problema, mas sim ajudar a piorar inflacionando mais, e diminuindo o tempo do credito.

      Responder
  6. Maria

    Boa tarde Pedro,
    Vou fazer um empréstimo com o meu namorado. Eu tenho 30 anos e ele tem 31. A média das idades dá 30,5 anos ( ou seja <31 anos), tendo em conta a nova regra, é possível fazer empréstimo a 40 anos?

    Obrigada

    Responder

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