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Eletricidade bateu hoje novos recordes – Prepare-se para aumentos no fim do ano

Escrito por Pedro Andersson

09.09.21

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5 min de leitura

Preço da eletricidade na produção bateu hoje novo recorde

Acabei de ver o preço a que está a ser vendida hoje a eletricidade no mercado ibérico de eletricidade (onde as empresas portuguesas fornecedoras de energia compram a eletricidade para depois a venderem a nós) e apanhei um susto. Quase tocou os 160 euros (159,30 €) o megaWatt. É um novo recorde absoluto.

Se dividir por mil dá o preço por kWh (que é o que você paga na fatura), ou seja quase 16 cêntimos/kWh. A este valor tem de acrescentar mais 10 cêntimos de taxas, impostos e valores fixos e ainda falta pôr o lucro de cada empresa. Se este valor continuasse assim, estamos a falar de um absurdo de no mínimo 26 cêntimos + IVA (32 cêntimos kWh).

Para ter uma ideia é o equivalente a um litro de leite passar a custar 2,50 €. Ou de o litro do gasóleo passar a custar 7,50 €. Estamos a falar de um aumento de 5 vezes mais em relação aos valores praticados antes desta escalada repentina dos preços da eletricidade. E ninguém pode viver sem eletricidade.

Estes aumentos devem-se ao aumento do preço do gás (que alimenta as centrais a gás) e do preço das licenças de CO2 e um pouco também à falta de vento que alimenta as eólicas.

Estou aqui a avisar que se quem decide não fizer nada, isto é uma bomba-relógio. Ou os preços baixam – e rapidamente – ou então vamos ter problemas sérios nas famílias com rendimentos mais baixos. Em algumas situações, a fatura da luz pode subir algumas dezenas de euros todos os meses. Isto não é brincadeira.

O governo diz que tem almofadas, mas se estes valores atuais passarem para a atualização de preços das empresas vai ser muito complicado.

Tem aqui o gráfico desde o início do mês, só para ter uma ideia.

Hoje (10 de setembro de 2021) a eletricidade para Portugal está a ser vendida a 159 €/MWh. Se gastasse 300 kWh por mês (o meu caso) só de energia a minha fatura seria de 96 euros, mais a potência contratada, mais a Taxa Audiovisual (CAV). Mostro-lhe o gráfico da evolução do preço da eletricidade este mês mais abaixo.

O que é o tarifário SPOT

Feitas as contas, setembro continua a ser um mês impensável para começar um contrato de tarifa indexada de eletricidade.

Nesta reportagem do Contas-poupança expliquei-lhe com detalhe como funciona este tarifário que lhe pode trazer poupanças excelentes se estiver disponível para arriscar um pouco (não agora, mas no futuro).

De uma forma resumida, em vez de pagar o mesmo valor de kWh durante 12 meses (que é o normal), passa a pagar exatamente o mesmo que as empresas pagam quando vão comprar eletricidade ao mercado ibérico de eletricidade (OMIE) mais uma comissão fixa que costuma ser de meio cêntimo. A este valor acrescem os valores fixos que todas as empresas fornecedoras têm de pagar. Assim, paga sempre o preço “justo” e nunca se sentirá enganado. Mas tem de saber escolher o momento de entrada e acompanhar regularmente a evolução dos preços, como pode ver pelo exemplo acima.

Os preços do OMIE em Setembro

Nos dois anos anteriores (desde 2019), que este tarifário tem representado poupanças muito significativas. Vários meses chegaram aos 20% de desconto em relação ao mercado regulado, às vezes até mais. Acontece que nunca sabe qual vai ser o preço do mês seguinte.

Como sei que muitos de vocês gostam de um bom desafio de poupança, mas precisam de informação para decidir, assumi o compromisso de todos os meses vos dizer qual vai ser o preço do mês seguinte (com base na média diária do mês anterior).

Esta informação está disponível na página da OMIE, mas é de muito difícil leitura. Não consegui fazer as contas de uma forma que considero exata, por isso uso como referência o tarifário SPOT da Luzboa (onde fiz a reportagem). Os preços da tarifa SPOT no gráfico são deles (retirada do site da ERSE).

Como sabem, faço muita questão de ser completamente transparente e isento nas informações que partilho convosco. Não tenho qualquer relação com nenhuma empresa ou instituição. Não recebo comissões de ninguém, nem tenho nenhum interesse particular. A Luzboa é apenas um exemplo como referência. Os preços do gráfico são sem IVA, tal como os que tem na sua fatura. Assim pode comparar melhor.

Quando baixar o preço no OMIE, poderá ser uma boa altura para aderir a este tipo de tarifário (se for melhor do que aquele que tem neste momento). Esta empresa, tal como as outras, também tem tarifários “normais”, com o preço fixo durante um ano. Mas isso é você quem decide, pensando pela sua própria cabeça e escolhendo a empresa que entender.

No momento em que fiz a reportagem, havia 3 empresas que tinham o tarifário indexado: A Luzboa, a Audax e a Luzigás. Outras têm o tarifário spot, mas só para clientes empresariais. Entretanto podem ter surgido mais ou estas terem desistido. Isso já é trabalho que você terá de ter. Escolha a que quiser, quando quiser.

Mas para já fique com este aviso: Não se prevêm tempos fáceis para os consumidores. Vamos pagar eletricidade mais cara muito provavelmente a partir de janeiro ou quando terminar o seu contrato de 12 meses com o seu atual fornecedor. Esteja atento e mude JÁ para a empresa mais barata que encontrar. Isto vai doer.

Leia também:

Podcast – Está preparado para os aumentos da eletricidade?

VÍDEO | Deve ter cuidado com os contadores inteligentes de eletricidade?


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5 Comentários

  1. Vítor R

    Viva Pedro,

    Os domésticos, onde me incluo, ainda não sentiram e poderão até não sentir os efeitos dos aumentos dos preços nos mercados.

    Vejo com consternação que a comunicação social, salvo raras exceções, não está preocupada com as empresas.

    As empresas que estiveram recentemente e que estão agora a renegociar os seus contratos, estão, em muitos casos, a sofrerem com aumentos superiores a 100%! Essas já estão a pagar preços elevados neste preciso momento.

    Outras há que viram os seus comercializadores a “rasgarem” unilateralmente contratos e a terem que ir forçosamente ao mercado comprar nestas condições. Tinham contratos com ótimos preços com fidelização mas a fidelização só vale para um dos lados.

    O que se está a passar é gravíssimo. Estamos a tirar competitividade às nossas empresas (fonte de receitas e de criação de empregos) que o que mais precisavam nesta altura era de incentivos à retoma pós-covid mas o que encontram é: eletricidade em máximos históricos, aumento do custo das matérias primas, dos transportes, dos combustíveis, etc.

    O mercado de referência para os contratos a preços fixos é o OMIP (e não o OMIE que é para o indexado):
    https://www.omip.pt/pt
    Neste momento está a 95,1€/MWh (duplicou em 6 meses) para todo o ano de 2022.

    Se uma empresa pretender fazer um contrato a preços fixos para todo o ano de 2022 é com base neste preço que o comercializador lhe fará a proposta de preços.
    (Também existem produtos semanais, mensais e trimestrais.)

    Pedro, se puder, dê voz às empresas. Ao governo só têm perguntado pelos domésticos. Sei que são a maioria e são os que dão votos. Mas precisamos que a nossa economia recupere senão levamos todos por tabela.

    Muito obrigado.

    Responder
    • Pedro Andersson

      Tem toda a razão. A situação é gravíssima. Vou sugerir essa reportagem na SIC, embora ache que já falamos do assunto.

      Responder
  2. Liliana

    Para alem da preocupaçao com as familias e as empresas, questiono-me relativamente à parte ambiental. As empresas que dizem usar apenas energia verde tb compram a energia neste mercado? como podem dizer energia verde e comprar num mercado que se baseia no gas?? e os electrodomesticos electricos deixarao de compensar face aos de gas etc? falo de termo acumuladores, fogao a inducao, forno electrico…

    Responder
  3. Almerinda Domingues

    Boa noite, Dr. Pedro Andersson
    Gostava de lhe pedir um favor, fiz uma cirurgia ao colon, após este ato médico, fiquei com uma incapacidade de 68% definitiva.
    Um dia depois de ouvir o seu progrma , percebi que podia beneficiar de alguns descontos, procedi ao contato com várias empresas, todas fizeram o respectivo desconto. Em feverero alterei a empresa das comunicações, referi á nova empressa a minha situção. Foi me referido que após 6 meses apresentasse o documento comprovativo, assim o fiz. Após 2 duas semanas
    recebi um telefonema dessa empressa a dizer que teria que aderir a um pacote maior. “NAO PODERIA FICAR A PAGAR MENOS”
    ISTO SERÁ HÁ VONTADE DE CADA UM? Estranhei a resposta. Poderá ajudar-me.
    Grata pela atenção.
    com os melhores cumprimentos
    Almerinda Domingues

    Responder
    • Pedro Andersson

      Olá. No caso das telecomunicações fica à vontade de cada um. Só dão descontos porque querem, no âmbito da responsabilidade social. Não são obrigados a nada 🙂

      Responder

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