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Se quiser investir é melhor um PPR ou um ETF? (Mês #5 – Novembro 2021)

Escrito por Pedro Andersson

01.12.21

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8 min de leitura

PPR vs. ETF: Qual é melhor para investir a longo prazo? (Mês #5)

Passou mais um mês e continuo surpreendido com a diferença de desempenho entre os meus 2 ETF (SP500 e World) e o PPR “Save&Grow” da Casa de Investimentos. No dia em que fiz o “retrato” (ontem, dia 30 de Novembro), estávamos ainda a recuperar de um dia muito mau nas bolsas. Pode ver qualquer um destes 3 produtos dia a dia e no caso dos ETF, minuto a minuto. Não é isso que se pretende, porque qualquer um deles deve ser subscrito a MUITO longo prazo (5, 8 anos ou mais) para termos uma ideia da tendência real. Já lhe expliquei que estes dados que lhe estou a transmitir são muito superficiais, mas assumi convosco e comigo próprio que vou fazer o filme completo desta minha aventura financeira.

Até ao momento, os ETF levam uma enorme vantagem em relação ao PPR. Para isto fazer sentido, subscrevi os 3 apenas com horas de diferença.

Claro que a diferença tem de se calcular mais à frente, só após 8 anos, por causa da diferença no valor dos impostos que ambos terão de pagar (8% dos PPR vs 28% dos ETF). Como o PPR ainda está negativo, ainda não faz sentido fazer esse gráfico.

Devo alertar, antes de mais, que estou a comparar 3 produtos específicos. Logo, não se trata “dos PPR” porque estou a comparar apenas um com uma fortíssima carga de ações (praticamente 100″%) com a estratégia de investimento em valor (apenas ações de empresas muito fortes e estáveis, que aguentam bem nas crises mais profundas), com dois ETF de corretoras específicas que podem tem ligeiras diferenças de comissões de gestão e políticas de formação do índice em relação aos mesmos ETF de outras corretoras.  Seja como for, creio que ficará – como eu – com uma ideia bem concreta da comparação em tempo real dos dois tipos de produtos financeiros.

Vamos a contas. 

Se não faz ideia do que é um ETF, ouça este episódio do meu podcast: O que é um ETF?

O que é um ETF e porquê comparar com um PPR?

ETF, também conhecido como tracker, significa Exchange Traded Fund (fundos de índices cotados). É um produto que segue um índice, mercadoria, obrigação ou composição de produtos. É, no fundo, uma cesta de títulos que são cotados em bolsa, mas que não tem de comprar nem vender individualmente. Em vez de comprar legumes um a um, compra um cabaz por um preço médio. No caso dos legumes, é para fazer uma sopa; no caso dos ETF é para os guardar e esperar que valorizem com o tempo (como se fossem peças de coleção ou um vinho que fica mais valioso com o tempo). 

Quanto aos PPR, creio que já todos ouvimos falar deles pelos benefícios fiscais ou porque fomos “obrigados” pelo banco para nos baixar o spread do crédito à habitação. Há os seguros PPR (que não rendem quase nada e que têm capital garantido) e os fundos PPR (que rendem muito mais, mas não têm capital garantido). Os fundos PPR refletem o que se passa nas bolsas nas ações, índices e obrigações que compõem cada PPR. Paga uma comissão de gestão a quem gere esses PPR, que vão alterando a composição do fundo PPR ao longo do tempo. A partir de 8 anos, o imposto sobre os lucros que tiver no momento do resgate é de apenas 8 por cento.

Os ETF são uma “média” do que acontece numa bolsa, bolsas, setores de atividade, países, regiões, etc. Ninguém gere nada e é o “espelho” quase exato do que acontecer nas bolsas. Subscrevem-se em corretoras ou bancos. Como ninguém compra e vende nada, as comissões desses índices são muito pequenas ou inexistentes.  No dia em que resgatar, paga sobre as mais valias 28%, como nos depósitos a prazo, e paga-os no IRS no ano seguinte (recebe menos ou paga mais).

Leia mais: Como escolhi os ETF e o PPR

Uns acham que os PPR mesmo que ganhem menos ao longo do tempo, compensam no final porque pagam muito menos imposto.

Outros acham que historicamente compensam mais os ETF porque como ninguém anda a comprar e a vender são cometidos menos erros de gestão e como as comissões são baixíssimas, no final o que crescem a mais compensa a fiscalidade mais vantajosa dos PPR.

O meu “teste do algodão”

O desafio que propus a mim próprio foi tentar descobrir a resposta com casos reais (que são os meus). Ou seja, se você escolher um PPR diferente dos meus ou escolher ETF diferentes dos meus, os seus resultados também serão obviamente diferentes. Mas pelo menos fica com uma ideia.

Escolhi um PPR com uma enorme percentagem de ações (95%) e os dois ETF mais conhecidos mundialmente. Os 3 foram subscritos no mesmo dia para que a análise seja o mais exata possível.

Os dados seguintes referem-se a 30 de novembro de 2021.

Repito que os ETF e o PPR foram subscritos em simultâneo com poucas horas de diferença na última semana de julho de 2021.

Como podem ver acima, passado 5 meses, o meu ETF SP500 está a crescer 10% (no mês anterior estava a crescer 7%) e o ETF “Mundo” (All-world) está a crescer 7% (mês passado 6%). 

Já se perguntou porque insiste em deixar a maior parte das suas poupanças (fora o seu Fundo de emergência) na conta à ordem ou numa conta a prazo a render NADA? Sim, não tem capital garantido, mas pondere arriscar um pouco, sabendo que vai oscilar ao longo do tempo. Neste dois casos, para perder a totalidade do dinheiro investido, TODAS as 500 maiores empresas dos EUA teriam de ir à falência, ou todas as maiores empresas do mundo inteiro. Claro que o que investir vai subir e descer e pode em alguns momentos e durante certo tempo ter lá um saldo (muito) menor do que o valor que investiu. Nessas circunstâncias, é esperar com paciência que recupere. Não tem mais nenhum “truque”.

Para quem pergunta, subscrevo os meus ETF na plataforma digital Degiro. Digo-o por uma questão de transparência (não ganho nada com isto).

E o PPR?

O PPR “Save & Grow” da Casa de Investimentos é composto por 95% de ações das maiores e mais “seguras” empresas dos Estados Unidos, principalmente.

Seguem a estratégia do “investimento em valor”, ou seja só investem em empresas que são estáveis e com “garantia” de crescimento e que reforçam no PPR quando estão a bom preço. Na página deles encontra bem descrita toda esta estratégia que têm seguido ao longo dos anos. Subscrevi 1.000 euros, durante um breve período de tempo estive com uma pequeníssima valorização de 14 euros, mas agora voltou a  valores negativos. Se resgatasse neste momento, perderia 18 euros em relação ao que subscrevi.

Passados 5 meses, há uma diferença de pelo menos 7% entre o rendimento dos meus dois ETF e o meu PPR Save and Grow.

Naturalmente, é muito cedo para estar a fazer comparações, mas quero que acompanhe esta “corrida”. São estratégias completamente diferentes. O PPR escolhe especificamente as ações que compra e que vende a cada momento, e os ETF não fazem nada a não ser replicar a média dos EUA e do mundo. Logo, o Save & Grow vai ter muitos momentos de quedas superiores aos ETF e crescimentos superiores também. Aguardemos.

Comecei a fazer um gráfico Excel com a evolução dos juros que cada um está a render e mais abaixo o valor correspondente ao valor bruto proporcional ao juro de cada um numa carteira de 1.000 euros.

Assim que o PPR estiver em valores positivos farei outro com a perspectiva a longo prazo com a respectiva tributação diferenciada. Isso sim, é que fará a diferença. Mas será sempre uma previsão relativa ao valor que teriam na conta após 8 anos. Não corresponderá à realidade atual. É só para perceber a diferença, caso já tivessem passados os tais 8 anos, entre os 8% ou 28% de imposto sobre as mais valias.

Para já, olhando para os números, passados 5 meses, os ETF estão a ganhar a este PPR (tenho outros que estão a crescer mais ou a perder menos). 

(NOTA: Se estiver à espera dos meus resultados daqui a 8 anos para decidir se começa a investir o seu dinheiro e em quê, ainda não aprendeu nada com este blogue. Pense pela sua cabeça. O segredo está em informar-se e depois agir. Saber e não fazer nada é equivalente a não saber.)

Por onde começar a investir sem capital garantido (e ter a possibilidade de ter rentabilidades maiores)?

  1. Fazer um bom Fundo PPR (veja rendimentos e comissões, e defina o seu perfil – defensivo, moderado ou agressivo)
  2. Subscrever ETF
  3. Subscrever Fundos de Investimento

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13 Comentários

  1. Liliana

    Muito obrigada pelo serviço público que presta aos portugueses. É de louvar. Fazendo assim umas contas por alto, imaginando que investia 1000€ num PPR e outros 1000€ num ETF, parece-me que o ETF só compensa se tiver uma % de juros totais de 38,1% ou mais… no final, depois das contas aos impostos, parece-me que o PPR ganha.

    Responder
    • Pedro Andersson

      É o que vou descobrir em tempo real :). Não imagino, investi mesmo.

      Responder
  2. Liliana

    12%, enganei-me. só compensa se for 12% de juros totais ou acima

    Responder
  3. Jmpc

    Obrigado pela informação!
    Qual o código dos ETF s em que investiu ?
    Estou acompanhar e gostava de saber ao certo quais são para pode fazer a minha análise!
    Obrigado

    Responder
  4. Joao Granito

    Neste seu comparativo, leva em conta a possível dedução do PPR em sede de IRS? Uma vez que não é possível essa dedução no caso do ETF, terá também algum impacto no comparativo, caso seja possível fazer a dedução. Li algures no seu blog que no seu caso não compensa pois já estava no limite das deduções, mas para alguém que não esteja, esse ponto é mais um a ter em conta no momento de decidir avançar com um ETF ou PPR, correcto?

    Responder
    • Pedro Andersson

      Sim. É relevante o que diz. Mas o meu contexto é no sentido de ter sempre o dinheiro disponível. Colocando no IRS já me limita a utilização do dinheiro. O meu objetivo financeiro é pagar a minha casa ao banco 10 ou 15 anos mais cedo.

      Responder
      • Joao Granito

        Correto, cada um deve analisar bem a solução de acordo com os objectivos. No meu caso estava a pensar em ir aplicando em PPR, beneficiando em cada ano da dedução (ainda tenho margem suficiente), e ao fim dos 5 anos começar a levantar para pagar prestações do crédito habitação. Pelas minhas contas, indo ao limite dos 1750€ por ano, teria durante os primeiros 5 anos 350€ de dedução “garantida” no IRS. E a partir do 6º ano poderia começar a canalizar o dinheiro entregue 5 anos antes para pagamento das prestações, que no meu caso significava 3-4 prestações anuais. Esse valor poupado (350€ anuais dos primeiros 5 anos + os 1750€ anuais levantados a partir do 6º ano) poderia servir também para amortizar parte do crédito mais cedo.
        Conseguir retirar 10 a 15 anos do crédito é algo que ainda não consigo ambicionar, mas estou a começar também a fazer as “minhas contas” a ver como reduzir. Para já, o que posso dizer, é que há 2 anos usei os seus conselhos de consultar uma empresa especializada para ajudar a mudar o crédito e o seguro de vida poupando muito dinheiro, não só mensalmente, como no total do contrato. Agora é tempo de ver como usar as poupanças também para reduzir essa “âncora” que me irá acompanhar ainda muitos anos.

        Responder
  5. João

    Conseguia partilhar a folha excel ou explicar como fez os gráficos? Irei começar a investir dentro de um curto prazo e gostaria de fazer uma análise igual à sua ao longo do tempo. Obrigado!

    Responder

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